O CONCILIO DE NICÉIA 325 d.c

domingo, 8 de novembro de 2009

Embora Tertuliano tivesse outorgado à igreja a idéia de que Deus é uma única substância e três pessoas, de maneira alguma isso serviu para que o mundo tivesse compreensão adequada da Trindade. O fato é que essa doutrina confundia até os maiores teólogos

Logo no início do século IV, Ario, pastor de Alexandria, no Egito, afirmava ser cristão, porém, também aceitava a teologia grega, que ensinava que Deus é um só e não pode ser conhecido. De acordo com esse pensamento, Deus é tão radicalmente singular que não pode partilhar sua substância com qualquer outra coisa: somente Deus pode ser Deus. Na obra intitulada Thalia, Ario proclamou que Jesus era divino, mas não era Deus. De acordo com Ario, somente Deus, o Pai, poderia ser imortal, de modo que o Filho era, necessariamente, um ser criado. Ele era como o Pai, mas não era verdadeiramente Deus.

Muitos ex-pagãos se sentiam confortáveis com a opinião de Ario, pois, assim, podiam preservar a idéia familiar do Deus que não podia ser conhecido e podiam ver Jesus como um tipo de super-herói divino, não muito diferente dos heróis humanos-divinos da mitologia grega.
Por ser um eloqüente pregador, Ario sabia extrair o máximo de sua capacidade de persuação e até mesmo chegou a colocar algumas de suas idéias em canções populares, que o povo costumava cantar.

"Por que alguém faria tanto estardalhaço com relação às idéias de Ario?", muitas pessoas ponderavam. Porém, Alexandre, bispo de Ario, entendia que para que Jesus pudesse salvar a humanidade pecaminosa, ele precisava ser verdadeiramente Deus. Alexandre conseguiu que Ario fosse condenado por um sínodo, mas esse pastor, muito popular, tinha muitos adeptos. Logo surgiram vários distúrbios em Alexandria devido a essa melindrosa disputa teológica, e outros clérigos começaram a se posicionar em favor de Ario.

Em função desses distúrbios, o imperador Constantino não podia se dar ao luxo de ver o episódio simplesmente como uma "questão religiosa". Essa "questão religiosa" ameaçava a segurança de seu império. Assim, para lidar com o problema, Constantino convocou um concilio que abrangia todo o império, a ser realizado na cidade de Nicéia, na Ásia Menor.
Vestido com roupas cheias de pedras incrustadas e multicoloridas, Constantino abriu o concilio. Ele disse aos mais de trezentos bispos que compareceram àquela reunião que deveriam resolver o impasse. A divisão da igreja, disse, era pior do que uma guerra, porque esse assunto envolvia a alma eterna.

O imperador deixou que os bispos debatessem. Convocado diante dos bispos, Ario proclamou abertamente que o Filho de Deus era um ser criado e, por ser diferente do Pai, passível de mudança.

A assembléia denunciou e condenou a afirmação de Ario, mas eles precisavam ir além disso. Era necessário elaborar um credo que proclamasse sua própria visão.
Assim, formularam algumas afirmações sobre Deus Pai e Deus Filho. Nessas declarações, descreviam o Filho como "Deus verdadeiro de Deus verdadeiro, gerado, não criado, consubstanciai com o Pai".

A palavra "consubstancial" era muito importante. A palavra grega usada pelos conciliares foi homoousios. Homo quer dizer "igual"; ousios significa "substância". O partido de Ario queria acrescentar uma letra a mais àquela palavra: homoiousios, cujo significado passaria a ser "de substância similar".
Com exceção de dois bispos, todos os outros assinaram a declaração de fé. Esses dois, com Ario, foram expulsos. Constantino parecia satisfeito com o resultado de sua obra, mas isso não durou muito tempo.

Embora Ário tivesse ficado temporariamente fora do cenário, sua teologia permaneceria por décadas. Um diácono de Alexandria chamado Atanásio tornou-se um dos maiores opositores do arianismo. Em 328, Atanásio tornou-se bispo de Alexandria e continuou a lutar contra aquela facção.

No entanto, a guerra continuou na igreja do Oriente até que outro concilio, realizado em Constantinopla, no ano 381, reafirmou o Concilio de Nicéia. Ainda assim, traços dos pensamentos de Ario permaneceram na igreja.

O Concilio de Nicéia foi convocado tanto para estabelecer uma questão teológica quanto para servir de precedente para questões da igreja e do Estado. A sabedoria coletiva dos bispos foi consultada nos anos que se seguiram, quando questões espinhosas surgiram na igreja. Constantino deu início à prática de unir o império e a igreja no processo decisorio. Muitas conseqüências perniciosas seriam colhidas nos séculos futuros dessa união.


Extraído do livro:
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo
A. Kenneth Curtis
J. Stephen Lang
Randy Petersen

A CONVERSÃO DE CONSTANTINO 312 d.c

Era o mês de outubro do ano 312. Um jovem general, a quem todas as tropas romanas da Bretanha e da Gália eram fiéis, marchava em direção a Roma para desafiar Maxêncio, outro postulante ao trono imperial. Segundo o relato da história, o general Constantino olhou para o céu e viu um sinal, uma cruz brilhante, na qual podia ler: "Com isto vencerás". O supersticioso soldado já estava começando a rejeitar as divindades romanas a favor de um único Deus. Seu pai adorava o supremo deus Sol. Seria um bom presságio daquele Deus na véspera da batalha?

Mais tarde, Cristo teria aparecido a Constantino em um sonho, segurando o mesmo sinal (uma cruz inclinada), lembrando as letras gregas chi (χ) e rho (ρ), as duas primeiras letras da palavra Christos. O general foi instruído a colocar esse sinal nos escudos de seus soldados, o que fez prontamente, da forma exata como fora ordenado.
Conforme prometido, Constantino venceu a batalha.

Esse foi um dos diversos momentos marcantes do século iv, um período de violentas mudanças. Se você tivesse saído de Roma no ano 305 d.C. para viver anos no deserto, quando voltasse certamente esperaria encontrar o cristianismo morto ou enfrentando as últimas ondas de perseguição. Em vez disso, o cristianismo se tornou a religião patrocinada pelo império.
Depois de ter tomado o poder em 284, Diocleciano, um dos mais brilhantes imperadores romanos, começou uma enorme reorganização que afetaria as áreas militar, econômica e civil. Durante certo período de tempo, ele deixou o cristianismo em paz.

Uma das grandes idéias de Diocleciano foi a reestruturação do poder imperial. Dividiu o império em Oriente e Ocidente, e cada lado teria um imperador e um vice-imperador (ou césar). Cada imperador serviria por vinte anos e, a seguir, os césares assumiriam também por vinte anos e assim por diante. No ano 286, Diocleciano indicou Maximiano imperador do Ocidente, enquanto ele mesmo continuava a governar o Oriente. Os césares eram Constancio Cloro (pai de Constantino) no Ocidente e Galério no Oriente.

Galério era radicalmente anticristão (há informações que ele atribuiu a perda de uma batalha a um soldado cristão que fez o sinal da cruz). É bem provável que o imperador do Oriente tenha assumido posições anticristãs por instigação de Galério. Tudo isso era parte da reorganização do império, de modo que a lógica era a seguinte: Roma tinha uma moeda única, uní sistema político único e, portanto, deveria ter uma única religião; os cristãos, porém, estavam em seu caminho.

A partir do ano 298, os cristãos foram retirados do exército e do serviço civil. Em 303, a grande perseguição teve início. As autoridades planejaram impor severas sanções sobre os cristãos, que começariam a ser implantadas na Festa da Termi-nália, em 23 de fevereiro. As igrejas foram arrasadas, as Escrituras confiscadas, e as reuniões proibidas. No início, não houve derramamento de sangue, mas Galério logo se encarregou de mudar essa situação. Quando Diocleciano e Maximiano deixaram seus postos (de acordo com o planejado), em 305, Galério desencadeou uma perseguição ainda mais brutal. De modo geral, Constantino, que governava o Ocidente, era mais indulgente. Porém, as histórias de horror do Oriente eram abundantes. Até o ano 310, a perseguição tirou a vida de muitos cristãos.
Contudo, Galério foi incapaz de esmagar a igreja. Estranhamente, em seu leito de morte, ele mudou de idéia. Em outro grande momento, no dia 30 de abril de 31 1, o feroz imperador desistiu de lutar contra o cristianismo e promulgou o Édito de Tolerância. Sempre político, insistiu em que fizera tudo para o bem do império, mas que "grande número" de cristãos "persiste em sua determinação". Desse modo, agora era melhor permitir que eles se encontrassem livremente, contanto que não atentassem contra a ordem pública. Além disso, declarou: "Será tarefa deles orar ao seu Deus em benefício de nosso Estado". Roma precisava de toda a ajuda que pudesse obter. Galério morreu seis dias depois.

O grande plano de Diocleciano, no entanto, começava a ruir. Quando Constancio morreu, no ano 306, seu filho Constantino foi proclamado governador por seus soldados leais. Maximiano, porém, tentou sair do exílio e governar o Ocidente outra vez com o filho, Maxêncio (que terminou tirando o próprio pai do poder). Enquanto isso, Galério indicava um general de sua confiança, Licínio, para governar o Ocidente. Cada um desses futuros imperadores reivindicava um pedaço do território ocidental. Eles teriam de lutar por ele. Constantino, de maneira astuta, forjou uma aliança com Licínio e lutou contra Maxêncio. Na batalha da Ponte Mílvia, Constantino saiu vitorioso.
Naquele momento, Constantino e Licínio montaram um delicado equilíbrio de poder. Constantino estava ansioso para agradecer a Cristo por sua vitória e, desse modo, optou por dar liberdade e status à igreja. No ano 313, ele e Licínio emitiram oficialmente o Edito de Milão, garantindo a liberdade religiosa dentro do império. "Nosso propósito", dizia o édito, "é garantir tanto aos cristãos quanto a todos os outros a plena autoridade de seguir qualquer culto que o homem desejar".


Constantino, imediatamente, assumiu o interesse imperial pela igreja: restaurou suas propriedades, deu-lhe dinheiro, interveio na controvérsia donatista e convocou os concilios eclesiásticos de Arles e de Nicéia. Ele também fazia manobras para obter poder sobre Licínio, a quem finalmente depôs, em 324.


Assim, a igreja passou de perseguida a privilegiada. Em um período de tempo surpreendentemente curto, suas perspectivas mudaram por completo. Depois de séculos como movimento contracultural, a igreja precisava aprender a lidar com o poder. Ela não fez todas as coisas de maneira correta. A própria presença dinâmica de Constantino modelou a igreja do século iv, modelo que ela adotou daí em diante. Ele era um mestre do poder e da política, e a igreja aprendeu a usar essas ferramentas.


A visão de Constantino foi autêntica ou ele foi apenas um oportunista, que usou o cristianismo para benefício próprio? Somente Deus conhece a alma. Embora tenha falhado na demonstração de sua fé em várias ocasiões, o imperador certamente assumiu um interesse ativo no cristianismo que professava, chegou até mesmo a correr risco pessoal em certos momentos.
Ε certo que Deus usou Constantino para fazer com que as coisas acontecessem para a igreja. O imperador afirmou e assegurou a tolerância oficial à fé. Ao fazer isso, porém, ele seguiu os passos do moribundo Galério. Assim, a batalha contra a perseguição romana foi vencida, em certo sentido, não na ponte Mílvia, mas nas arenas em que os cristãos entraram para enfrentar bravamente a morte.





Extraído do livro:
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo
A. Kenneth Curtis
J. Stephen Lang
Randy Petersen

A DESTRUIÇÃO DE JERUSALÉM 70 d.c

Géssio Floro amava o dinheiro e odiava os judeus. Como procurador romano, governava a Judéia e pouco se importava com as sensibilidades religiosas. Quando a entrada de impostos era baixa, ele se apoderava da prata do Templo. Em 66, quando a oposição cresceu, ele enviou tropas a Jerusalém para crucificar e massacrar alguns judeus. A ação de Floro foi o estopim para uma revolta que já estava em ebulição havia algum tempo.


No século anterior, Roma não tinha tratado os judeus de maneira adequada. Primeiramente, Roma havia fortalecido o odiado usurpador Herodes, o Grande. Apesar de todos os belos edifícios que construíra, Herodes não conseguiu lugar no coração das pessoas.


Arquelau, filho de Herodes e seu sucessor-, era tão cruel que o povo pediu a Roma que lhe desse um alívio. Roma atendeu a esse pedido enviando diversos governadores: Pôncio Pilatos, Félix, Festo e Floro. Eles, assim como outros, tinham a tarefa, nada invejável, de manter a paz em uma terra bastante instável.


O espírito independente dos judeus nunca morreu. Eles olhavam com orgulho para os dias dos macabeus, quando se livraram do jugo de seus senhores sírios. Agora, suas desavenças mesquinhas e o fabuloso crescimento de Roma os colocavam novamente sob o comando de mãos estrangeiras.


O clima de revolução continuou durante o governo de Herodes. Os zelotes e os fariseus, cada um à sua maneira, queriam que as mudanças acontecessem. O fervor messiânico estava em alta. Jesus não estava brincando quando disse que as pessoas falariam: "'Vejam, aqui está o Cristo!' ou Ali está ele!'". Esse era o espírito da época.
Foi em Massada (formação rochosa praticamente inexpugnável, que se eleva próximo ao mar Morto, onde Herodes construiu um palácio e os romanos ergueram uma fortaleza) que a revolta judaica teve seu início e um fim trágico.


Inspirados pelas atrocidades de Floro, alguns zelotes ensandecidos decidiram atacar a fortaleza. Para surpresa de todos, eles a conquistaram, massacrando o exército romano que estava acampado ali.


Em Jerusalém, o capitão do Templo, quando interrompeu os sacrifícios diários a favor de César, declarou abertamente uma rebelião contra Roma. Não demorou muito para que toda a Jerusalém ficasse alvoroçada, e as tropas romanas fossem expulsas ou mortas. A Judéia se revoltou, e a seguir a Galiléia. Por um breve período de tempo, parecia que os judeus estavam virando o jogo.


Céstio Galo, o governador romano da região, saiu da Síria com 20 mil soldados. Cercou Jerusalém por seis meses, mas fracassou, deixando para trás seis mil soldados romanos mortos e grande quantidade de armamentos que os defensores judeus recolheram e usaram.
O imperador Nero enviou Vespasiano, general condecorado, para sufocar a rebelião. Vespasiano foi minando a força dos rebeldes, eliminando a oposição na Galiléia, depois na Transjordânia e por fim na Idu-méia. A seguir, cercou Jerusalém.


Contudo, antes do golpe de misericordia, Vespasiano foi chamado a Roma, pois Nero morrera. O pedido dos exércitos orientais para que Vespasiano fosse o imperador marcou o fim de uma luta pelo poder. Em um de seus primeiros atos imperiais, Vespasiano nomeou seu filho, Tito, para conduzir a guerra contra os judeus.


A situação se voltou contra Jerusalém, agora cercada e isolada do restante do país. Facções internas da cidade se desentendiam com relação às estratégias de defesa. Conforme o cerco se prolongava, as pessoas morriam de fome e de doenças. A esposa do sumo sacerdote, outrora cercada de luxo, revirava as lixeiras da cidade em busca de alimento.
Enquanto isso, os romanos empregavam novas máquinas de guerra para arremessar pedras contra os muros da cidade. Aríetes forçavam as muralhas das fortificações. Os defensores judeus lutavam durante todo o dia e tentavam reconstruir as muralhas durante a noite. Por fim, os romanos irromperam pelo muro exterior, depois pelo segundo muro, chegando finalmente ao terceiro muro. Os judeus, no entanto, continuaram lutando, pois correram para o Templo — sua última linha de defesa.


Esse foi o fim para os bravos guerreiros judeus — e também para o Templo. Josejo, historiador judeu, disse que Tito queria preservar o Templo, mas os soldados estavam tão irados com a resistência dos oponentes que terminaram por queimá-lo.


A queda de Jerusalém, essencialmente, pôs fim à revolta. Os judeus foram dizimados ou capturados e vendidos como escravos. O grupo dos zelotes que havia tomado Massada permaneceu na fortaleza por três anos. Quando os romanos finalmente construíram a rampa para cercar e invadir o local, encontraram todos os rebeldes mortos. Eles cometeram suicídio para que não fossem capturados pelos invasores.


A revolta dos judeus marcou o fim do Estado judeu, pelo menos até os tempos modernos.
A destruição do Templo de Herodes significou mudança no culto judaico. Quando os babilônios destruíram o Templo de Salomão, em 586 a.C, os judeus estabeleceram as sinagogas, onde podiam estudar a Lei de Deus. A destruição do Templo de Herodes pôs fim ao sistema ‘sacrificai judeu’ e os forçou a contar apenas com as sinagogas, que cresceram muito em importância.


Onde estavam os cristãos durante a revolta judia? Ao lembrar das advertências de Cristo (Lc 21.20-24), fugiram de Jerusalém assim que viram os exércitos romanos cercar a cidade. Eles se recusaram a pegar em armas contra os romanos e retiraram-se para Pela, na Transjordânia.
Uma vez que a nação judaica e seu Templo tinham sido destruídos, os cristãos não podiam mais confiar na proteção que o império dava ao judaísmo. Não havia mais onde se esconder da perseguição romana.


Extraído do livro:
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo
A. Kenneth Curtis
J. Stephen Lang
Randy Petersen

O INCÊNDIO DE ROMA 64 d.c

Talvez o cristianismo não se expandisse de maneira tão bem-sucedida, caso o Império Romano não tivesse existido. Podemos dizer que o império era um tambor de gasolina à espera da faísca da fé cristã.

Os elementos unificadores do império ajudaram na expansão do evangelho. Com as estradas romanas, as viagens ficaram mais fáceis do que nunca. As pessoas falavam grego por todo o império e o forte exército romano mantinha a paz. O resultado da facilidade de locomoção foi a migração de centenas de artesãos, por algum tempo, para cidades maiores — Roma, Corinto, Atenas ou Alexandria — e depois se mudavam para outro lugar. O cristianismo encontrou um clima aberto à religiosidade. Em um movimento do tipo Nova Era, muitas pessoas começaram a abraçar as religiões orientais — a adoração a Isis, Dionisio, Mitra, Cibele e outros. Os adoradores buscavam novas crenças, mas algumas dessas religiões foram declaradas ilegais por serem suspeitas de praticar rituais ofensivos. Outras crenças foram oficialmente reconhecidas, como aconteceu com o judaísmo, que já desfrutava proteção especial desde os dias de Júlio César, embora seu monoteísmo e a revelação bíblica o colocassem à parte das outras formas de adoração.

Tirando plena vantagem da situação, os missionários cristãos viajaram por todo o império. Ao compartilhar sua mensagem, as pessoas nas sinagogas judaicas, nos assentamentos dos artesãos e nos cortiços se convertiam. Em pouco tempo, todas as cidades principais tinham igrejas, incluindo a capital imperial.
Roma, o centro do império, atraía pessoas como um ímã. Paulo quis visitar Roma (Rm 1.10-12), e, na época em que escreveu sua carta à igreja romana, vemos que ele já saudava diversos cristãos romanos pelo nome (Rm 16.3-15), talvez porque já os tivesse encontrado em suas viagens.

Paulo chegou a Roma acorrentado. O livro de Atos dos Apóstolos termina narrando que Paulo recebia convidados e os ensinava em sua casa, onde cumpria pena de prisão domiciliar, ainda que, de certa forma, não vigiada.

A tradição também diz que Pedro passou algum tempo na igreja romana. Embora não tenhamos números precisos, podemos dizer que, sob a liderança desses dois homens, a igreja se fortaleceu, recebendo tanto nobres e soldados quanto artesãos e servos.
Durante três décadas, os oficiais romanos achavam que o cristianismo era apenas uma ramificação do judaísmo — uma religião legal — e tiveram pouco interesse em perseguir a nova "seita" judaica. Muitos judeus, porém, escandalizados pela nova fé, partiram para o ataque, tentando inclusive envolver Roma no conflito.

O descaso de Roma pela situação pode ser visto no relato do historiador romano Tácito. Ele relata uma confusão entre os judeus, instigada por um certo "Chrestus", ocorrida em um dos cortiços de Roma. Tácito pode ter ouvido errado, mas parece que as pessoas estavam discutindo sobre Christos, ou seja, Cristo.

Por volta de 64 d.C, alguns oficiais romanos começaram a perceber que o cristianismo era substancialmente diferente do judaísmo. Os judeus rejeitavam o cristianismo, e cada vez mais pessoas viam o cristianismo como uma religião ilegal. A opinião pública pode ter começado a mudar em relação à fé nascente até mesmo antes do incêndio de Roma. Embora os romanos aceitassem facilmente novos deuses, o cristianismo não estava disposto a partilhar a honra com outras crenças. Quando o cristianismo desafiou o politeísmo tão profundamente arraigado de Roma, o império contra-atacou.

Em 19 de julho, ocorreu um incêndio em uma região de trabalhadores de Roma. O incêndio se prolongou por sete dias, consumindo um quarteirão após o outro dos cortiços populosos. De um total de catorze quarteirões, dez foram destruídos, e morreram muitas pessoas.
A lenda diz que o imperador romano Nero "dedilhava" um instrumento musical, enquanto Roma era destruída pelas chamas. Muitos de seus contemporâneos achavam que Nero fora o responsável pelo incêndio. Quando a cidade foi reconstruída, mediante o uso de altas somas do dinheiro público, Nero se apoderou de grande uma extensão de terra e construiu ali os Palácios Dourados. O incêndio pode ter sido a maneira rápida de renovar a paisagem urbana.
Objetivando desviar a culpa que recaíra sobre si, o imperador criou um conveniente bode expiatório: os cristãos. Eles tinham dado início ao incêndio, acusou o imperador. Como resultado, Nero jurou perseguir e matar os cristãos.

A primeira onda da perseguição romana se estendeu de um período pouco posterior ao incêndio de Roma até a morte de Nero, em 68 d.C. Sua enorme sede por sangue o levou a crucificar e queimar vários cristãos cujos corpos foram colocados ao longo das estradas romanas, iluminando-as, pois eram usados como tochas. Outros vestidos com peles de animais, eram destroçados por cães nas arenas. De acordo com a tradição, tanto Pedro quanto Paulo foram martirizados na perseguição de Nero: Paulo foi decapitado, e Pedro foi crucificado de cabeça para baixo.

Entretanto, a perseguição ocorria de maneira esporádica e localizada. Um imperador podia intensificar a perseguição por dez anos ou mais; mas um período de paz sempre se seguia, o qual era interrompido abruptamente quando um governador local resolvia castigar novamente os cristãos de sua área, sempre com o aval de Roma. Esse padrão se prolongou por 250 anos.

Tertuliano, escritor cristão do século li, disse: "O sangue dos mártires é a semente da igreja". Para surpresa geral, sempre que surgia perseguição, o número de cristãos a ser perseguido aumentava. Em sua primeira carta, Pedro encorajou os cristãos a suportar o sofrimento, confiantes na vitória derradeira e no governo divino que seria estabelecido em Cristo (lPe 5.8-11). O crescimento da igreja sob esse tipo de pressão provou, em parte, a veracidade dessas palavras.


Extraído do livro:
Os 100 acontecimentos mais importantes da história do cristianismo
A. Kenneth Curtis
J. Stephen Lang
Randy Petersen

Ensinador Cristão - DAVI LIÇÃO 6

sábado, 7 de novembro de 2009







LIÇÃO 6


DAVI UNIFICA O REINO DE ISRAEL





Não é fácil administrar uma casa dividida. Um líder precisa, em uma situação como esta, unificar os grupos que estão separados para que haja harmonia entre os irmãos. Este era o caso de Davi, que quando se tornou rei, encontrou uma nação dividida. Para que possamos entender o que aconteceu, vejamos:



a) Após a morte de Saul, Abner, seu general, colocou o quarto filho de Saul, Isbosete( também conhecido por Esbaal), no trono de Israel. Ele reinou sobre Israel, Gileade e sobre as tribos de Efraim e Benjamim. Houve uma indisposição entre esses dois homens por causa de uma mulher. Soma-se a isso o fato de que Abner, além de ser o comandante do exército, “ Se esforçava na casa de Saul” ( 2 Sm 3.6).
b) Abner foi morto a traição por Joabe, general de Davi, sem que Davi soubesse do fato. Desta forma, o exército de Saul fica sem um comandante digno.
c) Isbosete, herdeiro de Saul no trono, foi assassinado, deixando vago o reino, Seus assassinos foram mortos por Davi, pois mataram “um homem justo em sua casa, sobre a sua cama”, 2 Sm 4.11. Aqueles homens receberam a morte como recompensa por sua maldade.
d) As tribos governadas por Saul procuram Davi para que reine sobre elas, pois reconhecem que Davi seria, como Deus havia prometido, chefe sobre todo o Israel. Assim, todas as tribos se juntaram a Davi.


Davi capturou Jerusalém e a transformou em capital de Israel. Uma não precisa de um centro para organização e comando, onde as decisões possam ser tomadas de forma adequada e a administração funcione de forma a beneficiar todo o povo. Jerusalém foi o local onde Davi fez a capital de Israel. Sobre esse assunto, comenta W.T. Purkiser, onde Isbosete havia reinado, nem Hebrom, que havia sido a capital de Judá, eram adequadas para serem a capital da nação. A primeira fica na Transjordânia, fora da própria terra da Palestina; a segunda estava longe, ao sul, identificada muito mais com a tribo de Judá. Assim, Davi e seus homens vieram a Jerusalém, uma antiga cidade jebusita, situada ao sul de Benjamim, mas não distante da fronteira norte de Judá. Ela fica em um planalto na região montanhosa, aproximadamente 32 quilômetros a oeste da extremidade do Mar Morto. O terreno é fortificado pela própria natureza de tal maneira que, em tempos antigos, foi capaz de resistir a longos cercos” (pág.236). È digno de nota que a Bíblia relata a sua conquista por Davi. Os moradores desta fortaleza zombaram de Davi, alegando que os coxos e cegos da cidade teriam capacidade de repelir qualquer investida contra a cidade. Nesta ocasião, os soldados de Davi entraram na fortaleza, possivelmente rastejando por um “canal” (2 Sm 5.8) Por este lugar os soldados entraram na cidade e a tomaram, fazendo dela, posteriormente, a casa de Davi.

*Extraído da Revista Ensinador Cristão, Ano 10 -n° 40 - por Alexandre Coelho.

SUBSÍDIO-DAVI LIÇÃO 06







LIÇÃO 6

08 DE NOVEMBRO DE 2009

DAVI UNIFICA O REINO DE ISRAEL

INTRODUÇÃO

A história de Davi é também a historia do povo de Israel. Desde jovem, Davi aprendeu que o povo de Deus, Israel é um povo que valoriza o indivíduo no seu todo, mas, sobretudo a comunidade. O povo de Israel é ensinado a viver bem em comunidade; a defender os interesses da comunidade e por isso o salmista diz:“O quão bom e quão suave é que os irmãos vivam em união."

Davi não só aprendeu teoricamente, mas vivenciou isso na prática. Enfrentou o gigante Golias, teve de lutar contra povos inimigos de Israel, fugiu de Saul. Tudo isso, ele fez por amor primeiramente a Deus, depois por Israel. As lutas, as vitórias de Davi, não são necessariamente de Davi, são de Deus.

Davi mesmo não assumindo seu reinado imediatamente quando ungido a Rei, devido ao ciúme de Saul que continuava a reinar mesmo sabendo que fora rejeitado por Deus; não deixou de lutar em favor do seu povo. Antes de subir ao trono ele já trabalhava para unificação do povo de Deus. A visão de Davi era de um povo único e unido; de um Deus único e poderoso; e de uma lei única e eterna.

UMA LIDERANÇA AMEAÇADA

I. Monarquia

O povo quando pediu para si um rei, estava também fazendo isto devido à falta de líderes espirituais honestos e justos para guiá-los. Pois, via que Samuel já estava ficando velho e seus filhos eram irresponsáveis para ocupar a liderança.
Foi quando o povo idealizou um Rei igual às outras nações. Possivelmente eles haviam imaginado se tivesse um Rei que se assemelhasse aos monarcas das outras nações daquela época, seria capaz de levá-los à segurança.

Quando o povo de Deus resolve trazer para dentro da igreja o sistema de liderança do mundo, saiba que vem consigo todas as desvantagens do mundo. O sistema de liderança do mundo é totalmente autoritário e egoísta. Os princípios que são desenvolvidos neste sistema de liderança a maioria deles são contrários aos princípios elementares da palavra de Deus.
Foi isso que aconteceu ao povo de Israel. Eles buscavam um tipo de liderança fora da vontade de Deus. Eles não sabiam que um sistema corrupto gera corrupção, uma liderança sem Deus gera sofrimentos, tanto para quem lidera quanto para seus liderados.

Deus ouviu o pedido do povo é concedeu um rei, o Rei Saul. O primeiro rei de Israel tinha o perfil requerido pelo povo. Era alto, elegante e humilde. Saul começou seu reinado com brilhante vitória militar sobre os amonitas. Todas as dúvidas a respeito do novo reino se dissiparam, contrariando as expectativas de Samuel. A nação parecia encaminhar-se para a grandeza. Samuel dirige então à nação e ao rei Saul um aviso para que não se esquecessem do seu Deus. O primeiro erro de Saul como rei foi ter-se entusiasmado com suas peripécias, com a humildade cedendo lugar ao orgulho. Excedeu-se no exercício de seu cargo ao assumir uma função sacerdotal que não era prerrogativa real, oferecendo sacrifício ao Deus de Israel. Logo em segundo vê sua imagem se desgastar diante do povo, ao ordenar a morte de seu próprio filho Jônatas, depois da desobediência de uma ordem tola de abstinência de alimentos por parte do exército, em plena batalha, levando a nação a se desagradar do rei que tinha. Por ultimo comete um ato de flagrante desobediência a um mandado de Deus, no sentido de que levasse ás ultimas conseqüências uma guerra contra os amalequitas, inimigos de Israel, não poupando nenhuma vida dentre eles: “Visto que rejeitaste a palavra do Senhor, ele também te rejeitou a ti, para que não sejas rei” (1 Sm 15.28). Saul reinou 40 anos sobre Israel. Nestes anos de liderança sobre o povo de Israel, o rei Saul sofreu e fez o povo sofrer também. Certamente o povo sofreu muito mais, por ter havido almejado um rei. E agora ver as conseqüências de ser ter um rei segundo suas vontades e não a de Deus.

O líder sem o Espírito de Deus corre sérios perigos. Conseqüentemente, seus liderados serão direta ou indiretamente atingidos. Na vida do rei Saul quando ele desobedeceu a Deus não foi diferente. O Espírito do Senhor saiu de Saul, a partir daí ele é atormentado por um espírito diabólico. E passa fazer coisas que um líder eficaz não faria.
Pôs no seu coração matar a Davi seu servo. Por ver em Davi um líder eficaz e com todos os requisitos para assumir a liderança de Israel.

A perseguição contra Davi se intensifica por parte de Saul, deixando os inimigos em potencial de Israel se fortalecerem.

O líder sem o Espírito Santo lutar contra sua própria liderança. Deixa seus liderados numa situação de risco e sem esperança.

Quando Deus responde a um pedido, nem sempre significa que é a vontade de Deus.
Também não é garantia que Deus realize pedidos egoístas baseado na sua perfeita vontade estando vivendo em desobediência ao Senhor.

II. Derrota e morte do rei Saul.

A batalha final em Gilboa –A coragem de Saul ficou patente na batalha de Gilboa. A posição que ele escolheu ficava, provavelmente, ao norte, porque dali ele dominaria o vale de Esdraelom, assim como o de Jezreel. Os filisteus, para conseguirem o domínio das estradas que passavam através desses vales, teriam de desalojar os hebreus das suas posições, e assim ofereceram batalha contra grandes obstáculos. Eles não poderiam batalhar, vindo diretamente pelo norte, na direção de Suném, porque neste ponto o ribeiro de Jalude é tão fundo que um exército não poderia transpor. Por outro lado, os montes rochossos de Gilboa, elevam-se ali quase que abruptamente. Daí a possibilidade de os filisteus fazerem o ataque pelo lado oriental da planície do Estado oeste, avançando, gradualmente, pelos terraços que levam ao topo. Desta forma, poderiam usar os seus carros e conservar a batalha em perfeita linha de forma. Com um formidável exército, não lhes foi difícil desbaratar os dispersos e desanimados grupos que cercavam Saul. O desastre foi tremendo e o valente rei e seus filhos lutaram desesperadamente, sem qualquer idéia de recuo, até caírem nos campos de batalha. Assim caiu, nos altos de Gilboa, o homem que lançou os fundamentos do Império hebreu, deixando todo o norte de Israel em poder dos filisteus. A cidade meio Cananéia de Bete-Seã logo se rendeu aos filisteus, porque o corpo de Saul foi pendurado nos muros da cidade, logo após a batalha, como uma afronta aos hebreus. Dos altos de Gilboa, vieram os homens de Jabes-Gileade, marchando pela noite, através do Jordão, para tomarem o corpo do rei vencido e enterrá-lo em seu próprio território, pagando, assim, a grande dívida que tinham para com o seu libertador.

Davi, rei de Judá – A morte de Saul e Jônatas representa o epílogo de uma luta longa entre Saul e Davi. O desastre de Gilboa tinha sido há muito previsto, pois que o rei, não contando mais com a proteção divina e cada dia se afundando mais em seus próprios atos, terminaria em desastre fatal, não só para a dinastia, mas também para o próprio Estado. Até aqui as forças estavam divididas. Muitos seguiam Saul, mesmo que o soubessem que estava errado; outros seguiam Davi apesar de julgarem difícil a sua vitória. As tribos de leste do Jordão sempre tinham sido leais a Saul, talvez devido a algumas de suas batalhas serem feridas contra inimigos desta região. Derrotadas as forças de Saul, o remanescente do outrora exército invencível refugiou-se a leste, em Manaim de Gilboa. O local exato desta cidade ainda não se conhece, mas acredita-se que ficasse entre as atuais ruínas de Mané, ao norte da atual cidade de Aijalom. Outros a identificam com a importante cidade de Gerasa, a moderna Jerashe, situada num lado do ribeiro que passa ao norte do Jaboque. Algumas referencias bíblicas sugerem, todavia, que ela fica perto do Jordão, nas planuras ao norte do Jaboque. Em qualquer caso, não deveria ficar longe da moderna Mané. Aqui o filho de Saul, Isbosete, que lhe sucedeu ficava longe da linha direta de ataque dos filisteus e também fora do alcance das tribos israelitas do Sul, que já tinham proclamado a sua independência, depois da batalha de Gilboa.

Durante a vida de Saul, Davi já fora declarado herdeiro do trono, mas passou os anos finais do seu reinado de Saul em fuga devido ao ciúme do rei. Davi buscou refúgio em muitos lugares, inclusive na corte de um rei filisteu.
Começou seu reinado em Hebrom, onde, pela segunda vez, ele foi ungido rei ( 2 Sm 2-5). Ele mudou a capital de Israel para Jebus (só agora conquistada das mãos dos jebuseus), e alterou o nome para Jerusalém, “cidade de paz”. A arca da aliança foi levada com cerimônia para a cidade ( 2 Sm 6).


Jerusalém nos tempos de Davi

A conquista de Jerusalém efetuada por Davi completou a conquista de Canaã. A cidade Jebuséia que Davi conquistou fora construída num contraforte de um monte ao norte. Além de sua boa posição defensiva, com altos muros a cercá-la, este local também foi escolhido por causa de sua provisão de água, as águas de Giom, que se achavam ao pé da encosta oriental e fluíam pelo vale de Cedrom. Pensa-se que Davi conquistou a cidade fazendo um ataque surpresa pelas águas de Giom.

Havia espaço limitado neste local, e muitas casas tiveram de ser construídas em terraços de pedra nos declives. À medida que a cidade se expandiu na época de Salomão, o centro mudou em direção norte para o topo mais aplainado da colina. Davi escolheu uma antiga eira, supostamente o local do sacrifício de Isaque no monte Moriá, como o lugar par ao altar ( 2 Sm 24.18), e foi ali que Salomão construiu o Templo.

Tendo construído um palácio para si em Jerusalém, Davi estava extremamente entusiasmado para construir uma casa para Deus. Mas o profeta Natã o proibiu, dizendo-lhe que seu filho construiria o Templo ( 2 Sm 11-16).







CONCLUSÃO


A grande preocupação de Davi era com união do seu povo. Ele fazia de tudo para que o povo de Israel fosse unido num só propósito. E isso ele consegui. Sem guerra e sem violências, Davi unificou o reino de Israel. O que Saul tentou fazer por meio da espada e da violência, Davi fez por meio de uma administração equilibrada e harmoniosa.
Devemos à maneira de Davi fazer de tudo pela nossa união no corpo de Cristo, a Igreja do Senhor.






Bibliografias usadas:

• Antônio Neves de Mesquita, Povos e Nações do mundo antigo, HAGNOS.
• Pequeno Atlas,TIM Dowley, CPAD.
• Valdemir Damião, História da Religiões, CPAD.
• Lawrence Richards, Comentário do Professor, VIDA.

Setor educação Cpad-Davi Lição 06

sexta-feira, 6 de novembro de 2009



Conteúdo Adicional para as aulas de Lições Bíblicas Mestre
Produzidos pelo Setor de Educação Cristã

Subsídios extras para a lição
Davi - As Vitórias e derrotas de um homem de Deus

4º trimestre/2009



Lição 06 - Davi Unifica o Reino de Israel





Texto Bíblico: 1 Samuel 16.1,12,13; 2 Samuel 5.2

Dois incidentes que merecem a nossa atenção na trajetória de Davi rumo à unificação do reino são as mortes de Abner, comandante das tropas de Saul, e posteriormente de Isbosete, filho de Saul. Quando já proclamado rei pela casa de Judá, Davi dá sinais de aproximação das outras tribos quando enviou uma comitiva a Jabes-Gileade parabenizando-o pelo gesto humanitário que tiveram com Saul (2 Sm 2.5-7). A intenção de unificação demonstrada por Davi é vista nas suas palavras que a comitiva levou a Jabes-Gileade: “Esforcem-se, pois, agora as vossas mãos, e sede homens valentes, pois Saul, vosso Senhor, é morto, mas também os da casa de Judá já me ungiram a rei sobre si” (2 Sm 2.7).

A existência de dois reis, um em Hebron e outro em Maanaim, gerou uma guerra civil, levando os homens de Davi e Isbosete a se enfrentarem numa batalha sangrenta (2 Sm 2.12-17). Nessa batalha Davi saiu vencedor. A unificação fica mais próxima quando Abner, comandante do exército de Isbosete, se desentende com ele e procura Davi, reconhecendo ser este o legítimo herdeiro do trono (2 Sm 3.9,10). Os preparativos para a unificação já estavam em andamento quando Joabe, comandante das tropas de Davi, mata por vingança a Abner (2 Sm 3.20-22). O incidente colocou Davi numa posição delicada, já que poderia ser acusado de ter conspirado contra a vida de Abner. Numa postura firme para demonstrar sua inocência diante do incidente, Davi amaldiçoa Joabe por seu ato traiçoeiro (2 Sm 3.28,29). Em um momento delicado como esse Davi não podia deixar que nenhuma dúvida pairasse sobre sua integridade. Se ele estava no trono foi por desígnio divino, e não por resultado de alguma armação. Davi convocou um luto geral, e ele mesmo seguiu o corpo de Abner em seu sepultamento em Hebrom. “Rasgai as nossas vestes, cingi-vos de panos de saco, os sinais de profunda tristeza”(2 Sm 3.31). Por não suspeitar do mal, Abner não fez qualquer tentativa de defesa ou fuga. O luto continuou com um jejum por todo o dia, observado tanto pelo rei como pelo povo. A conduta e a evidente sinceridade do rei deixaram claro para todas as tribos de Israel que a morte de Abner não foi determinada por ele.

A ocorrência desses incidentes e como Davi se portou diante dos mesmos são de extrema importância no processo de restauração do reino. A história de Davi deixa claro que fora colocado no trono por Deus, e não pelo homem. Ele sabia que para crescer e unificar seu povo não necessitava matar ninguém. Infelizmente, alguns para crescer acreditam ser necessário matar os outros.

Tendo morrido Abner e Isbosete, os anciãos de Israel procuraram Davi e lembraram-lhe da promessa que o Senhor lhe fizera: “Somos do mesmo povo que tu és. Outrora, sendo Saul ainda rei sobre nós, eras tu que fazias entradas e saídas militares com Israel; também o Senhor te disse: Tu apascentarás o meu povo de Israel e será chefe sobre Israel” (2 Sm 5.1,2). Com esse gesto, os anciãos de Israel demonstraram serem sabedores de que a unção real estava de fato sobre Davi e, portanto, não havia razão para se postergar ainda mais a sua escolha como líder de toda nação (2 Sm 5.3). Com a coroação de Davi sobre todo o Israel, o reino finalmente estava unificado.

Texto extraído dos livros: GONÇALVES, José. et. al. Davi, As vitórias e as Derrotas de um Homem de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2009.

MULDER, Chester O. et. al. Comentário Bíblico, Beacon, v 2. Rio de Janeiro: CPAD 2008.