A CONDUTA DO CRENTE NO MUNDO

terça-feira, 14 de junho de 2011

 

 

A CONDUTA DO CRENTE NO MUNDO

A dignidade da vida cristã tem a ver com o nosso compor­tamento ético neste mundo.

"E vos revistais do novo homem, que, segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade" (Ef 4.24).

Precisamos viver a realidade da verdade que está em Cristo, como te­mos ouvido e aprendido, andando nEle e deixando-nos instruir. Precisamos subjugar nossos pensamentos, palavras e ações à obediência de Cristo. E, por fim, ficarmos em cons­tante estado de alerta, prontos a testemunhar e a combater contra as hostes espirituais deste mundo. Pau­lo nos instrui sobre o despojamento do velho homem com sua natureza pecaminosa e, o consequente reves­timento do novo, que se renova para a eternidade. Ou seja, não devemos andar como o homem natural não re­generado e, sim, em novidade de vida, verdadeira justiça e santidade.

O homem natural anda e vive na futilidade, no desregramento dos valores éticos e entregue às paixões car­nais. Quando se converte, aprende com Cristo a despojar-se da velha cri­atura e a andar num excelente e novo caminho traçado pelo Pai para o al­cance da vida eterna. É nosso dever, conforme asseverou o apóstolo Pau­lo em outras partes das Sagradas Escrituras, resplandecermos como as­tros no mundo. Como "fontes lumi­nosas" devemos revelar e condenar as trevas do pecado no mundo.

Paulo nos ensina que não basta tomar posição em relação ao homem velho, porque seria preciso recome­çar sempre. O apóstolo convida os efésios a "serem renovados no espí­rito de seu sentido", e a serem "rejuvenescidos em seu espírito e em seu entendimento", revestindo por um segundo ato de fé, o novo homem criado por Deus, na justiça e na san­tidade que produz a verdade.

Paulo começa o cap. 4 com um apelo para que andemos dignamen­te no sentido de preservar a unidade do Espírito (vv.1-3). Agora, no v.17 do mesmo capítulo, Paulo apela para que andemos com um comportamento que seja diferente do praticado pelos não-crentes. O novo "andar em Cristo" afeta as nossas atitudes, há­bitos e linguagem.

UM NOVO ANDAR

1. Não devemos andar como o homem natural (vv.17-19). Que é o homem natural? É o gentio não regenerado. O homem natural é todo aquele que está sob a égide da natu­reza pecaminosa. "Andar na vaida­de do seu sentido" significa andar e viver na futilidade e sem propósito na vida. A vaidade da inteligência humana faz com que a pessoa subes­time a Deus e viva distanciado dos valores éticos e, portanto, entregue às paixões da sua carne. A Bíblia mostra, aqui, (vv.17,18), que uma mente vaidosa leva a um raciocínio tenebroso e a um coração endureci­do. O homem natural é o típico gen­tio sem Cristo, não convertido (Rm 1.21-32).

2. Devemos nos despojar do velho homem (vv.20-22). O v.20 começa reprovando as atitudes do homem natural e diz "vós não aprendestes assim a Cristo". Isso sig­nifica que como crentes temos uma nova ordem de vida. A essência dos ensinos de Cristo também estão nos ensinos de Paulo e dos demais após­tolos, inspirados pelo Espírito San­to. O novo andar é o santo viver como nova criatura em Cristo. É um despojamento total da velha vida, do velho andar (v.22). A palavra "despojar" significa "despir", "desapossar", "privar de posse". No novo an­dar, os velhos andrajos do pecado são tirados, ou seja, a velha nature­za pecaminosa é despida dos velhos hábitos para uma nova vida.

3. Devemos nos revestir do ho­mem espiritual (vv.23,24). A linguagem é metafórica na expressão "novo homem", pois fala do novo modus vivendi do crente redimido por Cristo. Esse novo homem agora se manifesta na vida e no caráter cristão. Ele é renovado pela ação poderosa do Espírito Santo de todo o passado de condenação e ruína. Essa renovação implica viver uma nova vida (Ef 2.10,15; 2 Co 5.17).

4. Devemos andar em verdadei­ra justiça e santidade (v.24). O novo homem é uma nova criação segundo Deus. Não se trata de criação física, mas espiritual (Jo 3.3-6). Todos os sinais da velha criatura, do velho ho­mem, foram desfeitos na cruz para que o novo convertido viva uma nova vida em Cristo. O novo homem é o crente regenerado pelo Espírito San­to. Duas características de Deus são a justiça e a santidade. Eles fazem parte do caráter de Deus. Quando o pecador é regenerado, pelo Espírito Santo na conversão, ele é criado "se­gundo Deus", isto é, à semelhança de Deus em "justiça e santidade".

O NOVO HOMEM E O SEU PROCEDER

1. O novo homem não vive men­tindo (v.25). O verbo "deixar" tem a mesma conotação do verbo "despojar" do v.22. A mentira não é própria da nova vida em Cristo. No original gre­go a palavra mentira aparece como pseudo, que pode significar qualquer tipo de desonestidade ou falsidade proferida ou vivida. A mentira é própria do velho homem. A vida do novo ho­mem é gerada "em verdade", por isso, devemos falar apenas a verdade.

2. O novo homem não vive se exasperando (v.26). "Irai-vos, e não pequeis" é uma expressão que deve merecer nossa atenção. Sabemos que a "ira" é uma obra da carne (Gl 5.20); por que então a Bíblia diz: "irai-vos?" Isto parece um paradoxo. O sentido permissivo para a ira pode significar na vida do novo homem uma forma de reação contra qualquer tipo de pe­cado que afete a nova vida. Quando somos tentados pelo Diabo, reagimos com ira contra as insinuações do ini­migo, "irai-vos", não com o tipo de ira acionado pela carne, mas "irai-vos" naturalmente contra tudo que possa ofender a santidade de Deus.

3. O novo homem não abre es­paço para o Diabo (v.27). "Não deis lugar ao Diabo". Este versícu­lo está diretamente ligado ao v.26 que fala da ira. Se dermos lugar à ira, isto é, se permitirmos que a ira surja em nossos sentimentos, facil­mente estaremos abrindo as portas para o Diabo entrar em nossa vida (2 Co 2.10,11; 1 Pe 5.8). São mui­tas as brechas que abrimos em nos­sa vida emocional, física e espiritu­al para a entrada do Diabo. Deve­mos sempre fechar essas possibili­dades com a meditação e o estudo da Palavra de Deus. Devemos man­ter um controle severo das portas da nossa mente, sentidos físicos, pen­samentos, e sentimentos.

4. O novo homem não pratica as coisas da velha vida (vv.28,29). Práticas negativas do velho homem não fazem muita diferença entre o certo e o errado. Como novas cria­turas em Cristo, às vezes, pratica­mos certas coisas erradas que não aparecem em manchetes, mas que se constituem em pecados que afe­tam a nossa vida espiritual. Furtar nas arrecadações legais do gover­no, deixar de dar os dízimos e ofer­tas à Casa de Deus não fogem a responsabilidade de apropriação indébita (Ml 3.8-10; Rm 13.7; Ex 20.15). Outra prática negativa que não deve estar no cotidiano do crente é o uso de "palavras torpes" (v.29). Que é uma palavra "torpe"? E toda palavra impudica, indecen­te, obscena, asquerosa. A lingua­gem do novo homem em Cristo deve ser pura, simples e sem malí­cia. Crentes há que são flagrados proferindo palavras torpes e outras igualmente repulsivas.

O NOVO HOMEM EVITA OS PECADOS CONTRA O ESPÍRITO SANTO

1. O novo homem não entriste­ce o Espírito Santo (v.30). O Espíri­to habita no crente, no novo homem, e pode ser ofendido com atitudes impuras. O texto diz que "fomos sela­dos com o Espírito Santo para o dia da redenção". Esse selo é a marca de propriedade que impede que Satanás interfira nem rasure a vida espiritual. O dia da redenção refere-se à redenção do nosso corpo de pecado, que acontecerá na vinda do Senhor. A re­denção tem um aspecto passado por­que diz respeito ao que Jesus reali­zou no Calvário. Tem um sentido pre­sente porque refere-se à contínua li­bertação do poder do pecado que ope­ra em nossa carne. E, finalmente, a redenção tem um aspecto futuro, que é a esperança da glória, a libertação plena do corpo de pecado e a conquis­ta de um novo estado para um corpo espiritual (1 Co 15.51-53).

2. O novo homem evita os pe­cados que magoam o Espírito San­to (v.31). Todas as manifestações pecaminosas como "amargura, e ira, e cólera, e gritaria, e blasfêmias e toda a malícia". São aquelas ações próprias do velho homem que não devem interferir na "nova vida". Atitudes de amargura não combinam com a natureza amorosa do Espírito Santo. A amargura torna as pessoas amargas em seus relacionamentos, e as torna duras e insensíveis para a operação de Deus. "Iras, cólera e gri­taria" são atitudes que sempre andam juntas. Ódios profundos, arraigados no coração contra pessoas, provocam essas manifestações negativas. As "blasfêmias" referem-se à palavras injuriosas, que ferem a moral das pessoas e que produzem grandes dissabores. A "malícia" é a fonte dos pecados contra o Espírito Santo. A malícia está ligada diretamente ao Diabo (Rm 1.29; Cl 3.8).

3. O novo homem procura de­senvolver as qualidades próprias do crente (v.32). "Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos per­doou em Cristo". Na verdade, quem nasce do Espírito tem as caraterísticas do Espírito. Qualidades como benignidade, misericórdia e perdão são indispensáveis ao culti­vo da vida cristã.

CONCLUINDO

Os crentes autênticos procuram andar dignamente na presença de Deus e do mundo. Nosso comporta­mento deve ser o reflexo da nova vida recebida pela obra de Cristo no Calvário. É uma exigência bíblica constante que os crentes deem pro­vas às pessoas ao seu redor de que têm um novo viver, o qual se revela, principalmente, mediante a prática de atitudes e atividades cristãs.

"Depois de examinarmos as con­dições morais do mundo pagão, tere­mos melhores condições de reconhe­cer de que tipo de vida os efésios fo­ram salvos e quais as tentações que os cercavam. Os divertimentos da­queles dias eram brutais e degradan­tes. Baixos padrões de comportamen­to eram ensinados nos teatros. Nos anfiteatros, escravos cativos e criminosos lutavam entre si até a morte, para satisfazer o desejo do povo — ver sangue. O casamento perdera a sua santidade; era levianamente con­tratado porque era facilmente anula­do. Crianças malformadas ou doen­tes eram abandonadas e expostas para morrer. A sociedade era indulgente para com o vício, 'desviar-se é huma­no' era o seu lema.

Para um grupo de pessoas habi­tantes, mas libertas de tal mundo foi que Paulo endereçou suas exorta­ções. Depois de descrever o caráter moral do mundo pagão (4.17-19), diz: 'Mas vós não aprendestes assim de Cristo, se é que o tendes ouvido e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus'. Noutras palavras, os efésios tinham aprendido outro padrão de conduta mediante o ouvir do evangelho."

"A palavra 'mundo' (gr. Kosmos) frequentemente se refere ao vasto sistema de vida desta era, fomenta­do por Satanás e existente à parte de Deus. Consiste não somente nos pra­zeres obviamente malignos, imorais e pecaminosos do mundo, mas tam­bém se refere ao espírito de rebelião que nele age contra Deus e, de resis­tência ou indiferença a Ele e à sua revelação. Isso ocorre em todos os empreendimentos humanos que não estão sob o senhorio de Cristo. Na presente era, Satanás emprega as ideias mundanas de moralidade, das filosofias, psicologia, desejos, gover­nos, cultura, educação, ciência, arte, medicina, música, sistemas econômicos, diversões, comunicação de massa, esporte, agricultura etc, para opor-se a Deus, ao seu povo, à sua Palavra e aos seus padrões de reti­dão (Mt 16.26; 1 Co 2.12; 3.19; Tt 2.12; 1 Jo 2.15,16). Por exemplo, Satanás usa a profissão médica para defender e promover a matança de seres humanos nasciturnos; a agri­cultura para produzir drogas destruidoras de vidas, tais como álcool e narcóticos; a educação para promo­ver a filosofia ímpia humanista; e os meios de comunicação em massa para destruir os padrões divinos de conduta. Os crentes devem estar conscientes de que, por trás de to­dos os empreendimentos meramen­te humanos, há um espírito, força ou poder maligno que atua contra Deus e sua Palavra."

Bibliografia E. Cabral

 

FONTE: EBD AREIA BRANCA

O Viver Cristão

 

 

O Viver Cristão Ef 4.1-6.9

Depois de examinarmos as condições morais do mundo pagão, teremos melhores condições de reconhecer de que tipo de vida os efésios foram salvos e quais as tentações que os cercavam. Os divertimentos daqueles dias eram brutais e de­gradantes. Baixos padrões de comportamento eram ensinados nos teatros. Nos anfiteatros, escravos, cativos e criminosos lutavam entre si até a morte, para satisfazer o desejo do povo — ver sangue. O casamento perdera a sua santidade; era levianamente contratado porque era facilmente anulado. Crian­ças malformadas ou doentias eram abandonadas e expostas para morrer. A sociedade era indulgente para com o vício. "Desviar-se é humano" era o seu lema.

Para um grupo de pessoas habitantes, mas libertas de tal mundo foi que Paulo endereçou as suas exortações. Depois de descrever o caráter moral do mundo pagão (4.17-19), diz: "Mas vós não aprendestes assim a Cristo, se é que o tendes ouvido e nele fostes ensinados, como está a verdade em Jesus". Noutras palavras, os efésios tinham aprendido outro padrão de conduta mediante o ouvir do Evangelho. O apóstolo menciona algumas das lições que aprenderam através da comunhão com Cristo.

I - A Abnegação (Ef 4.22)

"Que, quanto ao trato passado, vos despojeis do velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do engano". O "velho homem" se refere à natureza pecaminosa herdada de Adão. Essa natureza é corrompida e inspirada por desejos e concupiscências que colocam os homens numa armadilha e os destroem. A concupiscência pelo ganho leva à avareza; a concupiscência pelo prazer torna as pessoas sensuais. Cada desejo forte que deixa Deus de fora é uma "concupiscência". Essas concupiscências são "do engano" porque enganam as pessoas com brilhantes promessas de felicidade (Ec 2.1-11). O cristão deve lançar fora esses desejos assim como alguém tira uma roupa suja.

II - O Pensar Correto (Ef 4.23)

"E vos renoveis no espírito do vosso sentido". Como al­guém pensa no coração, assim é. Para vivermos corretamente, precisamos pensar de modo certo e ter atitudes corretas. Os pagãos imaginavam que seus deuses não se importavam como eles viviam porque, segundo a mitologia pagã, os deuses co­metiam os mesmos pecados que os homens. Tais pensamen­tos naturalmente levam a um viver corrupto. O cristão deve dirigir o seu pensar de acordo com o ensino do Novo Testamento. Então terá "a mente de Cristo".

III - A Vida Santa (Ef 4.24)

"E vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade". O "novo homem" se refere àquela qualidade santa do viver, que é o resultado da redenção. No princípio, Deus criou o homem à sua pró­pria imagem; aquela imagem foi danificada pelo pecado, mas é restaurada quando uma pessoa nasce de novo.

O "novo homem" está em contraste direto com o "ve­lho homem". Tendo sido libertado da sua vida antiga, o cristão deve rejeitar tudo aquilo que traz consigo o sabor daquela vida; tendo se tornado uma nova criatura em Cris­to, precisa cultivar aquelas graças e qualidades que perten­cem à nova vida (2 Co 5.17). Qual cerimônia é uma repre­sentação dessa verdade? (Rm 6.1-3; Gl 3.27; Rm 13.12,14).

IV - A Verdade no Falar (Ef 4.25)

"Pelo que deixai a mentira e falai a verdade cada um com o seu próximo". Uma mentira é algo falso que tem o propósito de enganar e tem um desígnio errado. E repre­sentar falsamente aquilo acerca do qual uma pessoa tem o direito de saber. Toda mentira, insinceridade e falsa repre­sentação dos fatos é totalmente inconsistente com a nova vida. Os cristãos devem falar a verdade integral sem distorção ou exagero; a palavra de um cristão deve ser a sua obrigação firme.

Notemos a razão para se falar a verdade: "Porque so­mos membros uns dos outros". Meu vizinho cristão perten­ce ao mesmo corpo ao qual pertenço, e qualquer coisa feita contra ele é feita contra mim. Será que o olho mentiria ao pé, dizendo que não há perigo, quando o olho o está ven­do? Ou será que o pé mentiria ao olho, dizendo que o ter­reno é firme, quando não é? A falsidade traz confusão aos relacionamentos humanos.

V - Bom Humor (Ef 4.26)

1. Quando a ira é certa. "Irai-vos e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira". Essas palavras dão a entender que há uma ira que não é pecaminosa. A primeira expres­são pode ser interpretada: "Não haja pecado na vossa ira". Registra-se que Jesus ficou zangado com a dureza do coração de certas pessoas (Mc 3.5). Essa indignação justa é necessária para um caráter cristão forte; aquele que ama a retidão e a realidade odiará o pecado e a hipocrisia. "Vós que amais ao Senhor, aborrecei o mal" (Sl 97.10). Sem existir esse ódio àquilo que é mau, o amor se tornaria flácido e sentimental.

2. Quando a ira é pecaminosa. A ira se torna pecami­nosa nas seguintes circunstâncias:

2.1. Quando é incapaz de ser governada, de tal maneira que qualquer ofensa imaginária ou coisa sem importância desperta a fúria.

2.2. Quando interfere com o amor. A ira justa é livre de ódio. Podemos odiar o pecado sem odiar o pecador.

2.3. Quando é permanente. "Não se ponha o sol sobre a vossa ira". O dia da ira deve ser o mesmo da reconcili­ação. A ira deve ser uma emoção breve, lenta a ser desper­tada e logo repudiada. Se a ira tem licença de permanecer na mente, produz inimizade, ódio ou vingança, coisas que são positivamente pecaminosas. Conservar no coração qual­quer rancor ou ressentimento é inconsistente com o discipulado cristão.

2.4. Quando é egoísta. O Senhor Jesus nunca se ressentia de ofensas pessoais contra Ele. Sua indignação se despertava contra o tratamento duro e injusto dado àqueles que amava. Uma boa parte da ira humana é puramente egoísta.

2.5. Quando dá a Satanás uma oportunidade para trabalhar. Satanás tem simpatia por um espírito ranco­roso e malévolo - é bastante semelhante ao dele. Se o mau humor e a falta de controle próprio conquista o coração, abre as portas para aquelas paixões diabólicas que são semelhantes a ele. Sentimentos irados dão ao diabo uma oportunidade para trabalhar.

VI - A Honestidade (Ef 4.28) Esse verso sugere três deveres:

1. A honestidade. O padrão cristão com respeito ao furto vai mais profundo do que o padrão popular. Todos consi­deramos como ladrão aquele que a lei condenou por furto. Mas, em outras formas, o furto é tão comum como o men­tir. Por exemplo, o vendedor que dá pesos e medidas in­completos é um ladrão. O trabalhador que deliberadamente negligencia o seu trabalho é um ladrão (ver 2 Sm 15.6 que descreve uma forma muito sutil de furtar). Como é que os homens furtam de Deus? (Ml 3.8).

2. O esforço. "Antes, trabalhe, fazendo com as mãos o que é bom" (cf. 2 Ts 3.11). Quem deu o exemplo? Leia At 20.33,34; Mc 6.3. A corrupção geralmente segue após a inatividade e a preguiça. O homem preguiçoso é usualmente mentiroso, descuidado e indigno de confiança.

3. A generosidade. "Para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade". Será que aqui Paulo pregava algo que não praticava? (ver At 20.35). A quem foram faladas estas palavras? (At 20.17). Nota-se que os cristãos têm que "fazer o que é bom", as contribuições generosas à caridade não com­pensarão os males das riquezas ganhas desonestamente.

VII - Conversação Santa (Ef 4.29,30)

O verso 29 pode ser explicado da seguinte forma: "Não permitam que palavras más venham a poluir os seus lábios. Falem apenas as palavras que ajudarão o progresso espiri­tual do seu irmão e que serão uma bênção para ele de acor­do com a sua necessidade". Que tipo de conversa é conde­nada? Palavras irreverentes que tratam levianamente as coisas sagradas. A zombaria que procura reduzir a nada o valor do nosso próximo. Conversa maliciosa que procura solapar outras pessoas. Palavras sugestivas de indecência. Palavras estultas, faladas numa tentativa de divertir.

Nossas palavras devem ser cuidadosamente escolhidas. Milton disse: "Uma palavra tem alterado um caráter, e um caráter já alterou um reino".

A conversa corrompida não somente danifica almas hu­manas, como também ofende a Deus. "E não entristeçais o Espírito Santo de Deus". Entristecemos o Espírito quando fazemos aquilo que é repugnante a Ele, por exemplo, as coi­sas proibidas nos versos 25-32 e todo tipo de imoralidade. O resultado do entristecimento do Espírito Santo será o afasta­mento da sua presença e das suas bênçãos. Wesley conta que certa vez ficou em trevas espirituais ao falar mal de alguém.

"No qual estais selados, para o Dia da redenção". Quando um negociante efésio comprava madeira, colocava o seu selo nas toras e depois mandava o seu empregado ir buscá-las. O selo era sinal de propriedade. Aqueles que são sal­vos e se tornam a propriedade de Deus são selados com o Espírito Santo. Um dia, o Senhor virá buscar aqueles que selou. Então experimentarão a plena redenção na glorificação dos seus corpos, ficando eternamente na presença do Senhor.

VIII - Bondade (Ef 4.31—5.2)

"Toda a amargura [em pensamento, mentalidade e dis­posição], e ira [um estado tumultuoso da mente, do qual surge] ... e cólera [um sentimento firme de aversão ou ini­mizade], e gritaria [brigando com os oponentes e não dei­xando-os falar], e blasfêmias [maledicências, sujando a reputação alheia], e toda malícia [desejando o mal para outra pessoa] seja tirada de entre vós. Antes, sede uns para com os outros benignos [de doce disposição], misericordiosos [tendo dó das fraquezas e misérias de outros], perdoando-vos uns aos outros [não tratando os outros duramente por causa das suas faltas, lembrando-nos de que nós também temos faltas], como também Deus vos perdoou em Cristo [o motivo supremo para o perdão]".

"Sede, pois, imitadores de Deus, como filhos amados [dEle]; e andai em amor". Não podemos nos tornar seme­lhantes a Deus na sabedoria, poder e soberania, mas pode­mos nos assemelhar a Ele no amor (Mt 5.43-48). Nosso amor se assemelha ao de Deus quando amamos os nossos inimigos e aqueles que são difíceis de amar.

"Cristo vos amou e se entregou a si mesmo por nós [morreu em nosso lugar, Gl 1.4; 2.20; Tt 2.14; 1 Tm 2.6], em oferta e sacrifício a Deus [a oferta ressalta a ideia de presente, o sacrifício ressalta o pensamento da morte] em cheiro suave [algo agradável a Deus]" (cf. Gn 8.21). A obra inteira de Cristo e a bela atitude com que se ofereceu eram agradáveis ao Pai e asseguram uma bênção para todos aque­les que, pela fé, se tornam participantes do sacrifício.

IX - Ensinamentos Práticos

1. A verdade acerca da natureza humana. "O velho homem, que se corrompe pelas concupiscências do enga­no". Pessoas de mentalidade moderna se queixam de que o quadro que a Bíblia nos dá a respeito da natureza humana é melancólico, e que é muito deprimente ensinar que a natureza humana é totalmente corrupta. No entanto, os seguintes fatos devem ser considerados:

1.1. A questão não é de ser melancólica a doutrina bíblica do homem; trata-se de averiguar se esta é a ver­dade. Quem conhece o seu próprio coração e o do seu próximo concordará que: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso" (Jr 17.9). Em perí­odos de guerra e revolução, as fornalhas vulcânicas que descansam no coração humano irrompem através da crosta de educação e civilização, e então ficamos sabendo que o quadro que a Bíblia pinta da natureza humana é verdadeiro. A guerra é um inferno, e a guerra nasce no coração do homem (Tg 4.1).

1.2. Se um médico sabe que pode curar uma doença, pode se permitir dar toda ênfase à gravidade dos sintomas. A Bíblia ensina a cura divina para o pecado e, portanto, revela toda a hediondez do pecado. Por outro lado, se um médico sabe que não pode curar uma doença, pode ser tentado a minimizar a sua importância, a fim de encorajar o paciente a aguentá-la. Aqueles que não conhecem cura alguma para o pecado são tentados a minimizar a sua se­veridade e a desculpá-lo.

1.3. O quadro bíblico da natureza é realmente brilhante, porque ensina que o pecado não é essencial ao homem, mas que entrou como intruso. Sendo assim, pode ser ex­pulso. Aqueles, porém, que negam o remédio para o peca­do querem alegar que ele é parte natural do homem, e excluem toda a esperança de libertação.

Nenhum livro descreve de forma mais sombria aquilo que somos do que a Bíblia, mas nenhum outro livro ofere­ce esperanças tão brilhantes quanto àquilo que podemos vir a ser mediante a graça de Deus.

2. Os apetites devem ser servos, e não mestres. Paulo fala em "concupiscências do engano". As "concupiscên­cias" são desejos de todos os tipos - pelo dinheiro, pela fama, pela comida, pela bebida, e por outras satisfações físicas. Alguém pode dizer: "Não é verdade que Deus me criou com esses desejos, e não é meu dever satisfazê-los?" A resposta é que foram feitos para nos servir, e não para nós servirmos a eles. São impulsos, e não gui­as. Nós fomos feitos para dirigi-los; não foram feitos para dirigir-nos. As locomotivas precisam de engenhei­ros e trilhos. Os impulsos humanos precisam da consci­ência e do raciocínio para guiá-los. E comum ver um cachorro abanando o rabo, mas seria triste ver o rabo abanando o cachorro! A posição dos apetites está debai­xo do nosso controle, e não assumindo o controle sobre nós. "O fruto do Espírito é... temperança" (Gl 5.22).

3. Somente Cristo pode purificar a alma. "Vos despojeis do velho homem... e vos revistais do novo homem". Os moralistas nos ensinam que precisamos afastar aquilo que há de mau em nossa natureza, mas não explicam como. Como pode uma coisa limpa surgir daquilo que é sujo? A natureza humana não tem poder para lançar fora o seu próprio pecado. Martinho Lutero empregava a seguinte ilus­tração: o coração humano é como um estábulo muito sujo. Carrinhos de mão e pás podem ser usados para remover parte da sujeira superficial, e sujam os corredores no pro­cesso. O que se pode fazer? Faça um rio passar por ele, e as correntezas levarão para longe toda a poluição.

Aqueles acúmulos de pecado multiplicados durante os anos e a maldade profundamente arraigada que manchou a nossa alma não podem ser purificados por nossos próprios esforços, mas só pela graça de Cristo, que perdoa e purifi­ca. Ele nos receberá e nos revestirá com as suas vestes de retidão.

Uma reforma de caráter afeta a forma, e não a substân­cia, dá novas feições à matéria antiga. A regeneração, pelo contrário, empurra para longe a vida velha infundindo uma vida nova que é divina e pura.

4. Forte e tenro. Certo escritor viu uma rocha enorme de granito duro - granito que podia desafiar os raios e ficar firme no meio da tempestade mais violenta. Do coração dela, porém, fluía uma fonte cristalina e refrescante de água bem doce. O cristão, na sua resistência contra o pecado, deve ser firme como uma rocha. Mesmo assim, deve fluir da parte dele uma corrente de bondade para com os outros. "Sede uns para com os outros benignos".

5. "Mais bem-aventurado é dar que receber''. "Antes trabalhe... para que tenha o que repartir com o que tiver necessidade". Disse um rico a Paton, o herói missionário de algumas décadas atrás: "Orei ao Senhor para que Ele me dê sucesso". O missionário respondeu: "E Ele o deu ao senhor. Quão grande dívida tens com Ele! Qual vai ser o seu modo de pagá-lo?" O conselho de João Wesley era: "Ganhe o que puder. Poupe o que puder. Dê o quanto puder".

6. Não entristeçais o Espírito. O Espírito Santo frequentemente é descrito de forma impessoal como Fogo que purifica, Água que refrigera, Sopro que enche, Unção que é derramada, o Selo que preserva. Tais palavras apenas se referem às suas operações. Quanto à sua natureza, é claramente descrito como Pessoa que pensa, que exerce vontade e que sente. O fato de que é possível entristecê-lo comprova a sua personalidade, porque não podemos entris­tecer uma influência.

Por ele somos selados para o dia da redenção. Quando um selo fica em contato com um objeto, deixa ali a sua impressão. O Espírito Santo entra em contato com o nosso espírito e deixa ali a impressão divina. Ele foi enviado não somente para nos dar poder, mas também para nos tornar santos, amorosos, bondosos, pacientes, alegres, calmos e controlados. Essas são as influências que o Espírito traz às nossas vidas. Podemos ou cooperar com elas ou resisti-las. O pecado de qualquer tipo entristece o Espírito.

Bibliografia M. Pearlman

Fonte: EBD AREIA BRANCA

JUVENIS-LIÇÃO 7

domingo, 15 de maio de 2011

 

Rev.Lições Juvenis Conteúdo adicional para as aulas de Juvenis

Subsídios para as lições do 2º Trimestre de 2011
Os perigos do relativismo moral

Lição 07 – Pureza total

Se só queres e buscas o agrado de Deus e o proveito do próximo, gozarás de liberdade interior...

Texto Bíblico: 1 Coríntios 13.13; 6.9,10
PUREZA E A SIMPLICIDADE DA INTENÇÃO

1. Com duas asas se levanta o homem acima das coisas terrenas: simplicidade e pureza.
A simplicidade há de estar na intenção e a pureza, no afeto.
A simplicidade procura Deus, a pureza o abraça e frui.
Em nenhuma boa obra acharás estorvo, se estiveres interiormente livre de todo afeto desordenado.
Se só queres e buscas o agrado de Deus e o proveito do próximo, gozarás de liberdade interior.
Se teu coração for reto, toda criatura te será um espelho de vida e um livro de santas doutrinas.
Não há criatura tão pequena e vil, que não represente a bondade de Deus.

2. Se fosses interiormente bom e puro, logo verias tudo sem dificuldade e compreenderias bem. 
O coração puro penetra o céu e o inferno.
Cada um julga segundo seu interior.
Se há alegria neste mundo, é o coração puro que a goza; se há, em alguma parte, tribulação e angústia, é a má consciência que as experimenta.
Como o ferro metido no fogo perde a ferrugem e se faz todo incandescente, assim o homem que se entrega inteiramente a Deus fica livre da tibieza e transforma-se em novo homem.

3. Quando o homem começa a entibiar, logo teme o menor trabalho e anseia as consolações exteriores.
Quando, porém, começa deveras a vencer-se e andar com ânimo no caminho de Deus, leves lhe parecem as coisas que antes achava onerosas. 


(Texto extraído da obra “Imitação de Cristo”, de Tomás de Kempis)

ADOLESCENTES-LIÇÃO 8

sábado, 20 de novembro de 2010

 

Adolescentes-mestre-4-trim-2010__m206374 Conteúdo adicional para as aulas de Adolescentes

Subsídios para as lições do 4º Trimestre de 2010
Cartas que Ensinam

Lição 08 - "Ficar" ou se santificar?

O que significa santificação?

Texto Bíblico 1 Tessalonicenses 4.1-7

 
Santificação: [Do lat. Sanctificatio] Separação do mal e do pecado, e dedicação ao serviço do Reino de Deus (Dicionário Teológico. Rio de Janeiro CPAD).
Podemos estudar a santificação sob vários aspectos, que, juntos, nos dão uma compreensão mais ampla dessa doutrina que a Bíblia afirma ser a vontade de Deus: “Esta é a vontade de Deus, a vossa santificação” (1 Ts 4.3).
Santificação é, em primeiro lugar, a continuação da obra salvadora na vida do crente. A Bíblia afirma: “Aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até o Dia de Jesus Cristo” (Fp 1.6). Essa “boa obra” começou pela salvação, quando recebemos a Jesus como nosso Salvador (cf. Jo 1.12). Ele entrou na nossa vida (cf. Ap 3.20; Gl 2.20) e nós morremos para o mundo (cf. Cl 3.1-3), ocasião em que nos tornamos participantes de uma nova natureza (cf. 2 Pe 1.14). Afinal, “tudo se fez novo” (2 Co 5.17).
A mesma obra é agora aperfeiçoada pela santificação, através da qual Deus faz com que a nova natureza recebida pela salvação domine a velha natureza, para que a carne não receba mais ocasião (cf. Gl 5.13). Dessa maneira Jesus fica formado em nós (cf. Gl 4.19) e nos tornamos um mesmo espírito com o Senhor (cf. 1 Co 6.17). João Batista se expressou sobre isso: “É necessário que ele cresça e que eu diminua” (Jô 3.30). Desta maneira, a vida de Jesus se manifestará em nossa carne mortal (cf. 2 Co 4.10,11; Gl 2.19) e isso terá influência santificadora em toda a nossa maneira de viver (cf. 1 Pe 1.15,16). A nossa vida tornou-se agora distinguidamente honesta (cf. 1 Ts 4.12) e com moral elevada (cf. 1 Ts 4.3,4).
Texto extraído da obra “Teologia Sistemática” de Eurico Bergsten, Rio de Janeiro: CPAD.

JUVENIS-LIÇÃO 13

sábado, 25 de setembro de 2010

 

rev.juvenis 3 tri 2010 Conteúdo adicional para as aulas de Juvenis

Subsídios para as lições do 3º Trimestre de 2010
O adolescente e seus relacionamentos

 

Lição 13 - Vivendo em Santificação

Muitos cristãos descobrem o fato de que seu maior impedimento em chegar...

Texto Bíblico: 2 Coríntios 6.16-18; 7.1


IDEIAS ERRÔNEAS ACERCA DA SANTIFICAÇÃO


Muitos cristãos descobrem o fato de que seu maior impedimento em chegar à santidade é a “carne”, a qual frustra sua marcha para perfeição. Como se conseguirá libertação da carne? Três opiniões erradas têm sido expostas:

A)    “A Erradicação” de pecado inato é uma dessas ideias. Assim escreve Lewis Sperry Chafer: “Se a erradicação da natureza pecaminosa se consumasse, não haveria a morte física, pois essa é o resultado dessa natureza (Rm 5.12-21)”. Pois que houvessem experimentado essa “extirpação”, necessariamente gerariam filhos sem a natureza pecaminosa. Mas, mesmo que fosse realidade essa “extirpação”, ainda haveria o conflito com o mundo, a carne (aparte da natureza pecaminosa) e o Diabo; pois a “extirpação” desses males é obviamente antibíblica e não está incluída na própria teoria.

B)    O Legalismo, a observância de regras e regulamentos. Paulo ensina que a lei não pode santificar (Romanos cap. 6), assim como também não pode justificar (Romanos 3). Essa verdade é exposta, e desenvolvida, na carta aos Gálatas. Paulo não está de nenhuma maneira depreciando a lei. Ele está defendendo-a contra conceitos errôneos quanto a seu propósito. Se um homem será salvo do pecado terá que ser por um poder a parte de si mesmo. Vamos empregar a ilustração de um termômetro. O tubo e o fluído vermelho representam o indivíduo. O registro dos graus representará a lei. Imaginem o termômetro dizendo: “Hoje não estou exatamente à marca; devo chegar a 30 graus”. Será que o termômetro poderia elevar-se à temperatura exigida? Não, deveria depender duma condição fora de si mesmo. Da mesma maneira o homem que percebe que não está á altura do ideal divino não pode elevar-se em um esforço de alcançá-lo. Sobre ele deve operar uma força a parte dele mesmo; e essa força é o poder do Espírito Santo.

C)    Ascetismo representa a tentativa de subjugar a carne e alcançar a santidade por meio de privações e sofrimentos – o método que seguem os católicos romanos e os hindus ascéticos. Esse método parece estar baseado na antiga crença pagã de que toda matéria, incluindo o corpo, é má. O corpo, por conseguinte, é uma trava ao espírito, e quanto mais for castigado e subjugado, mais depressa se libertará o espírito. Isso é contrário às Escrituras, que ensinam que Deus criou tudo muito bom. É a alma e não o corpo que peca; portanto, são os impulsos pecaminosos aos que devem ser subjugados, e não a carne material. Ascetismo é uma tentativa de matar o “eu”, mas o “eu” não pode vencer o “eu”. Essa é a obra do Espírito.

 

 

 

 

Texto extraído da obra: Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. São Paulo, Editora Vida.