MOVIMENTO PENTECOSTAL-LIÇÃO 11

domingo, 12 de junho de 2011

 

Conteúdo Adicional para as aulas de Lições Bíblicas

Subsídios para as lições do 2º Trimestre de 2011
Movimento Pentecostal - As doutrinas da nossa fé

Lição 11 - Uma igreja autenticamente pentecostal

Certo cartum retratava um senhor Brown e uma...

Texto Bíblico: Marcos 16.15-20; Atos 2.42-47

INTRODUÇÃO
I. EVANGELIZAÇÃO, MISSÃO DA IGREJA PENTECOSTAL
II. A MISSÃO EDUCADORA DA IGREJA PENTECOSTAL
III. A IGREJA PENTECOSTAL NÃO DEVE DESCUIDAR DO SERVIÇO SOCIAL E DA COMUNHÃO

ENSINO CRISTÃO: DECRETO DE DEUS[

“Ele parece não fazer algo de Si mesmo que possivelmente possa delegar às Suas criaturas. Ordena-nos que façamos lenta e desajeitadamente o que Ele poderia fazer perfeitamente e num piscar de olhos. [...] Talvez não percebamos o problema em sua inteireza, por assim dizer, de permitir que vontades finitas coexistam com a Onipotência. Parece envolver em cada momento quase que uma espécie de abdicação divina”.
(C.S.Lews)


Certo cartum retratava um senhor Brown e uma senhorita Smith. Era óbvio que a moça, munida das provas e dos resultados de entrevistas, candidatava-se a um cargo pedagógico.

“Sinto muitíssimo, mas não podemos aceitá-la. Notamos que você é recém-formada de uma escola de educação, e exigimos um professor com experiência em sala de aula de, no mínimo, cinco anos. Além disso, você só tem grau de bacharel e preferimos alguém com o mestrado”.

O olho do leitor então passa para o quadro seguinte, onde o senhor Brown, agora irmão Brown e superintendente da Escola Dominical, entrevista a irmã Smith, a qual rebate o pedido que ele lhe fez para ser professora: “Irmão Brown, sou nova-convertida e, na verdade, não sei muita coisa sobre a Bíblia”.

“Ora, isso não é problema”, responde ele. “A melhor maneira de aprender a Bíblia é ensina-la”.
“Mas, irmão Brown, eu nunca ensinei aos juniores”, ela objeta.
“Oh, não deixe que isso a coíba, irmã Smith. Tudo o que exigimos é alguém com o coração disposto”, vem a resposta.

O cenário é mais do que um desenho caricatural; é um comentário de nosso baixo nível de discernimento em relação ao ensino cristão. Se você planeja ensinar que 2 + 2 são 4, precisa de cinco anos de experiência pedagógica. Se espera ensinar as crianças a dizer,  “Eu trouxe”, em vez de, “Eu truce”, provavelmente lhe exijam o mestrado. Mas, para ensinar o currículo da vida cristã, qualquer coisa é boa o bastante para Deus.
Que contraste com o desígnio para o ensino, apresentado no Novo Testamento. Segunda Timóteo 2.2 informa-nos que o ensino não é um ministério da mediocridade, mas da multiplicação. Nenhum ser humano está completamente cônscio do poder residente no ensino. Toda vez que alguém ensina, desencadeia um processo que, idealmente, nunca acaba.
Duas razões atuam para formar um argumento convincente: a Igreja tem de ensinar. Não se trata de opção, mas de uma característica indispensável; não é difícil de contentar; mas necessário. A denominação evangélica que não educa, deixa de existir como Igreja do Novo Testamento. Para que o Cristianismo seja perpetuado, precisa ser propagado.

É ordem de Jesus Cristo
Mateus 28.19,20 enfoca a lente zoom do Espírito Santo na Grande Comissão, que são as últimas palavras de Jesus Cristo ditas aos discípulos antes da ascensão dele. Cinco referências da Grande Comissão no Novo Testamento (Mt 28.19,20; Mc 16.15,16; Lc 24.46-48; Jo 20.21-23; At 1.8) indicam que não é algo aleatório, mas essencialmente para estratégia de nosso Senhor.
O mandato “Fazei discípulos” (ARA) inclui intrinsecamente o ensino. Mas temos de notar que o ensino requerido aqui é o de determinada espécie, isto é, “guardar [obedecer] todas as coisas” que Cristo ordenou. Em outras palavras, Seus ensinamentos foram designados para produzir informação e transformação. Esse tipo de instrução é muito exigente e inacreditavelmente difícil de se realizar.
Lucas 6.40 fornece mais apoio ao objetivo de Jesus no que se refere aos Seus ensinamentos, quando Ele diz: “Mas todo o que for perfeito será com o seu mestre”. A verdade de Deus não foi revelada para satisfazer nossa curiosidade, mas para nos conformar à imagem de Cristo.

Foi praticada pela Igreja Primitiva 
Não há a menor sombra de dúvida de que o Novo Testamento ordena a Igreja a ensinar. Mas a Igreja primitiva obedeceu mesmo a esse mandamento?
A Ilustração. Em Atos 2.41-47, temos um retrato da Igreja primitiva, o qual nos informa que eles “perseveravam na doutrina [ensino] dos apóstolos” (2.42). Este era o padrão contínuo; não uma exceção.
A Implementação. Efésios 4 confirma o compromisso de ensinar. Jesus Cristo, após subir aos céus, deu dons aos homens, a fim de que servissem à Igreja, conforme está escrito: “Uns [...] para pastores e doutores [mestres, professores]” (Ef 4.11). O propósito? “Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.12); mais outra prova de que os talentosos são chamados para ministério da multiplicação e não da adição.

Para o judeu, não havia uma posição mais alta na escada da sociedade do que a de rabino. Por conseguinte, quando a Igreja do primeiro século foi ensinada sobre a doutrina dos dons espirituais, confrontou-se com um problema. As pessoas clamavam pelo “dom de ensino” com todos os privilégios a ele pertencentes. Como resultado, Tiago teve de emitir esta advertência: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres [professores], sabendo que receberemos mais duro juízo” (Tg 3.1). Considerando que o professor é compelido a falar e que a língua é o último membro a ser dominado (Tg 3.2), deve-se ter muito cuidado, ao aspirar tal responsabilidade, ponderada e sensata.
As evidências bíblicas acima devem ser constrangedoras o bastante para atrair o sério e abortar o superficial.


Texto extraído da obra: “Manual de Ensino Para o Educador Cristão”. Rio de Janeiro: CPAD.

 

CPAD - Escola Dominical

JUVENIS-LIÇÃO 1

sábado, 2 de outubro de 2010

 

Juvenis-mestre-4-trim-2010__m206366 Conteúdo adicional para as aulas de Juvenis

Subsídios para as lições do 4º Trimestre de 2010
O Cuidado com a influência dos meios de comunicação

 

Lição 01 - A Igreja de Cristo

Estamos vivendo na era da informação. A influência da mídia, em...

Texto Bíblico : Daniel 12.4; 1 Timóteo 4.1-3


Introdução


Estamos vivendo na era da informação. A influência da mídia, em especial a televisão, atualmente é inegável. Tomando esse fato como ponto de partida, procuro analisar a influência da publicidade no comportamento de crianças e adolescentes. Basta uma olhada rápida ao nosso redor para percebermos que a publicidade está em toda parte — nas ruas, rádio, revistas, internet, igrejas —, mas em especial na televisão. A TV está presente e tem exercido influência em muitos lares evangélicos. Não podemos negar essa realidade. Mesmo com o avanço das tecnologias digitais, a televisão continua ocupando um espaço privilegiado no cotidiano das famílias brasileiras. Hoje ela é o principal veículo por meio do qual as crianças e os adolescentes são atingidos pela propaganda.
Antes de adotar uma postura crítica frente ao uso da televisão e da mídia, é preciso ter consciência de que esta não é a única responsável pelo mau comportamento das crianças e jovens. Caso fosse a única, bastaria termos uma TV perfeita para vivermos um Éden aqui na Terra. O que acontece é que as crianças e os adolescentes (e adultos também) estão se excedendo diante de um veículo de comunicação que tem o poder de manipular o pensamento, as ideias.

 1.    A publicidade na “telinha”

As Escrituras Sagradas nos advertem: “Não porei coisa má diante dos meus olhos...” (Sl 101.3). Atualmente, essa advertência não é apenas divina, pois psicólogos e psiquiatras também alertam e advertem sobre os problemas causados pelo excesso de exposição à mídia, principalmente a TV. A criança brasileira é uma das que passam a maior parte do tempo livre diante da televisão. Segundo uma pesquisa do Painel Nacional de Televisão do Ibope, publicada no livro Crianças do Consumo, de Susan Linn, as crianças brasileiras de 4 a 11 anos assistem em média a 4h51 minutos de TV por dia. O Brasil ficou em primeiro lugar — antes dos Estados Unidos — na quantidade de tempo que as crianças ficam diante do televisor, principal veículo pelo qual as crianças são atingidas pela propaganda. A criança e o adolescente evangélico, que frequentam a ED, não estão de fora desses números. Eles também são alvo da propaganda e acabam se tornando consumistas inconscientes, adquirindo hábitos que são prejudiciais à saúde física, mental e espiritual, contrariando os princípios bíblicos. As crianças são um alvo fácil, pois não conseguem abstrair. O pensamento delas é concreto, literal. Veja o que nos diz a pesquisadora Susan Linn sobre isso.

“Até a idade de cerca de oito anos, as crianças não conseguem realmente       entender o conceito de intenção persuasiva — segundo o qual cada detalhe de uma propaganda foi escolhido para tornar o produto mais atraente e para convencer as pessoas a comprá-lo” (2006, p. 22).

As cores, a música, o cenário, os personagens e os muitos efeitos especiais são estrategicamente pensados a fim de tornar o produto mais atraente. Objetivo é somente um: o lucro. Eles querem vender. Não estão pensando no que é realmente bom para as crianças e os jovens. A propaganda mexe com as emoções. Os publicitários sabem como fazer isso e o fazem muito bem. Pare e pense: Qual é seu comercial predileto? Você verá que a maior parte deles está relacionada à sua infância. Quantas recordações eles trazem até a sua mente. Você acaba sendo envolvido por um turbilhão de sentimentos e torna-se mais susceptível a adquirir alguns produtos, mesmo que não precise deles.

2.    Esquemas de convencimento na propaganda

Adilson Citelli, na sua obra Linguagem e Persuasão, apresenta alguns dos esquemas básicos utilizados pela publicidade para o convencimento. Vejamos:


1.    Velhas fórmulas (uso de estereótipos). Exemplo: A figura de um jovem bem vestido (roupas de griffe), bonito (sarado), passa a ideia de pessoa bem-sucedida, honesta. É o convencimento pela aparência.

“A grande característica do estereótipos é que ele impede qualquer questionamento acerca do que está sendo anunciado, visto ser algo de domínio público, uma “verdade” consagrada” (2002, p. 69).

2.    Substituição de nomes. Os termos são alterados com o objetivo de influenciar positiva ou negativamente certas situações. Exemplo: “Glamorosas, para jovens elegantes, bonitas, charmosas”.

3.    Apelo à autoridade. Utilização de profissionais de determinadas áreas a fim de validar a mensagem, conceito que a propaganda quer transmitir. Exemplo: Dentistas, atletas, professor, etc.

 4.    Afirmação e repetição. O slogan utilizado por uma grande marca de chocolate que não saia da nossa cabeça: “Compre Batom!” Essa era uma estratégia utilizada pelos nazistas. “Goeblees, o teórico da propaganda nazista, apregoava que uma mentira repetida vezes era mais eficaz do que a verdade dita uma única vez” .


3.    Os efeitos nocivos da propaganda

Aumento da obesidade infantil -  As crianças já não brincam mais como deveriam e estão cada dia mais sedentárias. De acordo com dados apresentados pela Escola Paulista de Medicina, na “Primeira Jornada de Alimentos e Obesidade na Infância e Adolescência”, no Brasil 14% das crianças são obesas e 25% estão acima do peso. 
As empresas de alimentos infantis têm investido no marketing de seus produtos colocados à disposição das crianças, uma vitrine atraente, repleta de guloseimas. Segundo os especialistas, a propaganda tem o poder de afetar as crianças mais profundamente do que os adultos, levando-as a consumir alimentos nem sempre saudáveis. O Instituto Alana publicou uma pesquisa que mostra dados bem alarmantes. Observe os dados da pesquisa:   “50% das propagandas vistas na televisão pelas crianças são de alimentos, sendo 34% de guloseimas e salgadinhos, 28% de cereais, 10% de fast food, 1% de suco de frutas e nenhuma de frutas e legumes”.
Aumento da agressividade - As crianças ficam expostas a imagens violentas e repletas de sexualidade, o que acaba por afetar seu comportamento social e seus valores. As crianças que assistem à violência gratuita estão propensas a enxergá-la como uma maneira eficaz de resolver conflitos. Segundo a Academia Americana de Pediatria, “assistir à violência pode levar à violência na vida real”.
Aumento da atividade sexual precoce e fora do casamento. A infância e a adolescência tornaram-se curtas e o número de adolescentes grávidas virou uma questão de saúde pública. Brandon Tartikoff, antigo presidente da NBC, declarou: “Realmente, acredito que as imagens influenciam os comportamentos [...] a TV é financiada por comerciais e a maioria usa comportamentos imitativos”.
Diminuição do diálogo familiar. Os pais já não conversam como deveriam com seus filhos, pois o tempo que lhes sobra é gasto diante da “telinha”, quando o silêncio é exigido. Solange Jobim e Souza em sua obra a Subjetividade em Questão, diz que “nos lares de hoje as famílias não mais contam suas histórias. O convívio familiar se traduz na interação muda entre as pessoas que se esbarram entre os intervalos dos programas da TV e o navegar através do éden eletrônico [...]. O tato e o contato entre as pessoas, na casa ou no trabalho, cedem lugar ao impacto televisual”.
De acordo com os terapeutas de família, o problema número um em nossos dias é o colapso da família. Na pós-modernidade, um novo termo tem sido utilizado pelos terapeutas para descrever a difícil situação das famílias: disfuncional. Mas o que significa esse termo? Mau funcionamento? Este parece o significado óbvio, mas não é a definição precisa. Segundo  Ed Young o prefixo dis significa “perigoso”. Então, uma família disfuncional, por definição, é uma família que está funcionando “perigosamente”.  Perigosa para quem? Perigosa para os filhos, maridos e esposas, e para a sociedade em geral.
Consumismo. Fica difícil para as crianças e adolescentes resistirem aos apelos do consumo. A verdade é que acabamos por aceitar a cultura consumista.
Muitos pais fazem o possível e o impossível para que a pseudofelicidade prometida pelo consumo esteja ao alcance de seus filhos. Isso se deve ao fato de que na atualidade o “ter” passou a ser mais importante que o “ser”. 
Não observância dos princípios bíblicos. Muitos dos princípios de Deus para a família vão sendo deixados de lado, já não sendo mais observados. O que mais ouvimos das crianças e dos jovens é: “Todo mundo faz”; “Todo mundo tem”. Mas os princípios bíblicos são imutáveis.

4.    Podemos interagir com a mídia
Diante de tantos malefícios, fica a pergunta: É lícito interagir com a mídia?
Para o cristão, todas as coisas são lícitas, mas nem tudo é proveitoso ou edificante (1 Co 10.23; 16.12). Devemos fazer uso da mídia com prudência e discriminação. De acordo com Charles Colson e Nancy Pearcey, podemos desfrutar da mídia desde que estejamos treinados para sermos seletivos e definamos limites para que as sensibilidades da cultura popular não moldem o nosso caráter.
É importante ressaltar que a mídia e a publicidade comunicam crenças de valores,  expressam sempre uma ideologia. Michael Palmer, no livro Panorama do Pensamento Cristão, diz que “os cristãos que veem a cultura de mídia de entretenimento têm de aprender a ler essas imagens e rejeitar as que são incompatíveis com os padrões cristãos e a Escritura”. Esse é o problema. As crianças e adolescentes conseguem fazer essa leitura? É difícil! Eles precisam ser ensinados a fazer isso. Quem vai ensiná-los? Em primeiro lugar os pais, mas a igreja e a Escola Dominical também têm sua parcela de responsabilidade e podem contribuir com a família.


5.    Tem “alguém” por trás da propaganda.Esse alguém a que me refiro não são os técnicos, redatores, editores, pessoas de carne e osso como nós. Esse alguém não possui um corpo físico. Ele é o Inimigo de nossas almas, lembrando que a sua função neste mundo é matar, roubar e destruir. As estratégias de Satanás para destruir as famílias mudam de tempos em tempos, e especificamente nos tempos pós-modernos. Temos visto o mundanismo na mídia, principalmente na TV, ridicularizando a fé cristã e refletindo de modo negativo em algumas famílias. Quando a família não dá muita ênfase à TV, as crianças, por influência dos amigos, concluem que sua família é “estranha” por priorizar Jesus e a igreja, uma vez que as famílias exibidas nos programas televisivos e nos comerciais não vivem como a sua.
As pessoas estão hipnotizadas diante da subjetividade das imagens; muitas já não conseguem discernir as artimanhas de Satanás. Precisamos clamar por um avivamento de contrição e santificação (1 Pe 1.15,16; 1 Ts 5.23).
No livro Criança Pergunta Cada Coisa...,  Doris Sanford afirma que os pais devem olhar no mínimo um episódio do programa antes de permitir que as crianças assistam. É preciso selecionar cuidadosamente a programação que a família vai assistir. Uma pesquisa feita na Argentina mostrou que 95% das crianças conhecem toda a programação televisiva, mas apenas 5% dos pais sabem o que seus filhos assistem.
6.    Riscos na infância e adolescência
Na atualidade a criança vem correndo vários riscos. O modo como uma nação trata suas crianças e jovens diz muito sobre como será o seu futuro. Observe o que nos diz Jobim e Souza:

“[...] a criança contemporânea tem como destino flutuar erraticamente entre adultos que não sabem mais o que fazer com ela. Crianças passam assim a compartilhar entre si suas experiências mais frequentes, as quais se limitam, na maioria das vezes, ao contato com o outro televisivo, remoto, virtual e maquínico” (1997).

Como temos tratado nossas crianças? Como Igreja do Senhor, o que temos feito? Qual tem sido a nossa preocupação com a Educação Cristã?
A televisão e a propaganda estão impregnadas em nós de tal forma que podemos vê-la até na Escola Dominical. Na Escola Dominical? Isso mesmo! Está presente na fala das “tias”, nas músicas que as crianças cantam, no modo como se vestem, nos gestos, nos brinquedos e nas brincadeiras. A televisão nos leva a consumir não somente mercadorias, mas também imagens, linguagem, modo de ser... A Educação Cristã não deve se restringir às salas de aula da ED, pois nossos alunos são indivíduos afetados por seu meio. A reflexão a respeito da publicidade é relevante e fundamental para que possamos oferecer às crianças e jovens uma educação que lhes possibilite, de fato, dialogar com a mídia e com a nossa cultura.
Para Gilka Giradello, coordenadora do Ateliê Aurora, é fundamental fazer com que as crianças e jovens compreendam que a televisão não é uma “janela para o mundo — como gostam de caracterizar os mais otimistas: Ela é um recorte muito bem produzido e montado da realidade — e não a realidade”.
7.    O papel da família
Os pais são os responsáveis em alertar os filhos e protegê-los dos efeitos nefastos da mídia e da publicidade.  O pai não deve ser só o provedor do lar: deve ser o sacerdote; deve proteger sua casa espiritualmente (Êx 12.3,7,13). Todavia, os pais precisam de nossa ajuda, como servos de Deus e profissionais. 
Tudo ficaria mais fácil para os professores da ED se os alunos fossem orientados pelos pais em casa. Todavia, muitas famílias transferem a responsabilidade de educar para os professores da ED e para a escola; esquecem-se de que é função deles instruir as crianças no caminho em que devem andar (Pv 22.6; Dt 6.6-9). Encontramos no livro de Deuteronômio a importância e a necessidade de os pais ensinarem as crianças. Observe as referências: Deuteronômio 4.9; 6.7; 11.19.
O psiquiatra Içami Tiba escreveu: “A herança genética está nos cromossomos. Mas desde o nascimento a criança absorve o modo de viver, o como somos, da família”. Se a família tem uma visão correta a respeito da mídia e da publicidade não terá dificuldade de passar isso aos filhos.
8.    O papel da Igreja e da Escola Dominical
O marketing infantil é uma indústria enorme, que envolve vários profissionais e mexe com muito, muito dinheiro. A Igreja e a ED devem se unir na luta contra esse “gigante”.   Gosto da frase de John Maxwell que diz: “Nada muito significativo foi alcançado por um indivíduo que tenha agido sozinho”. Precisamos nos unir para que o ensino seja relevante. Os alunos precisam aplicar a Palavra de Deus a suas vidas. Não basta ouvir é preciso viver, saber aplicar a Palavra de Deus no dia a dia (Tg 1.22), fora dos muros da igreja, diante da TV e de uma peça publicitária. Nossos alunos precisam saber como vão aplicar o conteúdo à sua vida.
Conclusão
Como educadores, temos a responsabilidade de alertar nossos alunos e os pais sobre o poder sedutor da linguagem televisiva e da propaganda. Não podemos nos calar diante dos estragos que a mídia vem produzindo.

Telma Bueno é Pedagoga, Jornalista e Redatora do Setor de Educação Cristã da CPAD.

Bibliografia
LINN, Susan. Crianças do Consumo: Infância roubada. 1.ed. São Paulo: Instituto Alana, 2006.
SOUZA, Solange Jobim e. Subjetividade em Questão: A infância como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Editora 7 Letras.
CITELLI, Adilson. Linguagem e Persuasão. 15 ed. São Paulo: Ática, 2002.
PALMER, Michael. Panorama do Pensamento Cristão. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
COLSON, Charles. PEARCEY, Nancy. O Cristão na Cultura de Hoje: Desenvolvendo uma visão de mundo autenticamente cristã. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
SANFORD, Doris. Criança Pergunta Cada Coisa...  1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
YONG. Ed. Os 10 mandamentos da criação dos filhos. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

ADULTIZAÇÃO INFANTIL(ENSINO DOMINICAL)

sábado, 27 de março de 2010





Por: Marcos Tuler

“Tudo o que será aprendido deve ser disposto segundo a idade, para que nunca se ensine nada que não possa ser compreendido”. (Comenius – Didática Magna)

“O aprendizado depende do nível de desenvolvimento do indivíduo. Ele não pode aprender o que suas estruturas cognitivas ainda não podem absorver” (Piaget).

“Quando eu era criança falava como criança, sentia como criança, discorria como criança” (1 Co 13.11).

INTRODUÇÃO

Hoje em dia, as crianças estão se comportando como se fossem “pequenos adultos”. Cada vez mais cedo, elas assumem responsabilidades, disputam posições em determinadas atividades, buscando múltiplas competências. Desprotegidas, recebem de forma direta a influência de uma sociedade que exige seres perfeitos.

Como se isso não fosse bastante, muitos pequenos sentem o peso das exigências de “gente grande” como a falta de dinheiro ou o problema do desemprego na família.

Esse seminário tem por objetivo questionar a adultização da criança nos dias atuais, discutir suas principais causas e consequências, e apontar a necessidade de mobilização de toda sociedade, especialmente a cristã, a fim de resgatarmos a infância perdida de nossas crianças. O que podemos fazer como cidadãos, pais e educadores cristãos, diante desse processo de adultização da infância? Afinal, o que é infância?

I. A INFÂNCIA CONSIDERADA HISTORICAMENTE

1. A infância na Idade Média.

Até o século XVI, as crianças eram vistas como “adultos em miniatura”; símbolo da força do mal; um ser imperfeito esmagado pelo peso do pecado original, ou simplesmente um companheiro natural do adulto.
Neste sentido, a infância era concebida apenas como um percurso para a vida adulta. Uma visão negativa, pois, nesta idéia, a criança seria um ser inacabado; sem nada específico e original, sem valor positivo.

2. A infância resgatada nos tempos modernos.

No decorrer da história da infância aconteceram diversas transformações do pensamento social em relação á família e á própria infância. A partir do século XVI começa a surgir na sociedade o sentimento e a idéia de infância. A criança, antes relegada ao último plano, passou a conquistar seu espaço social. Desde então, surgiram várias pesquisas fortalecendo o reconhecimento cultural dos pequenos.

Dentre os pesquisadores, Jean Jaques Rousseau (séc. XVIII) merece notoriedade. Em sua obra “Emílio”, na qual defendeu a criança como detentora de uma natureza própria que deve ser desenvolvida, assim asseverou: “A infância é, também a idade do possível. Pode-se projetar sobre ela a esperança de mudança, de transformação social e renovação moral”. E tal visão, perpetuou-se ao longo dos tempos ainda que de forma não linear.

3. A infância nos dias de hoje.

A idéia de infância ressurge fortemente com a sociedade capitalista, urbano-industrial, na medida em que muda a inserção e o papel social desempenhado pela criança na comunidade.
No decorrer dessas transformações e devido ao amadurecimento do pensamento social, a criança passou a conquistar seu reconhecimento na sociedade. A segunda metade do século XX é considerada o período da legitimação do direito da criança. Ela deixa de ser uma “criança-adulto”, para ser um sujeito social. Todavia, é preciso destacar que junto a essas conquistas de reconhecimento dos direitos da criança e sua valorização surgiram também determinadas condições. A mesma sociedade que legitima esse ser social usa de poder para manipulá-lo e sujeitá-lo às novas correntes de pressão social. O cenário da criança hoje, devido a diversas circunstâncias, aponta para uma infância a caminho do desaparecimento. Uma fase que após anos de construção, encontra-se em processo de extinção.

II. OS VILÕES DA INFÂNCIA

Durante muitos séculos a sociedade agiu de maneira indiferente com relação à infância. As crianças, de maneira muitas vezes sutil ou subliminar, são pressionadas a serem pequenos adultos. Imitam hábitos e costumes dos adultos e muitas vezes já nem sentem alegria pela infância, seu desejo é alcançar a maioridade.

1. As mídias, de modo geral. Em se tratando de poder, as mídias são atualmente fortes instrumentos de influência e manipulação na educação e construção desses novos seres “adultizados”. No Brasil, as músicas que as crianças cantam, não são mais tão infantis. As maquiagens, roupas e calçados copiam o adulto como se os gostos fossem os mesmos. As danças sensuais e canções com palavras obscenas já fazem parte do repertório preferido dos pequenos. Meninas usam roupas e objetos que estimulam a sexualidade precoce, assistem aos mesmos programas de televisão e falam a mesma linguagem dos adultos. Garotinhas usam salto alto e meninos de apenas cinco anos de idade já querem se vestir como adultos e já não aceitam usar roupas que possuam qualquer desenho infantil que os faça parecer crianças. Abraçar e pegar na mão do filho é considerado motivo de vergonha. Crianças trabalham e apresentam programas de televisão.

2. Videogames e filmes. Os jogos infantis também mudaram, a diversão agora são os videogames e os filmes repletos de violência. Os brinquedos já vêm prontos, tudo é industrializado, só é preciso manusear. Campeonatos infantis é atração para os pais, que cobram dos filhos ótimos resultados de placar. E quanto a alimentação não há mais distinção entre o lanche do adulto e da criança, todos devem saborear os deliciosos “hambúrgueres” em qualquer tempo. Sem falar da literatura infantil que também está mudando. Até as ruas que antigamente eram lugar de socialização, hoje refletem a falta de relacionamento e interação entre pessoas.

III. REAIS OBJETIVOS DA ADULTIZAÇÃO

Mas afinal, qual a razão de se negar às crianças a alegria das brincadeiras espontâneas? Por que lhes podar a criatividade de fabricarem seus próprios brinquedos? Qual o motivo da sociedade aplaudir tudo isso como se fosse algo natural?
1. Interesse econômico. O fato inegável é que há um interesse econômico por detrás desta realidade. Uma intenção que possui um objetivo: educar as crianças a serem consumidores em potencial. Educar para o consumo e para a submissão de idéias. Produzir consumidores mirins que satisfarão cada vez mais os desejos desse sistema que insiste em condicionar o verdadeiro sentido da infância ao status, dinheiro e mecanização. As crianças estão sendo pressionadas a crescerem depressa, quando na verdade deveriam respeitar seu processo de desenvolvimento, pois não pensam, não sentem nem aprendem como os adultos. Elas precisam de tempo para crescer e pressioná-las a viver como adultas só produzirão seres com dificuldades, inseguranças e conflitos no futuro.

IV. ADULTIZAÇÃO NO ÂMBITO DA IGREJA

1. Cantores, pregadores e mestres mirins.
Muitas crianças têm perdido a infância por conta de certos “educadores” que no intuito de realizarem nelas o que gostariam para si mesmos, podam-lhes a alegria, a imaginação, a inventividade e o divertimento. Às vezes, são pais que gostariam de ser cantores, pregadores ou professores de escola dominical, mas que por falta de vocação natural, ou até mesmo de uma chamada divina específica, projetam nos filhos, seus sonhos ou objetivos não-realizados.
Quem nunca viu um menino com menos de dez anos vestido de terno e gravata, cantando, pregando ou dirigindo um culto. E na escola dominical, quantas meninas e meninos são colocados à frente de uma turma, quando na realidade, deveriam estar aprendendo em uma classe de sua faixa-etária.

V. O QUE É SER CRIANÇA? O QUE DIZ A PEDAGOGIA ATUAL?

Na verdade, o que se fala hoje a respeito da infância não condiz com a realidade das nossas crianças, nem com o que fazemos com elas.

É preciso resgatar a verdadeira infância, na qual há um mundo de fantasia, imaginação, criatividade e brincadeiras. Aqui entra o papel do pedagogo cristão, pois como estimulador do conhecimento, poderá trazer para o espaço da escola dominical desafios e valores que conduzam seus alunos a descobrirem a verdadeira identidade da criança segundo os ensinamentos da Bíblia.

Poderá trabalhar dentro dos estágios de desenvolvimento da criança, incentivá-la na leitura da vida e não apenas da palavra, estimulando-a a ler nas “entrelinhas” e a constituir-se como um cidadão capaz de transformar sua própria realidade. Como educador evangélico poderá também questionar junto aos educandos a postura das mídias e se posicionar como um instrumento iluminador de pensamentos e idéias.

Aqui entra a intervenção dos pais, professores de escola dominical, pastores, e de toda a sociedade, que precisa romper com os muros do doutrinamento consumista. Devemos exigir dos setores sociais, inclusive da própria família, da igreja e dos setores de comunicação, uma educação que valorize mais o ser do que o ter. Uma censura a ser respeitada, digna do público infantil e até a criação de um código de defesa do telespectador ou leitor de mídias. É preciso acreditar numa educação de qualidade para todos, a qual prepare as crianças para conhecer, fazer, ser e conviver.

CONCLUSÃO

A história da criança não deve retroceder a um passado de isolamento, e sim estabelecer-se como a história de um sujeito possuidor de direitos, inclusive o direito de voz e o de não ser manipulado pelos adultos. Está-nos proposto o desafio: protegeremos a infância ou continuaremos a reproduzir os interesses de um sistema que insiste em nos dominar?

Pr. Marcos Tuler é pedagogo, escritor, conferencista e reitor da FAECAD (Faculdade de Ciência e Tecnologia da CGADB).

www.prmarcostuler.blogspot.com.br
prof.marcostuler@faecad.com.br

FONTE:http://www.ensinodominical.com.br

A RELEVANCIA DA ED NO CONTEXTO DA EDUCAÇÃO CRISTÃ

sábado, 30 de janeiro de 2010


A relevância da Escola Dominical no contexto da Educação Cristã

INTRODUÇÃO

A Escola Dominical está inserida em um amplo contexto educacional denominado Educação cristã. A educação cristã, como instrumento de formação e aperfeiçoamento do caráter cristão, não ocorre apenas no ambiente da Escola Dominical, mas em todos os setores e seguimentos da igreja local. Nesta rica oportunidade, apresentaremos razões que justifiquem a relevância da ED como principal ferramenta de Educação Cristã na igreja.


I. É relevante em razão de sua essencialidade.

A – A Escola Dominical não é uma atividade educativa opcional, é essencial.

Em razão de a igreja estar intrinsecamente associada à educação cristã, a Escola Dominical como departamento principal de ensino, não é opcional, é vital, pois, incrementa e dinamiza todas as atividades e iniciativas educacionais e evangelísticas dos demais setores.

A Escola Dominical não pode ser considerada apenas um apêndice, anexo ou assessório na estrutura geral da igreja ou mero departamento secundário.

Ela se confunde com a própria essência da Igreja. Não é apenas parte da igreja; é a própria igreja ministrando ensino bíblico metódico, sistemático.

Desde os primórdios a Igreja Cristã perseverava na doutrina e instrução dos apóstolos. No primeiro século não havia templos. As famílias se reuniam em suas casas para orar, comungar e estudar a Palavra de Deus. Os crentes mais experientes ensinavam os neófitos basicamente de forma expositiva e em tom familiar (homilétike); explicando e interpretando os pontos mais difíceis das Escrituras de acordo com a orientação dos apóstolos e diretamente do Espírito Santo.

E hoje? A Igreja está realmente interessada em estudar a Bíblia?

B – Onde fica a ED no programa geral de nossas igrejas? Qual a sua importância?

Há algumas décadas, na maioria das igrejas tradicionais, era comum o número de matriculados na Escola Dominical ultrapassar ao de membros da igreja. O que podemos dizer das nossas Escolas Dominicais atualmente?

Enquanto as igrejas tradicionais estão repensando a ED, grande parte das igrejas pentecostais somente começaram a pensar na relevância do ensino bíblico sistemático de algumas décadas para cá.

(A CPAD através do Setor de Educação Cristã e especificamente do CAPED vem realizando um excelente trabalho de conscientização nesta área)



C – A relevância da Escola Dominical está explicita no seu principal conceito.

A Escola Dominical conjuga os dois lados da Grande Comissão dada à Igreja (Mt 28.20; Mc 16.15). Ela evangeliza enquanto ensina.

O cumprimento da Grande Comissão através da ED, pode ser visto em quatro etapas:

Alcançar – a ED é o instrumento que cada igreja possui para alcançar todas as faixas etárias. (A audiência do culto à noite, além de ser heterogênea, não tem oportunidade de refletir, questionar e interiorizar o conteúdo recebido).

Conquistar – através do testemunho e da exposição da Palavra. Disse Jesus: "...serão todos ensinados por Deus...todo aquele que do pai ouviu e aprendeu vem a mim" (Jo 6.45). A conversão é perene quando acontece através do ensino.

Ensinar – até que ponto estamos realmente ensinando aqueles que temos conquistado?

Há quem diga que o ensino metódico e sistemático é contrário à espiritualidade? Isto é verdade?

"O ensino das doutrinas e verdades eternas da Bíblia, na Escola Dominical deve ser pedagógico e metódico como numa escola, sem contudo deixar de ser profundamente espiritual."

Isto significa que devemos ensinar a Palavra de Deus com seriedade e esmero, apropriando-nos dos mais eficazes recursos educacionais que estejam à nossa disposição: “...se é ensinar haja dedicação ao ensino” (Rm 12.7b).

Treinar – devemos treiná-los para que instruam a outros.

Estas 4 etapas estão conjugadas aos 3 principais objetivos da Escola Dominical que são: ganhar almas para Jesus; desenvolver a espiritualidade dos alunos e treinar o cristão para o serviço do Mestre.



II. É relevante porque é a principal agência de ensino na igreja.

A ED é a maior agência de ensino da Igreja. Nenhuma outra reunião tem um programa de estudo sistemático da Bíblia com a mesma abrangência e profundidade. Ajustado a cada faixa etária, o currículo da ED possibilita um estudo completo das Escrituras em linguagem acessível a cada segmento, criando raízes profundas na vida de cada crente.

III. É relevante porque é uma escola que transforma.

Foi a criação da Escola Dominical, da forma como é conhecida atualmente, que mudou a face da Inglaterra, que mudou a face da Inglaterra. Crianças que antes tinham comportamento marginalizado, abandonadas à sua própria sorte, começaram a ser atraídas por Robert Raikes para reuniões sistemáticas com tríplice ênfase: social, bíblica e evangelística.

IV. É relevante porque fortalece a comunhão com Deus e entre os irmãos.

Não pode haver crescimento espiritual fora do contexto da comunhão cristã

“Até que todos cheguemos à unidade da fé e ao conhecimento do Filho de Deus...” (Ef 4.13).

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, e na comunhão, e no partir do pão, e nas orações (...) Todos os que criam estavam juntos...” (At 2.42,44).

A Escola Dominical propicia um ambiente favorável ao inter-relacionamento dos crentes.

Ela representa o lar espiritual onde, além do conhecimento da Palavra de Deus, compartilham-se idéias, princípios, verdades e aspirações.

V. É relevante porque é ferramenta de evangelização e discipulado.

VI. É relevante na edificação total da família cristã.

Ela não cuida apenas da formação espiritual, mas preocupa-se com a edificação geral, que inclui:

Bons costumes, exercício da cidadania e a formação do caráter

A ED complementa e, às vezes corrige a educação ministrada nas escolas seculares.

a) A ED complementa a educação cristã ministrada nos lares.

No Antigo Testamento, entre o povo de Deus, eram os próprios pais os responsáveis pelo ensino das Escrituras:

“E estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração; e as intimará (inculcarás) a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te” (Dt 6.6,7).

“Ponde, pois, estas minhas palavras no vosso coração e na vossa alma, e atai-as por sinal na vossa mão, para que estejam por testeiras entre os vossos olhos, e ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te e levantando-te” (Dt 11.18,19).

“Ajunta o povo, homens, e mulheres, e meninos, e os teus estrangeiros que estão dentro das tuas portas, para que ouçam, e aprendam, e temam ao Senhor, vosso Deus, e tenham cuidado de fazer todas as palavras desta lei” (Dt 31.12).

“E o terá consigo (o livro da Lei), e nele lerá todos os dias da sua vida, para que aprenda a temer ao Senhor seu Deus, para guardar todas as palavras desta lei, e estes estatutos para cumpri-los” (Dt 17.19).

O objetivo final é sempre cumprir: “Sede cumpridores da palavra e não somente ouvintes enganando-vos com falsos discursos” (Tg 1.22).

A grande maioria das famílias recebe pouca ou nenhuma instrução na Palavra de Deus, no lar, sob a liderança do seu chefe. Em função de a Bíblia perder seu lugar no seio da família, a igreja ficou com a grande responsabilidade de providenciar educação religiosa.

Todo o impacto desta responsabilidade caiu sobre a ED e seus oficiais. Além de aproximar pais e filhos na comunhão do corpo de Cristo, A ED introduz crianças, adolescentes, jovens e adultos no conhecimento bíblico, afastando-os da ociosidade e das más companhias.

VII. É relevante porque é fonte de genuíno avivamento.

Hilquias, o sacerdote: “Achei o livro da Lei na Casa do Senhor” (2 Cr 34.15).

É um chamamento à redescoberta do ensino da Palavra de Deus como base de todo avivamento. Não há outro caminho para manter a Igreja viva, a não ser o retorno às Escrituras, como ocorreu no tempo do rei Josias.

Marcos Tuler
Escoladominical@cpad.com.br
Tel: 21 2406-7345
21 33595633

MARKETING PARA A ESCOLA DOMINICAL





MARKETING PARA A ESCOLA DOMINICAL
Novo paradigma para a administração e organização da principal agência de educação cristã da igreja


Pr. César Moisés


INTRODUÇÃO

Já é por muitos conhecida a urgência de se repensar em um programa de (re)integração dos alunos à ED. A percepção primeira dessa realidade veio da CPAD, quando, após constatar que cerca de 80% da membresia não participava da ED, lançou, em 1996/1997, o Biênio da Escola Dominical, que teve como lema: “Achei o Livro da Lei na Casa do Senhor” (2Cr 34.15). Desde então, os avanços experimentados pelo principal Departamento da Igreja tem sido de proporções consideráveis. Entretanto, estamos em um outro momento pendular. Naquele o “Livro da Lei”, a Bíblia, livro texto da ED estava “perdido”. Nesse, a metáfora mais adequada é a analogia dos alunos com a décima dracma que foi perdida dentro da própria casa (Lc 15.8 e 9). Assim, devemos “achar” os alunos “perdidos” dentro da Igreja, para depois nos lançarmos à procura da clientela externa. Os novos tempos exigem uma postura diferente. É um novo paradigma que desponta, e devemos nos adequar à nova dinâmica. A gestão educacional da ED precisa, urgentemente, ser mudada.



O que é um paradigma

Segundo o Dicionário de Sociologia, o termo paradigma vem da lingüística. Ele aparece a partir dos estudos do lingüista suíço Saussure, nos anos 20 e nos demais que se seguiram do século XX. Saussure estabeleceu a teoria do signo lingüístico. O que são signos lingüísticos? Os signos lingüísticos são os elementos constituintes de uma língua, os quais se relacionam, ou seja, existem solidários entre si.

Pela exigüidade de espaço, não poderemos ver como aconteceu o processo de transformação da terminologia em sua completude. No entanto, relacionamos, apenas a título de informação, o momento em que o termo saiu de seu sentido original e passou a ter uma outra conotação. Segundo o mesmo léxico, a designação de paradigma passou da lingüística para a gramática, designando o modelo de uma classe gramatical. Daí, o termo paradigma passou para a linguagem em geral e entrou nas Ciências Sociais, onde tem igualmente a acepção de modelo ou matriz, de algo que serve de referência.



Qual o aspecto mais relevante do paradigma

O aspecto mais relevante reside em sua capacidade de possuir qualidades ou características que fazem dele um tipo. Isso traz ao paradigma a propensão e tendência de ser reproduzido. Na verdade esse é o seu “objetivo”. A sua carga semântica é forte, pois se liga a norma, ao conjunto de regras que regem determinada situação ou grupo, destinando-se a servir de exemplo, e assim ser imitado.



Quem ou o “que” determina o paradigma

As mudanças com suas ondas de transformações determinam as novas dinâmicas organizacionais. Essas mudanças criam o paradigma. E esse, por seu turno, cristaliza o modelo que vem com a nova onda. Como o homem, se não em todos os sentidos, mas pelo menos em alguns, é produto do meio, evidentemente que haverá o estabelecimento de um conflito no momento do mesmo ser educado “cristãmente” na ED, em contraposição com a educação laica que ele recebe durante a semana na escola. E por que partimos desse pressuposto? Por que, em tese, a escola laica se adequou aos novos tempos, ao novo paradigma educacional, e a ED não. Ela permanece sendo aquela instituição centenária que “todos” “amam”, mantida pela força da tradição, mas que não mudou em nada no sentido administrativo, pedagógico, didático, recepcional e em outras dimensões que fazem parte do bojo organizacional e estrutural da ED.

Cientes de que é inadmissível permanecer na postura passiva e resistente do paradigma de visão educacional tradicional, e levando em conta que a nossa tarefa educativa é gigantesca, pois devemos ensinar “todas as coisas que Jesus ensinou” a “todas as nações” (Mt 28.19,20), é imprescindível agora pensar em como realizarmos o nosso trabalho de maneira cristã em moldes contemporâneos.



Qual é o novo paradigma educacional

O novo paradigma educacional em vigência, é o do humanismo, da prevalecência do homem, do pragmatismo, sendo que a ênfase desse último aspecto, conforme postulou John Dewey, recai na tese fundamental de que “a verdade de uma doutrina consiste no fato de que ela seja útil e propicie alguma espécie de êxito ou satisfação”. Excetuando os elementos narcisistas e hedonistas desse pensamento, podemos extrair dele boas coisas. Por exemplo, nessa nova dinâmica a compreensão da utilidade do que se está aprendendo é fundamental para cativar alunos.

Analisando esse paradigma com as “lentes do cristianismo”, ou seja, passando a encará-lo do ponto de vista da cosmovisão cristã, é possível aproveitar esse momento em vez de ingenuamente negá-lo ou querermos resisti-lo. Persistir em um ensino homogêneo, que considera todos iguais, que não respeita as individualidades cognitivas e meramente informa, é escancarar as portas da ED e obrigar os alunos a se evadirem.



Quais as implicações desse novo paradigma para a ED

As implicações que subentendemos como mudanças a serem implementadas na ED, estão situadas em pelo menos, quatro níveis:

a) Mudança Estrutural: Esse ponto refere-se não apenas a questão física, predial e mobiliária, mas, principalmente sobre a questão organizacional, administrativa, pedagógica e grupal. A descentralização de poder deverá ocorrer de fato e direito. Mais do que nunca o conselho de Jetro está em voga (Ex 18.13-26);

b) Mudança Tecnológica: Tem se dito, com propriedade, que o analfabeto do século 21 é quem não sabe lidar com a tecnologia. E, diga-se de passagem, nesse ponto nossos filhos (e alunos) estão alguns anos luz em nossa frente. Mas isso não tem que ser necessariamente assim, urge que aprendamos a utilizar toda a parafernália tecnológica para podermos nos aproximar do “mundo” dele

c) Mudança Comportamental: Isso em todos os aspectos. No relacionamento intra e interpessoal. No tratamento com os colegas da equipe e principalmente com a clientela discente. Essa mudança comportamental deverá iniciar com os recepcionistas e ir até o pastor. Todos, sem exceção, deverão trabalhar no sentido de atrair, conquistar e manter alunos na ED;

d) Mudança de Valores: Também conhecida como “cultura educacional”. Esse aspecto é o mais importante, pois, sem mudança pessoal e interior da cultura educacional (valores) do superintendente não podemos esperar mudanças na administração ou gestão da ED. Só para exemplificar, o que o superintendente imagina que seja a ED? Uma extensão do culto? Um culto com outro nome? A ED pode, e deve glorificar a Deus, mas Ela não é um culto, é aula, atendimento informal e personalizado visando aproximar os alunos de Deus, com vistas a formá-los, tendo como modelo valorativo e transcendental o Senhor Jesus (Ef 4.11-16).



O que as pessoas esperam da ED

A “nova” visão do que é ED, na verdade, é uma readequação ao que ela sempre foi, mas que, de um tempo a esta parte deixou de ser. A ED é a continuidade da Missão Educativa que Deus outorgou ao seu povo (Gn 18.18 e 19; Dt 4.1-9; 6.1-25; Mt 28.19 e 20; Ef 4.11-16 etc.), visando formá-lo e satisfazer a sua necessidade de conhecimento: “Quando teu filho te perguntar [...]”, disse o Senhor (Dt 6.20). Na readequação da ED, a despeito dessa afirmação ser um truísmo, devemos saber que sem aluno não se tem ED. Por isso, entender a missão e a visão de Deus para a Educação Cristã é o ponto crucial, para podermos estabelecer uma “política de qualidade” pela qual a equipe da ED deverá se pautar. A célebre pergunta do marketing não é “o que queremos vender?”, mas, “quem é o nosso cliente?” É preciso saber quem são os nossos alunos potenciais, qual o seu perfil, e assim, sem modificarmos a Verdade Escriturística, readequarmos nossos métodos de atração, conquista, atendimento e manutenção dos mesmos. É preciso, a exemplo de Jesus, oferecer respostas ao que as pessoas buscam (Jo 3.1-21; 4.1-30). É fato que elas poderão não gostar de todas as respostas, mas, a satisfação proporcionada nas ocasiões anteriores assegurará a freqüência, e dirão, parafraseando Pedro: “Para onde iremos nós? Só a ED tem as Palavras de vida eterna” (Jo 6.68).

O que aquelas crianças e adolescentes precisavam para viver bem e se sentirem humanas e que puderam encontrar no trabalho de Robert Raikes, há 226 anos, são as mesmas necessidades que motivam as pessoas pós-modernas a buscarem uma ED:

• Um propósito para o qual viver;

• Pessoas com quem viver;

• Princípios pelos quais viver;

• Força para seguir vivendo.

Uma ED que não oferece satisfação e repostas para essas quatro necessidades básicas não está à altura de representar o Reino de Deus como agência de Educação Cristã. Evidentemente que cada pessoa, de acordo com a faixa etária, maturação biológica e mental, condição social, possui carências de diferentes matizes e formas de manifestar diante das quatro necessidades acima elencadas. Um exemplo típico do que está sendo colocado, pode ser visto na diferença que existe entre lecionar para uma classe de adultos na faixa etária dos vinte e cinco aos quarenta anos e lecionar para pessoas da terceira idade. Os anseios e motivos podem ser os quatro enunciados acima, no entanto, a forma pela qual irá se manifestar a necessidade bem como a sua satisfação serão diferentes. Os interesses de ambos os grupos são distintos.

A administração, ou a gestão dessa demanda é o que deverá orientar o trabalho da equipe da ED. A Missão Educativa da Igreja está determinada há nada menos que dois mil anos, que devemos ensinar e educar, é ponto pacífico em nossa reflexão. A pergunta inquietante é: “Como atrair as pessoas pós-modernas para a ED, quando a mídia, o estresse e outras coisas oferecem a “tentação” de prendê-las ao conforto do sofá aos domingos”? A resposta é simples: Precisamos motivá-las. E isso representa um duplo desafio: criar ou identificar a necessidade e apresentar um elemento adequado para satisfazer essa carência.

Jesus, o Mestre por excelência, conhecia muito bem as pessoas (Mc 2.8; At 1.24). Certa feita, após o milagre da multiplicação dos pães, Jesus disse que sabia que muitos estavam à sua procura não pelos sinais que O viram fazer, mas pelo pão que Ele ofereceu (Jo 6.26). Ouvir Jesus já era por demais gratificante e satisfatório. Agora, imagine, Ele ainda oferecia comida para aqueles que se dispunha a ouvi-LO. Qual era intenção de Jesus com esse tipo de atendimento? Fez Ele isso para que as pessoas não voltassem?



Marketing para a ED. Um novo paradigma para administrá-la

É sabido por todos nós que durante muitos anos marketing foi confundido com propaganda, venda etc. No entanto, estudos recentes, têm mostrado que o marketing é uma atividade central das instituições modernas visando atender eficazmente alguma área de necessidade humana. Ele é um conjunto de ações, que pressupõe entendimento de todos os fatores que influenciam o comportamento das pessoas, e não simplesmente o mero ato de propagandear ou vender. Uma definição de marketing, na visão de Philip Kloter, uma das maiores autoridades da área, pode nos oferecer uma boa visão:

Marketing é análise, planejamento, implementação e controle de programas cuidadosamente formulados para causar trocas voluntárias de valores com mercados-alvo e alcançar objetivos institucionais. Marketing envolve programar as ofertas da instituição para atender às necessidades e aos desejos de mercados-alvo, usando preço, comunicação e distribuição eficazes para informar, motivar e atender a esses mercados.

Essa definição nos possibilita entender que marketing não é algo realizado sem conhecimento de quem seja o nosso público-alvo. Mostra-nos também, que não devemos realizar ações por acaso, elas devem ser vislumbradas em todas as suas dimensões anteriormente. Aprendemos também, que o propósito do marketing é estabelecer uma relação de trocas voluntárias de valores, isso significa que a nossa oferta da ED deve ser compatível com as respostas que esperamos de nossos alunos, ou seja, a freqüência deles. Para isso é necessário proporcionar satisfação, e temos condições de fazer isso na ED. Basta apenas um planejamento eficaz, e, a “simples” necessidade que as pessoas têm do “sagrado” proporcionará um bom motivo para que elas venham a ED. As necessidades que foram citadas acima, também constituem uma ótima fonte de estimulo à ED. Administrar essa demanda é a função precípua do marketing, daí o porquê de o utilizarmos como ferramenta de ação na ED. Essa relação não é nova, o que você acha desse pensamento: “Bem-aventurada a Escola Dominical administrada como um Banco, pois os seus negócios serão bem dirigidos e terão o respeito de todos”. Parece “liberal” demais essa comparação, mas ela não foi dita agora. Ela faz parte das “Bem-aventuranças da Escola Dominical”, escritas na extinta Revista Seara (CPAD), número 61, de outubro de 1967. O que ultimamente vem sendo utilizado pelas instituições seculares, denominado de marketing educacional, deve ser encarado por nós como uma ferramenta que tornará mais dinâmico o nosso trabalho, não tendo nenhuma correlação com liberalismo ou mercantilismo.

Finalizando, cabe aqui dizer, que o principal responsável pelo atendimento de necessidades discentes, é o professor da ED, pois as aulas podem ser elementos satisfacionais na busca de respostas espirituais. No entanto, toda a equipe da ED pode atender parte das necessidades com apenas um pouco de cordialidade, educação, boa vontade e espontaneidade. Basta que essa meta seja estabelecida e implantada uma política de qualidade visando alcançar excelência nesse aspecto. O superintendente e toda a equipe da ED deverão se conscientizar de que o propósito da ED é educar as pessoas cristãmente, e isso só pode acontecer se as pessoas vierem para o educandário. E elas só virão à ED se forem bem atendidas, encontrarem respostas, se puder interagir com a comunidade, e obtiverem força para continuar vivendo. Fazendo isso, com certeza estaremos administrando segundo o poder que Deus nos deu, e em tudo o Senhor será glorificado (1Pd 4.11b).

-Pastor César Moisés Carvalho é autor do livro Marketing para a Escola Dominical.


-Para conhecer mais sobre o autor e suas obras acesse o blog: http://www.marketingparaescoladominical.blogspot.com/
http://www.omundoderebeca.blogspot.com/


ENTREVISTA COM O PR.ANTÔNIO GILBERTO


Entrevista com o Pastor Antonio Gilberto

Escritor, membro da diretoria da University Global, em Sprigfield, Missouri (EUA), fundador do CAPED e editor da Bíblia de Estudo Pentecostal, destaca a importância da oração.

Por Marcos Cruz - http://www.cpad.com.br


DEPENDER SOMENTE DE DEUS

MC - Depender somente de Deus Quando nos orgulhamos, sem perceber, queremos tomar o lugar de Deus á várias maneiras de estarmos em contato com a Palavra de Deus, como traçar um plano de leitura anual, abrir a Palavra aleatoriamente, ler de Gênesis a Apocalipse, ler pelo menos um capítulo por dia etc. Na sua opinião, qual a forma mais eficiente?

AG - O primeiro requisito para o estudante da Palavra de Deus é conhecer o autor e intérprete da Bíblia – o Espírito Santo. Não é só tê-lo dentro de si, é depender Dele também. Se você pegar uma poesia de Carlos Drummond de Andrade e quiser interpretá-la sem ter famIliaridade, será muito difícil. Agora, se o autor estiver presente, tudo ficará claro. Em segundo lugar, aconselho que aquele que quiser estudar a Bíblia, aplique nela não só o coração, mas também a mente, e adote um método de estudo. O meu método predileto é estudá-la por tema, e em matéria de temas a Bíblia é inesgotável.

MC - O senhor concorda que o número de irmãos matriculados na ED poderia ser mais alto? O que pode ser feito nesse sentido?

AG - Concordo. É preciso mais oração. Eu observo que hoje se lida muito na igreja com programações, mas já não há mais tanto movimento de oração. Estou falando de oração intercessória. Há necessidade de intercessão pela ED. Para aumentar a matrícula tem de se aumentar a freqüência, e para isso é preciso primeiro uma campanha de oração ininterrupta pela ED e, em segundo, divulgação. Por que não se divulga a ED no fim de cada culto? Por que não se divulga em boletins, rádios e faixas? O povo só vai onde é convidado.

MC - Temos visto freqüentemente que o orgulho está superando a humildade, os títulos superando a própria espiritualidade do obreiro. Por que isso vem acontecendo?

AG - Orgulho, soberba, vanglória e exaltação são pecados gerados no espírito. Devemos enfrentá-los em nome de Jesus. O ser humano tem uma disposição muito forte para se orgulhar. Quando a Bíblia fala desse assunto, ela menciona o querubim ungido, ou seja, Satanás antes de ser Satanás. O orgulho da posição que ele ocupava foi o motivo principal da sua queda. Quando nos orgulhamos, sem perceber, queremos tomar o lugar de Deus. Tudo o que temos – vida, casa, esposa, filhos, bens, cultura, cursos, promoções – vem de Deus.

MC - Como alcançar sucesso na vida ministerial?

AG- A pessoa que realmente recebeu uma chamada de Deus, um impulso divino e abraçou a obra do Senhor deve se lembrar que aquele que chamou capacita. Deus chama, unge, capacita, mas, no sentido humano, Ele não prepara. Deus prepara no sentido divino, que é ungir, encher do Espírito, conceder dons. Mas preparo no sentido de ter lastro, subsídios, não. O obreiro precisa estudar, buscar base. Qualquer pessoa que tem uma chamada divina deve fazer cursos, ou ser autodidata, ir a escolas bíblicas, freqüentar a escola dominical, ler livros etc. Deus usa homens para falar a homens.

MC - O senhor está de acordo que o genuíno avivamento produz evangelismo e missões? Por quê?

AG - Sim. O avivamento bíblico, soberano, de dentro para fora, não fabricado, tem como característica despertar o zelo e o impulso missionário. O avivamento produz tanto o surto como o zelo missionário. Que Deus envie nesses últimos tempos um avivamento que permaneça, para que a tarefa inacabada das missões seja concluída.

MC - Como a igreja pode superar a crise socio-econômica para investir na obra de Deus?

AG - Seria muito bom que entre nós se falasse mais, com amor, sobre a contribuição financeira. O assunto é bíblico, dinheiro não é maldição, mas é uma bênção quando usado sabiamente, e ganho honestamente. Devia se ter maior orientação bíblica para o povo sobre contribuição. Contribuição do tempo, contribuição financeira, contribuição de mão-de-obra, doações etc.

MC - Como devemos orar?

AG- A Palavra é rica sobre esse assunto. Creio que a melhor maneira para se aprender a orar não é estudando a oração, mas orando. Conforme a Bíblia, podemos orar verbalizando, clamando, balbuciando, falando; podemos fazer uma oração pensada, orar em espírito, mentalmente – mas orar mesmo. Aprendemos a orar trabalhando, ou seja, trabalhar com a mente orando, depender de Deus mentalmente. Essa é uma forma de orar. Podemos fazer também uma oração sentida, que é aquela quando não temos tempo para se quer pensar a oração, só é possível dar um brado dentro da gente. Deus ouve o nosso clamor porque Ele atenta para o nosso coração.



Fonte: http://www.cpad.com.br

A ARTE DE ENSINAR APRENDER

quarta-feira, 18 de novembro de 2009





A arte de ensinar a aprender


"A arte de ensinar a aprender consiste em formar fábricas, não armazéns"
(Jaime Balmy, filósofo espanhol).


O aluno aprende quando muda de comportamento

Em tempos passados, aprender significava apenas memorizar. A partir do século 18, Comenius ampliou e atualizou esse conceito. Para o "pai da didática moderna", aprender implica, primeiramente, compreender; depois, memorizar e, por fim, aplicar o conhecimento recebido. Hoje, sabe-se que aprender é um processo lento, gradual e complexo. Não significa somente acumular dados na memória, mas adaptar-se satisfatoriamente às mais diversificadas situações da vida, evidenciando mudança de comportamento. Conforme lecionou Anísio Teixeira, ilustríssimo educador brasileiro, "fixar, compreender e exprimir verbalmente um conhecimento não é tê-lo aprendido. Aprender significa ganhar um modo de agir".

O aluno aprende cooperando com o outro

O professor que incentiva a participação dos alunos em sala de aula promove a "aprendizagem cooperativa", ou seja, a troca de experiências. Professores e alunos ajudam-se mutuamente, como parceiros no processo de ensino-aprendizagem.

Portanto, aprendizagem cooperativa ou colaborativa é um processo pelo qual os membros de um determinado grupo ajudam e confiam uns nos outros a fim de atingir um objetivo combinado. A sala de aula é um excelente lugar para desenvolver as habilidades de criação de um grupo.
O professor deverá enfatizar o ensino e a aplicação de estratégias de cooperação entre os alunos. O ponto de partida é reconhecer que os estudantes aprendem não apenas com o professor, mas também uns com os outros.

Na Escola Dominical, isso pode ser verificado por meio de várias atividades sugeridas pelo professor, tais como trabalhos de grupos, estudos de casos ou discussões. De acordo com o que lecionou o educador americano John Dewey, "aprendemos quando compartilhamos experiências".

O professor deverá criar situações que provoquem e estimulem a cooperação, proporcionando experiências que envolvam interação direta, dependência mútua e responsabilidade individual. Será necessário ainda enfatizar a aprendizagem e o exercício das aptidões indispensáveis à cooperação, como a habilidade de escutar, falar e ajudar-se mutuamente.

Aprendizagem cooperativa desenvolvida na sala de aula

Como membro de um grupo o aluno deve:

a) Desenvolver e compartilhar um objetivo comum;


O ideal é que os próprios alunos escolham ou participem da escolha do tema do trabalho a ser desenvolvido em sala de aula, em casa ou em qualquer outro lugar. Se eles participarem da escolha do tema, é certo que também terão em mente as razões que os levarão à conclusão do trabalho. Os objetivos têm de ser partilhados com todos.

b) Compartilhar sua compreensão de determinado problema, questões, insights e soluções;

Às vezes, de onde menos se espera é que vêm as melhores idéias, pensamentos e soluções. Há alunos que são quietos, sossegados por natureza. Quase não se ouve a voz deles, quase não se percebe sua presença na sala de aula, mas... de repente... mostram-se inteligentes, geniais, especiais! Trata-se do tão falado insight. Aquela ideia maravilhosa, compreensão clara e repentina da natureza íntima de determinado assunto, que nos vêm sem que sequer percebamos. Todas as questões, insights e soluções, independentemente de quem os tenham, terão de ser compartilhados.

c) Responder aos questionamentos e aceitar os insights e soluções dos outros;

Nem sempre estamos preparados para aceitar as opiniões e contribuições dos outros. Imaginamos que somente nós temos boas ideias e pensamentos dignos da consideração do grupo. Isto é, o que o outro pensa ou sabe a respeito do tema que está sendo tratado, na nossa consideração, é insipiente, incompleto ou até mesmo irrelevante.
Esse tipo de comportamento é prejudicial ao relacionamento do grupo e ao resultado final do trabalho, embora seja comum em nossas classes.

d) Permitir aos outros falarem e contribuírem, e considerar suas contribuições;

Tanto o professor quanto o aluno jamais poderão desprezar ou desconsiderar a cooperação de qualquer pessoa que seja, pois todos possuem saberes, informações e experiências para compartilhar.

e) Ser responsável pelos outros e os outros serem responsáveis por ele;

No trabalho de grupo, ao mesmo tempo em que cada um é responsável por si e por aquilo que faz, também o é pelos outros e pelo que os outros fazem. A responsabilidade do resultado do trabalho é de todos.

f) Ser dependente dos outros e os outros serem dependentes dele.

No trabalho de grupo, todos dependem de todos. Não há espaço para individualismo ou estrelismo. O trabalho de grupo é como uma edificação. Todos constroem sobre o que outros já construíram.

A criação de um bom grupo de aprendizagem

Muitos professores começam trabalhos de grupo em suas classes sem conhecerem os processos grupais. Vejamos como os alunos se comportam e se relacionam em grupo e quais atitudes devem ser tomadas em cada situação:

a) O professor pode facilitar a discussão e sugerir alternativas, mas não deve impor soluções aos grupos, especialmente àqueles alunos que apresentam dificuldades de trabalhar em conjunto.

b) Os grupos deverão ter de três a cinco componentes, pois grupos maiores têm dificuldade em manter todos os membros envolvidos o tempo todo.

c) Grupos designados pelo professor normalmente funcionam melhor que os que se formam por si mesmos.

d) Em um grupo de trabalho, há níveis diferentes de habilidades, formação e experiência.

e) Cada participante fortalece o grupo e cada membro do grupo é responsável não apenas por dar força, mas também por ajudar os outros a entender a fonte de suas forças.

f) O membro do grupo que não se sentir confortável com a maioria deverá ser encorajado e fortalecido a fim de dar sua contribuição.

g) A aprendizagem é influenciada positivamente com a diversidade de perspectivas e experiências.

h) Com o trabalho de grupo aumenta-se as possibilidades para a resolução de problemas.

i) Cada componente deve comprometer-se com os objetivos estabelecidos pelo grupo.

j) Avaliações deverão ser feitas para se verificar quem realmente está contribuindo em benefício de todos.

l) O grupo tem o direito de excluir um membro que não coopera e não participa; isto é, depois de tomadas todas as medidas a fim de que a situação se reverta. (O aluno excluído terá de encontrar outro grupo que o aceite).

m) Qualquer aluno tem o direito de sair do grupo, caso perceba que está fazendo a maior parte do trabalho com pouca ou nenhuma ajuda dos outros (Esse aluno facilmente encontrará um outro grupo que acolha suas contribuições).

n) Algumas responsabilidades operacionais são compartilhadas, definidas e concordadas pelos membros de um grupo. Por exemplo:

- Todo o grupo deve comprometer-se em participar, preparar e chegar na hora para as reuniões;


- As discussões devem ser focadas nos temas, evitando críticas pessoais;

- Ter responsabilidade para a divisão de tarefas e realizá-las a contento.

O aluno aprende por meio da interação

Na interação entre professores e alunos, supõe-se que os mestres ajudem inicialmente os estudantes na tarefa de aprender, visto que esse auxílio logo lhes possibilitará pensar com autonomia. Para aprender, o aluno precisa ter alguém ao seu lado que o acompanhe nos diferentes momentos de sua aprendizagem, esclareça suas dúvidas, ajudando-o a alcançar um nível mais elevado de conhecimento.

Por meio da interação estabelecida entre o professor (parceiro mais experiente e sensível) e o aluno, constrói-se novos conhecimentos, habilidades, competências e significações.
Cabe ao professor conhecer seus alunos profundamente, a fim de familiarizar-se com os modos por meio dos quais eles raciocinam. Conhecendo bem o pensamento dos alunos, o mestre estará em condições de organizar a situação de aprendizagem e, sobretudo, interagir com eles, ajudando-os a elaborar hipóteses a respeito do conteúdo em pauta, mediante constante questionamento. Dessa forma, os estudantes poderão, aos poucos e com os próprios esforços, formularem conceitos e noções da matéria de estudo.

Os comportamentos do professor e dos alunos estão, portanto, dispostos em uma rede de interações que envolvem comunicação e complementação de papéis, onde há expectativas recíprocas. Nessas interações, é importante que o professor se coloque no lugar dos alunos para compreendê-los (empatia), ao mesmo tempo em que os alunos podem conhecer as opiniões, os propósitos e as regras que seu mestre estabelece para o grupo.

Na interação, há constantes trocas de influências. O professor, a cada momento, procura entender as motivações e dificuldades dos aprendizes, suas maneiras de sentir e reagir diante de certas situações, fazendo com que as interações em sala de aula continuem de modo produtivo, superando os obstáculos que surgem no processo de construção partilhada de conhecimentos. Assim, comportamentos como perguntar, expor, incentivar, escutar, coordenar, debater, explicar, ilustrar e outros podem ser expressos pelos alunos e pelo professor numa rede de participações onde as pessoas consideram-se reciprocamente, como interlocutores que constroem o conhecimento pelo diálogo.