HÁ ALGUM CONFLITO ENTRE A FÉ E AS OBRAS?

quinta-feira, 23 de junho de 2011

 

Há algum conflito entre a fé e as obras?

Muitos estudiosos da Bíblia encontram um irreconciliável conflito entre Paulo e Tiago acerca do que ensinaram sobre a fé e as obras. Paulo ensina que a salvação é recebida pela fé e não pelas obras (Ef 2.8,9). Tiago, por sua vez, ensina que sem obras a fé é morta (Tg 2.17). A grande pergunta é: Existe alguma contradição entre Paulo e Tiago? Estão esses dois escritores bíblicos em conflito? A fé exclui as obras ou as obras dispensam a fé? Precisamos entender que não há contradição nas Escrituras. Paulo e Tiago não estão batendo cabeça. Eles estão falando a mesma verdade, sob perspectivas diferentes. Paulo fala da causa da salvação e diz que somos salvos pela fé independente das obras. Tiago fala da consequência da salvação e diz que as obras é que provam a fé.
Tanto a fé como as obras são fundamentais quando se trata da salvação. A fé é a raiz e as obras são o fruto. A fé produz o fruto das obras e as obras procedem da seiva que vem da raiz. A fé é a causa e as obras o resultado. Não somos salvos por causa das obras, mas para as boas obras. Não praticamos boas obras para sermos salvos, mas porque já fomos salvos pela fé. As obras não nos levam para o céu, mas aqueles que vão para o céu, porque foram salvos pela fé, serão acompanhados por suas obras.
Tanto a fé como as obras procedem de Deus. A fé é dom de Deus. Não geramos a fé, recebemo-la. As obras que praticamos são inspiradas pelo próprio Deus, pois é ele quem opera em nós tanto o querer quanto o realizar. De tal forma que não há espaço para soberba por parte de quem crê nem por parte de quem realiza boas obras, pois tanto a fé como as obras vieram de Deus e devem ser direcionadas para Deus. Nossa fé deve estar em Deus e nossas obras devem ser feitas para a glória de Deus.
Deus mesmo planejou nossa salvação e ele mesmo a executa. Ele mesmo é quem abre nosso coração para crermos e ele mesmo nos dá poder para realizarmos as boas obras que atestam a autenticidade da fé. A fé prova nossa salvação diante de Deus e nossas obras diante dos homens. Deus vê a fé, os homens as obras. Fé e obras não se excluem, completam-se. A raiz sem frutos está morta; o fruto sem a raiz inexiste.
Aqueles que defendem a salvação pela fé sem a evidência das obras laboram em erro. De igual forma, aqueles que julgam alcançar a salvação pelas obras sem a fé. É preciso afirmar com meridiana clareza que a salvação é só pela fé e não pela fé mais o concurso das obras. Porém, a fé salvadora nunca vem só. A fé salvadora produz obras. Não provamos nossa salvação pela fé sem as obras, mas pela fé mediante as obras. As obras não são a causa da salvação, mas sua evidência.
Concluímos, afirmando que não há qualquer conflito entre Paulo e Tiago. Não há qualquer contradição entre fé e obras. Não podemos confundir causa e efeito. Toda causa tem um efeito e todo efeito é produzido por uma causa. As obras não substituem a fé nem a fé pode vir desacompanhada das obras. Fé e obras caminham de mãos dadas. Não estão em lados opostos, mas são parceiras. Ambas têm o mesmo objetivo, glorificar a Deus pela salvação. Somos salvos pela fé e somos salvos para as obras. Recebemos fé e fomos preparados de antemão para as obras. Não há merecimento na fé nem nas obras. Ambas vem de Deus. Ambas devem glorificar a Deus. Ambas estão conectadas com nossa salvação. A fé nos leva a Cristo e as obras nos levam ao próximo. A fé nos coloca de joelhos diante de Deus em adoração e as obras nos coloca de pé diante dos homens em serviço. Somos salvos pela fé para adorarmos a Deus e somos salvos para as obras para servirmos ao próximo.

Rev. Hernandes Dias Lopes

 

FONTE:HERNANDES DIAS LOPES

 

FÉ E RAZÃO

domingo, 18 de julho de 2010

 

Fé e Razão

 

Por César Moisés

 

Teologia ou tecnologia


Quando em 14 de setembro de 1998 o então papa João Paulo II publicou sua 12ª Encíclica ― Fides et Ratio ― que, devido a temática abordada, causou frisson no mundo inteiro, a impressão que se teve é que a fé e, consequentemente, a religião, inimigas da razão, quisessem agora manter uma harmonia impossível. É como se elas fossem água e óleo, não tendo o que dizer uma à outra, devendo manter-se cada uma em seu próprio campo de atuação. A igreja ― leia-se o catolicismo ― através de seu pontífice maior também já havia reconhecido, inclusive formalmente, em 1992 o erro cometido no caso Galileu. Evidentemente que vozes mais “conservadoras” do catolicismo afirmam que, na verdade, o erro foi justamente o pedido de desculpas pelo falecido papa. Porém, o fato é que essa atitude serviu como uma forma de comemoração para os racionalistas que acreditam que o reconhecimento do equívoco demonstra o ilogismo que há em a ciência ser subordinada à religião.


Não questiono a inegável verdade de que não há lógica em a ciência ser restringida por assuntos de “fé” ( aqui no sentido denominacional) desta ou daquela religião, porém, não acredito que seja interessante para a ciência uma “autonomia absoluta” (o que, particularmente, não acredito que exista) como se esse tipo de concessão pudesse torná-la mais produtiva e interessante. Recentemente, André Petry escreveu na revista Veja (Edição 2163, n.18) que a tecnologia [ciência] é moralmente neutra. No melhor estilo positivista, disse isso como se não houvesse pressupostos e premissas que fundamentam a elaboração de qualquer tecnologia. É como se alguém pudesse produzir qualquer tipo de conhecimento em um vácuo, em uma bolha atemporal que não sofre influência e nem influencia (Deixo claro que isso vale também para a teologia). Sua afirmação fez-me lembrar do que li na ficção O Diálogo, de Peter Kreeft. Na narrativa, interagem C. S. Lewis, Aldous Huxley e o presidente norte-americano, John Kennedy, todos falecidos no dia 22 de novembro de 1963, com espaços de apenas poucas horas. Quando Kennedy interpela C. S. Lewis com a objeção: “― Cálculos não mentem”. O professor de Oxford prontamente lhe replica: “― Mentirosos calculam”. Se não se pode confundir ato com agente, não é possível conceber o ato ― mesmo que este tenha sido involuntário ― sem um agente.

Na questão da ciência, todos os seus resultados ― indistintamente ― são frutos de atitudes voluntárias, pensadas, refletidas e com um propósito muito claro. Salvo raríssimas exceções (como no caso da “invenção” do telefone por Alexander Graham Bell), nenhuma tecnologia é produzida por acidente ou visando uma massificação inicial, de forma que todos tenham acesso ao invento. Pensar assim é ingenuidade. Alinho-me com Petry no fato de que a demonização da tecnologia é uma inutilidade, mas não posso esquecer-me que ela é sempre produto de uma visão de mundo. Mesmo que o resultado final seja objetivo, tangível e lógico, o grande e grave problema é quando há uma negação acrítica de que as premissas, os pressupostos e as motivações que levaram os seus criadores a pensá-la, não possuem a mesma objetividade e concretude do seu resultado. Isso implica em afirmar que não existe autonomia, mas as ideias são geradas dentro de um continuum social: você influencia e sofre influências. E mais, quanto menos consciente disso, mais refém a pessoa torna-se de seus pressupostos e ideologias. Consequentemente ela será mais intolerante, discriminadora e unilateral, pois partirá do princípio que todo mundo deve pensar igual a ela. Por isso, dizer que a ciência atual (com sua busca desenfreada por produção tecnológica de consumo de massa) visa apenas “melhorar” a vida das pessoas é um simplismo inconsequente. Qualquer um sabe que a volúpia tecnológica é inspirada pelo capitalismo dos países de Primeiro Mundo. Nem bem saiu um computador ou celular, dezenas de outros já estão a caminho, inspirando o consumismo de milhões que acreditam que estarão adquirindo o melhor, quando na realidade, ao chegar ao Terceiro Mundo, os aparelhos já estão obsoletos!


Mas, voltando à tendência e à postura dicotômica que insistem em manter fé e razão (ou ciência e religião) separadas, questiono: Será que tal postura reflete a verdadeira relação entre esses dois campos da realidade? É sabido, como diz Afonso Soares e João Décio, em Teologia e Ciência, que a “história testemunha [...] momentos de integração, ruptura e diálogo” entre elas, isto é, fé/razão ou ciência/religião, geralmente experimentam essa dialética constante que mostra-se recorrente no processo histórico. Por isso, acredito que a grande pergunta mesmo é se existe ao menos possibilidade de separá-las! É claro que nesse sentido existe diferença entre o tipo de “fé” que aqui está agora sendo discutida e que entendo ser impossível separá-la da ciência. Contudo, isso não a torna menos improvável que a fé religiosa, mas apenas diferente. Thomas Kuhn disserta em seu clássico A Estrutura das Revoluções Científicas, que quando um cientista desenvolve uma pesquisa partindo de um paradigma que ele tem como certo, “não tem mais necessidade, nos seus trabalhos mais importantes, de tentar construir seu campo de estudo começando pelos primeiros princípios e justificando o uso de cada conceito introduzido” (p.40). Dessa forma, mesmo que o paradigma fundante não seja um fato, mas uma crença filosófica ou um arcabouço teórico, ele fundamentará toda a sua produção científica sobre tal premissa e sua atividade será desempenhada sem nenhuma reflexão crítica a respeito do assunto, pois o cientista a tem ― aprioristicamente ― como verdade.


A cultura brasileira tem o costume de “romantizar” a história e não conhecer os fatos com mais profundidade antes de abraçá-los. Essa postura é fruto de um processo civilizatório que coloca viseiras na sociedade, condicionando-a à polarização. De um lado estão as pessoas inocentes que acreditam que são miseráveis “porque Deus quer que assim seja”, e do outro, as que acreditam que adquirindo e consumindo mais e mais, obterão felicidade. Quanto à parcela infinitesimal que consegue tudo que é lançado, cedo descobre que essas coisas não produzem felicidade, e que é preciso preservar a natureza e assim não destruir o planeta. As parafernálias tecnológicas não podem ser um fim em si mesmas, mas também não podem ser um “meio”, visto que não proporcionam as melhores condições para qualquer um fim. Quando Petry disse que o “pensamento religioso, traduzido na ideia de que somos criaturas divinamente concebidas, tende a turvar a percepção de que nossa condição natural é miserável”, pois a vida do homem primitivo era muito difícil e que a “tecnologia nos retirou dessa miséria”, esqueceu de dizer que a tecnologia não nos tornou mais humanos, mais próximos e relacionais. Aliás, se se quisesse mesmo discutir o que a tecnologia causou à humanidade, comparando-a ao papel que a religião desempenhou, basta olhar para o depoimento do historiador francês Fustel de Coulanges, em sua obra A Cidade Antiga, quando diz que o “que uniu os membros da família antiga foi algo de mais poderoso do que o nascimento: o sentimento ou a força física”, e que é justamente “na religião do lar e dos antepassados [que] se encontra esse poder”, não significa que a “religião criou a família, mas seguramente foi a religião que lhe deu as sua regras”, por isso recebeu “a família antiga constituição muito diferente da que teria se os sentimentos naturais dos homens tivessem sido os seus únicos causadores” (pp.36-7).


Mesmo sendo uma expressão religiosa totalmente estranha ao cristianismo, seu poder de catalisação ainda é infinitamente maior, em termos de fortalecimento familiar, que qualquer hardware com seus softwares mais sofisticados. Assim, ao absolver a tecnologia do seu mal uso, Petry esqueceu que o mesmo é verdade em relação à religião. Ela pode servir para bons e maus propósitos. O próprio fato de a humanidade ter feito tanto progresso em relação à tecnologia, mas paradoxalmente, não deixar de buscar um sentido para a vida em algo que transcende sua existência física e material, demonstra que se ela não pode avançar e evoluir sem tecnologia, tampouco o fará sem a devida valorização de sua essência e da busca por respostas que extrapolam os limites do que a ciência pode lhe oferecer. Se existe a boa tecnologia, resultante da boa ciência, existe também a piedade, o amor, o humanitarismo, a voluntariedade, o altruísmo e a solidariedade, frutos de uma vida cristã condizente com os valores ensinados no cristianismo.

FONTE: http://www.cpad.com.br/

Fé e Razão - A harmonia

sábado, 13 de junho de 2009

FÉ & RAZÃO


INTRODUÇÃO

Será que há harmonia entre a Fé e a Razão? Será que a Fé pode explicar tudo sem precisar da razão? Será que a Razão pode explicar tudo sem a Fé?
Podemos conciliar Fé e Razão? Qual é a mais importante? O que podemos fazer por meio da Razão? O que podemos fazer por meio da Fé? A fé entende a Razão? A Razão entende a Fé? Essas e outras perguntas foram feitas por muitos pensadores, teólogos, filósofos e outros. E continuam nos nossos dias. A estas perguntas vamos nos esforçar para responder a luz da Teologia Filosófica e da razão.

A HARMONIA ENTRE FÉ E RAZÃO
o uso da cultura clássica
A segunda fonte da teologia cristã é a razão humana. Embora a importância da razão para a teologia cristã tenha sido sempre reconhecida, assumiu uma importância especial à época do IIUMINISMO.
Um dos debates mais importantes no seio da igreja primitiva dizia respeito à extensão com que os cristãos poderiam se apropriar do imenso legado cultural do mundo clássico-a poesia, a filosofia e a literatura. De que forma a filosofia, a literatura poderiam ser adotadas e adaptadas pelos autores cristãos, que ansiavam por utilizar esses padrões clássicos de escrita, para expor e comunicar sua fé? Ou o próprio uso desse meio literário significava comprometer os fundamentos da fé cristã? Esse foi um debate de imensa relevância à medida que levantou a questão sobre a possibilidade de o cristianismo voltar as costas a sua herança clássica ou apropriar-se dela, mesmo que de uma forma modificada.
Uma primeira resposta a essa importante questão foi dada por Justino Mártir, autor do século I, que apresentava uma preocupação particular em explorar os paralelos entre cristianismo e o platonismo como forma de comunicação do evangelho. Para Justino, as sementes da sabedoria divina haviam sido semeadas por todo o mundo, o que significava que os cristãos poderiam e deveriam estar prontos para encontrar aspectos do evangelho refletidos no contexto externo à igreja.
Para Justino, os cristãos eram, portanto, livres para se utilizar da cultura clássica, com a consciência de que o que quer que tenha sido dito com precisão se baseia, afinal, na sabedoria e no discernimento divinos.
Ainda que o argumento de Justino possa ter sido importante, ele foi recebido com certa frieza por muitos setores da igreja cristã.
A critica mais severa a esse tipo de enfoque encontrado nos escritos de Tertuliano, advogado romano do século III que se converteu ao cristianismo. Ele questionava: “ Que relação há entre Atenas e Jerusalém? Que importância a Academia de Platão tem para a igreja? A forma como a pergunta é feita deixa clara a resposta de Tertuliano: o cristianismo deve manter sua identidade característica, evitando influências seculares desse tipo.
O cristianismo, de acordo com Tertuliano, era basicamente um movimento contracultural, que recusava deixar-se contaminar de qualquer forma, pelo contexto mental e moral no qual se encontrava arraigado.
A questão tornou-se de grande importância com a conversão do imperador romano Constantino, a qual abriu caminho para uma avaliação muito mais positiva do relacionamento entre fé e razão.
Após 313, a exploração entre a fé e a razão tornou-se motivo de urgência para os principais intelectuais cristãos – dentre os quais o maior foi Agostinho de Hipona.
Agostinho arrematou seu argumento com a observação de que vários cristãos, que recentemente tinham se tornado famosos, haviam lançado da sabedoria clássica para o avanço do evangelho.
Da mesma forma , o conhecimento pagão não é inteiramente feito de falsos ensinamentos e superstições... Ele também possui alguns ensinamentos excelentes e adequados ao uso da verdade, assim como excelentes valores morais.
Portanto, o cristão é capaz de separar essas verdades de suas infelizes associações, separando-as e utilizando essas verdades de maneira adequada à proclamação do evangelho.

A HARMONIA ENTRE FÉ E RAZÃO
Razão e revelação: três modelos
Pelo fato de os seres humanos serem racionais, deve-se esperar que a razão deva ter um papel preponderante a desempenhar na teologia. Contudo, tem havido um grande debate dentro da teologia cristã, a respeito de qual possa ser esse papel.
A teologia é uma disciplina racional. Essa posição , associada a escritores como Tomás de Aquino, trabalha a partir do pressuposto de que a fé cristã é fundamentalmente racional, podendo, portanto, ser sustentada e investigada pela razão. As cinco vias Aquino, ilustram muito bem isso.
No entanto, Aquino e a tradição cristã, da qual era representante, não acreditavam que o cristianismo estivesse limitado àquilo que pudesse ser comprovado pela razão.
A fé vai além da razão, tendo acesso a verdades e a revelações que a razão não pode esperar penetrar ou descobrir de forma autônoma. A razão tem o papel de construir sobre aquilo que é conhecido pela revelação, investigando quais possam ser suas implicações. Nesse sentido, a teologia é scientia - uma disciplina racional, que utiliza método racionais para construir a partir daquilo que é conhecido por meio da revelação, a fim de ampliar esse conhecimento.

A teologia é a reapresentação das percepções da razão. Até a metade do século XVII, especialmente na Inglaterra e na Alemanha, começou a surgir uma nova atitude em relação ao cristianismo. O cristianismo, dizia-se era racional.
Todavia, de onde Tomás de Aquino havia entendido que isso significava que a fé estava seguramente fundamentada sobre alicerces racionais, essa nova escola de pensamento tinha idéias diferentes. Se a fé é racional, argumentavam eles, deve ser passível de ser inteiramente deduzida por meio da razão. Deve-se demonstrar que cada aspecto da fé, cada elemento integrante da crença, deriva da razão humana.
A teologia é redundante;a razão reina de forma suprema.Por fim, essa posição potencialmente racionalista foi levada a sua consequência lógica. Na verdade, segundo defendia essa posição, o cristianismo realmente possuía uma série de dogmas importantes que eram inconsistentes com a razão. A razão tinha o direito de julgar a religião, pelo fato de estar em uma posição de supremacia.
Essa abordagem normalmente é chamada de “racionalismo Iluminista”.
A HARMONIA ENTRE FÉ E RAZÃO
Razão da Fé
Se perguntássemos à maioria das pessoas a razão por que crêem, muitas delas teriam dificuldades de oferecer uma base sólida para sua opinião. De modo geral, as convicções pessoais referem-se à lealdade a uma herança ou a uma tradição específica.
É surpreendente notar o quanto a fé fundamenta-se na submissão a uma instituição, a um partido político, a uma igreja, ou um sistema religioso, mas não em fatos. Muitas vezes a fé religiosa é mais uma demonstração de lealdade aos pais, ao sacerdote, ou ao pastor, do que uma convicção real fundamentada em evidência sólida.
O mesmo acontece em relação ao mundo secular. As crenças existem por razões sociais, a fim de ser aceito em um círculo de amigos ou entre os colegas. Por exemplo, não acreditar na evolução levaria alguém a ser ridicularizado por seus colegas e, até mesmo, a perder sua posição na comunidade acadêmica. Robert Jastrow, um dos astrônomos mais importantes do mundo, foi o fundador(e por muitos anos o diretor) do Instituto Espacial Goddard, que lançou as sondas pioneer e voyage no espaço.Jastrow, agnóstico, chocou seus colegas em uma conferência nacional da Associação para ciências Avançadas ao admitir que havia evidências de um Criador Superior do universo. Ele também teve coragem de escrever.
Os astrônomos, curiosamente, ficam contrariados... Com a prova de que o universo teve um início. A reação deles fornece-nos uma demonstração interessante das respostas da mente científica – supostamente uma mente bastante objetiva -, quanto a evidência revelada pela ciência entra em conflito com os artigos de fé professados por sua profissão... A ciência é uma espécie de religião (grifo do autor).
A evolução em si mesma é aceita por zoologistas não porque observaram sua ocorrência... Nem porque ela pode provada logicamente por meio de evidências coerentes, mas porque ela é a única alternativa de biólogos, ressaltou Watson, D.M.S, o homem que tornou a evolução popular na televisão britânica.
Ninguém gosta de estar errado. É particularmente humilhante admitir que a fé religiosa de toda a vida de uma pessoa tenha sido colocada em lugar errado e que a fé herdada de seus ancestrais (ou que o ponto de vista “cientifico” aprendido na universidade), na verdade, é falsa.

Todas as religiões em algum momento ou outro exigem fé – e , frequentemente, não em Deus, mas no sistema religioso, na igreja em si, no fundador ou líder religioso. O resultado de depositar a confiança em algo ou alguém que não seja Deus, embora esse algo ou esse alguém possa reivindicar que representa o Senhor, a decepção inevitavelmente aparece. Um individuo pode tornar-se cínico e dar as costas a toda religião e, a partir desse momento, rejeitar a possibilidade da verdade. Ou o individuo, para que possa conhecer a Deus, pode tornar-se um seguidor mais diligente e cauteloso, mais sábio e determinado do que costumava ser, porém agora, mais cauteloso sobre as promessas e ensinamentos de meros homens.

A “fé” que não for fundamentada na razão, apoiada em evidências irrefutáveis, é uma verdadeira loucura. A bíblia apresenta o registro daquilo que chama de “fé”, esse elemento fundamental que oferece a única resposta confiável a todas as questões supremas da vida.
Não há nada errado em formular questões em busca da verdade. Na realidade, apresentar questões é essencial no processo de descoberta da verdade.
É surpreendente a quantidade de pessoas que vai regularmente á igreja e aceitou a perigosa e ilógica idéia de que quando vem para a religião a pessoa não pode nunca questionar nada, pois isso demonstraria uma “falta de fé”. Ao contrário, as questões precisam ser formuladas e a pessoa não deve ficar satisfeita até que se sinta segura em relação à resposta recebida. O cetismo, na verdade, é essencial como um primeiro passo em direção á fé, desde que ele não se revista de orgulho nem se transforme em um pretexto para o preconceito. A credulidade ingênua não ajuda a fé verdadeira; na verdade, é sua inimiga.
A fé é a confiança absoluta e total. Certamente, ninguém ou nada além de Deus é merecedor de nossa absoluta e total confiança e, portanto, de nossa fé. Jesus disse: “ Tende fé em Deus (Mc 11.22). Portanto, quando a fé é associada a alguém(pastor, sacerdote, guru) ou algo (igreja, religião, instituição) que não seja Deus, está ma direcionada. Apenas Deus é onipotente, onisciente e onipresente e, portanto, não nos desaponta quando cremos nEle.
A razão e a evidência podem legitimamente apontar a direção que a fé deve seguir - é necessário fazer isso.
Na verdade, a fé não deve transgredir a evidência e a razão, portanto, segue apenas a direção apontada pela razão e pela evidência.
À primeira vista pode parecer normal rejeitarmos a razão e a evidência, pois Deus está muito além de nossa capacidade de compreensão total e, dessa maneira, está além de qualquer prova que possamos compreender. Muitos menos que a prova, como poderia a evidência ter qualquer participação na crença em Deus?Se a razão não tem qualquer participação na fé, assim a pessoa poderia acreditar em qualquer tipo de “ deus” – uma idéias claramente falsa. A pessoa deve ter alguma evidência até mesmo para crer que existe um Deus. De outra maneira, como a idéia de Deus poderia se sustentar?
O ateu vê essa mesma evidência, e ele também dá o passo de “fé” , para além da razão. Infelizmente, entretanto, ele dá este passo tentando escapar das consequências de admitir a existência de Deus e, deste modo, de suas responsabilidades para com seu criador. O ateu da “ o salto de fé” em direção oposta para qual a razão e evidência claramente apontam. Ele escolhe negar a evidência e, consequentemente, sua “fé” é totalmente irracional, embora, de qualquer modo, seja uma fé genuína.


CONCLUSÃO

Nossa fé está alicerçada em evidências racionais. Daí a necessidade da conciliação ou harmonia existente entre fé e razão.
A fé não exclui a Razão, mas esta aponta para o caminho da fé provendo todas as evidências necessárias até certos limites da fé.
A razão por ser inata, foi afetada pelo pecado original, portanto sujeita a falha e equívocos. Cabe a fé fazer com que a razão seja novamente direcionada aos seus objetivos racionais.


BIBLIOGRAFIAS:
Davi hunt – Em defesa da fé cristã
Alister E. Mcgrath-Teologia Sistemática,histórica e filosófica
Marilena Chauí - Convite a filosofia
Jostein Gaarder - O mundo de Sofia
Ezequias Soraes – Heresias e Modismos