MOVIMENTO PENTECOSTAL-LIÇÃO 11

domingo, 12 de junho de 2011

 

Conteúdo Adicional para as aulas de Lições Bíblicas

Subsídios para as lições do 2º Trimestre de 2011
Movimento Pentecostal - As doutrinas da nossa fé

Lição 11 - Uma igreja autenticamente pentecostal

Certo cartum retratava um senhor Brown e uma...

Texto Bíblico: Marcos 16.15-20; Atos 2.42-47

INTRODUÇÃO
I. EVANGELIZAÇÃO, MISSÃO DA IGREJA PENTECOSTAL
II. A MISSÃO EDUCADORA DA IGREJA PENTECOSTAL
III. A IGREJA PENTECOSTAL NÃO DEVE DESCUIDAR DO SERVIÇO SOCIAL E DA COMUNHÃO

ENSINO CRISTÃO: DECRETO DE DEUS[

“Ele parece não fazer algo de Si mesmo que possivelmente possa delegar às Suas criaturas. Ordena-nos que façamos lenta e desajeitadamente o que Ele poderia fazer perfeitamente e num piscar de olhos. [...] Talvez não percebamos o problema em sua inteireza, por assim dizer, de permitir que vontades finitas coexistam com a Onipotência. Parece envolver em cada momento quase que uma espécie de abdicação divina”.
(C.S.Lews)


Certo cartum retratava um senhor Brown e uma senhorita Smith. Era óbvio que a moça, munida das provas e dos resultados de entrevistas, candidatava-se a um cargo pedagógico.

“Sinto muitíssimo, mas não podemos aceitá-la. Notamos que você é recém-formada de uma escola de educação, e exigimos um professor com experiência em sala de aula de, no mínimo, cinco anos. Além disso, você só tem grau de bacharel e preferimos alguém com o mestrado”.

O olho do leitor então passa para o quadro seguinte, onde o senhor Brown, agora irmão Brown e superintendente da Escola Dominical, entrevista a irmã Smith, a qual rebate o pedido que ele lhe fez para ser professora: “Irmão Brown, sou nova-convertida e, na verdade, não sei muita coisa sobre a Bíblia”.

“Ora, isso não é problema”, responde ele. “A melhor maneira de aprender a Bíblia é ensina-la”.
“Mas, irmão Brown, eu nunca ensinei aos juniores”, ela objeta.
“Oh, não deixe que isso a coíba, irmã Smith. Tudo o que exigimos é alguém com o coração disposto”, vem a resposta.

O cenário é mais do que um desenho caricatural; é um comentário de nosso baixo nível de discernimento em relação ao ensino cristão. Se você planeja ensinar que 2 + 2 são 4, precisa de cinco anos de experiência pedagógica. Se espera ensinar as crianças a dizer,  “Eu trouxe”, em vez de, “Eu truce”, provavelmente lhe exijam o mestrado. Mas, para ensinar o currículo da vida cristã, qualquer coisa é boa o bastante para Deus.
Que contraste com o desígnio para o ensino, apresentado no Novo Testamento. Segunda Timóteo 2.2 informa-nos que o ensino não é um ministério da mediocridade, mas da multiplicação. Nenhum ser humano está completamente cônscio do poder residente no ensino. Toda vez que alguém ensina, desencadeia um processo que, idealmente, nunca acaba.
Duas razões atuam para formar um argumento convincente: a Igreja tem de ensinar. Não se trata de opção, mas de uma característica indispensável; não é difícil de contentar; mas necessário. A denominação evangélica que não educa, deixa de existir como Igreja do Novo Testamento. Para que o Cristianismo seja perpetuado, precisa ser propagado.

É ordem de Jesus Cristo
Mateus 28.19,20 enfoca a lente zoom do Espírito Santo na Grande Comissão, que são as últimas palavras de Jesus Cristo ditas aos discípulos antes da ascensão dele. Cinco referências da Grande Comissão no Novo Testamento (Mt 28.19,20; Mc 16.15,16; Lc 24.46-48; Jo 20.21-23; At 1.8) indicam que não é algo aleatório, mas essencialmente para estratégia de nosso Senhor.
O mandato “Fazei discípulos” (ARA) inclui intrinsecamente o ensino. Mas temos de notar que o ensino requerido aqui é o de determinada espécie, isto é, “guardar [obedecer] todas as coisas” que Cristo ordenou. Em outras palavras, Seus ensinamentos foram designados para produzir informação e transformação. Esse tipo de instrução é muito exigente e inacreditavelmente difícil de se realizar.
Lucas 6.40 fornece mais apoio ao objetivo de Jesus no que se refere aos Seus ensinamentos, quando Ele diz: “Mas todo o que for perfeito será com o seu mestre”. A verdade de Deus não foi revelada para satisfazer nossa curiosidade, mas para nos conformar à imagem de Cristo.

Foi praticada pela Igreja Primitiva 
Não há a menor sombra de dúvida de que o Novo Testamento ordena a Igreja a ensinar. Mas a Igreja primitiva obedeceu mesmo a esse mandamento?
A Ilustração. Em Atos 2.41-47, temos um retrato da Igreja primitiva, o qual nos informa que eles “perseveravam na doutrina [ensino] dos apóstolos” (2.42). Este era o padrão contínuo; não uma exceção.
A Implementação. Efésios 4 confirma o compromisso de ensinar. Jesus Cristo, após subir aos céus, deu dons aos homens, a fim de que servissem à Igreja, conforme está escrito: “Uns [...] para pastores e doutores [mestres, professores]” (Ef 4.11). O propósito? “Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério, para edificação do corpo de Cristo” (Ef 4.12); mais outra prova de que os talentosos são chamados para ministério da multiplicação e não da adição.

Para o judeu, não havia uma posição mais alta na escada da sociedade do que a de rabino. Por conseguinte, quando a Igreja do primeiro século foi ensinada sobre a doutrina dos dons espirituais, confrontou-se com um problema. As pessoas clamavam pelo “dom de ensino” com todos os privilégios a ele pertencentes. Como resultado, Tiago teve de emitir esta advertência: “Meus irmãos, muitos de vós não sejam mestres [professores], sabendo que receberemos mais duro juízo” (Tg 3.1). Considerando que o professor é compelido a falar e que a língua é o último membro a ser dominado (Tg 3.2), deve-se ter muito cuidado, ao aspirar tal responsabilidade, ponderada e sensata.
As evidências bíblicas acima devem ser constrangedoras o bastante para atrair o sério e abortar o superficial.


Texto extraído da obra: “Manual de Ensino Para o Educador Cristão”. Rio de Janeiro: CPAD.

 

CPAD - Escola Dominical

JUVENIS-LIÇÃO 1

sábado, 2 de outubro de 2010

 

Juvenis-mestre-4-trim-2010__m206366 Conteúdo adicional para as aulas de Juvenis

Subsídios para as lições do 4º Trimestre de 2010
O Cuidado com a influência dos meios de comunicação

 

Lição 01 - A Igreja de Cristo

Estamos vivendo na era da informação. A influência da mídia, em...

Texto Bíblico : Daniel 12.4; 1 Timóteo 4.1-3


Introdução


Estamos vivendo na era da informação. A influência da mídia, em especial a televisão, atualmente é inegável. Tomando esse fato como ponto de partida, procuro analisar a influência da publicidade no comportamento de crianças e adolescentes. Basta uma olhada rápida ao nosso redor para percebermos que a publicidade está em toda parte — nas ruas, rádio, revistas, internet, igrejas —, mas em especial na televisão. A TV está presente e tem exercido influência em muitos lares evangélicos. Não podemos negar essa realidade. Mesmo com o avanço das tecnologias digitais, a televisão continua ocupando um espaço privilegiado no cotidiano das famílias brasileiras. Hoje ela é o principal veículo por meio do qual as crianças e os adolescentes são atingidos pela propaganda.
Antes de adotar uma postura crítica frente ao uso da televisão e da mídia, é preciso ter consciência de que esta não é a única responsável pelo mau comportamento das crianças e jovens. Caso fosse a única, bastaria termos uma TV perfeita para vivermos um Éden aqui na Terra. O que acontece é que as crianças e os adolescentes (e adultos também) estão se excedendo diante de um veículo de comunicação que tem o poder de manipular o pensamento, as ideias.

 1.    A publicidade na “telinha”

As Escrituras Sagradas nos advertem: “Não porei coisa má diante dos meus olhos...” (Sl 101.3). Atualmente, essa advertência não é apenas divina, pois psicólogos e psiquiatras também alertam e advertem sobre os problemas causados pelo excesso de exposição à mídia, principalmente a TV. A criança brasileira é uma das que passam a maior parte do tempo livre diante da televisão. Segundo uma pesquisa do Painel Nacional de Televisão do Ibope, publicada no livro Crianças do Consumo, de Susan Linn, as crianças brasileiras de 4 a 11 anos assistem em média a 4h51 minutos de TV por dia. O Brasil ficou em primeiro lugar — antes dos Estados Unidos — na quantidade de tempo que as crianças ficam diante do televisor, principal veículo pelo qual as crianças são atingidas pela propaganda. A criança e o adolescente evangélico, que frequentam a ED, não estão de fora desses números. Eles também são alvo da propaganda e acabam se tornando consumistas inconscientes, adquirindo hábitos que são prejudiciais à saúde física, mental e espiritual, contrariando os princípios bíblicos. As crianças são um alvo fácil, pois não conseguem abstrair. O pensamento delas é concreto, literal. Veja o que nos diz a pesquisadora Susan Linn sobre isso.

“Até a idade de cerca de oito anos, as crianças não conseguem realmente       entender o conceito de intenção persuasiva — segundo o qual cada detalhe de uma propaganda foi escolhido para tornar o produto mais atraente e para convencer as pessoas a comprá-lo” (2006, p. 22).

As cores, a música, o cenário, os personagens e os muitos efeitos especiais são estrategicamente pensados a fim de tornar o produto mais atraente. Objetivo é somente um: o lucro. Eles querem vender. Não estão pensando no que é realmente bom para as crianças e os jovens. A propaganda mexe com as emoções. Os publicitários sabem como fazer isso e o fazem muito bem. Pare e pense: Qual é seu comercial predileto? Você verá que a maior parte deles está relacionada à sua infância. Quantas recordações eles trazem até a sua mente. Você acaba sendo envolvido por um turbilhão de sentimentos e torna-se mais susceptível a adquirir alguns produtos, mesmo que não precise deles.

2.    Esquemas de convencimento na propaganda

Adilson Citelli, na sua obra Linguagem e Persuasão, apresenta alguns dos esquemas básicos utilizados pela publicidade para o convencimento. Vejamos:


1.    Velhas fórmulas (uso de estereótipos). Exemplo: A figura de um jovem bem vestido (roupas de griffe), bonito (sarado), passa a ideia de pessoa bem-sucedida, honesta. É o convencimento pela aparência.

“A grande característica do estereótipos é que ele impede qualquer questionamento acerca do que está sendo anunciado, visto ser algo de domínio público, uma “verdade” consagrada” (2002, p. 69).

2.    Substituição de nomes. Os termos são alterados com o objetivo de influenciar positiva ou negativamente certas situações. Exemplo: “Glamorosas, para jovens elegantes, bonitas, charmosas”.

3.    Apelo à autoridade. Utilização de profissionais de determinadas áreas a fim de validar a mensagem, conceito que a propaganda quer transmitir. Exemplo: Dentistas, atletas, professor, etc.

 4.    Afirmação e repetição. O slogan utilizado por uma grande marca de chocolate que não saia da nossa cabeça: “Compre Batom!” Essa era uma estratégia utilizada pelos nazistas. “Goeblees, o teórico da propaganda nazista, apregoava que uma mentira repetida vezes era mais eficaz do que a verdade dita uma única vez” .


3.    Os efeitos nocivos da propaganda

Aumento da obesidade infantil -  As crianças já não brincam mais como deveriam e estão cada dia mais sedentárias. De acordo com dados apresentados pela Escola Paulista de Medicina, na “Primeira Jornada de Alimentos e Obesidade na Infância e Adolescência”, no Brasil 14% das crianças são obesas e 25% estão acima do peso. 
As empresas de alimentos infantis têm investido no marketing de seus produtos colocados à disposição das crianças, uma vitrine atraente, repleta de guloseimas. Segundo os especialistas, a propaganda tem o poder de afetar as crianças mais profundamente do que os adultos, levando-as a consumir alimentos nem sempre saudáveis. O Instituto Alana publicou uma pesquisa que mostra dados bem alarmantes. Observe os dados da pesquisa:   “50% das propagandas vistas na televisão pelas crianças são de alimentos, sendo 34% de guloseimas e salgadinhos, 28% de cereais, 10% de fast food, 1% de suco de frutas e nenhuma de frutas e legumes”.
Aumento da agressividade - As crianças ficam expostas a imagens violentas e repletas de sexualidade, o que acaba por afetar seu comportamento social e seus valores. As crianças que assistem à violência gratuita estão propensas a enxergá-la como uma maneira eficaz de resolver conflitos. Segundo a Academia Americana de Pediatria, “assistir à violência pode levar à violência na vida real”.
Aumento da atividade sexual precoce e fora do casamento. A infância e a adolescência tornaram-se curtas e o número de adolescentes grávidas virou uma questão de saúde pública. Brandon Tartikoff, antigo presidente da NBC, declarou: “Realmente, acredito que as imagens influenciam os comportamentos [...] a TV é financiada por comerciais e a maioria usa comportamentos imitativos”.
Diminuição do diálogo familiar. Os pais já não conversam como deveriam com seus filhos, pois o tempo que lhes sobra é gasto diante da “telinha”, quando o silêncio é exigido. Solange Jobim e Souza em sua obra a Subjetividade em Questão, diz que “nos lares de hoje as famílias não mais contam suas histórias. O convívio familiar se traduz na interação muda entre as pessoas que se esbarram entre os intervalos dos programas da TV e o navegar através do éden eletrônico [...]. O tato e o contato entre as pessoas, na casa ou no trabalho, cedem lugar ao impacto televisual”.
De acordo com os terapeutas de família, o problema número um em nossos dias é o colapso da família. Na pós-modernidade, um novo termo tem sido utilizado pelos terapeutas para descrever a difícil situação das famílias: disfuncional. Mas o que significa esse termo? Mau funcionamento? Este parece o significado óbvio, mas não é a definição precisa. Segundo  Ed Young o prefixo dis significa “perigoso”. Então, uma família disfuncional, por definição, é uma família que está funcionando “perigosamente”.  Perigosa para quem? Perigosa para os filhos, maridos e esposas, e para a sociedade em geral.
Consumismo. Fica difícil para as crianças e adolescentes resistirem aos apelos do consumo. A verdade é que acabamos por aceitar a cultura consumista.
Muitos pais fazem o possível e o impossível para que a pseudofelicidade prometida pelo consumo esteja ao alcance de seus filhos. Isso se deve ao fato de que na atualidade o “ter” passou a ser mais importante que o “ser”. 
Não observância dos princípios bíblicos. Muitos dos princípios de Deus para a família vão sendo deixados de lado, já não sendo mais observados. O que mais ouvimos das crianças e dos jovens é: “Todo mundo faz”; “Todo mundo tem”. Mas os princípios bíblicos são imutáveis.

4.    Podemos interagir com a mídia
Diante de tantos malefícios, fica a pergunta: É lícito interagir com a mídia?
Para o cristão, todas as coisas são lícitas, mas nem tudo é proveitoso ou edificante (1 Co 10.23; 16.12). Devemos fazer uso da mídia com prudência e discriminação. De acordo com Charles Colson e Nancy Pearcey, podemos desfrutar da mídia desde que estejamos treinados para sermos seletivos e definamos limites para que as sensibilidades da cultura popular não moldem o nosso caráter.
É importante ressaltar que a mídia e a publicidade comunicam crenças de valores,  expressam sempre uma ideologia. Michael Palmer, no livro Panorama do Pensamento Cristão, diz que “os cristãos que veem a cultura de mídia de entretenimento têm de aprender a ler essas imagens e rejeitar as que são incompatíveis com os padrões cristãos e a Escritura”. Esse é o problema. As crianças e adolescentes conseguem fazer essa leitura? É difícil! Eles precisam ser ensinados a fazer isso. Quem vai ensiná-los? Em primeiro lugar os pais, mas a igreja e a Escola Dominical também têm sua parcela de responsabilidade e podem contribuir com a família.


5.    Tem “alguém” por trás da propaganda.Esse alguém a que me refiro não são os técnicos, redatores, editores, pessoas de carne e osso como nós. Esse alguém não possui um corpo físico. Ele é o Inimigo de nossas almas, lembrando que a sua função neste mundo é matar, roubar e destruir. As estratégias de Satanás para destruir as famílias mudam de tempos em tempos, e especificamente nos tempos pós-modernos. Temos visto o mundanismo na mídia, principalmente na TV, ridicularizando a fé cristã e refletindo de modo negativo em algumas famílias. Quando a família não dá muita ênfase à TV, as crianças, por influência dos amigos, concluem que sua família é “estranha” por priorizar Jesus e a igreja, uma vez que as famílias exibidas nos programas televisivos e nos comerciais não vivem como a sua.
As pessoas estão hipnotizadas diante da subjetividade das imagens; muitas já não conseguem discernir as artimanhas de Satanás. Precisamos clamar por um avivamento de contrição e santificação (1 Pe 1.15,16; 1 Ts 5.23).
No livro Criança Pergunta Cada Coisa...,  Doris Sanford afirma que os pais devem olhar no mínimo um episódio do programa antes de permitir que as crianças assistam. É preciso selecionar cuidadosamente a programação que a família vai assistir. Uma pesquisa feita na Argentina mostrou que 95% das crianças conhecem toda a programação televisiva, mas apenas 5% dos pais sabem o que seus filhos assistem.
6.    Riscos na infância e adolescência
Na atualidade a criança vem correndo vários riscos. O modo como uma nação trata suas crianças e jovens diz muito sobre como será o seu futuro. Observe o que nos diz Jobim e Souza:

“[...] a criança contemporânea tem como destino flutuar erraticamente entre adultos que não sabem mais o que fazer com ela. Crianças passam assim a compartilhar entre si suas experiências mais frequentes, as quais se limitam, na maioria das vezes, ao contato com o outro televisivo, remoto, virtual e maquínico” (1997).

Como temos tratado nossas crianças? Como Igreja do Senhor, o que temos feito? Qual tem sido a nossa preocupação com a Educação Cristã?
A televisão e a propaganda estão impregnadas em nós de tal forma que podemos vê-la até na Escola Dominical. Na Escola Dominical? Isso mesmo! Está presente na fala das “tias”, nas músicas que as crianças cantam, no modo como se vestem, nos gestos, nos brinquedos e nas brincadeiras. A televisão nos leva a consumir não somente mercadorias, mas também imagens, linguagem, modo de ser... A Educação Cristã não deve se restringir às salas de aula da ED, pois nossos alunos são indivíduos afetados por seu meio. A reflexão a respeito da publicidade é relevante e fundamental para que possamos oferecer às crianças e jovens uma educação que lhes possibilite, de fato, dialogar com a mídia e com a nossa cultura.
Para Gilka Giradello, coordenadora do Ateliê Aurora, é fundamental fazer com que as crianças e jovens compreendam que a televisão não é uma “janela para o mundo — como gostam de caracterizar os mais otimistas: Ela é um recorte muito bem produzido e montado da realidade — e não a realidade”.
7.    O papel da família
Os pais são os responsáveis em alertar os filhos e protegê-los dos efeitos nefastos da mídia e da publicidade.  O pai não deve ser só o provedor do lar: deve ser o sacerdote; deve proteger sua casa espiritualmente (Êx 12.3,7,13). Todavia, os pais precisam de nossa ajuda, como servos de Deus e profissionais. 
Tudo ficaria mais fácil para os professores da ED se os alunos fossem orientados pelos pais em casa. Todavia, muitas famílias transferem a responsabilidade de educar para os professores da ED e para a escola; esquecem-se de que é função deles instruir as crianças no caminho em que devem andar (Pv 22.6; Dt 6.6-9). Encontramos no livro de Deuteronômio a importância e a necessidade de os pais ensinarem as crianças. Observe as referências: Deuteronômio 4.9; 6.7; 11.19.
O psiquiatra Içami Tiba escreveu: “A herança genética está nos cromossomos. Mas desde o nascimento a criança absorve o modo de viver, o como somos, da família”. Se a família tem uma visão correta a respeito da mídia e da publicidade não terá dificuldade de passar isso aos filhos.
8.    O papel da Igreja e da Escola Dominical
O marketing infantil é uma indústria enorme, que envolve vários profissionais e mexe com muito, muito dinheiro. A Igreja e a ED devem se unir na luta contra esse “gigante”.   Gosto da frase de John Maxwell que diz: “Nada muito significativo foi alcançado por um indivíduo que tenha agido sozinho”. Precisamos nos unir para que o ensino seja relevante. Os alunos precisam aplicar a Palavra de Deus a suas vidas. Não basta ouvir é preciso viver, saber aplicar a Palavra de Deus no dia a dia (Tg 1.22), fora dos muros da igreja, diante da TV e de uma peça publicitária. Nossos alunos precisam saber como vão aplicar o conteúdo à sua vida.
Conclusão
Como educadores, temos a responsabilidade de alertar nossos alunos e os pais sobre o poder sedutor da linguagem televisiva e da propaganda. Não podemos nos calar diante dos estragos que a mídia vem produzindo.

Telma Bueno é Pedagoga, Jornalista e Redatora do Setor de Educação Cristã da CPAD.

Bibliografia
LINN, Susan. Crianças do Consumo: Infância roubada. 1.ed. São Paulo: Instituto Alana, 2006.
SOUZA, Solange Jobim e. Subjetividade em Questão: A infância como crítica da cultura. Rio de Janeiro: Editora 7 Letras.
CITELLI, Adilson. Linguagem e Persuasão. 15 ed. São Paulo: Ática, 2002.
PALMER, Michael. Panorama do Pensamento Cristão. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2001.
COLSON, Charles. PEARCEY, Nancy. O Cristão na Cultura de Hoje: Desenvolvendo uma visão de mundo autenticamente cristã. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2006.
SANFORD, Doris. Criança Pergunta Cada Coisa...  1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
YONG. Ed. Os 10 mandamentos da criação dos filhos. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

Marketing para a Escola Dominical-O relacionamento do cristão com Deus.

 

 

O relacionamento do cristão com Deus

Entre os anos de 2004 e 2005, durante as terças-feiras dos meses de dezembro, janeiro e fevereiro, o pastor Pedro de Santana, líder da Assembleia de Deus em Goioerê, estado do Paraná, encarregou-me de ministrar os estudos bíblicos à igreja. A temática daquele período acabou servindo como sugestão do título da revista Lições Bíblicas desse último trimestre do ano, comentada pelo pastor Eliezer de Lira e Silva, da Assembleia de Deus em Curitiba.

Recordo-me que aqueles dias foram responsáveis pelo levantamento de muitas dúvidas que dezenas de membros da igreja — incluindo eu mesmo — tínhamos acerca do assunto. A despeito de ser uma prática milenar e de constituir-se como um dos grandes assuntos da espiritualidade, havendo, justamente por isso, centenas de livros sobre a oração, é natural que dúvidas inusitadas ou assuntos recorrentes surjam. Velhas questões, muitas delas nunca satisfatoriamente respondidas, certamente ainda ocuparão as páginas de obras, inspirarão temas de pregações e estudos e pode ser que elas nos acompanhem até atravessarmos os umbrais da eternidade. Isso obviamente não significa que devemos parar de refletir acerca do assunto, antes, é um convite a que nos debrucemos a respeito do tema, a fim de não reproduzirmos as histerias coletivas que ultimamente tem acontecido por aí.

Coincidência, ou não, há poucos minutos li uma reportagem do jornal carioca O Globo, dizendo que duas clínicas de recuperação para dependentes químicos foram fechadas no interior do estado de São Paulo. O motivo? A única “terapia” utilizada para a “cura” dos drogados era a oração. Não tenho como avaliar o caso, pois precisaria de mais elementos, entretanto, de início, entendo que seja qual for a orientação religiosa, nenhuma clínica pode sentir-se autossuficiente e dispensar os serviços de assistência social, psicológica e médica, com a desculpa que é possível recuperar as pessoas apenas com o “trabalho espiritual”. Tal fato aponta para os equívocos que existem a respeito da oração.

Perspectivas acerca da oração

Um dos nossos grandes erros é achar que conhecemos “muito” (alguns menos lúcidos acham até que sabem “tudo”!) de um assunto, simplesmente por ele ser algo que faz parte do nosso cotidiano. É preciso que quem leciona ou prega, tenha coragem de, tanto quanto possível, pensar coisas simples e comuns de formas, digamos, não muito convencionais e não óbvias. Essa atitude, inevitavelmente, obriga-nos a enxergar dimensões inexploradas acerca de um tema conhecido. Devo adiantar, por exemplo, que não serão consideradas, nesse texto, as chamadas orações multirreligiosas, inter-religiosas, extáticas, verbais, meditativas e contemplativas, mas apenas alguns aspectos de duas delas. Contudo, esse elenco oferece a oportunidade de se vislumbrar o quanto há ainda do tema a ser explorado.

Uma de minhas reflexões preferidas é imaginar quão distinta é a perspectiva divina da oração em relação ao que nós achamos dela. Para grande parte dos cristãos, influenciada pelo pragmatismo, a oração parece ser uma ferramenta ou uma técnica capaz de fazer com que Deus obedeça as nossas ordens ou desejos egoístas. Não acredito em nenhuma “teoria infalível” que pretenda ser uma “receita de bolo” para ensinar os cristãos a “saquearem o céu”. Esse tipo de incentivo ao que pretende ser “oração”, se parece mais com egoísmo, existencialismo ou qualquer outra postura filosófica desse ou de qualquer outro tempo, mas nada tem com o que as Escrituras apresentam (se não de maneira normativa, ao menos, descritiva), em termos de relacionamento com o Eterno — algo que, para mim, define a essência do ato de orar.

O entendimento corrente que reduz a oração ao mero ato de pedir, torna-se inviável diante da atitude de Jesus Cristo para com ela. Várias passagens dos Evangelhos informam que o Senhor retirava-se para orar (Mt 14.23; 26.36,39,44; Mc 6.46; Lc 6.12; 9.28). A despeito das discussões acerca da kenosis, o Senhor não deixou de ser Deus por encarnar-se, mas optou momentaneamente pelo estado de limitação humana, autoprivando-se da imunidade, e sendo vulnerável a todas as demais limitações comuns aos mortais. Ao refletir sobre a inegável verdade de que Jesus Cristo é Deus, nunca ouvi ou li, alguém pensando sobre a questão de o porquê de Ele orar! Se Cristo era e é Deus, existe necessidade de Deus orar? Rapidamente alguém responderá que na condição humana Ele precisava de Deus. Bem isso desconstruiria a verdade de que Ele apenas esvaziou-se, mas não deixou de ser Deus. A grande lição é que, como já disse, a perspectiva divina de oração é diametralmente oposta à nossa. Refletir acerca desse exemplo por parte do nosso Salvador destrói qualquer postura utilitarista a respeito da oração. Jesus Cristo não precisava orar, mas assim procedia pelo fato de que relacionar-se com o Pai é algo da própria natureza de sua divindade.

As motivações que nos levam a orar

Certa vez, um irmão contou-me que comprou um caderno e nele anotava cada minuto dedicado à oração. Em lágrimas ele revelou-me que um dia, ao terminar de orar, antes de fazer a sua anotação, o Senhor Deus disse-lhe, de forma audível, que não estava se agradando de sua postura, e que todas aquelas horas empregadas em “oração” não tinham valor algum, pois serviram apenas para o seu engrandecimento pessoal. Tal foi a surpresa daquele irmão que orgulhava-se das inúmeras horas que contabilizara! Conheço pessoas que sentem prazer em mostrar os seus joelhos “calejados de oração”. Tais demonstrações, na realidade, apontam para os graves e profundos erros que existem em torno de uma das práticas mais comuns do cristianismo. Acerca do assunto, escreve A. W. Tozer, que ao “orarmos, deveríamos avaliar quem está agindo: o desejo do nosso coração ou o Espírito Santo”. Sua conclusão caminha no sentido de que, se a “oração tem sua origem no Espírito, então a luta espiritual pode ser bela e maravilhosa; mas, se somos vítimas de desejos alimentados em nosso coração, a nossa oração pode tornar-se tão carnal quanto qualquer outro ato”.1

Isso significa que propósitos egoístas podem estar escondidos sob uma aparente piedade ritualística. Uma voz melancólica, chorosa e que parece mais teatral que espontânea, longe de evidenciar um perfil piedoso, revela a perspectiva enganosa de alguns em relação a Deus. Não são a mera aparência ou a posição física, a tonalidade ou o timbre da voz, as palavras ou as expressões faciais que levam a oração a ser aceitável diante do Senhor, mas a disposição do coração, as intenções e a motivação com que nos dirigimos a Ele.

Ainda no tocante às nossas motivações para orar, N. T. Wright afirma que quando “nos detemos diante de algumas impressionantes promessas do Novo Testamento (‘Se permanecerdes em mim, e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito’ [Jo 15.7]), descobrimos que elas estão equilibradas por um estranho fenômeno”. A surpresa vem com a revelação que o autor faz na sequência, dizendo que quando “reivindicamos ousadamente essas promessas, descobrimos que, se formos sinceros, nossos desejos e esperanças serão suavemente, porém firmemente remodelados, separados e colocados novamente em ordem”.2 Em outras palavras, nossas prioridades terão sido colocadas de cabeça para baixo e, como na Oração do Pai-Nosso (Mt 6.9-13), em vez de petições meramente temporais e transitórias, certamente, desejaremos o Reino de Deus, a santificação do Nome do Senhor, a vontade soberana e benfazeja dEle, e somente nos lembraremos de nós mesmos em último lugar.

Orações verbais e “silenciosas”

Se fôssemos falar sobre o conteúdo, orações “cristãs” que se parecem mais com o que é praticado no paganismo, “onde”, segundo N. T. Wright, “o ser humano tenta invocar, apaziguar, adular ou subornar o deus do mar, o deus da guerra, o deus do rio ou o deus do casamento para obter favores especiais ou evitar perigos específicos”3, talvez façam qualquer coisa, menos glorificar ao Senhor. Obviamente que isso não quer dizer que não se pode pedir algo que desejamos ou suplicar socorro em momentos de apreensão. Todavia, imaginar Deus como um ser alheio às nossas motivações (algo que, tudo indica, pesa mais que as palavras, os gestos e a posição física), diminui-lhe a divindade, pois faz com que um de seus principais atributos seja negado. “Dizemos”, como afirmou C. S. Lewis, “que Deus é onisciente; contudo, boa parte de nossas orações parece consistir em transmitir-lhe informação”.4

Ultimamente tenho aprendido que o nosso palavrório diante de Deus, “priva-o” de responder-nos e impede-nos de ouvi-lo. Como pentecostais, aprendemos que a “boa oração” é a mais barulhenta, altissonante e verborrágica, não obstante, após fazê-la, é possível que saiamos do ambiente ou que nos levantemos do lugar, muito mais orgulhosos que humildes, e mais cheios de si que do Espírito. Assim, reconsidero historicamente a importância do hesicasmo, não como movimento ou ordem monástica, mas como “prática do silêncio”. Alister McGrath afirma que o “tema do ‘silêncio’ pode estar relacionado ao tema apofático do mistério de Deus, isto é, ao reconhecimento de que a linguagem humana nunca será capaz de fazer jus a Deus”. Tal assunto aponta para a verdade, dita pelo mesmo autor, de que no lugar de “pronunciar clichês banais, a resposta certa ao confronto com toda a maravilha de Deus é o silêncio”. E isso por uma razão muito simples: “Estar em silêncio muitas vezes é condição prévia para a oração eficaz (que pode ser pensada como ‘ouvir Deus’)”. Esse “silêncio” não significa inércia ou frieza espiritual, pois antes de qualquer coisa, não se está discutindo o mero ato de quietude, de afastamento do convívio social, mas o distanciar-se de “todas as distrações para se concentrar em Deus”.5

A oração como dever e como relacionamento

À guisa de conclusão, eu diria que a “prática do silêncio” colocada por McGrath, leva-nos a pensar o quanto os afazeres e o corre-corre das obrigações diárias, quando não priva-nos de orar, conseguem tirar a nossa concentração no momento de falar com Deus. Para C. S. Lewis o grande problema não está especificamente na falta de atenção, mas no que ele chama de “oração como dever”: “Ora, o que incomoda não é o simples fato de cumprirmos o dever de orar às pressas e de qualquer jeito. O que incomoda de verdade é o fato puro e simples de a oração ser contada entre os deveres”. Essa percepção, segundo Lewis, não indica que estamos fazendo algo para o que não fomos criados, antes, demonstra que se “fôssemos perfeitos, a oração não seria um dever, mas deleite”. Assim, as dificuldades enfrentadas no período da oração ou nos momentos que o antecedem, demonstram apenas que “justo as atividades para as quais fomos criados são, enquanto vivemos na Terra, impedidas de várias maneiras: pelo mau em nós mesmos e nos outros. Não praticá-las é abandonar nossa humanidade. Praticá-las com naturalidade e prazer ainda não é possível. Essa situação cria a categoria do dever, todo o reino do especificamente moral”.6

Mas chegará o dia em que orar não mais será um dever, e tudo o que aqui vivemos em perspectiva, será efetivamente real (1Co 13.12), e a oração se transformará em relacionamento sólido e verdadeiro com Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Até lá, porém, devemos praticar o dever de orar, buscando sempre o auxílio do Espírito Santo — nosso real e verdadeiro Intercessor (Rm 8.26) — fazendo com que o antegozo daqui, supra-nos momentaneamente a necessidade que somente se satisfará plenamente quando lá estivermos.

 

 

 

 

 

 

NOTAS

1 TOZER, A. W. Este mundo: Lugar de Lazer ou Campo de Batalha? Descubra a verdadeira missão de um discípulo de Cristo. 2.ed. Rio de Janeiro: Danprewam, 2009, p.27.

2 WRIGHT, N. T. Simplesmente Cristão. Por que o cristianismo faz sentido. 1.ed. Viçosa: Ultimato, 2009, p.183.

3 Ibid., p.175.

4 LEWIS, C. S. Oração: Cartas a Malcolm. Reflexões sobre o diálogo íntimo entre o homem e Deus. 1.ed. São Paulo: Vida, 2009, p.25.

5 MCGRATH, Alister. Uma Introdução à Espiritualidade Cristã. 1.ed. São Paulo: Vida, 2008, pp.191-2.

6 LEWIS, C. S. Oração: Cartas a Malcolm. Reflexões sobre o diálogo íntimo entre o homem e Deus. 1.ed. São Paulo: Vida, 2009, pp.143-46.

Publicado originalmente na Revista Ensinador Cristão, nº44,ano 11,pp.14-6.

 

 

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LIÇÃO 6 - PROFETAS MAIORES E MENORES

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

LIÇÃO 6

PROFETAS MAIORES E MENORES

   Como já é sabido, a designação profetas maiores ou menores refere-se a extensão de seus escritos.Aqui trataremos dos profetas menores e suas mensagens.

    Oséias foi o único dos profetas menores oriundo do Reino do Norte, Israel, e denunciou idolatria e a perversidade de seu povo.Ele comenta de seu povo: "semearam ventos e segarão tormentos" (Os 8.7). Ele termina seu livro com a promessa de que o povo retornaria para Deus. Joel trata do dia do juízo que estava para vir, mas fala também do derramar do Espírito Santo e da certeza de livramento do Senhor para os que o buscassem: "E há de ser que todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo"(Jo 2.32). Amós fala da glória futura ainda destinada para o Reino de Davi, que seria restaurado,mas deixa claro à nação que não queria se arrepender: "Prepara-te, ó Israel, para te encontrares como teu Deus" (Am 4.12). Obadias fala da condenação e do fim dos edomitas, descendentes de Esaú, povo que sempre se opôs aos israelitas.Nos dias de Jesus, o descendente edomita que estava no poder era Herodes, mas depois do ano 70, deixaram de existir. Jonas é o profeta enviado por Deus que não queria que sua profecia surtisse efeito, e mostra a misericórdia de Deus para com toda a sua obra. Miquéias trata do juízo vindouro contra Israel e Judá, mas fala também do nascimento de Jesus Cristo em Belém de Judá (Mq 5.2). Naum fala da condenação de Nínive.Deus já tinha advertido essa cidade com Jonas, e aquela  geração se arrependeu de seus pecados, mas as próximas mantiveram suas práticas ruins, apesar da misericórdia do Senhor. "O Senhor é bom,uma fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam Nele" (Na1.7).Habacuque mostra que a nação de Judá seria invadida,mas deixa claro que um dia, a glória do Senhor encheria toda a terra,como as águas enchem o mar: "Mas o justo, pela sua fé,viverá" (Hc 2.4).Sofonias era profeta nos dias de Josias, e disse: "Darei lábios puros aos povos, para que todos invoquem o nome do Senhor, para que o sirvam com um mesmo espírito" (Sf 3.9).Ageu foi um dos profetas que chamou a atenção para a necessidade de colocarem a reconstrução do templo como uma da prioridades da nação, pois o povo esqueceu-se da cada do Senhor após o retorno do exílio. Quando a obra foi finalizada, o povo entristeceu-se por não apresentar o segundo templo o esplendor do primeiro, ao que Deus usou Ageu para dizer ao povo: "A glória desta última casa será maior do que a da primeira, diz o Senhor dos Exércitos" (Ag 2.9).Zacarias declarou a entrada de Jesus em Jerusalém: "Alegra-te muito,ó filha de Sião;exulta, ó filha de Jerusalém; eis que o teu rei virá a ti, justo e Salvador, pobre e montado sobre um jumento, sobre um asninho, filho de jumenta" (Zc 9.9).Malaquias trata dos dízimos, que deveriam ser trazidos à Casa do Senhor.

 

 

 

 

Pr.Alexandre Coelho.

 

 

 

LIÇÃO 5 - A AUTENTICIDADE DA PROFECIA

segunda-feira, 26 de julho de 2010

 

 

A AUTENTICIDADE DA PROFECIA

 

    A profecia, como já foi dito, não trata apenas de predições sobre o futuro, mas também fala das questões sociais da humanidade. No aspecto preditivo, tendo em vista o plano da Salvação, Deus sinalizou em diversas profecias que enviaria ao mundo o Salvador da humanidade, Jesus. E nesse aspecto, podemos fazer uma análise da autenticidade da profecia quando olharmos para os eventos que marcaram a vinda de Jesus, seu ministério terreno e sua obra, comparando-os com as profecias que descreviam esses fatos. Isto deve nos remeter à autenticidade da profecia: sendo ela divina, Deus zela por cumprir seus planos na história, deixando-nos os sinais que demarcariam o cumprimento de sua vontade.Esta também é uma das formas com que consideramos uma profecia como sendo divina: seu cumprimento mostra que não veio do homem, mas do próprio Deus.

   Se uma profecia é autêntica, se vem da parte de Deus, ela deve ter um cumprimento na história.O passar do tempo apenas reforça a expectativa do que Deus disse que ia acontecer. No tocante à pessoa de Jesus, a Bíblia fala:

  • Que Ele seria descendente de Abraão(Gn 12.3), cumprido em Mt 1.1: "Livro da geração de Jesus Cristo, Filho de Davi, Filho de Abraão").
  • Por ocasião de sua morte, nenuhum de seus ossos seria quebrado, como era o costume nos casos de crucificação, quando a pessoa que estava na cruz tinha suas pernas quebradas para morrer mais rápido (Êx 12.46, cumprindos em Jo 19.32,33: "Foram, pois, os soldados e, na verdade, quebraram as pernas ao primeiro e ao outro que com ele fora crucificado. Mas, vindo a Jesus e vendo-o já morto, não lhe quebraram as pernas").
  • Ele seria tido por profeta (Dt 18.15, cumprido em Mt 21.11: "E a multidão dizia: Este é Jesus, o Profeta de Nazaré da Galiléia").
  • Jesus deveria ser descendente de Boaz e Rute (Rt 4.12-17,Lc 3.23,32.).
  • Até as crianças lhe prestariam louvor (Sl 8.2, cumprido em Mt 21.15-16: "Vendo, então, os principais dos sacerdotes e os escribas as maravilhas que fazia e os meninos clamando no templo: Hosana ao Filho de Davi, indignaram-se e disseram-lhe: Ouves o que estes dizem? E Jesus lhes disse: Sim, nunca lestes: Pela boca dos meninos e das criancinhas de peito tiraste o perfeito louvor?").
  • O Messias seria golpeado na face (Lm 3.30, cumprido em Jo 18.22: " E, tendo dito isso, um dos criados que ali estava deu uma bofetada em Jesus, dizendo: Assim respondes ao sumo sacerdote?").

    Estas são algumas das muitas predições relatadas acerca de Jesus. Tanto seu pronunciamento quanto seu cumprimento encontram-se nas Escrituras.

 

 

Pr.Alexandre Coelho.

 

Extraído da Revista Ensinador Cristão - Ano 11 - nº 43 - p.38 - http://www.cpad.com.br/

LIÇÃO 4 - PROFECIA E MISTICISMO

segunda-feira, 19 de julho de 2010

 

 

PROFECIA E MISTICISMO

  

A profecia e transmitida por um canal humano,o profetas.

Deus enviará sua mensagem para ser entregue por homens e para homens.Neste aspecto, é necessário que tanto a igreja quanto o profeta entendam as diferenças entre ser usado por Deus e se usar em nome de Deus.Profetizar não é jogar com a sorte, esperando que Deus faça o que Ele não disse que iria fazer.O profeta deve ser um canal de bênçãos para a igreja e um servo de Deus,e não um adivinho nem mentiroso,como foram muitos que se diziam profetas nos tempos bíblicos,e que por causa de seus pecados,foram exterminados.

Lembremo-nos de que as nações que cercavam Israel foram destruídas pelo Senhor por diversos pecados, e entre eles, o de adivinhação do futuro, feitiçaria e consulta a espíritos.Da mesma forma,como os padrões de Deus não mudaram e a humanidade continua buscando essas práticas condenadas por Deus, precisamos estar atentos para não ser enganados e não confundir profecia com misticismo.

    Profeta não é adivinho. Quem recebe de Deus uma mensagem não deve ser confundido com um adivinho,nem pode agir como um.Profetas devem falar quando Deus mandar,e calarem-se quando Deus assim ordenar também.

Adivinhos geralmente são pessoas compradas,que falam mentiras em prol do dinheiro que poderão ganhar.Motivados pela ganância,tentam predizer o futuro através de interpretação e sonhos,leitura de cartas e outros meios que impressionam os incautos.Nos tempos antigos, essa prática era feita observando-se o fígado de animais,olhando para as nuvens e para o movimento das aves no céu,conforme mudavam o curso de seus vôos.A ignorância do homem sem Deus fazia com que observassem até os irracionais para decidirem sobre seu futuro.Não é isto que Deus deseja para os que são chamados a profeitzar em seu nome.

   Pelos frutos os conhecereis.Nem sempre é fácil reconhecer a procedência de certas manifestações, e entre elas,a profecia.

Por isso,muitos falsos profetas acham guarida em congregações desavisadas,ávidas de sinais e prodígios e pouco interessadas na Palavra.Frutos de um falso profeta serão conhecidos não apenas pela forma com que vive, mas pelo resultado de suas profecias.Da mesma forma que o fracasso das previsões feitas pelos adivinhadores dos tempos bíblicos identificavam sua ruína, o mesmo se dará com quem fala  em nome do Senhor sem que o Senhor tenha falado.

   O maior interessado em confudir a mensagem de Deus é o Diabo,e ele pode se valer de meios que confudam os servos de Deus, como instigar a prática do misticismo dentro das igrejas.Para que isto não ocorra,é preciso que estejamos atentos e julguemos essa prática de forma rigorosa,para que o rebanho do Senhor não  seja desviado do caminho traçado por Deus.

 

 

 

 

 

POR PR.ALEXANDRE COELHO.

 

FONTE: Revista Ensinador Cristão,Ano 11 - n° 43,p.38.http://www.cpad.com.br/

O MINISTÉRIO PROFÉTICO NO ANTIGO TESTAMENTO

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Deus se valeu de diversos tipos de pessoas para demonstrar Sua vontade neste mundo, e por meio desta revelação também fez com que essa vontade pudesse ser cumprida. Dentre essas pessoas, observadas na história do Antigo Testamento, vemos as figuras dos sacerdotes, que falavam a Deus em nome dos homens; os Juízes, que traziam livramento ao povo de Deus em momentos de angústia; os reis, que eram escolhidos por Deus para governar de acordo com seus preceitos, e os profetas, que falavam em nome de Deus aos homens.

Diversos homens foram profetas, entre eles Abraão, Mosés e Samuel. Não eram apenas homens que ouviam Deus e executavam sua vontade, mas pessoas de oração e temor a Deus. Esses homens aprenderam a ouvir a voz de Deus em oração. Mas que falar em nome de Deus, estavam acostumados a falar com Deus.

A predição. Entre as formas com que os profeta eram usados por Deus vemos a predição. Não era a única, tendo em vista que no Antigo Testamento, falar sobre o futuro era uma das maneiras com que Deus comunicava seus desígnios. Pela predição, Deus não apenas dizia o que estava para acontecer, mas indicava também se estava satisfeito com o comportamento da nação inteira ou de indivíduos isoladamente. Em alguns casos, por meio da predição, Deus deixava claro que o destino de indivíduos ou da nação repousava nas respostas que eles dariam às palavras de Deus.

A justiça como conteúdo da mensagem profética. Diversos profetas clamaram para que a justiça fosse realizada, mesmo entre os homens, que de tão afastados de Deus que estavam, oprimiam seus semelhantes e descuidavam de suas obrigações sociais (Is 26.10;46.12;59.15). Jeremias diz acerca da possibilidade de perdoar o pecado da nação: "´Dai voltas às ruas de Jerusalém, e vede agora, e informai-vos, e buscai pelas suas praças, a ver se achais alguém ou se há um homem que pratique a justiça ou busque a verdade; e eu lhe perdoarei. (Jr 5.1). Mostra-se, portanto, nesse contexto, que profetizar era também clamar por justiça, e que Deus se importava com a forma com que os homens tratavam-se uns aos outros e de que forma a justiça era feita ou não.

A vida como modelo. O profeta também poderia transmitir a mensagem que Deus lhe dera utilizando sua própria vida, como foi o caso de Oséias. Para demonstrar a falta de fidelidade por parte do povo, Deus o comparou com a esposa de Oséias, que diversas vezes saiu de casa para se prostituir. O profeta, como representante de Deus, deveria ter uma vida inatacável, pois assim sua mensagem coincidiria com sua forma de viver.

Por Pr.Alexandre Coelho.

Revista Ensinador Cristão.Ano 11 - n°43,p.36

A VOZ DE DEUS NA TERRA

Uma abordagem bíblica sobre o ministério profético

Deus revelou-se a si mesmo nas Escrituras Sagradas como ser pessoal e imanente, dentre os vários atributos comunicáveis e incomunicáveis.Neles, Ele age, galardoa e castiga; sente, ama e odeia; pensa e raciocína; adverte, julga e se comunica com suas criaturas inteligentes. Ele não deixou o ser humano à deriva no mar da vida e sua voz soa na Terra desde a criação de Adão até os dias atuais.

Ninguém no universo tem mais interesse no bem-estar dos seres humanos do que o próprio Criador. O deísmo defende a ideia de que Deus existe, mas está muito longe de nós e não se envolve com os assuntos humanos. É a doutrina disseminada pelos filósofos epicureus, sendo como um relojoeiro que dá corda a um relógio e esquece-se dele, mas o apóstolo Paulo pregou no areópago uma mensagem teísta: Deus "não está longe de cada um de nós"(At 17.27), está interessado no ser humano (Hb 11.6).

O pecado afastou toda a raça humana do seu Criador, mas Ele nunca a abandonou e propiciou meios para continuar a comunicação interrompida com a Queda no Éden. Quando Adão e Eva pecaram, procuraram se esconder de sua presença: "E ouviram a voz do Senhor Deus, que passeava no jardim pela variação do dia; e escondeu-se Adão e sua mulher da presença do Senhor Deus, entre as árvores do jardim", Gn 3.8. Partiu do próprio Deus a iniciativa de se comunicar com Adão e EVa, mesmo depois de terem pecado e nunca deixou de manter contato com seus descendentes, os seres humanos: "muitas vezes e de muitas maneiras", Hb 1.1.

A manifestação divina

A forma da comunicação divina varia de acordo com cada dispensação, mas Ele nunca deixou de se manifestar a Seus servos ao longo da história do Seu povo. O Salmo 19 afirma que Ele fala de maneira silenciosa, pelas coisas que são criadas, pela Palavra e pelo testemunho pessoal dos crentes. Deus ordenou a Moisés que construísse o Tabernáculo no deserto de Sinai porque queria habitar no meio dos filhos de Israel: " E me farão um santuário, e habitarei no meio deles", Êx 25.8. Ele nunca esteve só; desde a eternidade passada, as três pessoas da Santíssima Trindade se relacionavam e se comunicavam entre si.

Os agentes usados pelo Criador, no Antigo Testamento,na comunicação de Sua Palavra ao povo, em Israel, são geralmente chamados na antropologia moderna de "mediadores". São eles os sacerdotes e os profetas: de Deus para o ser humano e do ser humano para Deus; esse contato era feito, às vezes, numa direção de mão única pelo próprio Deus intermediado pelo "anjo do Senhor", que é o próprio Deus de Israel. Ele mesmo tornou-se homem sendo em si mesmo a plenitude da revelação divina. Os apóstolos concluíram os oráculos proféticos de modo que o Cânon bíblico encerrou e nada mais nos falta. A ´Bíblia é completa.

"Ninguém no Universo tem mais interesse no bem estar dos seres humanos do que o próprio Criador"

Profecia no Antigo Testamento

O ministério profético no Antigo Testamento é de origem divina (Os 12.10). Por meio dele Deus se comunicava com o povo revelando a Sua vontade. Nem todos os profetas escreveram tudo que transmitiu ao povo de Israe, mas a mensagem que foi escrita por eles serviu não somente para o seu povo em sua geração, mas a todos os povos em todas as épocas.

Moisés e Arão fundaram o ministério dos profetas em Israel quando a congregação de setenta anciãos recebeu o Espírito Santo e profetizou no deserto de Sinai (Nm 11.24-29) e Samuel deu novo impulso à corporação. Nem todos expositores acreditam que houve uma corporação profética organizada no Antigo Testamento, mas isso é forçar demais o texto bíblico. Basta uma leitura, ainda que superficial, no relato do ministério de Samuel para revelar a existência de uma instituição profética em seus dias.

O capítuo 9 de 1 Samuel revela o ministério profético em sua forma ainda rudimentar. O Texto Sagrado mostra que a função do vidente era intermediar entre Deus e o povo, sendo que os oráculos podiam fvir sem que alguém solicitasse ou por meio de consulta pessoal. Samuel exercia as funções de sacerdote, juiz e profeta numa época em que Israel mais precisava dos seus préstimos e cuja palavra era sempre um oráculo. Essa narrativa mostra o sistema profético em desenvolvimento, revelando ainda sua função: consultar a Deus pelo povo ou quando era solicitado or alguém, abençoar o povo e interceder por ele ( 1 Sm 9.13;12.23), receber revelação divina.

Depois de Samuel, Deus levantou muitos videntes e profetas. Esses homens desenvolveram diversas atividades e funções, alguns era de origem sacerdotal como Jeremias e Ezequiel (Jr 1.1;Ez 1.3), outros atuaram na política e na administração pública como o próprio samuel e Daniel, no exílio (At 13.20;Dn 6.2-3), Amós era campônes (Am 7.14). A ocupação principal de muitos deles, como Elias, Eliseu, Jeremias,Ezequiel, entre outros, era o ministério profético.

Alguns profetas foram conselheiros de reis, vivendo na corte como Daniel e Isaías, cooperando com eles nos assuntos espirituais e políticos. Outros tiveram de enfrentar reis, como Jeremias, e autoridades incrédula buscando o bem-estar do povo.

Sua mensagem incomodava o povo e as autoridades, pois falava em nome de Javé. A mensagem não era dos eu intelecto, o Espírito Santo deu discernimento ao profeta para interpretar os acontecimentos passados e os contemporâneos. Esses homens tinham intimidade com Javé, o Deus de Israel.

Os profetas de Israel eram profundos conhecedores de seu povo e nação. Ele s conheciam assuntos de bastidores da casa real, das políticas interna e externa, e o pecado na nação, de seus príncipes e até dos sacerdotes.

Encontramos Isaías dando orientação sobre política internacional a Acaz (7.3-7). O mesmo aparece em Jeremias (37.5-9) e. muitas vezes, na política interna, ele anunciou o fim de Joacaz, a quem chama de Salum (22.11-12) e Zedequias (v3). Daniel ocupa alto cargo na política da Babilônia (6.2-3).

Oséias reprova a aliança insensata do Reino do norte com o Egito (7.11) e denuncia os abusos e a luxúria nas festas da coroação dos reis (7.5). Isso sem contar os profetas pré-clássicos como Samuel, Natã,Gade,Elias,Eliseu dentre tantos outros.

O Senhor Jesus Cristo começou o Seu ministério pelas regiões da Galiléia e da Judéias (At 10.37). A inauguração da Igreja aconteceu em Jerusalém, no dia de Pentecostes, com a descida do Espírito Santo e o batismo de quase três mil pessoas (At 2.41), mas ela já existia no propósito divino desde antes da fundação do mundo (Ef 1.4). Assim se iniciou a longa jornada da Igreja e temos em Atos o registro das primeiras décadas de sua história.

A Igreja de Jerusalém é a mãe que deu origem às demais espalhadas por todo o mundo. As igrejas do primeiro século eram pentecostais e seus membros cheios do Espírito Santo. Por

" O pecado afastou toda a raça humana do seu Criador, mas Ele nunca a abandonou, propiciou a comunicação"

essa razão atuavam com dinamismo e pregavam o Evangelhio de Jesus com ousadia por toda parte. Parece haver no livro de Atos indícios que assinalam o novo estágio do Evangelho em cada cultura. Primeiro, os judeus: "De sorte que foram batizados os que de bom grado receberam a sua palavra" (2.41); segundo, os samaritanos: "Ouvindo que Samaria recebera a Palavra de Deus" (v14); terceiro, os gentios e os confins da terra: "Os gentios tinham recebido a palavra de Deus" (11.1).

A figura do profeta permanece no Novo Testamento, mas de natureza diferente da corporação profética de Israel, com exceção de João Batista.

Alguns são ainda assim chamados textualmente no Novo Testamento como Judas e Silas (At 15.32), sobre os que nada ou quase nada sabemos, apenas o fato de ter Silas acompanhado o apóstolo Paulo a partir da Segunda Viagem Missionária. O Texto Sagrado declara que havia entre os líderes da igreja de Antioquia "profetas e doutores" (At 13.1). Não se refere a alguém com o dom de profecia nos termos de 1 Coríntios 14.29,32, pois o assunto é sobre os dons ministériais (1 Co 12.28), concedido a alguns crentes chamados para ensinar e explicar a Igreja as profecias do Antigo Testamento.

Quando Deus fala

Os doze apóstolos, incluindo Paulo, representam para a Igreja, tanto naquela geração como nas vindouras, o mesmo que os profetas hebreus para Israel e para as nações (Ef 2.20). Com eles o Cânon se encerra. O fato de ser a Bíblia a revelação completa de Deus não significa que ele silenciou, mas o fim da inspiração sui generis das Escrituras e da autoridade exclusiva conferida aos profetas e apóstolos (Hb 1.1), pois Ele fala ainda hoje, por meio de sua própria Palavra e pelo seu Espírito Santo usando até os mesmos recursos dos profetas do Antigo Testamento, sonhos e visões (Nm 12.6;At 2.17), sendo que essa profecia é conferida à Igreja para a sua edificação e não para se fundamentar nela doutrina. Nesse contexto, Ele prometeu continuar se comunicando com Seus filhos e Suas filhas, promessa desde o Antigo Testamento (Jl 2.28-32) que começou a se cumprir no Dia de Pentecostes (At 2.16-21) e permanece até os dias atuais, e terminará quando "chegar o grande e glorioso Dia do Senhor" (At 2.20).

Tanto em Israel, nos tempos do Antigo Testamento, como na Igreja, sempre existiram os maus intérpretes dos oráculos divinos: os falsos profetas e os falsos apóstolos. As incertezas da vida e a insegurança sobre o futuro, tanto os grandes projetos como as pequenas coisas do dia-a-dia e os demais problemas humanos, acompanham os seres humanos desde o limar da História. Como encontrar solução para tudo isso? Outro ponto importante é saber a verdade absoluta. Como saber a vontade de Deus e qual deve ser atitude das pessoas no lar, no trabalho e na sociedade? Somado a tudo isso há ainda o apaixonante interesse pelo sobrenatural e pelas coisas futuras. São temas que nem a filosofia no passado deu conta e nem mesmo a ciência moderna possui a resposta para tudo isso. Muitos procuram respostas nas práticas ocultistas, qu hoje são um atrativo para pessoas dos mais diversos seguimentos sociais. Todavia, o Evangelho é a solução.

Esequias Soares é líder da AD em Jundiaí(SP), presidente da Comissão Apologética da CGADB, articulista, escritor de vários livros e comentárista das Lições Bíblicas deste Trimestre (3°/2010) para Jovens e Adultos, que traz o tema O Ministério Profético na Bíblia.

Fonte:Revista Ensinador Cristão, Ano 11-N° 43, pp.14,15,16,17.

ENSINADOR CRISTÃO-JEREMIAS LIÇÃO 2

sábado, 10 de abril de 2010

LIÇÃO 2


JEREMIAS REPREENDE A APOSTASIA DE ISRAEL



É difícil para nós entender a forma com que o povo de Israel se afastou de Deus depois de tudo o que o Senhor lhes deu. Um povo que antes era escravo ganhara na apenas a liberdade, mas também um lugar fértil para viverem com seus filhos. Deveríamos esperar desse povo gratidão e obediência ao Senhor, mas, ao invés disso, o povo se voltou aos deuses de nações estrangeiras, afastando-se do Senhor e praticando coisas que Ele condenava. Basta dizer que o começo da apostasia se deu com o rei Manassés, que governou Jerusalém por 44 anos (686-642 a.C.), foi responsável por promover a feitiçaria dentro do espaço físico do Templo de Salomão. Manassés sacrificou um de seus próprios filhos a Moloque. Deus julgara o Reino do Norte por seus pecados. Agora, o Reino do Sul encaminhava-se da mesma forma para o cativeiro.

Sobre Manassés, deve ser dito que este rei se voltou para o Senhor quando foi preso: “E ele, angustiado, orou deveras ao Senhor, seu Deus, e humilhou-se muito perante o Deus de seus pais... então reconheceu Manassés que o Senhor é Deus”, 2Cr 33.11-13. O governante, porém, não conseguiu fazer voltar atrás a idolatria de Israel.

O pecado da liderança de Israel. Deus fala com o povo lembrando o que fizera por eles. Um povo que andou no deserto, desprezado por outras nações, foi amparado por Deus. Seus inimigos eram inimigos de Deus. Tinham uma terra, uma lei, liberdade e tinham, acima de tudo, Deus. Mas, esse povo de memória curta afastou-se do Senhor (Jr 2.5).
Um fato curioso que vemos na descrição dada por Deus é o fato de que a liderança estava corrompida. Os sacerdotes não conseguiam enxergar o Senhor. Os que ensinavam a lei nem mesmo o conheciam. Os pastores prevaricaram contra o Senhor (prevaricar significa deixar de fazer o que é certo ou obrigatório, sabendo o que deve ser feito.Não é um erro advindo do desconhecimento. O conhecimento existe, mas a intenção é desobedecer!).Os profetas profetizavam por Baal, um deus estrangeiro que já jora desmascarado em Israel.

Deus lamenta a atitude de seu povo (Jr 2.11-12). Esta apostasia foi denunciada por Jeremias, que não poupou nem mesmo os líderes da nação. Isto é necessário, pois se a liderança não estiver de acordo com a vontade de Deus nem conhecer ao Senhor, com certeza conduzirá o povo por caminhos que Deus detesta.

Da mesma forma que o povo de Israel, todos nós, que conhecemos ao Senhor, somos tentados a esquecer as beneficências com que fomos tratados e andar atrás daquilo que o desagrada. Para que isso jamais aconteça, é necessário que tenhamos comunhão com Ele. A intimidade com o Senhor e o apego à sua Palavra pode nos livrar da apostasia.






*Extraído da Revista Ensinador Cristão, Ano 11 N° 42, CPADA, Pr. Alexandre Coelho

ENSINADOR CRISTÃO-JEREMIAS-LIÇÃO 1

sábado, 3 de abril de 2010



LIÇÃO 1


O PROFETA DAS LÁGRIMAS


Nesta trimestre, estudaremos o livro e a vida de Jeremias, profeta de Deus em Jerusalém. Pertencente à classe sacerdotal, Jeremias foi escolhido por Deus para ser profeta e dizer ao povo a sua Palavra. Certamente, essa não era uma situação muito confortável, pois um sacerdote não precisava confrontar seus ouvintes de forma que estes se voltassem para Deus e mudassem seus corações.

Como profeta, desejoso, de que seu povo ouvisse suas palavras, Jeremias se viu diversas ocasiões tomado pela angústia de sua própria profecia, sendo chamado de “profeta chorão”. Ele também viveu para presenciar o julgamento de Deus sobre seu povo. Não apenas viu o julgamento ser exercido, mas viu os motivos desse julgamento: a idolatria no Templo do Senhor e o sacrifício de crianças no Vale de Hinon, local próximo a Jerusalém. Que pessoa temente a Deus deixaria de se lamentar, pois, além de sua mensagem não encontrar guarida nos ouvidos e corações do seu próprio povo, foi tido como persona non grata, e viu o resultado de sua profecia sendo realizado.

Eis que ponho as minhas palavras na tua boca. Uma das característica mais importantes que devem marcar o ministério profético é a certeza de que aquilo que os profetas falam é a Palavra de Deus. Mesmo aqueles que utilizam a pregação e a exposição das Escrituras devem ter o cuidado absoluto de não adulterar aquilo que está escrito. Jeremias profetizou e falou aquilo que Deus ordenara. Nem mais nem menos.

O ministério de Jeremias. Nem todos os homens da Bíblia Sagrada foram pessoas de sucesso em suas funções. Com aproximadamente 20 anos de idade, Jeremias foi convocado por Deus. Quando alegou ter pouca idade para exercer o ministério profético, Deus já lhe falara que o conhecera antes que fosse formado no ventre de sua mãe. Como Jeremias, todos nós somos conhecidos por Deus antes mesmo de O conhecermos.

Antes de Jeremias ter seu ministério profético conclamando Jerusalém a se arrepender, Isaías, aproximadamente um século antes, conseguira evitar que Jerusalém não caísse nas mãos dos assírios. O fato de Jerusalém não ter sido salva das garras da Babilônia não significa necessariamente que o ministério de Jeremias deva ser colocado em cheque. Ele profetizou por mais de quarenta anos, contemplando os últimos dias de Judá como nação. O povo não entendeu que Deus desejava utilizar a Babilônia como uma nação que os disciplinaria por causa de suas maldades. Por causa de sua mensagem, foi um profeta impopular, detestado e tido como um traidor da nação.




*Extraído da Revista Ensinador Cristão, Ano 11 N° 42, CPADA, Pr. Alexandre Coelho

A MENSAGEM DE JEREMIAS (REVISTA ENSINADOR)

sábado, 27 de março de 2010

A MENSAGEM DE JEREMIAS

Introdução a Jeremias

O livro de Jeremias tem menos capítulos que Isaías, porém o texto é mais longo. Na verdade, é um dos livros mais extensos da Bíblia. Os livros desses profetas não são realmente como os vemos hoje. Ao examinar Jeremias, você não encontra uma introdução, um corpo de texto e uma conclusão. Talvez seja melhor ver Jeremias como uma coletânea de discursos entremeada com diversos episódios históricos da vida do profeta. Esses discursos, ou profecias, foram compilados e postos em ordem cronológica apenas no sentido mais tosco. O capítulo 1 apresenta o chamado original de Jeremias à profecia, e o capítulo 44 registra sua última profecia, no Egito. No entanto, você não pode presumir que algo que lê no capítulo 17 aconteceu no capítulo 13. Por isso, digo que é melhor ler esse livro mais como uma coletânea de discursos ordenados por tema.

Basicamente, Jeremias é a mensagem de Deus para seu povo sobre a justiça vindoura. Sempre que tendemos a nos sentir céticos ou cansados do mundo em que vivemos, Jeremias pode ser bom para o que nos aflige. E, talvez, esse livro seja até mais importante para as pessoas que não anseiam por justiça, pois Jeremias revela que a justiça está vindo.

JUSTIÇA PARA O POVO DE DEUS (CAPS.1-45, 52).

Os primeiros 45 capítulos de Jeremias destacam com clareza a justiça de Deus que virá contra o seu povo. Talvez, aqui, um pequeno pano de fundo histórico seja útil. Jeremias viveu cerca de cem anos depois do profeta Isaías, o qual profetizou no Reino do Sul (Judá), na mesma época em que o Reino do Norte (Israel) caiu sob a Assíria, o que ocorreu em 722 a.C. Os assírios continuaram a incomodar o Reino do sul e Jeremias por todo o século VII e boa parte do século VIII. Contudo, a Assíria perdeu poder gradualmente até, em 622 a.C., ser derrubada pela Babilônia.

Entretanto, em meio ao declínio da Assíria e antes da total da total maturidade da Babilônia, Judá tirou vantagem da situação para recuperar sua força. Em 640 a.C, Josias tornou-se rei e, como governante devoto, aproveitou esse vazio de poder dos inimigos para ajudar a nação de Judá a retornar à vida religiosa. Ele também acabou com a prática de pagar tributo ao imperador assírio, pois este já não tinha mais o poder para apoiar a exigência de tributo.

Todavia, mesmo com a queda da Assíria, a Babilônia provou ser um inimigo ainda mais poderoso. Por um tempo, pareceu que o Egito vivenciava um renascimento, e muitos em Judá começaram a olhar para o Egito em busca de proteção contra a Babilônia. Contudo, no fim do século VII, até mesmo o Egito sofreria uma derrota embaraçosa nas mãos dos babilônios. E, no fim, a Babilônia saquearia Jerusalém.

Foi em meio a esse período tumultuoso que Deus trouxe Jeremias.

Ao ler esse livro e pensar a respeito dos outros profetas, ocorreu-me que, com freqüência, os grandes profetas de Deus surgiram em meio a períodos de decadência entre o povo do Senhor e em volta dele. De forma típica, Deus, em sua misericórdia, fornece um vislumbre das coisas duradouras sempre que o mundo começa a mostrar sua natureza transitória, sempre que as coisas supostamente imutáveis da vida começam a ruir e a falhar. Sempre que um governo - ou uma nação, ou uma organização – é novo, queremos acreditar que seu prognóstico é brilhante. Todavia, quando alguma coisa arrasta-se lentamente e, depois, começa a declinar em direção ao seu fim total, com freqüência, descobrimos que nossa mente se volta para Deus.
Isso também aconteceu quando Deus começou a falar por intermédio de Jeremias.

Cerca de cem anos antes, o povo desfrutara de um grande rei – Ezequias – durante a época em que Isaías profetizara. No entanto, depois de Ezequias, houve uma sucessão de muitos reis horríveis. Depois, em Josias, eles tiveram de novo um grande rei, porém Josias nunca foi capaz de reformar a nação totalmente. E depois de sua morte, a nação logo voltou para o pecado, até mesmo pecados terríveis!

De muitas formas, os primeiros 45 capítulos dos 52 que compõem o livro parecem uma longa ação judicial de um pedido de divórcio. Deus sente ira ardorosa por seu povo. A certa altura, Ele promete: “Porque, eis que, na cidade que se chama pelo meu nome, começo a castigar” (25.29). Você vê a tragédia? O Senhor decide trazer justiça sobre o povo que se chama pelo seu nome.

O MOTIVO DO JULGAMENTO

Quais eram as acusações? Bem, o livro as expõe em grande extensão.
Como disse, o livro não segue a ordem cronológica, porém, esse tema está presente do começo ao fim da maioria dos capítulos. Mesmo no chamado inicial de Jeremias para profetizar, o tema é mencionado (Jr 1.16). Jeremias foi chamado para profetizar exatamente por que o povo de Deus quebrou sua aliança com o Senhor. Eles o abandonaram. Eles adoraram ídolos. Essa é a petição de Deus contra eles. Ou, para usar suas palavras irônicas, eles adoraram as “obras das suas mãos”.
Que coisa, evidente em si mesma, ridícula de fazer! No entanto, essa é exatamente a acusação que o Deus onisciente faz contra seu povo.

Na verdade, é provável que você possa imaginar uma insanidade dessas se pensar no assunto. Provavelmente, há outras coisas feitas pro suas mãos ou pelas de outra pessoa às quais seu coração se inclina, se sente atraído.
Bem, essa coisa, cuja estupidez é evidente em si mesma, é exatamente o que o povo do Senhor fazia. Que injustiça acharam vossos pais em mim, para se afastarem de mim, indo após a vaidade e tornando-se levianos?”, Jr.2.5.

A seguir, o Senhor divide essa acusação em duas outras mais específicas: “Porque o meu povo fez duas maldades: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas rotas, que não retêm as águas” (2.13). Primeiro, eles o abandonaram e, segundo, cavaram seu próprio poço da vida inaproveitável.

Alguns versículos adiante, Deus, com outra imagem chocante, descreve o que tudo isso representa: eles são como prostitutas (Jr 2.20). E Deus continua apresentando o seu caso (Jr 2.23-28).

No capítulo 3, a acusação continua (3.1-5). O livro de Jeremias prossegue dessa maneira por 45 capítulos. Deus é claro com seu povo: eles se tornaram descarados em seu pecado. Ele não têm vergonha. Eles se acostumaram tanto a se prostituir com outros deuses que nem mesmo choram. E mentem quando afirma ser devotados ao Senhor. Mais de uma vez, Ele disse-lhes: “Porque os teus deuses, ó Judá, são tão numerosos como as tuas cidades”.

Deus lhes faz perguntas com bastante franqueza (Jr 5.7-9). A última ressoa por todo o livro: “Ou não se vingaria a minha alma? (...) Deixaria eu de castigar estas coisas?” Quando o povo de Deus pede sua justiça, chamam o julgamento dEle sobre si mesmos, não apenas sobre o povo mau de fora.
O Senhor lhes diz para se esquecerem dos outros povos e também declara: “Como, vendo isso, te perdoaria?”.

As acusações apenas aumentam, e o Senhor mostra-se mais e mais resolvido a puni-los (Jr 32.30-34).
Toda a nação a nação pecou contra Deus. Até a devoção religiosa deles era errada.
No que é conhecido como o sermão de Jeremias do Templo, o Senhor repete zombeteiramente a declaração do povo de sentir seguro, porque têm o Templo de Jeová diante deles. Com certeza, nada aconteceria com eles no Templo, certo?

Durante todo o tempo, a Babilônia se aproxima com seus exércitos, e o Senhor repreende-os por intermédio de Jeremias (Jr 7.9-11). Eles até queimavam os filhos e as filhas no fogo em adoração a Moloque, oferecendo os membros da própria família em sacrifício humano em sua religião falsa e detestável. Eles chegaram a um impasse terrível em que Deus não se importava com a adoração religiosa vazia deles. Entravam na casa de Jeová e, ás vezes, faziam a coisa certa, mas o Senhor sabia todas as outras que estavam fazendo. Sabia que não se importavam com sua Palavra (Jr 6.19,20).
Na verdade, sua Palavra tornara-se “vergonhosa” para eles (Jr 6.10).

O que aconteceu quando a Palavra de Deus se torna vergonhosa para seu povo? Eles adotam professores e profetas que lhes ensinaram alguma outra coisa (Jr 5.30,31ª). Profetas, os porta-vozes de Deus, profetizaram mentiras?
Sacerdotes, os mediadores de Jeová, levam vida imoral? E o povo do Senhor deseja que seja dessa maneira? Deus não se vingaria de nações como essa?

A PROMESSA DE JULGAMENTO

Deus enviou Jeremias para profetizar a mensagem do julgamento vindouro, mesmo contra o povo que se chama pelo nome do Senhor. Na verdade, a promessa de justiça era especificamente contra a nação santa porque era chamada pelo seu nome (Jr 6.30).

Como exatamente o Senhor julgaria seu povo? Parte da resposta inclui coisas como falsos profetas e fome.
Todavia, Deus responderia, principalmente, à desobediência do povo com um exército: Ele destruiria a nação.
O Senhor simbolizou essa destruição com um vaso de barro que mandou Jeremias comprar e destruir na frente da multidão com as seguintes palavras: “Assim diz o Senhor dos Exércitos: Deste modo quebrarei eu este povo e esta cidade, como se quebra o vaso do oleiro”, (Jr 19.11).

Talvez tenha havido uma quantidade dos assim chamados profetas que correm por toda parte gritando “Paz,paz”, ma não houve paz (Jr 6.14;8.11).Em vez disso, Deus entregou seu povo àqueles em quem realmente confiavam. Ele os exilou na Babilônia final durante setenta anos. O capítulo final de Jeremias apresenta o relato histórico relatado em 2 Reis (24.18-25.21), que descreve a queda de Jerusalém, a captura do rei Ezequias, a destruição do Templo e do muro da cidade e, por fim, o exílio do povo.

Do começo ao fim das profecias de Jeremias, Deus responde de forma apaixonada a seu povo e à sua desobediência. Ele soa como um marido pesaroso. Uma vez após a outra, Deus entrelaça as imagens de idolatria e de adultério a fim de mostrar a seu povo que os tomara como sua noiva especial, que se casara com eles, que se comprometera com eles, que até pusera sua reputação em risco ao partilhar seu nome com eles, mas eles foram infiéis. Ao viver e ao adorar como fizeram, trouxeram desgraça para o nome dEle.

Deus revela-se no livro de Jeremias e em outras passagens como um Deus pessoal que é santo e que se importa.
Não podemos exigir que um Deus tão santo e amoroso não seja crítico com pessoas como nós. Ele, cem seu amor, não nos deixará como pessoas quebradas, feridas, obstinadas, frustradas consigo mesmas e caídas, como estávamos quando Ele nos encontrou.
Em Cristo, Ele nos ama de forma eficaz e nos faz melhor do que somos. Na verdade, no fim, Ele nos fará perfeitos como Cristo.



*Texto extraído do livro A Mensagem do Antigo Testamento (CPAD), Mark Dever.

Fonte: Revista Ensinador Cristão-Ano 11-n°42-pp. 14 15,16.













ENSINADOR CRISTÃO - LIÇÃO 13

segunda-feira, 22 de março de 2010







LIÇÃO 13




SOLENS ADVERTÊNCIAS PASTORAIS


O apóstolo Paulo termina aqui sua Carta, fazendo suas últimas observações e dando suas recomendações para que os crentes sejam aperfeiçoados em santidade, olhem para si mesmos e aprendam a ser pessoas alegres em Deus.

A motivação dos escritos do apóstolo Paulo: Ele mostra a verdadeira intenção que tinha para com os coríntios: a santificação destes. “cuidais que ainda nos desculpamos convosco? Falamos em Cristo perante Deus , e tudo isto, ó amados, para vossa santificação”, 2Co 12.19. Há obreiros hoje, como os acusadores de Paulo em Corinto, que possuem motivações espúria em relação ao ministério e à pregação do Evangelho. Desejam dominar o rebanho, humilham os congregados, pregam um Evangelho diferente daquele descrito nas Sagradas Escrituras, não tem amor pelo rebanho e agem com violência quando lhes convêm. Isto em nada conduz as pessoas à santidade nem as aproxima de Deus.
Paulo tinha por objetivo a edificação daqueles crentes e vê-los separados para Deus, o verdadeiro sentido da santidade, era a recompensa do apóstolo.

Olhando para si mesmos. A auto-análise sempre foi necessária na vida cristã. Deus nos convida e incentiva a que olhemos para nós mesmos e utilizemos nossas consciências com o objetivo de ver onde estamos agindo de forma certa ou errada, se nossas motivações e atitudes estão coerentes com que pregamos. Por ocasião da Santa Ceia, a recomendação é que cada um examine a si mesmo, para depois participar do evento. “Examinai-vos a vós mesmos se permaneceis na fé; provai-vos a vós mesmos...Se não é que já estais reprovados”,2Co 13.5.

Coisas importantes na vida cristã. “Quanto ao mais, irmãos, regozijai-vos, sede perfeitos, sede consolados, sede de um mesmo parecer, vivei em paz; e o Deus de amor e de paz será convosco”, 2Co 13.11. Paulo fala que seu motivo para escrever é que a igreja seja perfeita em santidade, e manda que os crentes coríntios sejam pessoas alegres.
Santidade não está divorciada da alegria, como algumas pessoas pensam. É possível e totalmente recomendável que a alegria e a santidade andem juntas, pois isto alegra o coração de Deus. Santidade não é sinônimo de um rosto quase triste, como se a face circunspecta e aflita indicasse maior aproximação entre a pessoa e Deus. O salmo 32.11 diz: “Alegrai-vos no Senhor e regozijai-vos, ó justo; exaltai, vós todos que sois retos de coração”, Sl32.11. Como diz a Palavra de Deus, os justos e retos de coração tem motivos de estar alegres no Senhor. Outra coisa importante é a consolação, o pensamento dentro do mesmo propósito e a convivência pacífica, para que Deus esteja conosco. Deus não aprova a divisão nem a falta de apoio de uns para com os outros em momentos de aflição.


*Extraído da Revista Ensinador Cristão, Ano 11 N° 41, CPADA, Pr. Alexandre Coelho

ENSINADOR CRISTÃO - LIÇÃO 12








LIÇÃO 12



VISÕES E REVELAÇÕES DO SENHOR


Seguindo a seqüência de lições, observamos que Paulo defende seu ministério e mostra o quanto trabalhou e sofreu em prol do Reino de Deus. Mas em meio aos seus trabalhos e lutas, Paulo partilhou de momentos que nenhum apóstolo participou, como ser arrebatado e conhecer coisas sobre os céus. É evidente que um tipo de conhecimento como esse deixaria qualquer pessoa cheia de si, e nesta lição, veremos o recurso de Deus para que o apóstolo não fosse uma pessoa soberba diante das revelações que teve da parte do Senhor.

Ele começa o verso 1, do capítulo 12 de 2 Coríntios, dizendo do que não era conveniente gloriar-se por causa dos desafios que teve de enfrentar. Suas lutas haviam sido recompensadas com uma mostra do que o aguardava quando terminasse sua carreia: o céu. Ele esteve no paraíso e viu, como o próprio texto diz, coisas que ao homem não é lícito falar. É evidente que muitas coisas que Deus mostra a alguns de seus servos não serão compreensíveis a todos os outros filhos do Reino, mas mesmo grandes revelações atraem para si grandes responsabilidades. Uma grande chamada é acompanhada de igual desafio à sua concretização. O desafio de Paulo não era guardar a excelência da revelação, mas manter-se útil diante de Deus e com humildade.

As revelações eram maravilhosas. Quem pode mensurar a parcela da Eternidade que ficou à disposição da mente de Paulo? E quem pode mensurar a possibilidade de um homem como Paulo se tornar uma pessoa arrogante por causa da grandiosidade do que tinha visto quando foi arrebatado? Nós não podemos mensurar, mas Deus pôde. E com a permissão divina, Deus utilizou-se de um expediente que manteria Paulo dentro do padrão desejado por Ele: o famoso espinho na carne.

A bíblia não especifica a espécie de “espinho na carne” ao qual Paulo foi submetido (algumas pessoas dizem que foram as marcas dos açoites e as conseqüências destes para a saúde de Paulo; outros dizem que era a aparência dele, ou o provável problema de vista, pois quando foi curado da cegueira que lhe fora acometida na estrada de Damasco, caíram de seus olhos algo como escamas). Ele não se preocupa em detalhar a natureza do espinho, mas diz a sua causa: “Para que eu não me exaltasse pelas excelências das revelações... um mensageiro de Satanás, para me esbofetear”, 2Co 12.7.
Quando alguém quer ferir uma pessoa, usa a agressão, mas, quando quer humilhar essa pessoa, dá um tapa em seu rosto.
Esse era o objetivo do espinho permitido por Deus na carne de Paulo: Não permitir que Paulo se achasse melhor que qualquer outra pessoa pelas revelações que teve. Aquela era uma prova caba de que Deus amava seu servo e que desejava usá-lo ainda mais, mas que era preciso que Paulo mantivesse com humildade o conhecimento que recebera.



*Extraído da Revista Ensinador Cristão, Ano 11 N° 41, CPADA, Pr. Alexandre Coelho

ENSINADOR CRISTÃO LIÇÃO 11

domingo, 7 de março de 2010








LIÇÃO 11




CARACTERÍSTICAS DE UM AUTÊNTICO LÍDER


Não há que se falar em igreja sem liderança. Deus dispõe ao rebanho as pessoas que Ele deseja que exerçam a liderança em Seu nome, em prol do seu Reino. Paulo é apresentado como um líder que se destacou na história bíblica, por seu empenho em relação à missões e ao cuidado para com o rebanho de Deus.
Ele se preocupava com o estado do rebanho e pela unidade dele.
Paulo liderou e influenciou por meio do exemplo, de forma planejada, fazendo com que todo o grupo trabalhassem em torno de um propósito específico e atingisse um objetivo comum: viver para agradar a Deus. Um homem ou uma mulher conseguem ser líderes quando conseguem igualmente lidar com pessoas totalmente diferentes e conduzi-las a que trabalhem juntas em prol do Reino de Deus.

Paulo não se gloriava em trabalho que não tinha feito. De acordo com 2 Coríntios 10.15, percebemos que os falsos líderes gostavam de atrair a atenção para si mesmos, gloriando-se em coisas que não faziam. Aqueles homens não haviam evangelizado aquela cidade, não doutrinaram aquele igreja nem deram de sim mesmos para edificar a congregação. Não é muito difícil ser “obreiro” assim. Basta mentir, ser arrogante, crer que o que é exclusivamente de Deus é propriedade sua e debochar daqueles que realmente levam a obra de Deus a sério. Aqueles homens tratavam da obra iniciada por Paulo como se deles fosse, exercendo uma autoridade sobre a igreja que era incompatível tanto com o histórico quanto com a vocação - duas coisas que eles não tinham. Paulo deixa claro que ele não participava desta política, pois prezava por pregar em lugares onde ninguém antes tinha ido e dizia aquilo que tinha feito, para que não se gloriasse naquilo que já tinha sido feito antes, como faziam seus acusadores: “não nos gloriando fora de medida nos trabalhos alheios; antes, tendo esperança de que, crescendo a vossa fé, seremos abundantemente engrandecidos entre vós, conforme a nossa regra”. Paulo via a grandeza de seu ministério com integridade, ciente de que falava e escrevia a Verdade. Liderança se faz com integridade, não com mentiras.

Paulo não pregava onde já haviam pregado. Um dos diferenciais do ministério apostólico de Paulo é o fato que de ele não pregava onde o evangelho já havia chegado. Ele era um desbravador, não um aproveitador. Ele “abria picadas”, enquanto muitos de seus acusadores apenas “seguiam a trilha”.
É menos dispendioso abrir uma congregação onde já existem outros trabalhos, e sempre mais difícil implantar novos campos de pregação. Este tipo de liderança demanda uma grande visão estratégica e espiritual, e poucos obreiros estão dispostos a seguir esse modelo desbravador. Infelizmente, não são poucos os obreiros que preferem aproveitar “estruturas” alicerçadas, das quais não participaram na feitura.



*Extraído da Revista Ensinador Cristão, Ano 11 N° 41, CPADA, Pr. Alexandre Coelho

ENSINADOR CRISTÃO LIÇÃO 10







LIÇÃO 10





A DEFESA DA AUTORIDADE APOSTÓLICA


A defesa do trabalho ou de um ministério geralmente é feita em momentos onde existe um questionamento de autoridade. Na igreja coríntia, Paulo foi acusado de ter um ministério fraco, de ser forte em cartas, mas frágil na aparência pessoal e de discurso desprezível. Os acusadores do apóstolo eram judeus, e inflamaram a igreja por um breve período de tempo, e conseguiram levar o crédito por todo o trabalho que não fizeram. Eles gostavam de louvar a si mesmos (2Co 10.12), de se gloriar na carne, ou seja, conforme coisas realizadas na esfera humana, e não espiritual (2Co 11.18), gostavam de escravizar as pessoas . É curioso que esses judaizantes, de acordo 2 Coríntios 11.20, fraudavam os crentes, eram soberbos e chegavam a bater no rosto daqueles cristãos! O mais estranho é imaginar que a igreja tolerasse essas pessoas violentas e fizesse pouco caso de Paulo, que não os trava de forma violenta e arrogante. Aqui se percebe quão cega aquela congregação estava. Imagine hoje, em nossas igrejas, acatar as ordens de líderes que lesam a congregação e agridem de forma física as pessoas? Que moral possuem tais ensinadores para estar na frente do rebanho? Nenhuma! Suas atitudes estão longe das requeridas pelas Sagradas Escrituras para os ministros. Eram esses homens que questionavam a autoridade de Paulo e oprimia a igreja coríntia.

Diferente da forma como seus acusadores atuavam, Paulo apela para o bom senso dos coríntios. Paulo agia de forma mansa, ao passo que seus opositores usavam de violência com os crentes. Paulo não louva a si mesmo, como aqueles que o acusavam, mas deixa a indicação de que se teria de se gloriar, o faria no Senhor, ao passo que seus adversários se gloriavam na carne. E completa dizendo que quem louva a si mesmo, não dependendo do reconhecimento do Senhor e sim atraindo a atenção para si, é reprovado por Ele (2Co 10.18).

“A resposta de Paulo mostra o quanto seus críticos estavam errados. O que erroneamente interpretam como timidez era, na realidade, a tentativa de Paulo de imitar a mansidão e a brandura de Cristo (MT 11.29). Ele não aprecia os confrontos severos e dolorosos de disciplina (7.8) nem quer ser visto como tentando amedrontar seus filhos espirituais, colocando-os em submissão por suas cartas (10.9). De fato, o necessário exercitar a ousadia que pretende dirigir contra alguns deles (v.2). Mais tarde explica que a presente carta está sendo escrita para evitar que precise ser severo quando vier.
Sua autoridade apostólica lhe foi dada principalmente com a finalidade de edificar os santos, e não destruí-los” (Comentário Bíblico Pentecostal, CPAD, pág.1108).




*Extraído da Revista Ensinador Cristão, Ano 11 N° 41, CPADA, Pr. Alexandre Coelho