COMO CONHECER A DEUS - QUINTO DIA

terça-feira, 20 de outubro de 2009

COMO CONHECER A DEUS
Um Plano de Cinco Dias

Morris Venden
Título do Original em inglês:
TO KNOW GOD
Tradução de Edith Teixeira
CASA PUBLICADORA BRASILEIRA
Tatuí - São Paulo - Primeira edição
Cinco mil exemplares - 1989

Deus é amor. Mas como posso ter certeza disto? Por que, afinal, necessito de Deus?
Como posso saber que estou salvo? Como posso manter um relacionamento pessoal com Deus, se não O posso ver nem ouvir? Como posso ter fé nEle quando tudo vai mal? O que acontece quando falho?
Estas e outras perguntas são respondidas nesta obra. O autor propõe um plano de conhecimento e relacionamento com Deus em cinco dias. Depois de ler esta obra e pôr em prática os seus ensinos, você nunca mais será o mesmo.

Como Conhecer a Deus. Um Plano de 5 Dias
Que significa conhecer a Deus em cinco dias? Não leva muito tempo – nem mais, nem menos. Venden, o autor, não enfatiza tanto o elemento tempo quanto a possibilidade; não tanto o saber algo acerca de Deus, mas o fato de conhecê-Lo, de ter um relacionamento pessoal e positivo com Ele. Por isso o autor ressalta essa possibilidade em cinco etapas, ou passos. Ao você compreender como conhecer a Deus, você poderá conhecê-Lo como nunca antes. Como pastor de igreja das nossas escolas superiores já por muitos anos Morris Venden adquiriu muita experiência em lidar com as mentes inquiridoras. Autor de vários livros e orador grandemente solicitado, ele tem demonstrado sua habilidade para expressar e ilustrar seus temas. O beneficio que você obterá desta apresentação de Deus poderá alcançar a eternidade.

QUINTO DIA

O crescimento do cristão. De cristão recém-nascido, como posso alcançar a maturidade? Que acontece?
A grande divisão: Os que conhecem a Deus e os que não O conhecem.

Estávamos recém-casados, e eu estava ansioso para fazer tudo que agradasse a minha esposa. Despendia muito tempo e esforço em fazer tudo direitinho para agradá-la. Cheguei até a envolver-me com os deveres domésticos. Mas usei uma cera errada no soalho, e tive que gastar muito tempo para removê-la. Tentei lavar a louça, mas quebrei alguns dos presentes de casamento. Procurei passar roupa, mas queimei um dos vestidos preferidos de minha mulher. Ao preparar a refeição matinal, pus a tostadeira numa temperatura tão elevada que não só se queimaram as fatias de pão como também os elementos da tostadeira. Terminei gastando meu tempo de desjejum soprando o pó de carvão na pia. Tentei pregar alguns botões, mas prendi a frente nas costas da blusa.
Ela queria conversar. Queria passar tempo em comunicação comigo, mas eu tinha muito que fazer. Eu estava raspando e consertando a tostadeira, removendo cera! Assim eu simplesmente não tinha tempo para estar com ela e conversar.
Espero que a esta altura você já tenha entendido que isto é uma parábola. Mas é possível nos envolvermos tanto em fazer coisas para agradar alguém, que nos esqueçamos de que o que mais lhe é agradável é sentar-nos e conversar. E nossos esforços para agradar terminam em fracasso quando procuramos realizar o que nos é impossível fazer.
Todavia, em nosso relacionamento com Jesus Cristo, quão freqüentemente nos encontramos na mesma posição dos gálatas, aos quais Paulo escreveu: "Sois assim insensatos que, tendo começado no Espírito, estejais agora vos aperfeiçoando na carne?'' Gál. 3:3. Quão fácil é deslizarmos para um enfoque legalista do cristianismo e descobrir, na prática, se não na teoria, que a comunhão com Cristo é desprezada enquanto trabalhamos e lutamos para fazer o que é direito, mais uma vez procurando salvar a nós mesmos!
Paulo tinha de repetidamente lembrar aos primitivos cristãos que a obra iniciada por Deus na vida deles, Ele a completaria (Filip. 1:6). Paulo lhes dizia: "Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nEle." Col. 2:6. "Todavia, o Meu justo viverá pela fé, e, se retroceder, nele não se compraz a Minha alma. Nós, porém, não somos dos que retrocedem para a perdição; somos, entretanto, da fé, para a conservação da alma." Heb. 10:38 e 39. "Olhando firmemente para o Autor e Consumador da fé, Jesus." Heb. 12:2.
Nunca é suficiente apenas começar o relacionamento com Cristo. Não basta aceitar uma vez Sua graça perdoadora. Sem uma constante comunhão com Ele, o recebimento inicial de Cristo jamais será suficiente para a salvação. O casamento implica muito mais do que simplesmente dizer "prometo". Casar é importante, mas continuar casado é igualmente importante.
Consideremos alguns exemplos do princípio de relacionamento contínuo, exarados nas próprias palavras de Jesus: "Ninguém que, tendo posto a mão no arado, olha para trás, é apto para o reino de Deus." S. Luc. 9:62. ''E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor se esfriará de quase todos. Aquele, porém, que perseverar até ao fim, esse será salvo." S. Mat. 24:12 e 13. "Se vós permanecerdes na Minha palavra, sois verdadeiramente Meus discípulos." S. João 8:31.
Voltemos, porém, a S. João 15, para a mais completa explanação de Jesus sobre a necessidade de continua comunhão com Ele, de passar tempo com Ele na vinha.

Permaneçamos na Vinha

Jesus diz: "Eu sou a videira verdadeira, e Meu Pai é o Agricultor. Todo ramo que, estando em Mim, não der fruto, Ele o corta; a todo o que dá fruto, limpa, para que produza mais fruto ainda. Vós já estais limpos, pela palavra que vos tenho falado; permanecei em Mim, e Eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em Mim. Eu sou a videira, vós os ramos. Quem permanece em Mim, e Eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem Mim nada podeis fazer." S. João 15:1-5.
Essa analogia apresenta primeiro a videira, que é Jesus. Ele diz: "Eu sou a videira verdadeira." Numa analogia do Velho Testamento, Israel devia ter sido a videira, mas provaram que eram uma vide infrutífera; por isso, há uma nova aplicação, uma nova interpretação nas palavras de Jesus neste capítulo. Israel devia ter sido o povo de Deus, mas um de seus problemas era o sentirem-se seguros por pertencer à nação israelita. Na analogia moderna, há aqueles que consideram a videira como sendo a igreja, e se sentem seguros da vida eterna porque seus nomes estão no livro da Igreja. Mas Jesus disse: ''Eu sou a videira verdadeira. Refere-se aqui ao relacionamento, ligação e comunhão com Ele, e não ao mero fato de pertencer à organização da Igreja.
Essas palavras foram ditas por Jesus imediatamente após a experiência no cenáculo. Ele e Seus discípulos dirigiam-se para o Jardim do Getsêmani. Pelo caminho, evidentemente, passaram por uma vinha. Jesus apontou para uma videira, visível ao luar, e usou-a como ilustração para os Seus discípulos.
Você já observou atentamente uma videira? Achou-a bonita? Não digo no verão, quando os ramos estão cheios de folhas, mas durante o inverno, quando se vêem apenas as varas peladas. Quão feia! Parece uma raiz saindo da terra seca, não é? São raízes escuras, cheias de nós, arqueadas, parecendo que jamais voltarão a reviver. Lembram-nos Aquele de quem se disse: "Porque foi subindo... como raiz de uma terra seca.'' Isa. 53:2. A beleza de Jesus estava no Seu interior e não no exterior. Este verso também diz que nEle "nenhuma beleza havia que nos agradasse''. Sua beleza vinha do íntimo, de Sua ligação com o Pai, o lavrador na parábola.
É evidente que na parábola somos os ramos, e é surpreendente descobrir que os ramos, com sua folhagem verde na primavera, e verão, e suas cores refulgentes no outono, apresentam-se muito mais belos que a própria vide. O que vem da videira para os ramos resulta na beleza que obviamente o próprio Jesus deseja transmitir a Seus seguidores, enquanto Ele fica em segundo plano.

Duas Espécies de Ramos

Note que há duas espécies de ramos nesta parábola de S. João 15 – dois tipos de ramos que estão "na videira'' (verso 2). "Todo ramo que, estando em Mim, não der fruto, Ele o corta." Quer isto dizer que é possível que um ramo que esteja nEle não dê fruto? É isto que Ele diz. Não diz que todo ramo que pretenda ser verdadeiro, ou todo aquele que esteja ligado à igreja; diz: "Todo ramo que está em Mim..." Sendo assim, é possível ter um relacionamento com Ele e não produzir fruto, pelo menos por algum tempo. Talvez Judas fosse um exemplo. É evidente que ele não produziu fruto e foi cortado. Obviamente ele nunca se rendeu totalmente a Cristo, mas, com os outros discípulos, teve o privilégio de expulsar demônios, curar enfermos ç ressuscitar mortos mediante o poder de Jesus.
É possível a alguém tornar-se cristão, ser genuinamente convertido, estar na Videira, em Cristo, e contudo não produzir fruto, ser cortado. A palavra-chave é permanecer nEle. Não é suficiente unir-se a Cristo, de início; devemos permanecer nEle a fim de produzir fruto. Esta parábola também alude à questão de "uma vez salvo, salvo para sempre''. Ela mostra que é possível ser um ramo, mas ser cortado.
Unir-se à Videira, Jesus Cristo, é o início, mas somente início. Igualmente importante é habitar nEle. Que significa habitar? Se você estudar sobre essa palavra na Escritura, verá que habitar significa "permanecer". Quando, no dia da ressurreição, os dois homens se aproximaram de Emaús, Ele foi convidado a ficar com eles – permanecer com eles. Na história de Zaqueu, Jesus disse: "...Me convém ficar hoje em tua casa.''
Permanecer na vide não é algo que acontece automaticamente. A união com a Videira, com Cristo, deve ser mantida. Esta parábola nos ajuda a compreender bem a questão do poder divino e do esforço humano na vida cristã. Assim Jesus abordou o tema sobre o uso da vontade e do poder da vontade na experiência cristã em desenvolvimento. Permanecemos nEle e Ele em nós. Nenhum ramo produzirá fruto se estiver apenas ocasionalmente ligado à Videira. A ligação deve ser firme. O ramo deve permanecer na Videira.
A videira produz fruto porque é videira, e não para ser videira. O ramo saudável produzirá frutos saudáveis, natural e espontaneamente. Se você tem uma vide sadia, e um ramo sadio ligado a ela, então você obterá frutos. Se você não quer que um ramo produza fruto, basta separá-lo da videira; nada mais precisará ser feito. O fruto é o que há de mais espontâneo com a verdadeira videira e os ramos. Se você quer uvas, não procure consegui-las separadas da videira. Algumas pessoas têm tentado fazer isso. Têm produzido uvas plásticas, algumas excelentes exteriormente. Mas se você tentar morder uma, ficará muito desapontado!

Que São as Uvas?

Que representam as uvas? Filipenses 1:11: ''Cheios do fruto de justiça, o qual é mediante Jesus Cristo, para a glória e louvor de Deus.'' Por favor, observe primeiro que o fruto é fruto de justiça; segundo, o fruto é mediante Jesus Cristo; e terceiro, é para a glória e louvor de Deus. Em Gálatas 5:22, é-nos revelado o fruto do Espírito: Amor, alegria, paz, longanimidade, e assim por diante.
Portanto, o fruto é justiça – e justiça espontânea porque o ramo está ligado à Videira verdadeira. Isto quer dizer que o cristão nunca luta com todas as suas forças para produzir justiça. Jamais foi ele solicitado a fazer isso. Cristo não nos pede que nos esforcemos para produzir fruto – Ele pede que permaneçamos nEle. Assim o deliberado esforço na vida cristã deve ser sempre no sentido de manter relacionamento com Jesus, de permanecer na Videira, e nunca para produzir frutos de justiça. Pois, ao continuarmos ligados à Videira, os frutos virão.
Cristo põe fim ao esforço para produzirmos fruto separados da Videira. Quando vemos nossa condição, nosso total fracasso em produzir fruto real, separados de Jesus, então chegamos a admitir, com Paulo, que o bem que queremos praticar não conseguimos (Rom. 7:18). E só então podemos descobrir o que significa estar realmente ligado à Videira. Somente então compreendemos a necessidade e o privilégio de permanecer em Cristo.

"Sem Mim Nada Podeis Fazer"

Algumas pessoas temem uma religião ociosa, que não faz nada. Mas as palavras de S. João 15:5 procedem diretamente dos próprios lábios de Jesus. Observe-as agora como outra pequenina ênfase na primeira frase: "Eu sou a Videira, vós os ramos." Eu sou a videira. Vós não sois a videira. Vós sois os ramos. E "sem Mim nada podeis fazer". Por favor, note também que embora seja uma frase negativa, ela pode ser enunciada positivamente, como em Filipenses 4:13: "Tudo posso nAquele que me fortalece." NEle podemos realizar todas as coisas.
Como é maravilhosa nossa salvação no Céu, e certa nossa segurança da vida eterna, assim é também a verdade de que Jesus pode realizar Seu propósito de viver Sua vida em nós agora, se nos submetermos totalmente a Ele. E então Ele produzirá muito fruto. Há esperança de colheita, de produtos e resultados na vinha do Senhor. O próprio Deus está interessado nos frutos e ansioso para ver os resultados, a colheita. Ele é o Agricultor, o grande Lavrador, que espera os resultados.
Não faz muito tempo conversei com um vizinho a respeito da obra de Cristo concluída na cruz, e como a salvação e a vida eterna nos são asseguradas pelo sacrifício de Jesus. Perguntei-lhe então: "Sendo assim, qual o propósito da santificação? Para que viver a vida cristã?"
Bem, para que serve o fruto? "Para a glória e louvor de Deus." S. Mateus 5:16 diz: "Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos Céus." Portanto, qual o propósito do fruto? Glorificar e honrar a Deus, e assim revelar Seu amor aos outros. Estribados nos ensinamentos de Jesus, temos a esperança de colheita, de fruto na vinha, para glória de Deus.

Como Permanecer em Cristo

Como permanecer na Videira? Como manter íntimo relacionamento com Jesus Cristo? Tendo esgotado seus próprios recursos, compreendido sua própria incapacidade de produzir frutos separado dEle, e reconhecido que sem Ele nada pode fazer, que fará você então? O que significa permanecer em Cristo, estar em Cristo e ter Cristo em você (Col. 1:27)? É claro que isto se refere a uma comunhão muito íntima. É sobre isto que Cristo aqui diz: Permaneça no relacionamento iniciado quando você Me aceitou como Sua única esperança. Permaneça em comunhão comigo.
Por favor, não caia na armadilha que já mencionamos, de pensar que a maneira de permanecer em relacionamento com alguém é procurar fazer as coisas que lhe são agradáveis, comprar seu amor com nossos atos. O relacionamento produz os atos, e não são os atos que produzem o relacionamento. Esse não é o meio de continuar em boas relações com quem quer que seja.
Aceitamos a Jesus em primeiro lugar e nos ligamos à Videira, não procurando produzir frutos para sermos dignos, mas aceitando o grandioso dom de Sua graça. Contudo, não concluamos que o aceitar Sua graça não requeira nenhum esforço, pois muitos pecadores descobriram que é difícil desistir de si mesmos e ir a Cristo. Mas esta obra é diferente daquela que visa à justiça e a ser aceitos por Deus. O esforço envolvido está em admitir, diariamente, que nada podemos fazer, e em ir a Cristo para aceitar Sua graça.
Você já percebeu que ir a Cristo, diariamente, é difícil? Freqüentemente, é. Você terá de admitir que Paulo usou a expressão correta ao chamar isto um combate – "o bom combate da fé''. I Tim. 6:12. Nem sempre é fácil reservar uma parte de seu dia para uma comunhão íntima com Deus. Não é sempre natural ficar em contato com Ele durante o dia. Às vezes isto requer verdadeiro esforço.
Em S. João 15 Jesus nos diz em que deve concentrar-se nosso esforço. Não pede que nos esforcemos para produzir fruto – diz-nos para permanecer nEle. E se escolhemos isto, não temos escolha quanto ao fruto. Será o resultado natural e espontâneo de nossa permanência nEle.
Primeiro aceitamos Jesus pela fé nEle como nosso Salvador pessoal. É assim que se forma a união com a Videira, e também é assim que essa união continua. É de suma importância compreender que Jesus não atribui a responsabilidade a nossas obras, ou produção de frutos, mas a nós. Conquanto seja verdade que devemos produzir fruto, também é verdade que só podemos fazê-lo mediante a fé nEle. "Porque sem Mim nada podeis fazer." "Não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira.'' Mas se permanecer na Videira, dará muito fruto, que é o resultado natural da permanência em Cristo.

Mas Leva Tempo

Há algo mais nessa analogia de Jesus e a vinha que não queremos omitir. Isto é, o fruto não vem da noite para o dia. A idéia de uma videira e ramos, e uma vinha, indica crescimento, avanço. Acontece aos poucos, não de uma vez. Nenhuma vinha tem condições de produzir perpetuamente. O fruto requer tempo.
Pode ser que você não esteja familiarizado com o trabalho numa vinha, mas muitos de nós já procuraram transplantar algo. Portanto vamos a um jardim, em vez de vinha, para observar esse princípio relativo ao crescimento. Certo dia minha esposa trouxe uma planta para casa. Por algum tempo se deu muito bem no vaso, mas depois ela cresceu demais e teve de ser transplantada. Escolhi um local e, sem consultar minha esposa, mudei a planta para lá.
Em resultado de a ter plantado em lugar errado, tive de cavar e transplantá-la novamente. Não gostei do local, e assim arranquei-a e a transplantei de novo. Então a planta ficou um pouco cansada! Suas raízes começaram a ficar amolecidas e emaranhadas no solo, e lá veio o jardineiro e cavou a terra outra vez. Mas não deu resultado no outro dia notei que as folhas estavam caindo.
Ao estudar a parábola da vinha, você tem de concluir que permanecendo o ramo ligado à videira ainda há um processo de crescimento. Isso nos deixa muito intrigados, porque muitos de nós percebem que, mesmo tendo escolhido permanecer com Cristo, nossa imaturidade se revela freqüentemente; com muito pesar reconhecemos que a obra ainda não está completa.
Também na vinha notamos que não é uma ligação intermitente ou dependência parcial que capacita a videira a produzir fruto. Não é plano de Deus que creiamos parcialmente nEle e parcialmente em nós mesmos.
Lembramos da história de um homem que, no tempo antigo, caminhava pela estrada com um fardo nas costas. outro homem se aproximou numa charrete puxada por um cavalo, que parecia velho e cansado. A charrete parecia pequena, mas o charreteiro deu uma carona àquele caminhante. Este aceitou, sentou-se na charrete mas continuou com o fardo nas costas.
Outro homem foi fazer uma viagem de quatro dias numa embarcação fluvial. O dinheiro que levava consigo deu apenas para comprar a passagem, de modo que não pôde pagar extra por refeições e acomodação no barco. Por isso comprou biscoitos e queijo para comer durante a viagem. À hora de cada refeição, enquanto os outros iam para o refeitório, ele escondia-se atrás de uma chaminé e comia seus biscoitos e queijo. Uns dois dias depois seu lanche começou a embolorar e ele pensou que ia morrer de fome. Então alguém o descobriu lá no seu esconderijo e disse: ''Que acontece com o senhor? Quando comprou sua passagem, o senhor pagou também por todas as refeições. Venha comer conosco."
Aceitamos a graça de Deus e dizemos: É maravilhosa. Ele me proveu eterna salvação no Céu. Agora devo carregar meu próprio fardo. E trocamos a carga do pecado pela da santidade, ao lutarmos para produzir fruto mediante nossas próprias forças. Jesus tem-nos convidado para o banquete das bodas do Cordeiro pela comunhão com Ele, e pensamos que temos de levar nosso próprio alimento. Aceitamos Seu poderoso evangelho como um dom, e vibramos com isso, mas a emoção esvaece quando deixamos de ver que para andar em comunhão com Ele temos de fazê-lo pelo mesmo método que primeiro nos levou a Ele – tudo pela fé. Prosseguimos desejosos de acrescentar algo a isso, o que nos torna muito penoso permitir que Ele leve nossos fardos, pecados e fracassos. Não Lhe permitimos dar-nos o poder de que tanto carecemos. Não entendemos que Ele quer conceder-nos a vitória como um dom.

Jesus, Nosso Exemplo

Outra lição que podemos aprender da parábola da vinha é a de que Jesus é nosso exemplo quanto à permanência. Você sabe que as videiras necessitam de apoio? Elas não ficam erguidas sozinhas, mas precisam apoiar-se em caramanchões ou coisas semelhantes. Jesus disse que Ele é a Videira, e Seu apoio vinha do Pai, o Lavrador. Enquanto viveu neste mundo Jesus tornou-Se o maior exemplo de permanência e dependência de outro, em comunhão e comunicação pessoal. Diz-nos a Escritura Sagrada que Ele antes do amanhecer saía para ter comunhão com o Pai, em meio à Natureza. Muitas vezes passou noites inteiras em oração.
A idéia de passar toda uma noite em oração pode ser apavorante. Mas Jesus não pede isso. Não exigiu isso de Seus discípulos. No entanto, quanto tempo já faz que você gastou quinze minutos ou meia hora para responder ao amorável convite de Jesus, para permanecer nEle mediante comunhão pessoal?
Vejo dois homens andando pelo caminho rumo a Emaús (S. Luc. 24). Um estranho une-se a eles, e, enquanto lhes falava, ardia-lhes o coração. Já é tarde quando chegam à casa, por isso dizem ao Estranho: Fica conosco. Já é tarde. Fica em nossa casa. Eles responderam a Jesus antes mesmo de compreenderem quem era o Estranho.
Meu amigo, hoje está ficando tarde. Os sinais predizem o entardecer. Lá fora está ficando escuro. Sempre o foi, mas agora a escuridão é cada vez maior. Você não deseja unir-se a esses desconhecidos discípulos que preferiram convidar Jesus para ficar com eles? Não gostaria também de dizer: Vem e fica em nossa casa?

O Tempo da Colheita

Ao continuarmos nosso permanente relacionamento com Cristo, ao permitir-lhe que realize Sua obra em nossa vida, e continuarmos buscando melhor relacionamento e comunhão com Ele, podemos aguardar jubilosos o tempo da colheita. Esse tempo virá à nossa vida enquanto permanecermos nEle. Ao ser Sua obra desenvolvida em nós, amadurecerão os frutos do Espírito.
Um de meus amigos tinha uma filhinha de três a quatro anos de idade. Esse amigo viajava muito. Um dia, ao voltar de viagem e entrar em casa, a garotinha, que não o vira por alguns dias, correu para ele e disse:
– Olhe, papai, já aprendi a escrever.
E apresentou-lhe uma pequena lousa com todo tipo de rabiscos, manchas e borrões. Era uma mensagem.
Como bom pai, ele disse:
– Certo, você já aprendeu a escrever. Que maravilha!
E ele exagerou tanto, que a menina, com olhos arregalados e boca aberta, perguntou:
– Que está escrito aí, papai?
Aí ele ficou atrapalhado. Não sabia o que dizer mais. Hesitou um pouco, e então a idéia lhe veio, e deve ter vindo de cima. Ele sentou-se e disse:
– Queridinha, vou lhe dizer o que está escrito. Aqui diz que você é uma meninazinha que realmente quer saber escrever. Diz que você está se esforçando muito para isso, e que você está crescendo e algum dia escreverá muito bem.
Ela olhou para ele e perguntou:
– Diz tudo isso, paizinho?
– Sim.
Como cristão em crescimento, esforço-me para produzir minha obediência, que absolutamente não é verdadeira obediência. É simplesmente como rabiscos, manchas e borrões. Apresento isso a Deus e digo: "Olha, já aprendi a obedecer!" Como meu Pai celestial, Ele diz: "Você sabe o que seus esforços Me dizem? Eles Me dizem que você é realmente um cristão, que realmente se preocupa com isso. Dizem que você está crescendo, e algum dia chegará lá."
Podemos assim aguardar jubilosos o tempo do amadurecimento, da colheita em nossa própria vida, e também para o tempo da colheita no mundo inteiro. Deus é capaz de terminar a obra que Ele mesmo iniciou em nossa vida. Enquanto ficarmos com Ele, nada teremos a temer.
Milhões de pessoas hoje crêem na segunda vinda de Cristo. Houve tempo em que aqueles que pregavam isto eram taxados de propagadores de calamidades e profetas de condenação. Hoje, porém, até cientistas e estadistas que analisam os acontecimentos mundiais, predizem calamidades. Até lideres seculares compreendem que este mundo está correndo para o fim, e que eles são incapazes de impedi-lo.
Faz alguns anos, meu pai e meu tio dirigiram conferências públicas numa cidade. Uma noite, quando meu tio começou a falar sobre o fim do mundo e a segunda vinda de Jesus, um homem saltou para frente e, voltando-se para o auditório, começou a gritar:
– Não acreditem no que os irmãos Venden estão dizendo. Eles não passam de alarmistas, que vieram aqui para enganar vocês. Falam acerca do fim do mundo, o que nunca irá acontecer. As coisas continuarão como têm sido, e assim será sempre.
E voltando-se para o meu tio, disse:
– O senhor não pode me dar uma única prova de que isso irá acontecer!
– Eu posso. O senhor é a última prova que acabo de ver – respondeu meu tio.
– Que o senhor quer dizer com isso? – indagou o homem.
Meu tio folheou a Bíblia e leu II Pedro 3:3 e 4: "Tendo em conta, antes de tudo, que, nos últimos dias, virão escarnecedores com seus escárnios, andando segundo as próprias paixões, e dizendo: Onde está a promessa de Sua vinda? Porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação."
E o homem afundou-se no seu assento. Coisas extraordinárias aconteceram dali em diante naquele lugar! O Senhor deu o texto certo no devido tempo.
Deus não começa alguma coisa e então a deixa por terminar. Ao começar, Ele vai até ao fim. Mesmo quando deixou o sepulcro na manhã da ressurreição, Jesus tomou tempo suficiente para dobrar os lençóis e o lenço e deixar tudo bem arrumado. Não necessitava mais deles. E quão mais seguramente Ele concluirá o grande plano da redenção, da restauração. Ele fez provisão para compensar-nos por termos nascido neste mundo de pecado. Você não é grato porque Ele é capaz de continuar com o Seu plano de salvação até o fim, o qual é apenas o começo da eternidade? Nada o poderá deter.

Segunda Vinda – Boas Novas ou Más?

Como você reage ao ler, ouvir ou pensar sobre a segunda vinda de Cristo? Parecem-lhe boas novas ou más? Você fica empolgado ou sente medo? A questão crucial é: Você estará pronto? "Oh", você dirá, "estou tão por fora disso! Nunca irei conseguir. Não há oportunidade para mim." Perguntei a um jovem qual a primeira coisa que ele gostaria de fazer no Céu. A resposta foi: "Se eu entrar no Céu, ficarei tão surpreso que nem saberei o que fazer lá!"
É por isso que desejo recordar um texto que fala de esperança, e nos mostra como podemos estar prontos para a vinda de Cristo. Efésios 2:13: "Mas agora em Cristo Jesus, vós, que antes estáveis longe, fostes aproximados pelo sangue de Cristo."
Você sente que está muito longe? Pelo sangue de Jesus, mediante a expiação e o sacrifício na cruz, você pode ser aproximado. Isto são boas novas, não acha? A salvação não é algo que adquirimos; é algo que recebemos como uma dádiva. E podemos recebê-la de novo, cada dia.
Você está salvo? Pode saber agora que está salvo? Bem, isso depende do que você quer dizer. Há três vocábulos gregos para salvação. Um se refere à questão: ''Aceitei a morte de Jesus em favor da humanidade?" Outro, à indagação: "Estou neste momento desfrutando de um relacionamento salvífico com Jesus?" E o terceiro: "Estarei salvo no futuro?"
Permita-me perguntar-lhe: Você aceitou a morte de Jesus em favor de toda a humanidade? Então, neste sentido, você está salvo. No presente você mantém um salvador relacionamento com Jesus Cristo? Fala com Ele? Já conversou com Ele hoje? Passa algum tempo com Ele, pessoalmente? Você deve ser capaz de saber a resposta a esta pergunta. Não precisamos preocupar-nos se estaremos, ou não, salvos no futuro. Não podemos predizer que decisão podemos tomar nesse meio tempo. Mas podemos saber que estamos salvos hoje. Isto é o que importa. Hoje você aceitou Jesus e Seu sangue, que mais o aproxima do Céu? Você pode fazer esta escolha.
E ao continuar a fazer essa escolha, você pode esperar com alegria o fim do pecado e a hora em que Jesus voltará para o Seu povo.

Conhecer a Deus – Vida Eterna

Jesus disse em S. João 17:3: "E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste." A base completa da vida cristã acha-se em conhecer a Deus. Este é o caminho pelo qual aceitamos Sua salvação, Seu perdão e poder. E por fim, conhecer ou não conhecer a Deus torna-se a questão crucial. Note como isto acontece.
Quando Jesus voltar haverá dois grupos de pessoas, chamados por nomes diferentes – os bons e os maus, os crentes e os ímpios, as ovelhas e os cabritos, os justos e os injustos, o trigo e o joio, os sábios e os néscios, os quentes e os frios, e assim por diante. Mas haverá somente dois grupos quando Jesus voltar.
No PRIMEIRO DIA estudamos a história das bodas registrada em S. Mateus 25. Havia cinco virgens prudentes e cinco néscias. E Jesus nos deu uma idéia do que determinou a diferença entre os dois grupos. Quando as néscias quiseram entrar para o banquete nupcial, a resposta que receberam foi: "Não vos conheço." Em S. Mateus 7, versos 22 e 23, é descrita a mesma divisão. "Muitos, naquele dia, hão de dizer-Me: Senhor, Senhor! Porventura não temos nós profetizado em Teu nome, e em Teu nome não expelimos demônios, e em Teu nome não fizemos muitos milagres? Então lhes direi explicitamente: Nunca vos conheci. Apartai-vos de Mim, os que praticais a iniqüidade."
Desta passagem podemos concluir que, no fim, haverá somente duas classes de pessoas – os que conhecem a Deus e os que não o conhecem. Não haverá outra opção.
Acrescentemos outra passagem, que se encontra em Apocalipse 3. os primeiros capítulos desse livro falam-nos de sete igrejas. O capítulo 3, verso 13 em diante, descreve a última das sete, na história das igrejas, até pouco antes de Jesus voltar. A última igreja é a de Laodicéia. "Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao anjo da igreja em Laodicéia escreve: Estas coisas diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus." Quem é Esse? É Jesus.
E não esqueça que o Apocalipse é o próprio livro de Jesus. Os Evangelhos foram escritos sobre Jesus, mas não são livros dEle. O Apocalipse é o único livro que começa assim: "Revelação de Jesus Cristo, que... Ele enviando por intermédio de Seu anjo, notificou ao Seu servo João." De todos os livros da Bíblia, o Apocalipse é o livro exclusivamente de Jesus, sendo assim de supremo interesse para aqueles que estão interessados em Jesus.
Vem a seguir a descrição da igreja conhecida como Laodicéia: ''Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente. Quem dera fosses frio ou quente!" Apoc. 3:15. Um momento! Esta é uma declaração surpreendente. Preferiria Deus que fôssemos frios e não mornos? É o que está dito. "Assim, porque és morno, e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da Minha boca." Verso 16. Esta é outra maneira de dizer que as pessoas mornas causam náuseas a Deus! "Pois dizes: Estou rico e abastado, e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu." Verso 17. Eis aí, pois, a descrição de Laodicéia, a igreja morna.

Que é Morno?

Ora, se Laodicéia é conhecida por sua mornidão, qual será a percentagem dos mornos? Se é conhecida como igreja morna, é lógica a idéia de que a maioria tem de ser morna. Ao dizermos que os Estados Unidos são uma nação democrática, que dizemos com isso? Que a maioria de seu povo acredita num governo democrático. Assim, pelo menos 51 por cento dos laodiceanos devem ser mornos. Esta declaração é muito forte, não é? Significa que até pouco antes da volta de Jesus muitos mornos farão parte da Igreja.
Se em sua maioria os que compõem a Igreja são mornos, então pode-se esperar que alguns professores, pastores, líderes e administradores sejam mornos. Isto quer dizer que provavelmente eles nomearão como dirigentes pessoas como eles, não é mesmo? A mornidão predomina em toda parte porque a maioria do povo de Laodicéia é morna.
Isto nos leva a outra pergunta. Que é mornidão? Que torna morna uma pessoa? Costumo usar uma antiga ilustração referente à pia da cozinha – uma pequena lição de economia doméstica. Nessa pia há uma única torneira, com uma alça à esquerda, para água quente, e a outra à direita, para água fria. Se queremos água morna, que fazemos? Simplesmente abrimos as duas partes, quente e fria, e temos água morna.
Esta ilustração pode não ser muito adequada, pois seria ridículo imaginar um laodiceano quente de um lado, e frio de outro. Mas dá-nos uma idéia de que morno é a combinação, ou mistura de quente e frio.
Ao permitir que as Escrituras sejam seu próprio intérprete, descobrimos o que torna morna uma pessoa. Leia S. Mateus 23 e verá que Jesus deixou muito claro que o problema das pessoas de Seu tempo era que eram exteriormente quentes, mas no íntimo eram frias. É isso que produz a mornidão. Jesus disse: "Sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora se mostram belos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos.'' Em outras palavras, estavam apodrecidos por dentro. E Jesus vai muito além, em S. Mateus 23, ao ponto de chamá-los ''víboras e filhos de víboras''. Verso 33, Today English Version. Todavia Ele tinha lágrimas nos olhos ao dizer isso.
Nesse mesmo capítulo é dito: "Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais o exterior do copo e do prato; limpa primeiro o interior do copo, para que também o seu exterior fique limpo." Se o interior estiver bem, também o estará o exterior. E possível, porém, que o lado externo pareça bom, ao passo que o interno esteja deteriorado. Uma pessoa pode parecer correta em todas as suas atitudes exteriores, com excelente comportamento, e ser simplesmente uma pessoa moral. A moralidade tem que ver basicamente com o exterior, a conformidade externa com leis, princípios e regulamentos. Uma pessoa moral segue os costumes de sua sociedade, exteriormente; mas em seu íntimo pode ser justamente o oposto. Assim a pessoa morna é aquela que faz tudo certo, mas seus motivos são equivocados.
A condição da maioria das pessoas na Igreja, até pouco antes de Jesus voltar, será superficial. Procuram fazer o que é exteriormente correto, a fim de obter justiça pelas obras. Não conhecem a Deus, contudo procuram viver como Seus filhos. E é lamentável que Laodicéia nem mesmo conhece sua condição. É "infeliz, miserável, cego e nu'', e não sabe.
Um momento – quando Jesus realmente voltar, quantos grupos de pessoas haverá? Já vimos que haverá apenas dois. Quem são eles? Os quentes e os frios. Quando Jesus voltar, trazendo o galardão para cada um, haverá somente dois grupos de pessoas. Não haverá recompensa morna para os mornos. Não haverá lago de fogo morno para os mornos. Não haverá Céu morno para os mornos.
Portanto, se haverá somente dois grupos de pessoas ao Jesus voltar, segue-se então a pergunta: Que acontecerá com o grande número de mornos? Desaparecerão. Para onde irão? Terão se tornado ou quentes ou frios. Isto quer dizer que desde o tempo de Laodicéia, a última das sete Igrejas de Apocalipse, até à volta de Jesus, há um intervalo no qual as pessoas se decidirão por um ou por outro lado. Terá lugar uma polarização, e ninguém mais continuará morno.

Sinal da Vinda de Cristo

O motivo pelo qual me interesso nesse assunto é que acredito que essa polarização já vem acontecendo por anos e tornando-se mais evidente a cada dia. Creio ser este o maior sinal da proximidade da volta de Jesus. A evidência é de que justamente antes de Jesus voltar, as pessoas vão dividir-se em dois grupos, somente dois, os quentes e os frios.
Com isto em mente, leiamos Apocalipse 3:18 e 19. Aqui está o conselho para os mornos em Laodicéia: "Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires, a fim de que não seja manifesta a vergonha de tua nudez, e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas. Eu repreendo e disciplino a quantos amo. Sê, pois, zeloso, e arrepende-te."
Para melhor compreensão, vamos dividir esta mensagem para os mornos, em duas partes. A primeira encontra-se nos versos 15-17. É uma censura a Laodicéia. Sei as tuas obras, que nem és quente nem frio. Oxalá fosses frio ou quente. Mas dizes que és rico, cumulado de bens, e de nada necessitas; mas não sabes que és infeliz, miserável, pobre, cego e nu. Tal é a censura feita a Laodicéia.
Mas há algo de belo quanto à paciência de Deus para com Sua Igreja. É ótimo saber que mesmo Laodicéia, uma comunidade morna, pode ainda ser a Sua Igreja. Ele deve ser muito paciente. Nunca censura alguém sem prestar-lhe ajuda. Portanto, a segunda parte da mensagem a esses laodiceanos é conselho. ''Aconselho-te que de Mim compres ouro refinado pelo fogo para te enriqueceres, vestiduras brancas para te vestires,... e colírio para ungires os teus olhos, a fim de que vejas.''
Assim é a segunda parte, verso 18, é o conselho aos laodiceanos. A primeira parte é censura, a segunda parte é conselho.
Consideremos por um momento em que consiste o conselho. Os estudiosos do simbolismo do Apocalipse afirmam que o ouro representa fé e amor. E que são as vestiduras brancas? A justiça de Cristo. O colírio indica discernimento e percepção espirituais - que vêm através do Espírito Santo. O conselho aos laodiceanos refere-se à sua necessidade da justiça de Cristo pela fé, e a fé vem somente mediante um relacionamento pessoal e diário com Jesus.

Os Resultados do Conselho

Quais serão os resultados desse conselho da Testemunha Verdadeira? Algo fará com que o terceiro grupo, dos mornos, desapareça porque se tornarão quentes ou frios.
Assim é fácil ver que a censura causará alguma polarização. É possível erguer-se alguém e proferir uma repreensão fulminante, vociferar e nada relevar, deixar que as pessoas paguem pelos seus pecados, e causar divisão nas igrejas. Mas uma coisa é certa – o reavivamento jamais acontece com base em exterioridades. Nunca! A mudança externa pode-se chamar reforma, mas a reforma não tem valor a menos que seja precedida pelo reavivamento. É este que produz a reforma genuína, e tem que ver com o coração, com a vida espiritual interior.
Temos, pois, de ressaltar aqui, cautelosamente, que sempre que houver um genuíno reavivamento espiritual, será baseado na justiça de Cristo, na fé e amor, no Espírito Santo e na comunhão íntima com Jesus.
No entanto, Apocalipse 3 indica que esta é uma grande mensagem divisória: leva as pessoas a polarizar-se num dos dois grupos – quente ou frio. Que há na mensagem da justificação pela fé em Cristo e a necessidade de comunhão com Ele, que leva as pessoas a escolherem um ou outro lado?
Há exclusivamente uma resposta. os laodiceanos, os mornos, acostumaram-se a encontrar segurança em algo que não seja a justiça de Cristo, a fé, o amor, o Espírito Santo. Acham sua segurança nos atos externos que praticam. Pessoas fortes podem encontrar segurança em exterioridades porque sua vida exterior é correta do ponto de vista moral. Dizem: Não me importo com a justiça de Cristo pela fé e com minha necessidade de manter comunhão pessoal com Deus a fim de receber Sua fé e amor. Minha vida moral é boa. Deus, evitas que Teus planetas colidam, ajudas os ébrios nas sarjetas, e também as prostitutas e ladrões. E quanto a mim? Estou indo muito bem. Obrigado.
Este é o problema do morno laodiceano. Foi o problema dos superficiais nos dias de Jesus. Quando Jesus Lhes falava acerca de Deus, da fé, do amor, da entrega total, isso constituía uma ameaça à segurança deles. Sentiam que lhes era tirada violentamente a base de sua segurança. E aqueles que pensam ter algum dia assegurado o Céu porque são bons não continuarão pensando assim ao ouvirem a ênfase sobre a justiça de Cristo como nossa única esperança. ou a receberão como boas novas e entrarão num relacionamento de fé com Cristo, aceitando sua justiça e amor em comunhão diária, ou se afastarão totalmente, dizendo: "Muito obrigado, isto não me interessa." É um mistério difícil de explicar.
Mas onde Jesus passava, as pessoas nunca mais eram as mesmas. onde Ele era exaltado, ocorria um reavivamento ou uma revolta. Aonde quer que o apóstolo Paulo fosse, determinado a nada mais saber senão a Cristo crucificado, o povo ficava de um ou de outro extremo. ou lhe davam as boas-vindas na sinagoga, ou o expulsavam da cidade. Não existe a mínima possibilidade de permanecer neutro na presença de Jesus.
É isso, pois, que faz com que o grande grupo intermediário desapareça imediatamente e antes da volta de Jesus. Ao voltar Ele, haverá somente dois grupos. Esta ênfase sobre a justiça de Cristo pela fé exclusivamente tem surgido com toda a firmeza, e nada irá detê-la. É a última mensagem justamente antes do regresso de Cristo, e provocará os eventos finais. Ao vermos que isso está acontecendo, podemos regozijar-nos, porque é sinal de que Jesus virá muito, muito breve.

A Grande Divisão

A grande divisão está se processando justamente agora. Está acontecendo em todas as igrejas, em todo o mundo. Jesus disse: "Não penseis que vim trazer paz à Terra; não vim trazer paz, mas espada'' S. João 10:34. Falou de parentes que se levantariam uns contra os outros, e é o que vemos hoje. Durante anos tem sido possível que duas pessoas vivam juntas, como marido e mulher, sob o mesmo teto, e se darem muito bem porque ambos são mornos. Mas os mornos desaparecerão ao aproximar-se a vinda de Cristo; um se tornará quente, e o outro ficará frio. Que acontecerá no lar? Haverá incompatibilidade, não é mesmo?
Você sabia que o índice de divórcio nos Estados Unidos atinge cerca de 53 por cento dos casamentos? Sabia que esse índice é basicamente o mesmo entre os membros de igreja? Antes não era assim, absolutamente. Vemos então toda espécie de resultados à medida que a polarização penetra o centro da família, o centro da igreja. As pessoas vão para um ou para o outro lado, e isto está sucedendo rapidamente.
Quero arriscar-me em afirmar que cada um de nós sabe hoje, justamente agora, para onde está indo. Como podemos saber? Como já vimos, depende de conhecermos ou não conhecermos a Deus. Podemos resumir isto numa indagação: Você conhece Jesus como seu Amigo pessoal? Dedica tempo para estar com Ele, em comunhão mútua, aceitando continuamente Sua graça salvadora? Esta é uma questão de vital importância.
É possível que você esteja enfrentando problemas reais e angustiosos, mas se você conhece Jesus mediante um relacionamento pessoal, diário, você alcançará a vitória. E mesmo que ocasionalmente perca uma batalha, Deus já ganhou a guerra. Se você leu o final do Livro, sabe que irá vencer! S. João 17:3 diz de maneira muito evidente: "E a vida eterna é esta: que Te conheçam a Ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste."
É mediante o conhecimento de Jesus que recebemos nossa salvação, que continuará até ao fim, pois está apenas no início!

COMO CONHECER A DEUS - QUARTO DIA

COMO CONHECER A DEUS
Um Plano de Cinco Dias

Morris Venden
Título do Original em inglês:
TO KNOW GOD
Tradução de Edith Teixeira
CASA PUBLICADORA BRASILEIRA
Tatuí - São Paulo - Primeira edição
Cinco mil exemplares - 1989

Deus é amor. Mas como posso ter certeza disto? Por que, afinal, necessito de Deus?
Como posso saber que estou salvo? Como posso manter um relacionamento pessoal com Deus, se não O posso ver nem ouvir? Como posso ter fé nEle quando tudo vai mal? O que acontece quando falho?
Estas e outras perguntas são respondidas nesta obra. O autor propõe um plano de conhecimento e relacionamento com Deus em cinco dias. Depois de ler esta obra e pôr em prática os seus ensinos, você nunca mais será o mesmo.

Como Conhecer a Deus. Um Plano de 5 Dias
Que significa conhecer a Deus em cinco dias? Não leva muito tempo – nem mais, nem menos. Venden, o autor, não enfatiza tanto o elemento tempo quanto a possibilidade; não tanto o saber algo acerca de Deus, mas o fato de conhecê-Lo, de ter um relacionamento pessoal e positivo com Ele. Por isso o autor ressalta essa possibilidade em cinco etapas, ou passos. Ao você compreender como conhecer a Deus, você poderá conhecê-Lo como nunca antes. Como pastor de igreja das nossas escolas superiores já por muitos anos Morris Venden adquiriu muita experiência em lidar com as mentes inquiridoras. Autor de vários livros e orador grandemente solicitado, ele tem demonstrado sua habilidade para expressar e ilustrar seus temas. O beneficio que você obterá desta apresentação de Deus poderá alcançar a eternidade.

QUARTO DIA

Obediência. Como? Por quê?
E que acontece quando falho?
Que vem primeiro vitória ou paz?
Como posso manter-me sem pecar?

"Quando eu era pequenino, punha-me a chorar quando a meu irmãozinho davam a fatia maior."
Meu pai costumava repetir esses versos para mim e meu irmão, no momento certo. Lembro-me de um ano em que, nas vésperas do Natal, alguns bondosos irmãos da igreja nos deram saquinhos com doces de Natal. Eram daqueles caramelos duros, que ficam muito tempo na boca.
Meus pais ficaram imediatamente preocupados. Não queriam que estragássemos os dentes ou o estômago, e então estabeleceram um regulamento. Apenas um pedaço de doce de cada vez, e às refeições. Nenhum doce entre as refeições. Eu tinha seis anos, e meu irmão, oito. Aquele regulamento era demais severo para um garotinho, por isso comecei a comer os doces entre as refeições. Quando meu pai descobriu, imediatamente deu fim aos meus caramelos.
A essa altura fiquei muito preocupado com a saúde de meu irmão, e decidi ajudá-lo jogando os seus caramelos no vaso sanitário!
Em resultado dessa minha intervenção, por algum tempo as relações diplomáticas em nossa casa não foram tão agradáveis. Meu irmão ainda gosta de contar essa história quando tem oportunidade. Mas por que fazemos coisas assim? O que nos leva à guerra, numa demonstração extrema; ou noutro extremo, aos aparentemente inofensivos jogos de salão; ou, no meio-termo, ao futebol e beisebol? Por que manifestamos tanto entusiasmo pela questão de quem será o vencedor, quem vai ser o maior, quem vai tirar o 1º lugar?
Tudo isso começou com o pecado, não foi? Lúcifer, o querubim cobridor, o "filho da alva'', disse em seu coração: "Eu subirei ao Céu; acima das estrelas de Deus exaltarei o meu trono, e no monte da congregação me assentarei, nas extremidades do Norte; subirei acima das mais altas nuvens, e serei semelhante ao Altíssimo." Isa. 14:12-14. E ele apresentou essa mesma tentação a nossos primeiros pais no Jardim do Éden: "Sereis como deuses." Gên. 3:5. Assim começou o pecado, tomando-se para o eu a glória que pertencia exclusivamente ao Deus Criador; assim, muito tempo de nossa vida é gasto em discutir sobre quem é o maior. E com isso nos divertimos. Vemos isso no mundo dos negócios, na vizinhança, e às vezes até mesmo na igreja. E o resultado final é a morte.
Como já vimos, a causa básica de todo pecado é a separação de Deus, resultando e manifestando-se no insaciável desejo de ser o primeiro, e o maior. O egocentrismo é a base de todos os feitos, os atos e pensamentos pecaminosos.
Às vezes as pessoas pensam que, ao experimentarem o novo nascimento, terão acabado completamente e para sempre com o egoísmo, o pecado e a resultante desobediência. Por isso ficam pasmadas e consternadas ao descobrir, algumas semanas depois, que ainda persistem na sua vida alguns dos mesmos pecados, problemas e falhas que tinham antes de começarem seu relacionamento com Cristo. E com demasiada freqüência o resultado é que o recém-convertido cristão se desanima, quebra seu relacionamento com Deus, aguardando novo reavivamento, ou apelo para ir ao altar, ou um despertamento espiritual. A conversão, porém, jamais foi garantia de perfeição absoluta e instantânea, e assim a questão de como o cristão em crescimento se relaciona com as quedas, os fracassos, os pecados, é assunto muito prático, porém doloroso.

Como Jesus Tratou os Pecadores Conhecidos

É possível que os santos pequem? É possível pecar, sabendo que está pecando, e continuar fazendo o que você sabe que está errado, e ainda ser cristão? Como Jesus lida com os santos que pecam? Esta é uma pergunta prática, e tem uma resposta animadora, empolgante.
Apresentemos, porém, a forma como Jesus tratou cristãos pecadores, tal como a encontramos nas Escrituras.
Vejamos S. Marcos 9, a partir do verso 33: "Tendo eles partido para Cafarnaum, estando Ele em casa, interrogou os discípulos: De que é que discorríeis pelo caminho? Mas eles guardaram silêncio, porque pelo caminho haviam discutido entre si qual era o maior."
Imagine Jesus e os discípulos descendo pela empoeirada estrada para Cafarnaum. O aspecto de Jesus era de quem ia para Jerusalém, e os discípulos estavam certos de que lá Ele ia estabelecer o Seu reino, o reino terrestre. Mas havia ainda questões a resolver. Não haviam decidido quem seria o presidente da classe, o primeiro-ministro, o ministro das finanças, quem seria o maior.
Assim, enquanto caminhavam para Cafarnaum, estavam procurando resolver essas questões. Sabendo que, discutindo sobre isso, estavam fazendo uma coisa errada, eles caminhavam lentamente atrás de Jesus. Ao chegarem a Cafarnaum achavam-se tão distantes dEle, que Ele não podia ouvir o que diziam. Então, ao estarem a sós em casa, Jesus perguntou-lhes sobre o que vinham discutindo pelo caminho.
Isso nos ensina algo muito interessante quanto ao pecar. É difícil fazê-lo na presença de Jesus. Você já descobriu isso? De fato, as pessoas em sua maioria, mesmo as mais fracas, chegam a admitir que é difícil pecar na presença de alguém a quem amam e respeitam profundamente. Em sua maior parte, os pecados são cometidos na ausência daqueles a quem amamos e respeitamos. De alguma forma temos de sentir-nos distantes de Deus, distantes de Jesus Cristo, para continuarmos deliberadamente a praticar pecados conhecidos.
Imagine, pois, os discípulos andando vagarosamente atrás de Jesus, esperando assim ocultar-Lhe o assunto da conversa que achavam tão absorvente. E quando chegaram a Cafarnaum, à casa onde deviam ficar, Jesus enviou Pedro numa estranha missão à praia, ao banco... ao banco! Um interessante banco, você pode lembrar. A boca de um peixe. E quando Pedro retirou-se, Jesus fez aos outros discípulos uma pergunta. É claro que Ele tinha mais de uma razão para enviar Pedro ao banco! Não queria que ele estivesse presente ao lançar-lhes a pergunta. Queria que os outros discípulos tivessem a oportunidade de pensar antes de Pedro responder primeiro.
Portanto, Jesus mandou que Pedro fosse ao banco, e então interrogou os discípulos: "De que é que discorríeis pelo caminho?'' Eles começaram a esfregar os pés no chão, mostrando-se preocupados. E nada responderam. O verso 34 diz que "eles guardaram silêncio''. Era tempo oportuno para guardarem silêncio! Quando fui interrogado sobre o que acontecera com o saco de caramelos de Natal do meu irmão, eu guardei silêncio também! Mas Jesus continuou insistindo em Sua pergunta até que afinal os discípulos disseram: "Bem, a gente estava imaginando ... quem vai ser o primeiro no reino."

"Dêem-Me Outros Doze"

Ora, a vida de Jesus havia sido uma vida de humildade. Ele a Si mesmo Se esvaziara (Filip. 2:7). Aquele que tivera a homenagem e a adoração de todas as hostes celestiais, viera à Terra, nascendo em humilde manjedoura. Aquele que fora incalculavelmente rico Se tornara pobre, para que através de Sua pobreza nos tornássemos ricos (II Cor. 8:9). Repetidamente Ele procurou levar os discípulos a compreenderem que a verdadeira grandeza baseia-se na humildade. Eles, porém, não apreenderam a mensagem.
Suponho que, nesse ponto, teria sido fácil para Jesus dizer: "Saiam da Minha frente, miseráveis doze! Dêem-Me outros doze, e começarei tudo de novo! " Ao contrário, Ele os chamou a Si e disse: "Se alguém quer ser o primeiro, será o último e servo de todos. Trazendo uma criança, colocou-a no meio deles e, tomando-a nos braços, disse-lhes: Qualquer que receber uma criança, tal como esta, em Meu nome, a Mim Me recebe; e qualquer que a Mim Me receber, não recebe a Mim, mas ao que Me enviou." S. Mar. 9:35-37.
Ele usou uma criança para mostrar como é o reino do Céu.
Ele era bondoso e paciente com os discípulos. Ensinava-lhes muitas lições, e mesmo quando não aprendiam, continuava ensinando. E acima de tudo, continuou andando com eles, acompanhando-os, comendo, viajando, trabalhando com eles, confiando-lhes a obra e missão que eram dEle.

Culpados do Pior Pecado

Dessa lição nas Escrituras vemos com clareza como Jesus tratava Seus discípulos quando estes pecavam. Qual era o pecado? O orgulho. Ora, dizemos, cada um tem uma pontinha de orgulho. Nisto se baseia o nosso mundo. E a santificação é obra de uma vida inteira; justamente antes de morrermos talvez possamos dominar esse probleminha. Mas não, porque o orgulho é o pior dos pecados. Foi esse pecado que deu inicio a toda confusão neste mundo. E conquanto seja verdade que, na estimativa de Deus, tanto quanto na nossa, há graduação de pecado, Deus tem uma escala diferente. O orgulho é mais ofensivo a Ele porque é o mais contrário a Sua natureza.
Esse pecado do qual os discípulos eram culpados, era um dos piores, senão o pior. Era pecado, grave pecado. E eles sabiam disso, e procuraram ocultá-lo até que Jesus não os pudesse ouvir. Contudo, continuaram acariciando-o durante os três anos que passaram com Cristo, e até mesmo no cenáculo, na noite anterior à crucifixão. De modo que isto o qualifica como pecado conhecido, contínuo, habitual, acariciado, persistente, insolente – como queiramos chamá-lo. Os discípulos cometiam o maior pecado.
Lembro que, na minha adolescência, ouvi alguém dizer que os únicos pecados que Deus perdoa são os da ignorância. E apresentando um ou dois versos do Velho Testamento, aquela pessoa procurava provar, pelo sistema sacrifical, que somente para esse tipo de pecado foram feitas provisões. Isso quase me arrasou, porque nem todos os meus pecados eram por ignorância. E os seus?
Afirmam alguns eruditos que a expressão "não pequeis", em I S. João 3:6, significa não cometermos nenhum pecado conhecido. Podemos deslizar, falhar, mas não estaremos pecando intencionalmente. Assim, você fica com a impressão de que os pecados que Deus perdoa são aqueles que você comete acidentalmente. Mas há inúmeras pessoas cujos pecados são mais graves do que esses, para as quais essa colocação não traz nenhum conforto.
Na experiência dos discípulos vemos como Jesus lidou com pecadores ativos, que sabiam que estavam pecando e continuavam pecando.

Estavam os Discípulos Convertidos?

A esta altura alguém poderá dizer: "O problema dos discípulos é que eles não estavam convertidos.'' Não me diga isso! Preciso lembrá-lo de que aqueles discípulos eram os mesmos que expulsaram demônios, purificaram leprosos, curaram enfermos e ressuscitaram mortos. Normalmente, Deus não concede poder para isso a pessoas não convertidas. Quando os setenta retornaram de sua missão, regozijando-se porque tiveram poder para expulsar demônios, Jesus disse: "Alegrai-vos não porque os espíritos se vos submetem, e, sim, porque os vossos nomes estão arrolados nos Céus!" S. Luc. 10:20. E em S. João 3, é-nos dito que nem mesmo veremos o reino do Céu se não nascermos de novo. Portanto, podemos inferir que devemos aceitar a premissa de que os doze discípulos estavam convertidos.
É verdade que Jesus, na noite anterior à crucifixão, disse a Pedro: "Tu, pois, quando te converteres, fortalece a teus irmãos." S. Luc. 22:32. Esquecemos, porém, que a conversão é uma questão diária – e aqui se refere ao fato de Pedro precisar renovar sua conversão. Depois de negar a Jesus, Pedro precisava converter-se novamente, arrependido de seu pecado. Mas antes disso, no cenáculo, quando Pedro concordou que Jesus lhe lavasse os pés, ele estava limpo. Jesus disse isso (S. João 13:10).
Portanto não podemos simplesmente concluir que o problema do pecado conhecido dos discípulos era falta de conversão. Como, então, Jesus trata os discípulos culpados desse pecado? Ele fez Sua clássica afirmação em S. Mateus 12:31: "Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens.'' Não é esta uma boa nova?

O Pecado Imperdoável

Que dizer do pecado imperdoável? O mesmo texto, em S. Mateus 12, fala sobre ele. Mas, espere um momento. Se todo tipo de pecado será perdoado, então teríamos de incluir também o pecado imperdoável, não é? Jesus disse: "Se confessarmos os nossos pecados, Ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda a injustiça." I S. João 1:9. Portanto, Jesus tem o desejo e é capaz de perdoar todo pecado, não é mesmo? Ele diz que todo pecado será perdoado. Então, que é o pecado imperdoável? O único pecado que não será perdoado é aquele para o que não peço perdão, do qual não me arrependo. É simplesmente isto.
Vamos grifar em vermelho, ou verde, ou outra cor: "Todo pecado e blasfêmia serão perdoados aos homens", incluindo o pecado conhecido, o habitual, o persistente, e mesmo os piores pecados, tais como o orgulho.
E se Jesus deixou claro que todo pecado será perdoado, e perdoou os discípulos, e continuou a andar com eles mesmo depois de terem cometido o pior pecado, então Jesus deve ser capaz e estar desejoso de perdoar pecados menores, tais como os de assassínio, furto, adultério, não é certo?

Nenhuma Condenação

Diz o principio bíblico que "Deus enviou Seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por Ele". S. João 3:17.
Para a mulher adúltera que os escribas e fariseus tinham conduzido a Jesus, Ele deu a grande resposta dupla, boa para quem quer que esteja preso no pecado: "Nem Eu tão pouco te condeno." Mas não foi só isto que Ele disse. Que mais? "Vai, e não peques mais.'' S. João 8:11. Aqui você encontra um perfeito equilíbrio.
Muitas vezes, quando descobrimos que alguém a quem amamos se acha em dificuldade ou em pecado, dizemos: "Tudo bem, não te condeno." Mas esquecemos a última parte. Deus ama os pecadores, mas odeia o pecado. Deus tem provido perdão para os cristãos fracos, imaturos, em crescimento, e também poder para vencer. Enquanto aprendemos como apropriar-nos desse poder em nossa vida, Ele continua a andar conosco. Jesus vê um homem junto a um tanque, e diz: "Não peques mais." Há poder disponível. Mas é a aceitação de Jesus, o amor de Jesus e a comunhão com Jesus que provêem o poder para não pecarmos mais. É a presença de Jesus que torna difícil o pecar. Daí a absoluta necessidade que o pecador, em pecado, tem de contar com a presença, a contínua presença de Jesus.
A maior necessidade de um jovem que está lutando para vencer, mas fracassa continuamente e continua pecando, é saber que alguém o ama. Somente superam seus erros aqueles que sabem que são amados e aceitos a despeito dos próprios erros. Leva isso à permissividade? Não. Somente esse relacionamento de amor, essa contínua comunhão com Jesus, é que conduz à vitória.

A Paz Produz a Libertação

Por muito tempo eu pensava que se de alguma forma eu conseguisse vencer minhas faltas, pecados e falhas, então eu teria paz. Foi para mim uma descoberta tremenda quando percebi que, ao ter paz, pude pela primeira vez vencer minhas faltas, pecados e fracassos. Somente quando sabemos por experiência pessoal que Jesus não nos condena, que Ele nos aceita tais quais somos, é que obtemos a paz – o começo das transformações em nossa vida.
Há quatro textos bíblicos que, considerados em conjunto, nos mostram com muita beleza as verdades sobre o perdão, o amor e a obediência. O primeiro encontra-se em S. Mateus 18:21 e 22: "Então Pedro, aproximando-se, Lhe perguntou: Senhor, até quantas vezes meu irmão pecará contra mim, que eu lhe perdoe? Até sete vezes? Respondeu-lhe Jesus: Não te digo que até sete vezes, mas até setenta vezes sete."
Entre os judeus nos dias de Cristo, havia o costume de perdoar três vezes. Pedro, procurando ser generoso, sugeriu o dobro e mais uma vez para atingir o número "perfeito'', sete. Mas Jesus respondeu que sete vezes não eram suficientes. Continue perdoando até setenta vezes sete. Compreendemos o que isto significa? Devemos contabilizar e perdoar exatamente 490 vezes? Não. Ele queria dizer que nosso perdão deve ser ilimitado.
Pediria Deus que fôssemos mais perdoadores do que Ele? Obviamente, a resposta é Não. Assim essa resposta de Jesus nos mostra que o perdão de Deus não tem limite.
A passagem seguinte encontra-se em S. Lucas 17:3-5: ''Se teu irmão pecar contra ti, repreende-o; se ele se arrepender, perdoa-lhe. Se por sete vezes vier ter contigo, dizendo: estou arrependido, perdoa-lhe. Então disseram os apóstolos ao Senhor: Aumenta-nos a fé."
Às vezes um pastor é chamado para acertar desavenças entre pessoas. Certa feita um membro da igreja telefonou-me que estava aborrecido porque o cavalo do vizinho havia estragado suas plantas. Minha primeira reação foi suprimir uma risada. E então eu disse: "Chame a polícia!"
Essa deve ter sido uma resposta infeliz. Ao reconsiderar o caso, mais tarde, pensei nesta passagem em S. Lucas. Eu deveria ter dito: "Se o cavalo pisar em suas plantas mais seis vezes hoje, o senhor deve ainda perdoar o seu vizinho."
Que você diria se o cavalo de seu vizinho tivesse pisoteado suas plantas sete vezes num dia, e o vizinho viesse pela sétima vez dizer "eu lamento"? Sabe o que eu diria? "Demonstre isso! Amarre o cavalo!"
Mas o ponto principal é que, se Jesus nos disse para perdoar nosso irmão sete vezes no mesmo dia, Deus não faria menos. Ele não pede para fazermos algo que Ele mesmo esteja indisposto a fazer. E novamente aqui vemos que o perdão divino é ilimitado.
Quanto tempo faz que você se dirigiu a Deus no fim do dia, depois de falhar sete vezes naquele dia, e realmente creu que foi perdoado? É difícil, não é? Nós, humanos, não pensamos assim. Isso não é humano, é divino.
Ao você falar a respeito dessa espécie de perdão, sempre alguém fica nervoso e diz: ''Você vai pôr de lado a necessidade da obediência, e vai provocar a permissividade. Vai permitir que as pessoas brinquem com a graça de Deus."
Mas aqui adicionamos o terceiro texto, S. Lucas 7:40-43. O cenário é a casa de Simão. Entra Maria, aquela que Simão tinha induzido ao pecado. Ela unge os pés de Jesus, e Simão fica desapontado, e tem o descaramento de condená-la como pecadora. No seu íntimo, ele diz: "Se Este fora profeta, bem saberia quem e qual a mulher que lhe tocou, porque é pecadora."
Conhecendo-lhe os pensamentos, Jesus disse: "Simão, uma coisa tenho a dizer-te." E Jesus contou uma simples história que somente Simão compreendeu.
''Certo credor tinha dois devedores: um lhe devia quinhentos denários, e o outro cinqüenta. Não tendo nenhum dos dois com que pagar, perdoou-lhes a ambos. Qual deles, portanto, o amará mais?
''Respondeu-lhe Simão: Suponho que aquele a quem mais perdoou. Replicou-lhe: Julgaste bem.''
Assim você chega à conclusão de que quanto mais é perdoado, mais você ama. É um princípio universal e eterno.
E agora precisamos acrescentar mais um texto, S. João 14:15: "Se Me amardes, obedecereis aos Meus mandamentos." Isto significa que, ao compreendermos o amor de Deus, veremos que ele não nos conduz à permissividade ou graça vulgar, mas sim à obediência.

Perdão, Relacionamento, Obediência

Com nossas limitações humanas achamos difícil aceitar esse perdão ilimitado. Se tão-somente continuarmos buscando a Jesus, aprendendo a conhecê-Lo e a confiar mais nEle, então chegaremos a experimentar o que já reconhecemos na teoria – o amor e o perdão de Deus. Quando O amamos Lhe obedecemos, mas, embora estejamos crescendo em amor, confiança e comunhão com Ele, freqüentemente escapamos de Suas mãos. É então que caímos, fracassamos e pecamos, e precisamos de mais uma vez ir a Ele para arrependimento – mesmo sete vezes num só dia.
É, portanto, possível ao cristão em crescimento, descobrir que tem um pecado persistente em sua vida, e ao mesmo tempo continua o seu relacionamento com Jesus. Chegamos a esta conclusão do estudo deste capítulo das Escrituras. Os discípulos mantinham seu relacionamento com Deus e, ao mesmo tempo, tinham um pecado conhecido. Ao continuar o estudo você chegará a outra conclusão além desta. Embora seja possível continuar o relacionamento com Deus e ao mesmo tempo acariciar o pecado, mais cedo ou mais tarde uma das duas coisas desaparecerá.
Judas era o mais inteligente dos discípulos, dotado de rápido raciocínio. Ele apreendeu a mensagem. Compreendeu este princípio de que, mais cedo ou mais tarde, ou o pecado ou o relacionamento com Jesus teria um fim.
E Judas disse: "Não quero dar fim a meu pecado." Assim, deliberadamente, rompeu a comunhão com Cristo, em favor de seu pecado.
Chegamos agora à questão real quanto ao pecado acariciado, pecado atrevido e despótico – o tipo de pecado que mostra evidentemente que estamos em terreno perigoso, tremendamente perigoso. Quando escolhemos quebrar nosso relacionamento com Jesus, ou recusamos esse relacionamento, então estamos em perigo.
Talvez você tenha encontrado pessoas que não querem tornar-se muito religiosas porque temem as mudanças que poderão ocorrer. Pessoas religiosas que não queriam avançar em seu relacionamento com Jesus porque não desejavam mais mudanças em seu estilo de vida. Assim era Judas. Mas os outros discípulos permaneceram com Jesus. Nada pôde afastá-los dEle.
Um exemplo clássico do oposto de Judas, é João, o amado. Como Judas, ele tinha os seus maus traços de caráter. Mas estava sempre a postos. Foi um dos primeiros discípulos a seguir a Cristo. Lá estava ele ouvindo Jesus pregar, vendo os Seus milagres. Lá estava ele no Jardim, na corte de Caifás, junto à cruz, junto ao sepulcro. João era um homem que estava sempre onde devia estar. No entanto, ele tinha problemas. Juntamente com seu irmão, pediu a Jesus que lhes permitisse invocar fogo do céu sobre a aldeia dos samaritanos. Ele com sua mãe e irmão foram pedir a Jesus um lugar privilegiado no Seu reino – um irmão à direita, e o outro à esquerda do Mestre. João era filho do trovão. Mas continuou preferindo permanecer com Jesus e afinal provou que, se você prosseguir em sua comunhão com Cristo, mais cedo ou mais tarde o seu pecado terá um fim. É assim que isso funciona, é a única maneira.
Anos mais tarde vemos João novamente. É o único sobrevivente dos doze; todos os outros morreram como mártires. João encontra-se na ilha de Patmos, e escreve a própria mensagem de Jesus. Ele escreveu cartas que dizem coisas assim: "Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus... Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor." I S. João 4:7 e 8. Houve uma mudança em João. Ele foi transformado pela graça.
Talvez a princípio tenha recebido a visita de antigos amigos que lhe tenham dito: "João, você está muito mudado!"
E João deve ter olhado para eles e dito: ''Quem? eu?'' Porque as pessoas que são transformadas são as últimas a sabê-lo e as últimas a anunciá-lo. Mas a graça de Deus tem realizado a sua obra.

A Relação Constante

Permita-me dizer-lhe que se você continuar conhecendo diariamente a Jesus como seu Amigo pessoal, se mantiver um significativo envolvimento com Ele em sua vida particular, se nada o afastar dEle, então como João o amado, você sofrerá uma discreta transformação de caráter, imperceptível a você mesmo. Mas seus amigos provavelmente saberão. E qualquer que seja o pecado com o qual você está lutando, conhecido ou não, habitual ou acariciado, ele finalmente desaparecerá.
Às vezes ficamos impacientes e procuramos determinar mediante escalas o crescimento, vitórias e sucessos da vida cristã. Mas seria melhor não fazer isso! Essa questão pertence a Deus; é a obra do Espírito Santo. Os discípulos foram transformados gradualmente: primeiro a erva, depois a espiga e, por fim, o grão cheio na espiga. E enquanto durar o relacionamento com Cristo, esse relacionamento de amor tem sua própria salvaguarda contra a corrupção. Quanto mais profunda nossa comunhão com Cristo, tanto mais nos afastaremos da permissividade e deixaremos de brincar com a graça de Deus. Sou grato hoje pela maneira como Jesus trata os pecadores conhecidos. Isso traz esperança e conforto ao cristão em luta, em crescimento.
E se é certo que somos transformados mediante contínua relação com Cristo, então isso nos revela o segredo da obediência. Somos transformados pela graça, através de um relacionamento constante com Cristo – não mediante nossas lutas, resoluções e esforços para combater o pecado e o diabo. Durante muito tempo, muitos têm mantido duas crenças incompatíveis na fé cristã: Por um lado, que podemos guardar os mandamentos de Deus, que podemos superar e vencer nossos pecados; por outro lado, que necessitamos da ajuda de Deus, mas temos que lutar com nossas próprias forças para Lhe obedecer.
Atualmente há pessoas que ficaram tão frustradas com a melhor obediência que puderam prestar em sua própria força, que decidiram abandonar totalmente sua crença na vitória. Contudo, não é isso que nos ensinam as Escrituras. Sim, os discípulos pecaram, falharam e caíram repetidamente, mas há algo além disso! Através do contínuo relacionamento com Cristo foram transformados à Sua imagem e se tornaram mais que vencedores por Aquele que nos amou.
Conquanto seja verdade que nossa aceitação por Cristo não se baseia em nossa obediência, e que o perdão é ilimitado, de maneira alguma isso desacredita a verdade de que Deus tem poder disponível para guardar-nos de pecar.
É muito bom compreender que a justiça vem somente pela fé e total confiança de que fomos aceitos por Deus, baseados exclusivamente no que Jesus já fez em nosso favor. Faz-nos bem saber que Seu perdão é ilimitado e que Ele tem infinita paciência conosco enquanto crescemos na graça. Mas é possível ir além, e aceitar a verdade de que a obediência e a vitória estão a nosso dispor, e podem ser reais em nossa vida hoje. É bom saber que a obediência, assim como o perdão, vêm somente pela fé. Há muito tempo, Paulo afirmou isso em Col. 2:6: "Ora, como recebestes a Cristo Jesus, o Senhor, assim andai nEle."

Razões Por Que a Obediência Vem Somente Pela Fé

Desejo agora apresentar concisamente oito razões bíblicas por que a obediência só pode ser produzida pela fé, e não pelos nossos próprios esforços.
1. Porque a Bíblia o afirma. É este um bom argumento? Em Romanos 1:17, Paulo diz: "O Justo viverá por fé." Quem são os justos? São aqueles que aceitaram a justificadora graça de Deus, certo? E aqui a Bíblia nos diz que os justos, aqueles que foram justificados, também viverão por fé.
2. A obediência só pode vir pela fé devido à natureza da humanidade. Discutimos isto no PRIMEIRO DIA. Em Romanos 5:19 é-nos dito que pelo pecado de um homem, muitos se tornaram pecadores. E em S. João 3, vemos que a menos que nasçamos de novo, não poderemos ver o reino dos Céus. Se é verdade que, como nos lembra Isaías 64:6, "toda a nossa justiça [própria] é como trapos de imundícia'', então a obediência só pode vir da total dependência de outro Poder. Por causa de nossa própria natureza, não podemos fazer nada por nós mesmos.
3. A obediência só pode vir pela fé por causa da natureza de nossa entrega. Como estudamos no SEGUNDO DIA, a entrega significa abandono de nós mesmos (Romanos 9 e 10). Se abandonamos nossa própria habilidade, então passamos a depender do poder de outro. É impossível, ao mesmo tempo, esforçar-nos muito para ser obedientes e desistir como incapazes de fazê-lo. A desistência nega a possibilidade de um esforço árduo para conseguir obedecer. Quando nos abandonamos, ou nos entregamos, colocamo-nos em total dependência de Deus.
4. A obediência vem pela fé somente, pelo fato de que Deus deseja que estejamos sob o Seu controle. Romanos 6 trata disso. Neste mundo temos duas opções, duas possibilidades quanto a quem pode ter o controle de nossa vida, ou Deus, ou o diabo. Não há terreno neutro. Nosso único controle consiste em escolher qual dos dois poderes queremos que nos controle. Sendo que Deus nos controla pelo amor, ao nos rendermos a seu amorável controle nos tornamos obedientes.
5. A obediência vem somente pela fé por causa da natureza do arrependimento, e este não é nossa própria obra, é um dom (Atos 5:31). Você conhece a clássica definição de arrependimento? Qual é? É tristeza pelo pecado e abandono deste. Assim sendo, então o abandono do pecado também deve ser um dom, não é mesmo? Não é algo que conseguimos, mas sim, é algo que recebemos.
6. A obediência vem pela fé somente, porque é fruto da fé. Ensinando sobre isso, em S. João 15, Jesus deixou claro que a obediência é um fruto. Fruto é resultado de alguma outra coisa. Você não consegue frutos por tentar arduamente consegui-los. Você os consegue da Videira. Se estivermos na Videira, produziremos frutos de maneira espontânea, natural.
7. A obediência resulta somente da fé porque Jesus é nosso poderoso exemplo. Ele viveu e efetuou Suas obras mediante o poder que Lhe vinha de cima (S. João 14:10), e não por algum poder inerente. Ele veio a este mundo não apenas para morrer por nós, para pagar a pena pelo pecado, mas também para mostrar-nos como viver dependendo de um Poder superior. Jesus levou uma vida de obediência exclusivamente pela fé e tornou-Se o maior argumento para provar-nos que somos convidados a viver como Ele o fez, em obediência pela fé.
8. A obediência resulta somente da fé pelo fato de que nos é oferecido descanso em viver a vida cristã, bem como descanso da culpa do pecado. Consideremos isto mais detalhadamente. Em Hebreus 4:9 lemos: "Portanto, resta um repouso para o povo de Deus.'' (Note que é para o povo de Deus – para aqueles que aceitaram e se tornaram Seus filhos.)
A maioria de nós sabe o que é estar cansado fisicamente, e também sabe o que significa estar cansado espiritualmente. Encaremos a questão. Todos nós, em todas as gerações, temos lutado com o fardo da santidade, que, às vezes, não difere muito do fardo do pecado. Achamos freqüentemente que a vida cristã assemelha-se a subir um morro íngreme com pesado fardo nas costas. Mas Hebreus 4 oferece repouso para o povo de Deus.
Vejamos várias outras passagens que falam de descanso. A principal, Apocalipse 14:11, assim diz na última das três mensagens angélicas: "E não têm descanso algum, nem de dia nem de noite, os adoradores da besta e da sua imagem, e quem quer que receba a marca do seu nome.''
Bem, dirá você, isto se refere à destruição final dos ímpios, no lago de fogo. Um momento, há mais implicação nisto do que simplesmente a profética e histórica. Jesus disse: "Vinde a Mim... e Eu vos aliviarei." S. Mat. 11:28. Então, se os adoradores da besta e de sua imagem não têm descanso nem de dia nem de noite, é porque não aceitaram a Jesus, certo?
Outro verso em Apocalipse 14 tem significado espiritual muito interessante. É o verso 13: ''Então ouvi uma voz do Céu, dizendo: Bem-aventurados os mortos que desde agora morrem no Senhor. Sim, diz o Espírito, para que descansem de suas fadigas, pois as suas obras os acompanham."
Bem, sei que isto tem que ver com cemitérios e túmulos, e com aqueles que morrem na fé, aguardando a segunda vinda de Jesus. Consideremos um pouco mais. Aqui há o sentido espiritual também. "Bem-aventurados os que morrem no Senhor." Você já ouviu sobre a morte para o eu, mediante Cristo? "Para que descansem de suas fadigas'' Vinde a Mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e Eu vos aliviarei. " "Pois as suas obras os acompanham."
Hebreus 4:10 também fala sobre repouso. "Porque aquele que entrou no descanso de Deus, também ele mesmo descansou de suas obras, como Deus das Suas." Quando Deus descansou de suas obras? Na Criação, não foi? Foi então que Ele deu o sétimo dia como um memorial, um sinal, a fim de recordar-nos Sua obra criativa. Em Hebreus 4 somos convidados a entrar no repouso sabático. De que o sábado é sinal? De santificação. Êxodo 31:13 e Ezequiel 20:12 e 20 são textos que aludem a isso. O sábado é um sinal do Deus que santifica Seu povo. A verdade acerca do dia de descanso de Deus e a verdade sobre o descanso de nossos próprios esforços para vencer, estão intimamente relacionadas.

Descanso Para o Pecador Cansado, Descanso Para o Santo Cansado

O capítulo 4 de Hebreus refere-se a três tipos de repouso: descanso da obra de aceitação e perdão de Deus (versos 2 e 3); descanso da luta para vencer o inimigo (versos 9 e 10), e o repouso do esforço para conseguir o Céu, ou entrar na Terra Prometida (verso 6). É possível aceitar um tipo de descanso e não o outro.
Muitas pessoas têm aceitado o descanso de Deus no que concerne a sua esperança de vida eterna, e confiam na obra concluída de Cristo em favor delas. É possível, porém, que ao mesmo tempo estejam batalhando para viver a vida cristã. Você pode sentir que, embora não haja pagamento à vista, as mensalidades poderão aniquilá-lo. E então começa a pensar que, afinal de contas, o dom da salvação é caro demais.
Hoje convido você a entrar no descanso de Deus, a parar de procurar obedecer mediante suas próprias obras, a fim de superar suas faltas e sair vitorioso. Se prosseguirmos buscando um relacionamento pessoal com Ele, Deus nos conduzirá ao repouso simbolizado pelo descanso sabático.

Como Obedecer

Bem, procurarei expressar tudo isto nos termos mais simples possíveis. Se você entrar em comunhão com o Senhor Jesus Cristo, e continuar de agora em diante até que Ele volte, Ele fará o restante. Esta é a resposta mais simples à questão de como obedecer. Em Filipenses 1:6 é-nos dito: "Aquele que começou boa obra em vós, há de completá-la até ao dia de Cristo Jesus.'' O perdão é um dom, a salvação é um dom, e a obediência é um dom, todos esses a serem recebidos através de contínuo companheirismo e comunhão com Aquele que é o Doador.
Somente o cristão fiel poderá compreender e experimentar o que é realmente a obediência. Não é simplesmente outro esforço para ajudar-se a si mesmo, nem mudança de comportamento, nem o enfoque do pensamento positivo que proporciona mudanças exteriores àqueles que têm suficiente força de vontade para consegui-las. A obediência pela fé provém unicamente do coração e só é alcançada por aqueles que mantêm comunhão diária com Jesus Cristo.
Você pode escolher continuar esse relacionamento com Deus, dia a dia, e o resultado de conhecer Jesus será a obediência que vem exclusivamente pela fé. Como é bom saber o que Deus deseja realizar em nós, e através de nós, a fim de que Seu nome seja glorificado perante o mundo e o Universo!

COMO CONHECER A DEUS - TERCEIRO DIA

COMO CONHECER A DEUS
Um Plano de Cinco Dias

Morris Venden
Título do Original em inglês:
TO KNOW GOD
Tradução de Edith Teixeira
CASA PUBLICADORA BRASILEIRA
Tatuí - São Paulo - Primeira edição
Cinco mil exemplares - 1989

Deus é amor. Mas como posso ter certeza disto? Por que, afinal, necessito de Deus?
Como posso saber que estou salvo? Como posso manter um relacionamento pessoal com Deus, se não O posso ver nem ouvir? Como posso ter fé nEle quando tudo vai mal? O que acontece quando falho?
Estas e outras perguntas são respondidas nesta obra. O autor propõe um plano de conhecimento e relacionamento com Deus em cinco dias. Depois de ler esta obra e pôr em prática os seus ensinos, você nunca mais será o mesmo.

Como Conhecer a Deus. Um Plano de 5 Dias
Que significa conhecer a Deus em cinco dias? Não leva muito tempo – nem mais, nem menos. Venden, o autor, não enfatiza tanto o elemento tempo quanto a possibilidade; não tanto o saber algo acerca de Deus, mas o fato de conhecê-Lo, de ter um relacionamento pessoal e positivo com Ele. Por isso o autor ressalta essa possibilidade em cinco etapas, ou passos. Ao você compreender como conhecer a Deus, você poderá conhecê-Lo como nunca antes. Como pastor de igreja das nossas escolas superiores já por muitos anos Morris Venden adquiriu muita experiência em lidar com as mentes inquiridoras. Autor de vários livros e orador grandemente solicitado, ele tem demonstrado sua habilidade para expressar e ilustrar seus temas. O beneficio que você obterá desta apresentação de Deus poderá alcançar a eternidade.

TERCEIRO DIA

O meu relacionamento com Deus esfriará se deixo de
comunicar-me com Ele por um dia ou dois?
Como posso ainda ter fé nEle se tudo vai mal para mim?

Era uma vez (você já deve ter uma dica de que história será esta) duas pessoas que se amavam e decidiram casar-se. O noivo achava sua noiva a mais bela e meiga criatura que ele já vira; e ela achava seu marido o homem mais fascinante e bonito do mundo. Como muitos outros, o casamento começou com elevadas esperanças e grandes expectativas.
Todas as manhãs, ao sair para o trabalho, o marido se demorava despedindo-se e a esposa ficava à porta acenando, vigiando a saída do carro, e acenando novamente. Ela não entrava até que o automóvel dobrava a esquina e se perdia de vista. À tardinha ela a cada instante ia à janela e até à porta para vê-lo chegar e dar-lhe as boas-vindas. Algum tempo depois, ao sair para o trabalho, o marido simplesmente tomava algum alimento e saía correndo pela porta. E às vezes ela ainda ficava na cama. Ao voltar para casa à noite, ele a encontrava ocupada com tarefas da casa. Então olhava com surpresa para ele e dizia: "Oh, você já chegou? Daqui a pouquinho terminarei este serviço e começarei a fazer o jantar." O casamento não foi desfeito mas a lua-de-mel, sim.
Bem, um dia não muito depois disso, a noiva que agora era simplesmente uma esposa, achava-se muito ocupada, costurando. Imaginava que a qualquer momento fosse interrompida, porque já estava anoitecendo. Mas não foi. Afinal, ela terminou a costura, passou a ferro a camisa que havia feito, e começou a preparar o jantar. O marido, porém, não chegou. Depois de muito tempo, ela jantou sozinha, muito preocupada, apenas tocando no alimento. Muito mais tarde, ela chorando foi dormir no sofá da sala porque ele não voltou ao lar aquela noite.
Na noite seguinte ele voltou e, ao entrar em casa, a esposa perguntou:
– Onde você esteve?
Ele olhou-a atônito e indagou:
– Que você quer dizer?
– Onde você esteve na noite passada?
Ele mostrou-se mais surpreso.
– Por que você quer saber? Por certo você não espera que eu volte para casa todas as noites. É a coisa mais ridícula que ouvi depois de muito tempo. Milhares de casais passam o tempo separados. Sendo assim, que importa se uma vez ou outra eu não venha para casa? Não precisamos ser tão rígidos quanto ao nosso casamento. Na noite passada eu simplesmente não tive vontade de vir. Havia algumas coisas importantes para fazer. Como você sabe, minha agenda de trabalho é cheíssima. Mas, quase todas as noites volto para casa; não é suficiente?
– Oh, não, não é! – ela respondeu, disparando a chorar.
– Olhe aqui – disse ele ternamente – como casado costumo vir para casa. Você não precisa ficar desolada porque uma noite ou outra quero entreter-me com outros amigos. Para continuarmos casados, não tenho que voltar para casa todas as noites. Acho que é muito melhor para nosso casamento não seguir nenhuma rotina legalista. Você gostaria que eu viesse todas as noites para casa por mero hábito? Se não entrarmos nessa rotina, nosso casamento será mais empolgante.

Você Ficou Impressionado?

Se você está curioso quanto ao final desta pequena parábola, esteja certo de que eles nunca mais foram felizes! Por quê? Porque o matrimônio implica compromisso. Conquanto haja momentos em que as emoções estejam no máximo, e outras vezes no mínimo, um bom casamento jamais deve basear-se nos sentimentos. Baseia-se na dedicação de uma vida inteira a alguém que você ama e o ama também.
Apresentamos uma receita para um bem-sucedido relacionamento e comunhão com Deus. Vimos que o fundamento de uma vida devocional cristã consiste em tomar tempo para a sós, no início de cada dia, buscar a Jesus através de Sua Palavra e da oração. Como acontece no casamento, o relacionamento com Cristo envolve dedicação, que nos leva a buscá-Lo diariamente sejam quais forem nossos sentimentos.
Suponha agora que você assumiu esse compromisso com Cristo. Suponha que você se propôs a dedicar a primeira parte de seu dia para conhecer melhor a Deus. Qual será o resultado?
Se fez tal decisão antes de ter nascido de novo, antes de converter-se haverá possivelmente dois resultados. Primeiro, poderá ser uma penosa viagem morro acima, pois somente o novo nascimento pode proporcionar gosto pelas coisas espirituais. É possível, porém, iniciar um relacionamento com Cristo e descobrir que, ao contemplar Jesus e Seu amor, você é levado à conversão. A segunda possibilidade para uma pessoa não convertida que assume o compromisso de levar uma vida devocional, é terminar em total frustração. O fator distintivo entre esses dois resultados é o seu senso de necessidade. Jesus disse: "Os sãos não precisam de médico, e, sim, os doentes." S. Mat. 9:12. O que faz a diferença é o discernimento da necessidade.

Após o Novo Nascimento

Para aqueles que tenham nascido de novo e se comprometeram a manter comunhão com Cristo, há também duas possibilidades. O relacionamento pode desenvolver-se, tornando-se cada vez mais significativo, ou pode tornar-se insípido. Aqui também, o que faz a diferença é o senso de necessidade. Antes da conversão de alguém, seu senso de necessidade é freqüentemente gerado pelos golpes e contusões da vida. Mas depois da conversão? Como obter, e conservar, o senso de necessidade? Neste ponto eu gostaria de acrescentar algo que não incluí na receita básica para uma vida devocional. Omiti o testemunho do cristão, e havia uma razão para omiti-lo até aqui.
Em primeiro lugar, para ser uma testemunha você deve ter algo para contar. Suponha que você foi chamado para ser testemunha num tribunal. Após você ter feito o juramento e tomado o seu lugar, o juiz dissesse:
– Onde você estava na hora do crime?
– Em casa, dormindo.
– Bem, você ouviu ou viu alguma coisa?
– Não, Sua Excelência. Dormi a noite toda, e só na manhã seguinte fiquei sabendo do que ocorreu.
– E o senhor é uma testemunha?
E você seria expulso do tribunal.
As igrejas cristãs às vezes pensam que se pudessem fazer com que todos se envolvessem em testemunhar e alcançar outros, isso produziria reavivamento, reforma e vida espiritual. Mas o primeiro pré-requisito para ser testemunha é ter algo pessoal para testemunhar. Não podemos ser testemunhas do que ouvimos dizer, ou de boatos ou informações. O testemunho requer conhecimento pessoal e experiência. Portanto, para ser verdadeira testemunha, a pessoa precisa primeiro ter um relacionamento pessoal com Cristo.

Testemunhar: Causa e Resultado

Todavia o testemunhar é tanto causa como resultado da vida cristã, porque não podemos testemunhar sem que antes tenhamos algo para contar. Mas quando procuramos testemunhar e alcançar outros, isso aumenta nosso senso de necessidade, leva-nos a orar mais, tornando-se assim um meio eficaz para manter nosso relacionamento devocional com Deus em forma vigorosa e plena de significado. Este foi o propósito de Deus ao dar-nos uma parte a desempenhar no levar as boas novas do evangelho a outros.
Para nos familiarizarmos com Deus é de importância vital gastar tempo em comunicação direta, falando com Ele e ouvindo o que Ele tem a nos dizer mediante a Sua Palavra. Testemunhar, porém, é o terceiro meio pelo qual nos relacionamos com Ele – saindo para trabalhar para Ele e com Ele.
Este mesmo princípio se aplica a qualquer relacionamento. Poucas amizades baseiam-se apenas na conversação – embora poucas sobrevivam sem ela. Dedicamos tempo para falar com aqueles de quem gostamos, e também para ouvi-los. Mas nos tornamos mais entrosados com eles quando trabalhamos, viajamos ou nos divertimos juntos. Tem-se dito que há dois testes para um casamento. Primeiro, juntos, revestir de papel de parede o banheiro. E então, se ainda estão casados, procurar limpar juntos a garagem. Se você já tentou fazer um ou outro destes dois testes, você deve ser capaz de dar seu testemunho pessoal de que é possível descobrir coisas a respeito de seu cônjuge, fazendo algo em conjunto, as quais você jamais teria descoberto se apenas se sentassem para se olhar e conversar.

Testemunhar é...

Antes de prosseguirmos neste assunto, talvez seja importante tratarmos sucintamente sobre o que é e o que não é o testemunhar. Você já imaginou que testemunhar é antes de tudo sair e tocar as campainhas de pessoas que você jamais viu e falar-lhes acerca de religião? Você já pensou que outros esperam que você envie "bombas evangélicas'' através do correio rural, ou, ao viajar, distribua folhetos nas cabinas de pedágio? ou talvez tema que lhe peçam para parar as pessoas nas ruas ou nos aeroportos, e tente levá-las a aceitar o evangelho?
Se alguma vez se sentiu embaraçado ao pensar em tais atividades, e se convenceu de que não dá para isso, então bem-vindo ao clube! Ao homem que foi curado, de Gadara, Jesus sugeriu que voltasse para seu lar, para seus amigos e lhes contasse quão grandes coisas Deus fizera por ele (S. Mar. 5:19). Não se esperava que ele começasse aproximando-se de estranhos ou viajasse para alguma terra distante. Em vez disso, Jesus disse: "Vai para tua casa, para os teus." E não lhe foi pedido que começasse imediatamente a dar estudos bíblicos sobre profecias e doutrina. Ele devia contar o que Jesus fizera por ele pessoalmente.
Por outro lado, às vezes as pessoas pensam que não é necessário dizer nada, mas simplesmente resguardar-se para ser o que se chama testemunha silenciosa. Volvamos por um minuto à sala do tribunal e vejamos como isso funcionaria. O juiz diz:
– Onde o senhor se achava na noite do dia 27?
Silêncio.
– Eu disse: Onde o senhor se achava na noite do dia 27?
Mais silêncio.
Finalmente, antes que o juiz o acuse de desrespeito ao tribunal, você consegue dizer:
Eu gostaria de ser simplesmente uma testemunha silenciosa. Penso que só minha presença aqui deve demonstrar a minha lealdade. Visto que não sei falar bem, prefiro ser uma testemunha silente.
Não, uma testemunha não tem apenas algo a dizer – ela o diz! Não há dúvida de que é vital para nosso testemunho cristão que sejamos bondosos, amáveis e interessados em ajudar os que necessitam de nosso auxílio. Mas há ateus que praticam muitos atos de amor. Para sermos testemunhas em favor do Senhor Jesus Cristo, devemos ter algo a falar sobre Ele e Seu amor, e o que Ele significa para nós pessoalmente. Quando o contar quão grandes coisas Ele tem feito por nós se une a uma vida de cuidado e preocupação pelo bem-estar de outros, nós exaltamos a Jesus.

As Três Áreas Tangíveis

Em Filipenses 2:12, Paulo diz: "Desenvolvei a vossa salvação com temor e tremor.'' Como você pode desenvolver sua própria salvação? Qual é a sua parte? Que pode fazer? Três coisas. As duas primeiras são o estudo da Bíblia e dedicar tempo para oração. A terceira é o testemunho cristão. Mas você não pode envolver-se realmente em contar quão maravilhoso Amigo encontrou em Jesus até que tenha um importante relacionamento com Ele. Assim o estudo da Bíblia e a oração se tornam absolutamente necessárias para produzir um genuíno testemunho cristão. E inevitável, porém, que se não nos envolvermos em partilhar a fé, no serviço e no testemunho cristão, o estudo da Bíblia e a oração perderão o sabor, e terminaremos em pior situação do que quando iniciamos.
Em S. Mateus 25, Jesus contou uma parábola que ilustra o fato de que se não trabalhamos e levamos o evangelho a outros, perdemos a espiritualidade que já alcançamos. Você pode ler isto nos versos 14-30. E Jesus conclui dizendo (verso 29): ''Porque a todo o que tem se lhe dará, e terá em abundância; mas ao que não tem, até o que tem lhe será tirado." É partilhando o amor de Deus com outros que conservamos viva a nossa alma.
Se não crescemos, morremos. Isto é tão verdadeiro na Natureza quanto o é na sua vida espiritual. A planta tem de crescer, ou morrer. Um dia minha esposa trouxe para casa duas roseiras, que plantamos em terra bem preparada. Procuramos regá-las bem. No entanto, nenhuma das roseiras crescia. Afinal, quando já pareciam quase mortas, nós transplantamos uma delas para outro local. E começou a crescer! Transplantamos a outra também, mas já estava morta! Embora fizéssemos tudo, não reviveu. A planta que não se desenvolve, morre.
Em S. Marcos 8:35, Jesus falou sobre os princípios do crescimento: ''Quem quiser, pois, salvar a sua vida, perdê-la-á; e quem perder a vida por causa de Mim e do evangelho, salvá-la-á." É dando-nos aos outros em serviço, que crescemos; e, enquanto crescemos, a vida espiritual continua.

Razões Para Não Testemunhar

Em virtude de não desejarem servir e alcançar outros, as pessoas são possuídas de alguns temores comuns. O primeiro é a incerteza espiritual em nosso íntimo. Achamos difícil convencer outros de que Deus os aceitará assim como são, porque não estamos ainda convictos de que Ele nos aceita. É-nos difícil apresentar Jesus a outros quando não O conhecemos por nós mesmos.
O segundo temor é o do fracasso. Ficamos preocupados se seremos bem-sucedidos em testemunhar. Preferimos então deixar a tarefa para os "profissionais", que, pensamos, a desempenharão bem. Mas sucesso ou insucesso não é de nossa alçada. É somente o poder do Espírito Santo que conquista os corações.
O terceiro temor freqüentemente expresso é o de, de alguma forma, ensinar algo errado – de não ser suficientemente capaz para responder a todas as perguntas e argumentos que possam surgir. Aqui também, se falamos de testemunho em termos do que Deus tem feito por nós, devemos saber as respostas! Não se requer que cada cristão se torne teólogo e estudante das profecias, aprenda grego e hebraico e tudo o mais, antes que possa falar com alguém a respeito do amor e poder de Cristo.
Outra principal objeção ao testemunhar é que exige tempo. De novo, esta objeção baseia-se muitas vezes no falso conceito de que sair e passar talvez horas falando com estranhos ou distribuindo folhetos, constitui uma atividade adicional a nosso programa diário. Mas para quem está em comunhão com Jesus e tem algo a contar, o testemunhar torna-se um estilo de vida. Falar a respeito de Jesus a familiares e amigos em nossos contatos diários não implica necessariamente em gastar tempo extra. Mas Deus nos concedeu uma dádiva de tempo especificamente para desfrutarmos da alegria de trabalhar com Ele. Chama-se sábado. Um dia em sete Deus nos dá tempo – tempo para comunhão com Ele, de modo especial, e tempo para unir-nos a Ele no serviço em favor de outros.
Você tem um amigo que está doente e gostaria de receber uma visita, mas você ainda não teve tempo de ir vê-lo? Deus deu o sábado para você. Sabe de um vizinho solitário, que gostaria de receber um convite para visitar você, mas você anda ocupado demais? Deus deu o sábado para você. Você tem pensado em sair com seus filhos para desfrutar da Natureza, ou talvez levá-los para comer à margem de um lago, mas não tem tido tempo? Deus deu o sábado para você. Seja partilhando o amor de Deus com nossa família e amigos, seja procurando alcançar o mundo fora, temos tempo, toda semana – a resposta especial de Deus ao problema de achar tempo, em nossos superlotados programas diários, para levar o evangelho a outros.
Além disso, é propósito de Deus que o testemunhar e o servir se tornem um estilo de vida. É verdade que haverá ocasiões mais planejadas para alcançar outros e partilhar a fé. Mas nosso testemunho não deve limitar-se apenas a essas ocasiões. Na verdade, quer saibamos ou não, nós estamos testemunhando o dia todo, em tudo o que fazemos. Pela nossa vida, nossas ações, pelo ambiente que nos circunda, damos nosso testemunho contra ou a favor de Deus. Um vital relacionamento com Ele dará colorido ao nosso testemunho, silencioso e verbal, e o Senhor o usará para partilhar Seu amor com aqueles que estiverem em nossa esfera de influência.

Outros Problemas na Vida Devocional

Em nove de dez casos, se houve um tempo de valioso relacionamento diário com Deus mas desvaneceu, a causa jaz na falta de envolvimento para alcançar outros, prestar-lhes serviço e levar-lhes a mensagem. Há, porém, outros fatores que podem ocasionar um curto-circuito em nosso relacionamento com Deus. Vejamos sucintamente alguns deles.
Um problema com que muita gente se depara é o de uma vida devocional irregular. Durante certo tempo eles se dedicam à comunhão com Deus, e ficam maravilhados com as percepções de Seu amor e Sua aceitação. Então se acham muito ocupados, e começam a falhar por um ou alguns dias, ou uma ou duas semanas. Daí, em geral por causa de algum problema ou dificuldade, voltam a buscar a Jesus. Mas alguns dias após passada a crise, novamente esquecem e negligenciam a comunhão. Às vezes, ao verem a falta de crescimento espiritual resultante desse relacionamento intermitente, as pessoas imaginam que Deus está zangado por causa da sua negligência, e por isso são punidos com as conseqüências.
Essas pessoas, porém, olvidam que ao negligenciarmos nossa comunhão pessoal com Deus e companheirismo pessoal com Cristo, temos um inimigo que tira disso o máximo proveito. A Bíblia nos fala de Deus, e também de Seu inimigo, o diabo. É-nos dito que "o diabo, vosso adversário, anda em derredor, como leão que ruge procurando alguém para devorar''. I S. Ped. 5:8.
Quando abandonamos nossa comunhão com Deus, podemos estar certos de que o inimigo fará tudo para evitar que novamente encontremos significado no relacionamento com Jesus, pois ele sabe que esta é a nossa única fonte de poder. Ele procurará manter-nos ocupados demais para ter tempo para Deus. Ele provocará toda sorte de problemas em nossa vida. Procurará destruir-nos com tentações e pecados, e então nos dirá que não ousemos volver a Jesus até que tenhamos conseguido algumas semanas de fiel serviço. Daí, dez dias depois, ele nos leva a cair e falhar novamente. E isto pode repetir-se tanto que a pessoa mais forte chega a desanimar-se.
Outro problema que leva alguns a abandonarem sua comunhão com Deus, é a falta de compreensão do que é realmente a fé. Fé é uma palavra muito mal interpretada. Há pessoas que pensam que fé é algo que produzimos, ou geramos por nós mesmos. Eu gostaria, porém, de afirmar que a fé jamais é produzida por alguém – é um dom de Deus. Paulo o declara explicitamente.
Há igrejas inteiras que se baseiam na falsa premissa de que fé é algo que você mesmo pode produzir. É idéia popular que você deve exercitar sua fé e, para fazê-lo, deve chegar a crer que algo irá acontecer. Se sua fé for bastante forte, o que você acredita que irá acontecer, acontecerá.

A Menina e o Guarda-chuva

Conta-se a história de uma meninazinha que foi à igreja assistir a um culto no qual as pessoas estavam orando por chuva. As plantações estavam-se secando, por isso era necessário que chovesse. A menina foi, levando seu guarda-chuva. E as pessoas sorriram de sua fé.
Mas choveu. Disseram então que foi em resultado de a menina ter levado o guarda-chuva. Se você tem suficiente coragem e ousadia para levar o guarda-chuva, é certo que choverá. A verdade, porém, é que não choveu porque ela levou o guarda-chuva, mas ela o levou porque sabia que choveria. Percebe a diferença?
Efésios 2:8 diz: "Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós , é dom de Deus." Fé é um dom de Deus. Você não pode produzi-la. É mais que "pegar a Deus em Sua palavra", definição aceita por muitos cristãos. Fé é confiança – e a confiança resulta da comunicação e relacionamento com Aquele que é absolutamente confiável.
A má compreensão do que seja a fé, ou confiança, pode resultar em problemas no relacionamento com Cristo. Uma falsa idéia sobre fé leva-nos a esperar que Ele aja ou reaja às nossas petições, de certa maneira. E quando oramos e não obtemos a esperada resposta, ou nos surgem repentinas provações, cedemos à tentação de desistir de uma vez da comunhão com Deus.
Certa ocasião fui visitar um homem que era muito temperamental. Eu estava realizando conferências públicas em sua cidade, e alguém disse: "Por que o senhor não convida esse homem para as reuniões?" Dirigi-me, pois, à casa dele, na periferia da cidade. Bati à porta. Ao abri-la e ouvir quem eu era, ele disse: ''Esses malditos pregadores!" (Embora a palavra usada não tivesse sido bem essa!)
O homem convidou-me a entrar – o que não fazia sentido! Mas entrei e sentei-me. Então ele começou a me insultar. Uma das coisas que ele disse foi: "Tenho conversado com meu maldito travesseiro tantas vezes quantas com meu maldito pastor, e jamais recebi uma maldita resposta de nenhum dos dois."
Ele havia rompido sua vida de oração porque não havia recebido respostas. Se sua única razão para orar é conseguir respostas, cedo ou tarde você deixará de fazê-lo.
Houve um tempo em que eu pensava que o estudo da Bíblia e a oração eram um fim em si mesmos. Mas então descobri que são as grandes avenidas que Deus nos oferece para que possamos comunicar-nos com Ele. Se mantivermos o compromisso de comunicar-nos com Ele através dessas avenidas, chegaremos a conhecê-Lo. E ao conhecê-Lo descobriremos que nossa confiança se despertará espontaneamente.

A Fé é Espontânea

Um dos indícios principais e particulares da fé genuína, ou confiança, é sua espontaneidade. Neste sentido, assemelha-se ao amor. Você já tentou forçar a si mesmo a amar alguém? Que tal? Você não pode acender e apagar o amor, não é verdade?
Um dos mais insidiosos enganos do inimigo é levar uma pessoa a fazer tudo, exceto manter comunhão com Jesus. Alguém diz: "Estou interessado na religião; quero tornar-me cristão.'' E o inimigo diz: "Oh, muito bem!" Então convoca uma comissão de meios e recursos, que nada tem a ver com dinheiro. São meios e recursos para desviar a pessoa de conhecer a Deus. O diabo diz: "Se esta pessoa insiste procurando ser cristã, deixemos que se preocupe com a justiça." E então o diabo começa a cochichar-lhe no ouvido: "Você tem que ser bom para ser cristão. Deve fazer tudo que é direito. Esforce-se para isto! Oh, você falhou hoje. Você deve esforçar-se mais."
Você já se esforçou tanto para dormir à noite que só conseguiu ficar acordado? Já lutou tanto com o demônio que ficou mais parecido com ele? Se você ficar-se contemplando sempre no espelho, você logo parecerá mais com você mesmo. É pela contemplação que somos transformados.
Permita-me lembrá-lo de que não podemos lutar para conseguir a justiça. Ela vem através de Cristo, não é produzida por nós. Romanos 4:4 e 5: "Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor, e, sim, como dívida. Mas ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica ao ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça."
Isto não quer dizer que a justiça não nos venha; mas vem como dom de Deus, e não como fruto de nossos esforços. Quando finalmente chegamos a compreender que a justiça é pela fé, o diabo diz: "Muito bem – você já conseguiu ter fé. Agora se esforce e obrigue-se a crer. Se tiver grande fé, alcançará a vitória ou a resposta a suas orações."
Mas o diabo é um mentiroso – de fato, a Bíblia o afirma em S. João 8:44. A verdade é que anhos, justiça e fé, vêm em resultado da comunhão com o Senhor Jesus Cristo. A fé não constitui um fim em si mesma. É um meio para se alcançar um fim. Sempre vem e cresce em resultado de um relacionamento ativo e firme com Jesus.
A justiça não vem àqueles que a buscam, mas sim àqueles que buscam somente a Jesus. A fé não vem àqueles que a buscam, mas aos que buscam a Jesus.
Convido você hoje a aceitar algo que produz fé genuína, que salva. É a base de toda a vida cristã. É o meio de salvação. É conhecer a Jesus como seu amigo pessoal. E a comunhão e o companheirismo com Jesus lhe proporcionarão tudo o mais que Jesus lhe quer proporcionar, tanto neste mundo quanto no vindouro.

Por Que as Coisas Pioram Quando Mais Buscamos a Deus?

Outro problema muito comum que deve ser considerado, pois leva as pessoas a interromper seu relacionamento com Deus, é que freqüentemente quando começamos esse relacionamento as coisas começam logo a piorar. Ora, isso não acontece sempre, mas é bem freqüente.
Por certo, se você fosse o demônio e soubesse que a comunhão com Jesus é a base total da vida e crescimento cristãos, você faria tudo para desanimar a pessoa que estivesse buscando a Cristo. Mas o que me deixou perplexo quando isso me aconteceu foi o pensamento: Deus não é suficientemente poderoso para evitar que assim aconteça?
A resposta a esta indagação é fascinante e encontra-se nos dois primeiros capítulos do livro de Jó. Vejamos a história, começando com Jó 1:6-8: "Num dia em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles. Então perguntou o Senhor a Satanás: Donde vens? Satanás respondeu ao Senhor, e disse: De rodear a Terra e passear por ela.
''Perguntou ainda o Senhor a Satanás: Observaste a Meu servo Jó? Porque ninguém há na Terra semelhante a ele, homem integro, e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal."
O argumento de Satanás foi: "Venho da Terra. Sou encarregado dela."
O argumento de Deus: "Não estás encarregado de ninguém. observaste Meu servo Jó?"
"Então respondeu Satanás ao Senhor: Porventura Jó debalde teme a Deus? Acaso não o cercaste com sebe a ele, a sua casa e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste, e os seus bens se multiplicaram na Terra. Estende, porém, a Tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra Ti na Tua face!
"Disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está em teu poder; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor." Versos 9-12.
Qual era a questão? A única acusação de Satanás era que Jó servia a Deus porque dEle obtivera bênçãos e riqueza. Pelo menos no caso de Jó, Deus em Sua sabedoria achou melhor permitir que Satanás o provasse nesse ponto. Por isso, deu-lhe permissão para fazê-lo. E Satanás veio, por assim dizer, com todas as suas armas flamejantes e destruiu tudo que Jó possuía.
Jó não compreendeu a situação. Pensou que era Deus quem lhe estava tirando tudo (verso 21). Tem havido grande falta de compreensão dos desígnios de Deus, não é verdade? Mas a despeito de não compreender a Deus, Jó não se tornou estulto. Ele manteve sua confiança em Deus, pois seu conhecimento dEle era suficiente para manter uma base de confiança permanente mesmo em face de algumas incompreensões.
Continuemos com o capítulo 2: "Num dia, em que os filhos de Deus vieram apresentar-se perante o Senhor, veio também Satanás entre eles apresentar-se perante Ele. Então disse o Senhor a Satanás: Donde vens? Respondeu Satanás ao Senhor e disse: De rodear a Terra, e passear por ela.
"Perguntou o Senhor a Satanás: observaste meu servo Jó? Porque ninguém há na Terra semelhante a ele, homem integro e reto, temente a Deus, e que se desvia do mal. Ele conserva a sua integridade embora Me incitasses contra ele, para o consumir sem causa.
"Então Satanás respondeu ao Senhor: Pele por pele, e tudo quanto o homem tem dará por sua vida. Estende, porém, a Tua mão, toca-lhe nos ossos e na carne, e verás se não blasfema contra Ti na Tua face!
"Disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está em teu poder; mas poupa-lhe a vida.
"Então saiu Satanás da presença do Senhor, e feriu a Jó de tumores malignos, desde a planta do pé até ao alto da cabeça." Versos 1-7. E Jó ainda manteve a sua integridade.
Mas a esposa de Jó, não. Ele perdera tudo, exceto sua esposa. O diabo sabia que ela lhe seria um instrumento muito útil. Assim que ele a conquistou, deve ter sorrido feliz, felicitado os seus diabinhos, dizendo-lhes que, se perseverassem, conquistariam a Jó também.

Jó – Segunda Parte

Não vamos considerar o caso de Jó como simples história, pois podemos tirar importantes lições da razão por que as coisas pioram quando nos empenhamos mais em buscar a Deus. Eu gostaria de dizer que a experiência de Jó se repete na vida de cada um de nós, mais cedo ou mais tarde. Você pode experimentá-la na primeira, na segunda ou na décima parte.
Acontece mais ou menos assim: Satanás sabe que tudo que ele precisa fazer para conservar-nos em suas fileiras é manter-nos longe de um relacionamento pessoal com Deus. Não se importa muito com o que ele nos leva a fazer, ou não. Freqüentemente ele exulta não tanto porque fazemos coisas erradas, quanto porque não as fazemos mediante nossas próprias forças. É evidente que Satanás, de maneira arbitrária, escolhe deixar uns no trono, ao passo que empurra outros para a sarjeta. Uma pessoa pode estar perdida enquanto se gloria em seus sucessos, se esses são alcançados por esforço próprio, separados de Jesus, da mesma forma que pode estar perdida chapinhando em seus fracassos.
De modo que, no que se refere aos atos malignos, a Satanás pouco importa o que ele nos leva a fazer ou a não fazer. O que realmente o preocupa é se a pessoa está, ou não, em companheirismo e comunhão com Deus. Ele fica desesperado quando alguém se interessa na salvação pela fé, porque sabe que isto finalmente o derrotará. Assim, quando começamos a interessar-nos em conhecer Deus, o diabo convoca sua comissão de meios e recursos a fim de impedir que isso aconteça em sua vida e na minha vida. Ao mesmo tempo ele ergue o punho perante Deus e nos acusa como fez com Jó. Satanás diz a Deus: ''Estás vendo fulano? Seus motivos para buscar-Te são egocêntricos. Ele quer entrar no Céu. Quer a cura de suas úlceras. Quer conseguir a paz da qual outros cristãos falam. Quer ver seus problemas solucionados e suas orações atendidas. Não Te busca porque Te ama, mas sim para conseguir alguma coisa de Ti."
Então ele diz aos demônios que venham a nós com suas armas chamejantes. Falo de experiência própria, pois, como diz o ditado: ''Para conhecer um ladrão, ninguém como outro ladrão''! Quando comecei a buscar uma experiência real com Deus, tudo pareceu desmoronar-se em minha vida. Surgiram problemas físicos, financeiros, familiares. Não somente isso, mas o diabo vem pessoalmente com toda tentação que ele possa reunir para nos levar à queda e ao fracasso, e às vezes até a viver de maneira pior que antes. E apesar de estarmos buscando a Deus, dedicando tempo à Sua palavra e à oração, tudo se desmorona.
Você sabe o que eu fiz quando isso me aconteceu pela primeira vez? Ao fim do dia, eu disse: "Não funciona!" Na manhã seguinte decidi dormir até mais tarde.
Imagine o que aconteceu. Tive um dia ótimo! Tudo correu bem. Nem mesmo cometi algum "pecado''. À noite felicitei-me pela excelente vida que eu vivera naquele dia. E o diabo reuniu de novo sua comissão de meios e recursos e tiveram uma divertida celebração. Sua estratégia havia funcionado.
Um dia um de meus alunos me disse: "Faz duas semanas que deixei de ser cristão, e daí para cá não tenho pecado!" Com freqüência achamos que, a partir do momento em que cortamos nosso relacionamento com Cristo, as coisas evidentemente melhoram. Parece que cessam nossos problemas.
Bem, a esta altura você poderia pensar que o diabo é bastante inteligente para deixá-lo a sós, tranqüilo. Mas sendo o pecador número 1 do Universo, Satanás tem notável falta de domínio próprio. Assim, durante algumas semanas ele me deixou só; no entanto, sob o seu poder, porque eu não estava buscando a Deus mediante Sua palavra e a oração. Voltou, porém, a mim, e desta vez para divertir-se. Ele não fica feliz apenas vendo a pessoa perdida; mas gostaria de vê-la jogada na sarjeta. Assim, ao voltar após uma ou duas semanas, trazendo mais problemas, isso me leva a orar.
Já aconteceu assim com você? Dizemos: ''Penso que, afinal de contas, preciso dessa experiência com Deus'', e novamente começamos a buscar a Deus. Então o diabo fica realmente nervoso, e queixa-se para seus auxiliares, dizendo: "Afinal, que acontece com vocês?'' E mais uma vez eles vêm assediar-nos com todos os recursos que possuem.
Se fosse bastante inteligente, o diabo teria deixado alguns de nós sozinhos, e já há muito tempo nos teria sob seu poder. Mas ele continua assediando-nos até nos voltarmos para Deus permanentemente. Deus pode usar de algumas manobras satânicas para Sua própria glória, não pode?

O Segredo de Jó

Detesto admitir quantas vezes passei por essa insana rotina até o dia em que me dei conta do que estava acontecendo. Era a segunda parte de Jó. Qual foi o segredo de Jó? Quando ele provou perante o Universo e as forças oponentes do grande conflito entre Cristo e Satanás, que ele estava servindo a Deus não por motivos egocêntricos, mas porque O amava, então Deus pôde vir com Suas bênçãos e pôr o demônio em retirada. E afinal, as bênçãos de Jó foram duplicadas.
Como a segunda parte de Jó funciona? Quando o diabo nos acusa de buscarmos a Deus por egoísmo, então o Senhor permite que Satanás procure provar isso até que nossos motivos sejam revelados a nós mesmos, ao diabo, ao Universo inteiro. Deus tem sempre sido bom, mesmo tratando com o diabo. E logo virá o tempo em que todo joelho se dobrará e toda a língua confessará que Deus é bom e justo (Ver Filip. 2:10, 11). O próprio Satanás dobrará os joelhos e admitirá que Deus jamais foi injusto.
Tudo bem, começo a buscar a Deus e Satanás diz: "Ele Te busca somente por egoísmo, e por esse motivo fui expulso do Céu. Não podes ajudá-lo mais." Então Deus é encostado à parede, e quem unicamente pode provar se é Ele ou o diabo que tem razão, é você ou eu.
Que aconteceu no fim daquele primeiro dia quando tudo correu mal e eu disse: "Bem, isso não funciona", e dormi até mais tarde na manhã seguinte? A quem dei o meu voto? Provei que o diabo estava certo. Quando as coisas não correram como eu planejara, esqueci-me de buscar a Deus e, no meu caso, Satanás estava absolutamente certo. Quando finalmente percebi o que estava ocorrendo, compreendi porque Deus permitira que o diabo me assaltasse tanto, e também compreendi que meus motivos para buscar a Deus eram errados.
Acontece, porém, que não posso mudar meus motivos. O coração egoísta não pode mudar-se a si mesmo. Existe somente um lugar onde os motivos podem ser mudados, e este é aos pés de Cristo.

Busquemos a Deus por Motivos Corretos

Quando compreendemos esta questão, ajoelhamo-nos e dizemos: "Senhor, vejo o meu problema. Queres dar-me Tua graça para mudar os meus motivos, a fim de começar a buscar-Te por Tua causa, e não pela minha própria?" Você não gostaria de buscar a Deus por causa dEle, e não por sua própria causa? Não gostaria de ser capaz de procurá-Lo como resposta de amor pelo que Cristo já fez por nós na cruz? Não gostaria de continuar buscando companheirismo e comunhão com o Céu, aconteça o que acontecer na vida, seja bom ou ruim? Ao fazer isso, você começará a experimentar em sua própria vida o final da história de Jó.
Um dia você verá Deus dirigir-Se a Satanás, dizendo: "Como vão as coisas? (Desculpe-me por colocar estas palavras na boca de Deus.)
O diabo dirá: ''Estou atacando-o com todas as minhas forças."
E Deus responde: "Eu sei. Tenho observado. Mas ele continua procurando manter comunhão com o Céu, não continua?''
O diabo começa a inquietar-se.
Então Deus diz: "Estará esta pessoa Me buscando pelo que Meu Filho fez? Estará Me buscando por amor, e não por motivos egocêntricos?"
A esta altura, o inimigo foge. Nada mais tem a dizer.

Provemos Que Deus Está Certo

A alegação de Deus foi que Jó O amava porque lhe era fiel. Jó provou que Deus estava certo. É meu privilégio hoje provar que Deus novamente tem razão. Ele nos ajuda a buscá-Lo porque 0 amamos, e ajuda a submetermos a Ele todos os nossos motivos egoístas. Somente então o Senhor pode conceder-nos todas as bênçãos e poder do Céu que Ele almeja dar-nos.