Paulo, um Modelo de Líder-Servidor

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

 

Paulo, um Modelo de Líder-Servidor

O líder-servidor não age egoisticamente, antes serve ao povo de Deus com espírito voluntário e solícito.

Líder-servidor: Indivíduo que, na moderna administração, é visto como o modelo ideal de liderança, pois, em vez de chefiar friamente, serve aos liderados de modo que constrange-os a trabalhar em prol do bem coletivo.

Você é um cooperador de Cristo? Atualmente muitos querem exercer liderança, mas poucos querem servir ao Mestre e a Sua Igreja. Jesus, enquanto homem perfeito, é o nosso exemplo de líder-servidor. Certa vez, Ele declarou que não veio a esse mundo para ser servido, mas para servir (Mt 20.26-28). Paulo foi um homem que seguiu as pisadas do Mestre. Ele procurou servir a Jesus em todo o tempo. Mesmo sofrendo retaliação e rejeição de alguns, Paulo amou, liderou e serviu a igreja.

No capítulo seis de 2 coríntios, Paulo em sua defesa, dando provas e descrevendo seu ministério de reconciliação, no qual ele atuava como embaixador de Cristo, representando os interesses do Reino de Deus na terra nos deixa uma lição para hoje, vejamos.

Sua liderança é demonstrada em serviço, e ele até se identifica em algumas de suas cartas como servo (Rm 1.1; 2 Co 4.5; Tt 1.1). Seu modelo de líder-servidor era o próprio Jesus, que nos deixou um grande exemplo (Jo 13.1-17; Fp 2.5-8). Por isso, Paulo exortou aos coríntios que o imitassem assim como ele imitava ao Senhor (1 Co 11.1).

PAULO SE IDENTIFICA COMO SERVIDOR DE CRISTO (2 Co 6.1,2)

1. Paulo se descreve como cooperador de Deus no ministério da reconciliação (v.1). A organização dos capítulos da Bíblia (não somente das epístolas paulinas) muitas vezes não obedece à estrutura lógica dos versículos. Os dois primeiros versículos do capítulo 6 são um complemento do capítulo cinco. Quando Paulo usa o plural e “nós, cooperando também com ele”, refere-se ao Senhor Jesus que realizou a obra expiatória, pois o Pai o fez pecado por nós (5.21), a fim de pagar a dívida da humanidade, reconciliando-nos com o Criador.

Ao tornar conhecida a obra da redenção, Paulo afirma que estamos cooperando com Jesus Cristo. Deus não depende de ninguém para fazer o que precisa ser feito, mas Ele deseja uma relação de comunhão e serviço em conjunto com o homem, para que este tenha o privilégio de participar do ministério da reconciliação.

2. Paulo, um modelo de líder-servidor. Paulo aprendeu com Jesus que o serviço é a postura ideal para quem deseja liderar, pois o Mestre mesmo disse que não tinha vindo ao mundo para ser servido, mas para servir (Mt 20.26-28). O apóstolo dedicou, pois, sua vida e personificou sua liderança como um líder-servidor. Ele procurou imitar o Mestre em tudo, servindo apenas aos interesses da Igreja de Cristo (2 Co 12.15; Fp 2.17; 1 Ts 2.8).

3. Paulo desperta os coríntios para a chegada do tempo aceitável (v.2). O versículo dois é uma citação de Isaías 49.8. Neste vaticínio do profeta messiânico, surge o Servo do Senhor (que é o Cristo profetizado), com a promessa de ajuda no dia em que a salvação for manifestada aos gentios. Paulo usa a profecia para anunciar que o tempo aceitável (favorável) é agora, o dia da salvação é hoje, e a proclamação do Evangelho que pregava está no presente. O tempo aceitável por Deus e pelos homens é agora, e todos podem participar livremente da reconciliação oferecida em Cristo. A parte final do versículo dois evidencia a preocupação paulina com os coríntios em relação à graça de Deus. A graça salvadora é para “agora”, porque este é o momento oportuno de sua aceitação.

Paulo aprendeu com Jesus que o serviço é a postura ideal para quem deseja liderar na vida eclesiástica, pois o Mestre mesmo disse que não tinha vindo ao mundo para ser servido, mas para servir.

A ABNEGAÇÃO DE UM LÍDER-SERVIDOR (6.3-10)

1. O cuidado de um líder-servidor. Paulo volta a descrever as agruras do seu ministério apostólico, a fim de fortalecer o fato de que o líder na Igreja de Cristo precisa estar pronto para enfrentar as dificuldades inerentes ao ministério. O apóstolo afirma essa verdade, com as seguintes palavras: “não dando nós escândalo em coisa alguma” (v.3). Em outras palavras, ele estava dizendo que evitava dar qualquer “mau testemunho”, para que o seu ministério em particular e o de seus companheiros não fossem desacreditados.

2. Experiências de um líder-servidor (vv.4-6). Nos versículos 4 a 6, Paulo descreve seu ministério apostólico apresentando uma série de seis tribulações e aflições experimentadas por ele. Didaticamente, ele separa esses acontecimentos em três conjuntos, contendo três “experiências” cada. Nos versículos 4 e 5, ele menciona: “aflições, necessidades e angústias” e “açoites, prisões e tumultos”. O primeiro e segundo conjuntos descrevem as várias situações de sofrimento, que causaram danos físicos e materiais ao apóstolo Paulo. Ainda no versículo cinco, ele menciona “trabalhos, vigílias e jejuns”, referindo-se às dificuldades enfrentadas em seu ministério. Porém, apesar de tudo isso, Paulo não se envergonha do Evangelho de Cristo nem desiste de continuar seu trabalho.

3. Os elementos da graça que o sustentaram nestas experiências (vv.7-10). Em contraposição às seis dificuldades mencionadas acima, no versículo seis, Paulo apresenta outros seis “elementos” que lhe deram força interior, resultantes da graça, e que o sustentaram, bem como a seus companheiros, naquelas tribulações: “pureza, ciência (conhecimento), longanimidade, benignidade, a presença do Espírito Santo e o amor não fingido (verdadeiro)”.

A “pureza”, que é o primeiro elemento, tem a ver com a atitude de um coração íntegro e mãos limpas para realizar a obra de Deus. Ao citar “ciência”, Paulo referia-se ao conhecimento da Palavra de Deus. “Longanimidade” fala da capacidade de suportar injúrias e desprezos, sem nutrir ressentimentos. A “benignidade”, traduzida às vezes por bondade, possibilita o líder cristão a não agir com revanche ou desforra. Fazer algo no Espírito Santo significa reconhecer a sua direção em todas as decisões da nossa vida. Por último, Paulo fala do “amor”, que deve este ser a nossa maior motivação para o exercício ministerial. Todos esses elementos positivos têm sua fonte no Espírito Santo (v.6), o qual produz o amor não fingido.

AS ARMAS DE ATAQUE E DEFESA DE UM LÍDER-SERVIDOR

1. As armas da justiça numa guerra espiritual (v.7). Quando usa a metáfora de “armas”, a mente de Paulo parece transferir-se para um campo de batalha. Como embaixador de Cristo, sente-se também como “um soldado” preparado para a luta. Suas armas não são materiais ou exteriores; são espirituais (Ef 6.11-17; 1 Ts 5.8). Sua força interior é o “poder de Deus” que o capacita a enfrentar as adversidades sem se render ou transigir em sua integridade moral e espiritual.

2. Os contrastes da vida cristã na experiência de um líder-servidor (vv.8-10). Nos versículos 8 a 10, o texto mostra alguns paradoxos da experiência de Paulo como servo do Senhor. O Comentário Bíblico Pentecostal da CPAD afirma que Paulo “experimentou louvor e vergonha; foi elogiado e caluniado, visto como um genuíno servo de Deus e como uma fraude enganosa; foi tratado como uma celebridade e também ignorado” (p.1099). Ora, em todas essas ocasiões, Paulo superou as dificuldades e circunstâncias sem perder de vista a perspectiva divina. Essas experiências deram-lhe condições de ter alegria frente à tristeza e, pela pobreza material, ter a certeza da inefável riqueza celestial.

3. Paulo dá uma resposta aos adeptos da Teologia da Prosperidade (v.10). “Como pobres, mas enriquecendo a muitos; como nada tendo e possuindo tudo”. Paulo fala literalmente de pobreza material. Não há nada metafórico nessa frase. Ele fortalece o conceito de que a possessão material não é símbolo de riqueza espiritual. Por isso, a riqueza que Paulo podia oferecer era proveniente do Evangelho de Cristo. Dessa forma, o apóstolo demonstra que a pobreza terrena não significa nada, e que ninguém precisa tornar-se pobre para obter riquezas espirituais. A questão aqui é: Qual a nossa prioridade - Deus ou o dinheiro? Pois ninguém pode servir a dois senhores (Mt 6.24).

Paulo superou as dificuldades e circunstâncias sem perder de vista a perspectiva divina. Estas experiências lhe deram condições de ter alegria frente à tristeza e, pela pobreza material, ter a certeza da riqueza celestial.

CONCLUINDO

Se quisermos servir ao Senhor com inteireza de coração, precisamos seguir os passos de Jesus que foi, é e sempre será o modelo perfeito de líder-servidor. Ele viveu para fazer a vontade do Pai e servir a todos (Mc 10.45).

“Agora é o Dia da Salvação 6.1,2. Como cooperadores de Deus, que pertencem a Ele, como também trabalham para Ele, e como embaixadores de Cristo (2 Co 5.20), Paulo e sua equipe exortavam os coríntios a não receber a graça de Deus sem resultado algum. Os coríntios tinham recebido a graça de Deus, inclusive a salvação por Cristo, mas eles não deviam supor que a salvação é mantida automaticamente. É possível ‘deixá-la ir por nada’ (2 Co 6.1, NEB). Isto aconteceria se eles voltassem à antiga maneira de viver ou se dessem ouvidos aos críticos ‘superespirituais’ ou aos falsos apóstolos que estavam ensinando um evangelho diferente (cf. 2 Co 11.4; Gl 2.21). Precisamos viver de acordo com a nova vida que nos foi dada (cf. Jo 15.2; Deus tira os ramos que não dão frutos). A seguir, Paulo cita Isaías 49.8 e o aplica aos coríntios. Eles estavam vivendo nos dias em que a profecia estava sendo cumprida. É o dia de Deus, o tempo de Deus. Paulo não diminui a importância da era futura ou as últimas coisas. Mas eles têm de reconhecer que esta é a era final antes da era milenar. Agora é o dia em que Deus torna possível a reconciliação a Ele por Cristo. Hoje é o dia da salvação (cf. Hb 3.12-15). À medida que nos aproximamos do fim dos tempos também temos de aplicar as observações de Paulo à nossa época, de forma que não recebamos a graça de Deus ‘em vão’ [...]. Nada seria mais triste que ter recebido a graça de Deus e, no fim, se perder”.

(HORTON, S. M. I & II Coríntios: Os Problemas da Igreja e Suas Soluções. 1.ed. RJ, CPAD, 2003, pp.213-14.)

Bibliografia Elienai Cabral

Paulo, um Modelo de Líder-Servidor

A Grandeza do Apóstolo Paulo

quinta-feira, 23 de junho de 2011

 

A Grandeza do Apóstolo Paulo

Sermão de João Crisóstomo:

João Crisóstomo (conhecido como "Boca de ouro") é, depois dos apóstolos, o pregador mais famoso na história do Cristianismo. Nas­ceu em Antioquia, em 347, e morreu em Ponto, em 4O7. Começou o estudo da retórica e mostrou grande promessa para o futuro, mas, mediante os esforços piedosos de sua mãe, Antusa, ele abraçou o Cristianismo e se retirou para o deserto, onde passou dez anos em meditação e renúncia. Depois, tornou-se diácono e, mais tarde, presbítero em Antioquia. Logo chamou a atenção como pregador, sobretudo através de uma série de sermões sobre as estátuas, prega­do numa época em que o imperador Teodósio pretendia lançar seve­ras represálias contra o populacho de Antioquia, onde suas estátuas haviam sido destruídas numa revolta.

Como arcebispo de Constantinopla, Crisóstomo pregou corajo­samente contra as políticas da imperatriz Eudoxia. Sua atitude inflexí­vel para com o tribunal e os clérigos licenciosos e avarentos fizeram-no vítima de uma conspiração eclesiástica, e ele foi condenado por contumácia pelo sínodo conclamado pelos seus inimigos e levado a Bitínia. A fúria popular era tão grande que o imperador teve de chamá-lo de volta. Mas logo o enviaram para o exílio outra vez e, depois de ser levado de lugar em lugar, faleceu a caminho do deserto de Pítio.

Seus sermões são na maioria expositivos ou comentários fluen­tes sobre o texto de uma passagem bíblica. Deste modo, ele cobriu grandes porções do Novo Testamento. Crisóstomo tinha amplo al­cance e poderia dedilhar cada nota do coração humano. Um dos exemplos mais nobres de sua eloquência é sua última homília sobre a Epístola aos Romanos. Não é apenas um dos melhores exemplos de eloquência patrística, mas talvez o maior tributo que jamais foi dado ao apóstolo Paulo.

A Grandeza do Apóstolo Paulo

QUEM há de orar por nós, desde que Paulo partiu? Estes que são os imitadores de Paulo.

Apenas nos consideremos dignos de tal intercessão a fim de que não seja que ouçamos só a voz de Paulo aqui, mas que, no futuro, quando tivermos partido, sejamos também contados dignos de ver o lutador de Cristo. Ou, antes, se o ouvirmos aqui. Certamente o veremos no outro mundo, se não perto dele, ainda o veremos com certeza, brilhando perto do trono do Rei. Onde os querubins cantam a glória, onde voam os serafins, lá veremos Paulo, com Pedro, e como chefe e líder do coro dos santos, e desfrutaremos seu amor generoso. Pois se quando estava aqui ele amava tanto os homens, que, tendo a escolha de partir e estar com Cristo, escolheu ficar aqui, muito mais ali ele mostrará um afeto mais caloroso.

Eu amo Roma até por isso, embora tenha-se de fato outra base para louvá-la, por sua grandeza, antiguidade, beleza, população nu­merosa, poder, riqueza e sucessos na guerra. Mas deixei passar tudo, e a estimo abençoada por conta disto: que em sua vida ele lhes escre­veu, amou-os tanto, falou com eles enquanto estava conosco e sua vida chegou a um fim ali. Portanto, a cidade é mais notável sob este aspecto do que sob todos os outros juntos. E como corpo grande e forte, tem como dois olhos brilhando os corpos desses santos. O céu não é tão luminoso, quando o sol envia seus raios, como é a cidade de Roma enviando estas duas luzes a todas as partes do mundo. Daquele lugar Paulo será tomado, como também Pedro. Apenas con­sidere e estremeça com o pensamento de que visão Roma verá, quan­do Paulo surgir de repente daquele depósito, junto com Pedro, e for elevado para o encontro com o Senhor. Que rosa Roma enviará para Cristo! Que duas coroas a cidade terá! Com que correntes douradas ela será cingida! Que fundações possuem! Portanto, eu admiro a cida­de, não pelo muito ouro, nem pelas colunas, nem por outro aparato ali encontrado, mas por estes pilares da Igreja.

O que seria se me fosse dado lançar-me em volta do corpo de Paulo, ser cravado ao túmulo e ver o pó daquele corpo que "supria o que estava faltando" de Cristo, que trazia "as marcas", que semeou o Evangelho em todos os lugares, sim, o pó daquele corpo pelo qual ele andou por todos os lugares! O pó daquele corpo pelo qual Cristo falou e a luz brilhou mais luminosa que um raio, e a voz saiu (mais terrível que um trovão para os demônios!), pelo qual ele arti­culou aquela voz abençoada, dizendo: "Eu mesmo poderia desejar ser amaldiçoado, por meus irmãos", com a qual ele falou: "Perante reis, eu não me envergonhei", com a qual viremos a conhecer Pau­lo, com a qual também viremos a conhecer o Mestre de Paulo. Não nos é tão terrível o trovão, como foi essa voz aos demônios! Pois se eles estremeciam ao ver as roupas dele, muito mais estremeciam diante de sua voz. Esta voz os levou cativos, limpou o mundo, pôs um basta às doenças, expulsou vícios, elevou a verdade bem alto, fez Cristo cavalgar sobre ela e em todos os lugares saiu com ele; e como de querubim era a voz de Paulo, pois assim como o querubim estava assentado sobre esses poderes, assim ele estava na língua de Paulo. Porque tinha se tornado merecedor de receber Cristo falando somente as coisas que eram aceitáveis a Cristo, e voando como serafim a alturas indizíveis! Pois que mais sublime do que aquela voz que diz: "Porque estou certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as potestades, nem o pre­sente, nem o porvir, nem a altura, nem a profundidade, nem alguma outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor!" (Rm 8.38,39)? Que remígios este discur­so não parece ter a vocês? Que olhos? Era devido a isso que ele disse: "Porque não ignoramos os seus ardis" (2 Co 2.11). Por causa disso, os demônios não só fogem ao ouvi-lo falar, mas até ao verem as suas roupas.

Esta é a boca, de cujo pó eu gostaria de ver, pela qual Cristo falou coisas grandiosas e secretas e maiores do que em sua própria pessoa (pois assim como Ele fez, assim Ele também falou maiores coisas pelos discípulos), pela qual o Espírito deu ao mundo esses oráculos maravilhosos. Por qual coisa boa essa boca não operou? Por ela os demônios foram expulsos, os pecados libertados, os tiranos amordaçados, as bocas de filósofos caladas, o mundo levado para Deus, os selvagens persuadidos a aprender sabedoria, a ordem da terra foi alterada. As coisas no céu também ela dispôs do modo como quis, prendendo quem seria preso e soltando no outro mundo "de acordo com o poder que lhe foi dado".

Não só da boca, mas do coração também eu gostaria de ver o pó, o qual o homem não erraria em chamar o coração do mundo, fonte de bênçãos incontáveis e um começo e elemento de nossa vida. Pois o espírito de vida foi abastecido de tudo isso, e distribuído pelos membros de Cristo, não como sendo enviado pelas artérias, mas por livre escolha de boas ações. Esse coração era tão grande quanto a abranger cidades, povos e nações inteiras. "Pois o meu coração", diz ele, 'está aumentado". Contudo, até um coração tão grande assim, a caridade que o aumentou muitas vezes o deixou apertado e oprimi­do. Pois ele diz: "Porque, em muita tributação e angústia do coração, vos escrevi, com muitas lágrimas" (2 Co 2.4). Eu desejaria ver esse coração mesmo depois de sua decomposição, que ardia por todo aquele que estava perdido, que sofria dores de parto uma segunda vez pelos filhos que tinham provado o aborto, que via a Deus ("pois os puros de coração", diz ele, "verão a Deus"), que se tornou um sacrifício ("pois o sacrifício para Deus é um coração contrito"), que era mais sublime que os céus, que era mais largo que o mundo, que era mais brilhante que os raios do sol, que era mais quente que o fogo, que era mais forte que o diamante, que enviou rios ("pois rios", diz ele, "de água viva fluirão do seu ventre"), nos quais estava uma fonte que brota e dá de beber, não à face da terra, mas às almas dos homens, dos quais não só rios, más até fontes de lágrimas vertiam dia e noite, que viviam a vida nova, não esta nossa (porque "eu vivo", diz ele, "ainda que não eu, mas Cristo vive cm mim", assim o coração de Paulo era o seu coração, uma tábua do Espírito Santo e um livro da graça); que tremia pelos pecados dos outros (pois "eu temo", diz ele, "que por algum meio eu vos tenha labutado em vão; para que como a serpente iludiu Eva; temendo que quando eu vier não vos ache como eu quereria"); o qual temeu por si mesmo e também estava confiante (porque eu temo, diz ele, "para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado", 1 Co 9.27). E, "estou certo de que nem [...] os anjos, [...] nem as potestades [...! nos poderá separar" (Rm 8.38,39); que foi contado digno de amar a Cristo como nenhum outro homem o amou; que menosprezou a morte e o inferno, não obstante ficou quebrantado pelas lágrimas de irmãos (pois ele diz: "Que fazeis vós, chorando e magoando-me o coração?", At 21.13); que sofria com paciência, ainda que não podia suportar estar ausente dos tessalonicenses pelo espaço de uma hora!

Anseio ver o pó das mãos que estavam em correntes, por cuja imposição o Espírito foi concedido, através das quais os escritos divi­nos chegaram até nós, pois: "Vede com que grandes letras vos escrevi por minha mão" (Gl 6.11), e, novamente: "Saudação da minha pró­pria mão, de mim, Paulo" (2 Ts 3-17); dessas mãos à vista das quais a serpente "caiu no fogo".

Almejo ver o pó dos olhos que ficaram cegos gloriosamente, que recuperaram a visão para a salvação do mundo; que até no corpo foram contados dignos de ver a Cristo, que viu coisas terrestres, em­bora não as visse, que viu as coisas que não se veem, que não viu sono, que estavam alertas à meia-noite, que não foram afetados como os nossos olhos o são.

Também veria o pó dos pés que percorreram o mundo e não se cansaram, que estavam presos no tronco quando a prisão foi sacudi­da, que passaram por regiões habitadas ou despovoadas, que cami­nharam em tantas jornadas.

E por que preciso falar dos membros? Eu veria o túmulo onde a armadura da justiça foi posta, as armas da luz, os membros que agora vivem, mas que em vida foram mortificados; e em todos os membros de quem Cristo vivia, que estavam crucificados para o mundo, que eram membros de Cristo, que eram revestidos em Cristo, eram templo do Espírito, edifício santo, "unidos no Espírito", cravados ao temor de Deus, que tinham as marcas de Cristo. Este corpo é um muro para aquela cidade, que é mais segura que todas as torres e que milhares de ameias. E com ele está o túmulo de Pedro. Ele o honrou enquanto vivia. Ele "subiu para ver Pedro" e, então, mesmo quando faleceu, a graça o permitiu ficar com ele.

Eu veria o leão espiritual. Assim como o leão respira fogo sobre bandos de raposas, assim ele se arrojou sobre o clã de demônios e filósofos, e como o estouro de um raio foram derrotadas as hostes do Diabo. Pois ele nem mesmo veio para dispor a batalha em ordem contra si, visto que ele temeu tanto e tremeu diante dEle, como se visse sua sombra e ouvisse sua voz, ele fugiu até certa distância. E assim livrou de si o fornicador, embora a certa distância, e outra vez o arrebatou das suas mãos; e assim outros também, para que fossem ensinados a "não blasfemar". E considerem como Ele enviou seus próprios seguidores contra ele, despertando-os, provendo-os. E certa vez ele diz aos efésios: "Não temos que lutar contra carne e sangue, mas. sim, contra os principados, contra as potestades" (Ef 6.12). Então ele também põe nosso prêmio nas regiões celestiais. Pois não luta­mos pelas coisas da terra, diz ele, mas pelo céu e as coisas dos céus, E para os outros, ele diz: "Não sabeis vós que havemos de julgar os anjos? Quanto mais as coisas pertencentes a esta vida?" (1 Co 6.3).

Sejamos nobres, pondo tudo isso no coração; pois Paulo era ho­mem, participante da mesma natureza conosco e tendo tudo o mais em comum conosco. Mas pelo fato de ter mostrado tão grande amor por Cristo, ele foi acima dos céus e ficou com os anjos. E assim tam­bém se nós nos despertarmos um pouco e nos inflamarmos nesse fogo santo, poderão emular esse homem santo. Fosse isso impos­sível, ele nunca teria bradado a plenos pulmões e dito: "Sede meus imitadores, como também eu, de Cristo" (1 Co 11.1). Não nos colo­quemos tão somente a admirá-lo, ou fiquemos apenas impressiona­dos com ele, mas o imitemos para que também nós, quando partir­mos, sejamos contados dignos de ver e compartilhar a glória indescritível, a qual Deus conceda que todos a alcancemos pela graça e amor para com o homem de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem e com quem seja a glória ao Pai, com o Espírito Santo, agora e eterna­mente. Amém.

 

FONTE: EBD AREIA BRANCA

 

A Grandeza do Apóstolo Paulo

ATOS DO APÓSTOLOS-LIÇÃO 09

sábado, 26 de fevereiro de 2011

 

Rev.mestre-jovens-e-adultos-1-trim-2011 Conteúdo Adicional para as aulas de Lições Bíblicas

Subsídios para as lições do 1º Trimestre de 2011
Atos dos Apóstolos até aos confins da terra

Lição 09 - A conversão de Paulo

Na lição desta semana vamos estudar sobre a vida...

Texto Bíblico: Atos 9.1-9
INTRODUÇÃO
I. A respeito da formação cultural de Paulo
II. Como se deu o encontro de Saulo com Jesus
III. Os propósitos da vocação de Paulo

CONCLUSÃO


JESUS CRISTO: O CENTRO DA MENSAGEM DE PAULO


Prezado professor,
A Paz do Senhor!

Na lição desta semana vamos estudar sobre a vida e o ministério de uma pessoa muito especial em o Novo Testamento: o Apóstolo Paulo. Instruído aos pés de Gamaliel, sendo fariseu, conhecedor profundo do Antigo Testamento e das tradições de seu povo; o apóstolo Paulo era considerado um dos homens mais versados na religião de Israel.
No caminho para Damasco o apóstolo, que era um perseguidor implacável da Igreja Primitiva, teve um encontro onde sua história mudaria por completo. Ele deparou-se com a pessoa do Senhor Jesus Cristo. Uma célebre frase marca a importância desse encontro: “Saulo, Saulo, porque me persegues?”. A partir desse momento o Senhor faria de Paulo um evangelista usado por Deus na expansão mundial do evangelho. O apóstolo seria uma testemunha incansável de Cristo Jesus.
Ele iniciou o seu ministério entre os judeus, testemunhando Cristo como o cumprimento das Profecias, e em seguida partiu para pregar aos gentios, estabelecendo várias igrejas locais na Ásia Menor. O apóstolo Paulo ficaria conhecido como “o apóstolo dos gentios”. 
Jesus Cristo: o tema frequente nas pregações de Paulo
A pessoa de Jesus Cristo era o assunto principal nos ensinos de Paulo: “Porque nada me propus saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2.2). Nas epístolas aos Colossenses, por exemplo, Cristo é apresentado como o Mediador e a Fonte de toda a vida; aquele que capacita homens e mulheres a viverem uma vida abundante. Ele é a “imagem do Deus invisível”; o que encarnou os atributos de Deus com autoridade divina, como aquele que participa da própria criação.
Ainda, sobre a centralidade de Jesus no ensino do Apóstolo Paulo, o teólogo americano Darrell L. Bock diz:

Ele, como “o primogênito de toda a criação” (prototokos pases ktiseos; cf. 89.27), é preeminente entre todos os governantes. Tudo no céu e na terra, visível e invisível, não importa o grau de autoridade foi criado por Ele e está sujeito a Ele. Ele é o sustentador da criação. Ele governa o Reino ao qual os santos pertencem. Jesus serve como o mediador soberano da criação, exercendo prerrogativa divina.

O Cristo ensinado pelo Apóstolo Paulo é suficiente às nossas vidas. Ele é quem deve ser pregado, ensinado, propagado e desejado por todos que anelam fazer o seu caminho aqui nesta terra. Jesus Cristo é suficiente para tudo, Ele tem a primazia sobre todas as coisas. Esse é o Cristo no ensino do Apóstolo Paulo.
Prezado professor, no final da aula, faça as seguintes perguntas aos alunos:

• Quem tem sido o centro de nossas mensagens?
• Quem tem sido a prioridade em nossos ensinos?
• Quem tem a primazia em nossas músicas?

Conclua a lição dizendo: se a nossa vida não representar exatamente o evangelho de Cristo, ou se pelo menos não houver uma disposição sincera para isso, estamos negligenciando aquele por quem vivemos, e morremos; Jesus Cristo, aquele que vive e reina para sempre.


Tenha uma boa aula!