A importância das conexões na comunicação o evangelho

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

 

 

A importância das conexões na comunicação do evangelho

Jesus foi o maior de todos os mestres. Seus discípulos o chamaram de mestre. Ele mesmo se apresentou como mestre e até seus inimigos reconheceram que ele era mestre. Jesus foi o maior de todos os mestres por causa da variedade de seus métodos e por causa da sublimidade de sua doutrina. Jesus não foi um alfaiate do efêmero, mas um escultor do eterno. Sendo o Mestre dos mestres, o maior comunicador de todos os tempos, Jesus usou com perícia invulgar importantes conexões em sua comunicação. Quero ilustrar esse fato incontroverso com suas cartas endereçadas às igrejas da Ásia Menor. Visitando as ruínas dessas históricas cidades recentemente, pude constatar de forma inequívoca essas conexões usadas por Jesus. Vejamos, por exemplo a carta enviada à igreja de Laodicéia.
1. Jesus usou a conexão geográfica. Laodicéia era uma rica cidade situada no Vale do Lico, uma fértil região, entre as cidades de Hierápolis e Colossos. Hierápolis é uma fonte termal, de onde jorram águas quentes do topo de uma montanha branca, chamada castelo de algodão. Essas águas quentes eram terapêuticas. Em Colossos, do outro lado do vale, ficavam as fontes de águas frias, também terapêuticas. Porém, Laodicéia não tinha fontes de águas. Suas águas vinham por meio de dutos desde as montanhas e chegavam à cidade mornas e sem qualquer efeito terapêutico. Jesus usa essa conexão geográfica para dirigir-se à igreja, dizendo-lhe: “Conheço as tuas obras, que nem és quente nem frio. Quem dera fosses frio ou quente. Assim, porque és morno nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca”.
2. Jesus usou a conexão econômica. Das três cidades do Vale do Lico, Laodicéia era a mais rica. Era um poderoso centro comercial. O comércio de ouro vindo de Sardes era famoso. A cidade era um dos maiores centros bancários da Ásia Menor. A igreja longe de influenciar a cidade, foi por ela influenciada. Ao olhar-se no espelho, julgou-se rica e abastada. Jesus, porém, repreende a igreja afirmando que ela era pobre e miserável e deveria comprar ouro puro para se enriquecer. Conforme o ensino de Jesus a riqueza material não é sinônimo de prosperidade espiritual.
3. Jesus usou a conexão industrial. Laodicéia era famosa pela indústria têxtil. A lã de cor escura, fabricada em Laodicéia, era famosa em toda a Ásia Menor. A cidade tinha orgulho de sua indústria têxtil. Jesus usa esse gancho para exortar a igreja, ordenando-lhe a comprar vestes brancas para se vestir, a fim de que sua vergonha não fosse manifesta.
4. Jesus usou a conexão científica. Laodicéia era o maior centro oftalmológico do Império Romano. Naquela cidade asiática fabricava-se o pó frígio, um remédio quase milagroso na cura das doenças dos olhos. Pessoas de todos os cantos do mundo viajavam para essa próspera cidade em busca de tratamento. Na cidade mais importante do mundo no tratamento de doenças dos olhos, havia uma grande cegueira espiritual, que estava atingindo a própria igreja. Então, Jesus exorta a igreja a comprar colírio para ungir os seus olhos, a fim de ver com clareza as realidades espirituais.
A mensagem do evangelho é imutável. Ela atravessa os séculos e não sofre variação. Porém, precisamos conhecer a geografia, a história e a cultura da cidade onde estamos inseridos, para fazermos conexões oportunas e pertinentes na comunicação do evangelho. Precisamos ler o texto e o contexto; precisamos interpretar a palavra e o povo. John Stott, um dos maiores expositores bíblicos de todos os tempos, falecido no dia 27 de julho de 2011, disse acertadamente que o sermão é uma ponte entre dois mundos: o texto antigo e o ouvinte contemporâneo. Que Deus nos ajude a abrir os olhos espirituais para fazermos as conexões necessárias, a fim de comunicarmos com mais eficácia a mensagem gloriosa do evangelho.

 

Rev. Hernandes Dias Lopes

QUANDO DEUS TRANSFORMA O SOFRIMENTO EM PORTA DE ENTRADA PARA O EVANGELHO

terça-feira, 19 de julho de 2011

 

 

Quando Deus transforma o sofrimento em porta de entrada para o evangelho

O apóstolo Paulo enfrentou toda sorte de provações e sofrimentos desde sua conversão. Foi perseguido em Damasco, rejeitado em Jerusalém, esquecido em Tarso, apedrejado em Listra, açoitado e preso em Filipos, escorraçado de Tessalônica, enxotado de Beréia, chamado de tagarela em Atenas e de impostor em Corinto. Enfrentou feras em Éfeso, foi preso em Jerusalém, acusado em Cesaréia, enfrentou um naufrágio na viagem para Roma e foi picado por uma cobra em Malta. Mas, ao chegar algemado na maior metrópole do mundo, a capital do império, Paulo escreveu sua carta aos filipenses, dizendo que as coisas que lhe haviam acontecido tinham contribuído para o progresso do evangelho. A palavra “progresso”, na língua grega, era usada para os engenheiros que abriam estradas para as viagens do imperador. O sofrimento do cristão abre portas e caminhos para o avanço do evangelho. Porque Paulo estava preso, três coisas muito importantes aconteceram:
1. Os crentes foram mais encorajados a pregar a Palavra. O ministério de Paulo não foi limitado com sua prisão, pois se considerava prisioneiro de Cristo e embaixador em cadeias. Mas o ministério da igreja foi ampliado com suas cadeias. A igreja sentiu-se mais encorajada a pregar. É bem verdade que algumas pessoas passaram a pregar o evangelho com motivações duvidosas, com o propósito de despertar ciúmes em Paulo. Mas, como estavam pregando o evangelho e não uma outra mensagem, Paulo se regozijava em ver que seu sofrimento estava abrindo picadas para o avanço de novos obreiros e alargando estradas para a caminhada mais rápida do evangelho. Deus não desperdiça sofrimento na vida de seus filhos. O sofrimento dos filhos de Deus contribui para o progresso do evangelho.
2. Os membros da guarda pretoriana foram evangelizados. Porque Paulo estava algemado, sob os cuidados do imperador, dois soldados da guarda pretoriana eram algemados a ele, em três turnos por dia, durante dois anos. Esses guardas faziam parte de um grupo de elite. Eram dezesseis mil soldados de escol, gente que tinha trânsito livre no palácio e influência política no império. Nesses dois anos, Paulo estava com as mãos presas, mas seus lábios estavam livres para testemunhar. Nesse tempo, Paulo evangelizou esses soldados e os demais membros do palácio. Nero, o imperador, não sabia, mas Deus o havia constituído em presidente das missões estrangeiras do império, pois havia colocado no palácio o maior missionário da igreja e diante dele o seu auditório. Durante essa prisão em Roma, Paulo ganhou muitas pessoas para Cristo, a ponto de escrever aos filipenses: “Os santos vos saúdam, especialmente os da casa de César” (Fp 4.22). No sofrimento os filhos de Deus podem testemunhar e colher muitos frutos para a glória de Deus.
3. Cartas abençoadoras foram escritas. Porque Paulo estava preso, ele não podia visitar as igrejas. O que ele fez? Começou a escrever cartas e essas cartas são verdadeiros tesouros ainda hoje. Que cartas foram escritas dessa primeira prisão em Roma? Efésios, Filipenses, Colossenses e Filemom. Essas epístolas têm sido luzeiros a brilhar para milhões de pessoas em todo o mundo. São cartas inspiradas pelo Espírito de Deus que têm edificado a igreja, consolado o rebanho de Cristo e sido instrumentos para levar tantos outros aos pés do Salvador. Para um observador desatento, a vida de Paulo estava à deriva. Por todo lado por onde passava era açoitado pelo azorrague do sofrimento, mas Deus estava no comando em cada circunstância, transformando os sofrimentos do apóstolo em abertura de novos caminhos para a proclamação do evangelho. De fato a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós eterno peso de glória acima de toda comparação. Não precisamos nos desesperar no vale da dor, pois nosso Deus é especialista em transformar nossos sofrimentos em portas de entrada para o evangelho.

Rev. Hernandes Dias Lopes

Ezequiel designado Atalaia de Israel (Ez.3.16-21)

sexta-feira, 8 de julho de 2011

 

Ezequiel Designado Atalaia de Israel (3.16-21)

3.16

Outra Etapa da Missão. O profeta teve sete dias de descanso e meditação. Então, o poder de Yahweh o pegou novamente. Agora chegara o tempo de agir, pois a mensagem tinha de ser entregue aos exilados. A comissão do profeta foi renovada e ele sentiu grande responsabilidade de agir como um herói. O Targum nos informa aqui que "a palavra de profecia" foi dada a Ezequiel, nesta experiên­cia; assim, ele ficou qualificado para agir como profeta de Yahweh.

3.17

Filho do homem. Yahweh frequentemente utilizou este título para referir-se ao profeta. Aquele fraco filho de homem seria feito o poderoso ataiaia de Israel. Cf. Is 56.10; Jr 6.17 e Os 9.8, onde o mesmo título é empregado. Os atalaias se posicionavam sobre os muros da cidade, sobre topos de colinas, às vezes sobre torres de água ou instalações militares, pois precisavam de visão panorâmica. O trabalho deles consistia em avisar o povo sobre a aproximação de qualquer perigo. Eles serviam como protetores do povo e trabalhavam em favor do seu bem-estar. Ezequiel tornou-se o atalaia espiritual do pequeno remanescente de judeus no cativeiro babilônico. Um Novo Israel estava sendo preparado por seus esforços. Seu trabalho era "pequeno", mas tinha grandes implicações. O ata­laia avisou o povo da chegada do julgamento, por causa de sua idolatria-adultério-apostasia. Ele deu instruções morais e espirituais. A figura do ata­laia será repetida em Ez 33.2-6. Ver também I Sm 14.16; II Sm 18.24-27; II Rs 9.17-20 e Is 21.6.

3.18

As advertências espirituais dos vss. 18-21 não se referem à alma e à condenação eterna em uma vida além do sepulcro, embora, comumente, intér­pretes utilizem este trecho com tal aplicação. Podemos fazer essa aplicação, porque as palavras são aptas a esse fim, mas o que está em pauta é a destrui­ção pelas mãos dos babilônios. As palavras podem incluir a ideia de desastres, pragas e revoltas da natureza, que massacram a vida humana. A vida prometi­da aos obedientes e convertidos seria tranquila e longa na Terra Prometida, onde os habitantes teriam o privilégio de promover o culto a Yahweh, fonte de todas as bênçãos. Em outras palavras, o texto se refere à salvação temporal, não espiritual.

Casos Específicos:

1. O primeiro caso estipulado é o do homem pecaminoso, rebelde, apóstata (coletivamente, Judá-Jerusalém); este ímpio recebe a advertência de Yahweh. Os babilônios trariam a morte, que chegaria na forma de um imenso massa­cre. Presumivelmente, o próprio profeta pereceria com o povo. Além dos ataques dos babilônios, haveria doenças, desastres naturais e uma variedade espantosa de calamidades. Mas nada, no trecho presente, fala sobre a alma e o julgamento do outro mundo.

É óbvio que este texto não menciona nada sobre o problema da segurança do crente, embora alguns intérpretes o utilizem desta maneira. "A referência aqui é obviamente à morte física" (Charles H. Dyer, in loc).

3.19

2. O segundo caso é o reverso do primeiro (vs. 18). Se o profeta cumprisse sua missão, mas os desobedientes permanecessem rebeldes e morressem nessa condição, ele entregaria sua vida por causas destas consequências. Cf. Is 49.4-5; At 20.26 e I Tm 4.16.

3.20

3. O terceiro caso é o do homem justo (segundo os padrões do Antigo Testa­mento, o homem que obedece à lei mosaica e participa do culto a Yahweh). Este homem cumpre seus deveres, mas finalmente abandona sua fé (como Judá fez quando correu atrás da idolatria de seus vizinhos). Este homem, ontem justo, agora é um ímpio como o resto da Judá apóstata; contra ele Yahweh agirá; sua bondade anterior não o ajudará nem um pouco. Com a iniquidade, ele anula sua condição anterior, cai e morre. Todavia, o ministro que o advertiu fica livre de sua culpa. O texto não se refere a um homem que ontem estava salvo, mas hoje está perdido, e, se morrer nesta condição, sofrerá julgamento eterno; esta é a interpretação de alguns ansiosos que querem um texto de prova para sua doutrina arminiana. O texto fala especifi­camente do golpe de morte do exército babilônico, que executou uma nação inteira e obviamente dos indivíduos daquela nação. A segunda morte não está em pauta.

Tropeço. Cf. Is 8.14; I Co 1.23; Rm 8.32-33; I Pe 2.8. A bondade que o homem praticou no passado não pode agir como um tipo de crédito, para evitar consequências desastrosas de uma vida pecaminosa presente. Ele não pode tirar algum dinheiro de seu banco espiritual e pagar os débitos de uma vida atual de apostasia. A Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura garantirá que esse homem pague o que deve: ele morrerá.

3.21

4. O quarto caso é o do homem bom que se tornou melhor ainda. Os ensinamentos do profeta fiel o ajudaram; ele obedeceu aos mandamentos e agiu com justiça. Esse homem será poupado das calamidades que trazidas pelos babilônios. Ele também escapará aos castigos da natureza, não ficará doente, terá uma vida longa, saudável e próspera. É bom negócio ser bom. Cf. o sentimento do Novo Testamento:

Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo. (Hb 13.17)

 

Bibliografia A T I

Fonte: EBD AREIA BRANCA

 

Ezequiel Designado Atalaia de Israel

O atalaia silencioso Ez 3:16-27

 

O atalaia silencioso Ez 3:16-27

16-21. Assim como Habacuque se postou na sua torre de vigia (Hc 2:1), assim também Ezequiel é nomeado atalaia para o povo de Israel (17). A expressão empregada é literalmente: "Dei-te para ser atalaia," o que significa que a nomeação de Ezequiel como profeta para avisar os exilados acerca da sua ruína iminente era, na realidade, um ato de graça da parte de Deus. O termo atalaia era comum para os verdadeiros profetas de Javé (cf. Is 56: 10; Jr 6: 17; Os 9:8). A função deles era ficar alerta à situação em derredor deles, escutar a palavra de Deus sempre que ela vinha a eles, e repeti-la ao povo com exatidão. Inevitavelmente isto significava que, tão frequentemente como o contrário, os profetas agiam como mensageiros de julgamento para um povo pecador, e Ezequiel não era exceção. Sua mensagem dizia respeito às consequências sérias do pecado. Para o perver­so, ou seja, o homem que não temia a Deus e vivia uma vida de desafio aberto aos Seus mandamentos, sua mensagem era: Certamente morrerás (18). O justo também precisava de ser avisado: se estava se desviando do caminho da justiça, precisava de uma advertência tanto quanto o perverso, e ainda que estivesse conservando-se na sua justiça, continuava necessitan­do do ministério constante de ser advertido a não pecar. O santo precisa dos avisos do atalaia tanto quanto o pecador.

Dizer, no entanto, que Ezequiel, mediante as suas advertências, salvaria a sua alma (19, 21) é muito enganoso. A palavra hebraica nepes tem uma vasta gama de significados, desde "garganta" até "pessoa," mas signi­fica "alma" somente no sentido em que chamamos uma pessoa de "uma alma." O hebraico não tem conhecimento de alma como uma parte consti­tuinte do homem. O homem era nepes, uma pessoa, uma unidade. A RSV, portanto, tem razão em traduzir "tu terás salvo a tua vida."

O que se quer dizer com o justo (20)? Devemos tomar o cuidado de não atribuir a doutrina do Novo Testamento ao Antigo e interpretar esta palavra à plena luz da justificação paulina. O justo (heb. saddiq) era essencialmente o homem que demonstrava, pela sua vida virtuosa, lealdade à aliança. Nem é preciso lembrar que era obediente na realização das observâncias religiosas necessárias, mas os profetas do século VIII deixam claro que muitos as realizavam com entusiasmo, e estavam longe de serem justos. Mesmo assim, dentro da esfera da comunidade da aliança, que incluía todos os israelitas, alguns seriam considerados como "tendo justiça" diante do tribunal imaginário da justiça de Deus, e assim possuiriam a retidão (heb. sedeq), ao passo que outros seriam condenados e classificados com os perversos. Não havia nenhuma regra prática fácil para guiar o homem em fazer esta avaliação, e não podia, portanto, haver qualquer coisa que se aproximasse de uma doutrina cristã da segurança. Ser atrevido para com a aliança era conhecidamente o primeiro passo no caminho para a condenação. Reduzida a uma base mínima, a qualificação para a justiça era a observância dos Dez Mandamentos, as estipulações da aliança. Na prática, porém, estes eram bem pouco observados, e as exigên­cias cultuais da lei mosaica recebiam, proporcionalmente, muito mais consideração; de modo que cada um dos profetas tinha de reiterar as exi­gências morais e espirituais da aliança para o benefício de uma geração mal ensinada. Destarte, as exigências constantes da justiça de Deus eram expostas: "Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante dos meus olhos: cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a cau­sa das viúvas" (Is 1: 16-17). Ou, ainda: "Buscai o bem e não o mal . . . Aborrecei o mal e amai o bem, e estabelecei na porta o juízo: talvez o SENHOR, o Deus dos Exércitos, se compadeça do restante de José" (Am 5: 14-15). Ou, ainda: "Ele te declarou, ó homem, o que é bom; e que é o que o SENHOR pede de ti, senão que pratiques a justiça e ames a mise­ricórdia, e andes humildemente com o teu Deus?" (Mq 6: 8). Este não era nenhum ensino novo, pelo contrário, era uma chamada de retorno às exi­gências de Javé, o Deus de Israel, conforme a antiga aliança, que teve sua origem nos dias de Moisés e do monte Sinai. Era uma exigência de ações justas que refletiriam um coração (i.é, a totalidade da personalidade, abran­gendo a mente, a vontade, as emoções e as atitudes) humilde diante de Deus e um estado de paz (heb. sàlôm) com Ele. Tendo em vista este fa­to, fica claro que não se pensava na justiça como uma característica in­delével: podia ser por demais facilmente perdida, e então, os atos justos prévios do homem não valeriam nada.

O aviso que dizia que o perverso morreria tinha uma referência puramente temporal. Dentro dos limites de nossa compreensão, Ezequiel provavelmente não tinha um conceito claro sobre a ressurreição, e muito menos da vida eterna; e a ameaça inerente nesta palavra de advertência era que o perverso teria uma morte precoce ou violenta. A morte que vinha no fim de uma vida longa não era adversidade alguma, especialmente se o homem tinha filhos e netos para continuar seu nome após ele. Mas uma vida curta e um fim precoce eram castigos mesmo. Se isto acontecesse co­mo resultado da falta de profeta quanto a cumprir seu dever de advertir o perverso a se converter dos seus caminhos, Deus disse: O seu sangue da tua mão o requererei (18, 20). Esta alusão ao princípio expressado em Gê­nesis 9:5-6 subentende que, assim como o sangue de um homem assassina­do exigia a retribuição por meio do parente próximo vingar-se do assassino, assim também um homem que morria sem ser avisado em tempo seria con­siderado virtualmente a vítima de um assassinato cometido pelo atalaia que fracassara no seu dever. A questão é colocada metaforicamente, é cla­ro, mas nem por isso deixa de enfatizar a responsabilidade esmagadora con­fiada a Ezequiel. A responsabilidade do cristão no sentido de avisar uma geração perdida não é, por certo, menos aterrorizadora.

A palavra tropeço (20; heb. miksôl), como seu equivalente no grego do Novo Testamento, skandalon, significa uma "ocasião para tropeçar," ou literalmente, ou num sentido ético. Não indica aqui que Deus deliberadamente Se propõe a derrubar o justo e fazê-lo estatelar-se no chão, mas, sim, que deixa oportunidades para o pecado nos caminhos dos homens, de maneira que, se seu coração está decidido no sentido de praticar o pecado, poderão fazê-lo, e assim merecer a sua condenação. Não há nenhum sentido em que o tropeço é inevitável: sempre envolve a escolha moral, e havia, também, a palavra de advertência da parte do atalaia pa­ra indicar onde estavam os tropeços e o que eram.

22-27. Mais uma vez sob o efeito do êxtase, Ezequiel sai para o vale. A palavra significa literalmente uma "fenda," e, portanto, uma área entre montanhas: alguns a traduziriam uma "planície no vale." É muito possível que se refira a uma localidade específica que Ezequiel frequentava nos seus períodos de solidão, e era, sem dúvida, o lugar onde haveria de ter sua visão do vale (a mesma palavra) dos ossos secos (cf. 37: 1).

A frase a glória do SENHOR estava ali (23) resume, não somente uma parte, mas, sim, toda a visão que o profeta vira no capítulo 1. A lembrança que permanecia não era dos equipamentos do carro-trono celestial, mas, sim, dAquele que estava assentado sobre ele. Ezequiel também indi­ca que esta era uma localidade diferente daquela da sua visão original jun­to ao rio Quebar.

Não fica claro se esta visão adicional da glória do Senhor aconteceu quase imediatamente depois da sua comissão para ser atalaia, ou se, entre os vv. 21 e 22, houve um período em que Ezequiel profetizou de acordo com os termos que lhe foram dados. Se assim fizera, isto explicaria a apa­rente inversão da sua comissão que os versículos seguintes contêm. Falara a palavra de advertência da parte de Deus; não lhe prestaram atenção; por­tanto, agora foi ordenado a ficar confinado à sua casa, e silencioso. A dificuldade é que a cronologia destes primeiros capítulos quase não deixa tempo algum para isto. A diferença entre as datas de 1: 1 e 8: 1 é de so­mente um ano e dois meses, e se esse período deve incluir os 390 dias de ficar deitado sobre o lado esquerdo para o castigo de Israel (4: 5), so­bra pouquíssimo tempo para qualquer coisa senão um ministério brevís­simo como atalaia. Parece, portanto, preferível considerar 3:22-27 como o episódio final num período prolongado de comissionamento que durou vários dias, durante o qual aconteceram estas várias experiências culminan­tes, nas quais Deus falou para Ezequiel, e o curso e o padrão do seu minis­tério foram paulatinamente revelados. Seria improvável que um profeta, numa só teofania, obtivesse a compreensão, não só da sua chamada, como lambem da sua mensagem e da terrível responsabilidade da sua tarefa, e da maneira em que deveria cumpri-la. Para Ezequiel, tudo isto veio por eta­pas, e somente quando foi alcançada a última etapa é que foi conclamado a fazer seu primeiro pronunciamento público no drama simbólico das obras de cerco contra Jerusalém (4:1).

Aqueles que defendem um ministério abortivo entre estas duas se­ções argumentariam que a frase eis que porão cordas sobre ti (25) refere-se ou a restrições físicas impostas sobre Ezequiel por seus oponentes, ou, metaforicamente, ao silenciar dos seus oráculos por formas de oposição menos violentas mas igualmente eficazes. O mesmo tipo de interpretação não pode, no entanto, ser atribuído à profecia de sua mudez, e, portanto, é melhor pensar numa restrição auto imposta do que numa causada pela oposição aos oráculos anteriores. A RSV interpreta desta maneira ao to­mar o verbo "porão" como um plural impessoal, que denota voz passiva: "cordas serão postas sobre ti, e serás ligado com elas." É importante perce­ber que tanto o ligar com cordas quando a mudez "não eram para evitar o exercício da sua vocação, mas, pelo contrário, torná-lo apto para a reali­zação bem-sucedida da obra que recebeu (Keil). As limitações impostas sobre ele eram parte integrante da sua mensagem: eram uma demonstra­ção ritual ao povo de Israel que eram casa rebelde (26,27).

Farei que a tua língua se pegue ao teu paladar, ficarás mudo, e inca­paz de os repreender (26). O silêncio não deveria ser total: de vez em quando, Deus falaria com o profeta, e permitiria que passasse adiante uma men­sagem para seu povo. Esta mudez, portanto, não foi do mesmo tipo que aconteceu a Zacarias, pai de João Batista (Lc 1:20). Duraria um tempo limitado, até que a queda de Jerusalém fosse anunciada para os exilados cerca de seis anos mais tarde. Então chegaria ao fim (33:22). Outras re­ferências ao fato ocorrem em 24:27 e 29:21, mas em nenhum outro lu­gar. Neste Ínterim, Ezequiel teve chance de fazer muitos pronunciamen­tos, alguns em conjunção com suas mensagens silenciosas, encenadas, e outros como simples oráculos diretos. Em certa ocasião (20: 3) recusou-se a responder a alguns anciãos que vieram a ele "para consultar o SENHOR," mas não o fez sem dar uma explicação completa das razões para não sa­tisfazer a curiosidade deles. Noutras ocasiões em que os anciãos vieram pa­ra ele a fim de procurar seus conselhos, não há qualquer sugestão que não esperassem que ele lhes pudesse responder de maneira perfeitamente nor­mal (cf. 8:1; 14: 1). Já notamos várias sugestões no sentido de Ezequiel sofrer de catalepsia ou dalgum distúrbio nervoso grave, é já vimos que ne­nhuma explicação deste tipo, que introduz a disfunção orgânica ou psico­lógica, soluciona de modo satisfatório os problemas levantados por uma aceitação literal destas palavras. É muito mais satisfatório e realista enten­der que esta é uma mudez ritual, ou seja: uma recusa divinamente ordena­da de fazer pronunciamentos públicos, a não ser sob o impulso direto da palavra de Deus. Daquele momento em diante, Ezequiel seria conhecido unicamente como o porta-voz de Javé. Quando falava, era porque Deus tinha algo para dizer; quando ficava silencioso, era porque Deus estava si­lencioso.

As duas palavras hebraicas: hassõmêa' yismà', lit. "que o ouvinte ou­ça," ou "o que ouve ouvirá" (27), são o protótipo para a fórmula predileta do nosso Senhor: "Quem tem ouvidos para ouvir, ouça." A mensagem falada visa confirmar os homens na sua atitude para com o Deus que a inspi­rou: ou a escutarão e obedecerão, ou a desconsiderarão e serão condena­dos. A resposta do ouvinte é ditada pelo íntimo do seu ser.

 

Bibliografia J. B. Taylor

Fonte:EBD AREIA BRANCA

 

O atalaia silencioso

CONGRESSO INTERNACIONAL DE MISSÕES DAS ASSEMBLÉIAS DE DEUS

sábado, 9 de outubro de 2010

 

 

CONGRESSO INTERNACIONAL DE MISSÕES DAS ASSEMBLEIAS DE DEUS

CIMAD: ORE, DIVULGUE, PARTICIPE E... IDE!

por CPAD WEB

De 18 a 21 de novembro, a CGADB e a CPAD promovem o Congresso Internacional de Missões das Assembleias de Deus (CIMAD). O evento, que acontecerá no Riocentro, Zona Oeste do Rio de Janeiro, tem como principal objetivo inspirar os assembleianos a fazer missões, orando, contribuindo e partindo para o campo missionário, mantendo assim uma das principais características do Movimento Pentecostal: levar a mensagem de Cristo a toda criatura até os confins da terra (Marcos 16.15).
Outro objetivo a ser alcançado com o CIMAD é o de formular uma estratégia de missões para as Assembleias de Deus no Brasil, que será utilizada pela Secretaria Nacional de Missões (Senami) e as Igrejas Missionárias – que investem em missões e enviam missionários, buscando atender as regiões e países onde há maior necessidade.
Entre os preletores nacionais estão os pastores José Wellington Bezerra da Costa, presidente da CGADB, José Sartírio, atualmente na Colômbia, Ronaldo Lidório, do Amazonas, Cesino Bernardino, de Santa Catarina, Nelson Lutchemberg, de Rondônia, Álvaro Sanches, de Minas Gerais e Raul Cavalcanti, do Maranhão.
Trazendo informações sobre missões pelo mundo, entre os preletores internacionais estão os missionários Olinto de Oliveira – China, Vivek Dass – Índia, Dagnaldo Pinheiro Gomes – Oriente Médio, entre outros.

Chegada missionária
Como parte da programação, no dia 19 de novembro, serão comemorados cem anos, desde a chegada dos missionários Daniel Berg e Gunnar Vingren, em Belém, capital do estado do Pará, vindos dos Estados Unidos da América.
Os dois jovens suecos iniciaram no Brasil “um movimento que alterou profundamente o perfil religioso e até social do país por meio da pregação de Jesus Cristo como o único e suficiente Salvador da Humanidade e a atualidade do batismo no Espírito Santo e dos dons espirituais”, Para mais informações acesse o site CIMAD.
Louvor e Adoração
Ministrando louvores estarão presentes os adoradores da Patmos Music – selo fonográfico da CPAD - Victorino Silva e Lília Paz, e também Oséias de Paula, Alice Maciel, Regis Danese, Mara Dalila, Coral e Orquestra Cordovil, Coral de Crianças, Coral da União de Mocidade das Assembleias de Deus no Estado do Rio de Janeiro (Umader), Coral da União dos Corais das Assembleias de Deus no Estado do Rio de Janeiro (Ucaderj).
Especial para Jovens e Crianças
Simultaneamente ao Congresso, acontecerá o evento Geração JC Missões, edição especial, destinado a jovens e adolescentes. As palestras terão como tema a importância de se cumprir o “Ide” ordenado por Jesus Entre os preletores, estão os pastores Silas Daniel, Josué Brandão, Ciro Sanches Zibordi e Jean Marques.
Acontecerá também, o evento “Missões para Crianças”, com uma programação de cunho missionário com a participação da Tia Jô (Joane Bentes - Paraná) e Tia Nita (Anita Oiayzu – São Paulo), entre outros preletores infantis.
Riocentro
Localizado na Barra da Tijuca, região de maior crescimento econômico da cidade do Rio de Janeiro, o Riocentro está em convergência com que há de mais moderno em infra-estrutura e serviços para eventos.
A CPAD já realizou outros eventos no Riocentro, como os I e II Congressos Nacionais de Escola Dominical, além de participar das edições cariocas da Bienal do Livro, que também ocorre no espaço.
A programação do Congresso Internacional de Missões acontecerá entre 9h e 21h, nos dias 18, 19 e 20, e entre 09h e 12h, no dia 21. O investimento é de R$ 50 que pode ser pago em duas vezes sem juros no cartão de crédito. Mais informações e inscrições também pelos telefones (21) 2406-7400 ou 2406-7352.
CIMAD: Ore, divulgue, participe e... Ide!
Assista ao vídeo do Congresso aqui. Aproveite também para divulgar nas redes sociais.
Serviço:

Congresso Internacional de Missões das Assembleias de Deus

Data: 18 a 21 de novembro de 2010
Horário: 09h às 21h
Investimento: R$ 50
Local: Riocentro
Endereço: Avenida Salvador Allende, 6555 – Barra da Tijuca – Rio de Janeiro - RJ

 

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