Por Que Precisamos de um Salvador

sábado, 5 de maio de 2012

Editora Fiel - Artigo: Por Que Precisamos de um Salvador 

Por Que Precisamos de um Salvador

Edward Donnelly

Edward Done lly é ministro da Trinity Reformed Presbyterian Church, em Newtownabbey, na Irlanda; professor de Novo Testamento no Reformed Theological College (Belfast), preletor em conferências teológicas internacionais, autor de diversos artigos e livros, um deles publicado em português pela Editora PES: “Depois da morte: o que?”.

Diz-se que o ser humano possui três necessidades básicas: alimento, vestes e habitação. Estas são, com certeza, necessidades humanas básicas. Todavia, existe uma necessidade vital que evidentemente está fora da lista. “Qual é essa necessidade?” — talvez você pergunte. Ora, é a necessidade de um Salvador; é a necessidade de crer em Jesus Cristo e de se render a Ele.

Espero que você pergunte a si mesmo: "Por que eu preciso crer em Jesus Cristo?” Render-se a Cristo é, antes de tudo, um passo muito elevado. Por que você deve fazê-lo? Por causa do pecado. Todos nós somos pecadores, e Cristo veio para salvar os pecadores. Você é pecador, e Jesus pode salvá-lo.

Para que entendamos melhor, voltemos ao passado, a Davi, o rei de Israel, que nos ensinará a respeito do pecado. Davi é uma pessoa bem qualificada a fazer isto, porque ele mesmo foi um grande pecador. Ele cometeu adultério com Bate-Seba, a esposa de outro homem. Davi a contemplou, cobiçou-a e a tomou para si — atitudes más aos olhos de Deus. E o pior de tudo foi que ele abusou de sua posição como autoridade sobre o esposo de Bate-Seba, ao tentar enganá-lo; e, depois de haver falhado nisso, assassinou aquele homem.

Concluímos, assim, que Davi foi um grande pecador — e, neste aspecto, o mais vil dos mais vis pecadores. Mas, apesar disso, ele possui uma grande percepção no que se refere às obras do pecado no coração do homem. Deus outorgou a este rei do antigo Israel um entendimento tão exato e profundo, que ele é capaz de explicar o nosso íntimo para nós mesmos. Ele nos oferece uma percepção mais valiosa do que todos os livros sobre terapia de comportamento que existem no mercado, hoje.

Imagine Davi assentado em seu palácio real, em Jerusalém: um rei de caráter forte e enérgico. Muitas vezes, como guerreiro, ele lutou e venceu com uma simples batalha. Apesar disso, este homem valente e dinâmico poderia estar chorando, quando escreveu as palavras deste salmo. Seus olhos estavam vermelhos, e suas bochechas, listradas pelas lágrimas escorridas. O que ele estava escrevendo em um tablete de cera, utilizando um pedaço de osso ou uma lasca de madeira? Era uma carta pedindo perdão à família do homem que ele assassinara? Não era. Talvez era um aviso para Bate-Seba, sua companheira no adultério, dizendo-lhe que o filhinho deles morreria? Não. O rei Davi estava escrevendo para Deus, e suas palavras iniciais foram as seguintes:

Compadece-te de mim, ó Deus, segundo a tua benignidade; e, segundo a multidão das tuas misericórdias, apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado.

Este é um dos mais admiráveis diagnósticos do pecado! Nestas palavras, vemos com muita clareza, por que necessitamos de um Salvador. Consideremos estas palavras sob três títulos: Um Reconhecimento do Pecado, Uma Descrição do Pecado e o Perdão do Pecado.

Reconhecimento do Pecado

As palavras que Davi utilizou nesta passagem são as três mais comuns para descrevê-lo: “transgressões”, “iniqüidade” e “pecado”. Ele não estava apenas multiplicando palavras, tendo o propósito de encher espaço. Cada uma destas palavras tem um significado distinto, e desejamos considerá-las uma a uma.

Isto o deixa impaciente? Você acha que estou dizendo que você não se interessa por minúcias teológicas ou pelas variações exatas do significado? Suponha que você estivesse seriamente enfermo e que, ao procurar seu médico, ele lhe dissesse: “Quero explicar-lhe a sua doença: ela é constituída de três ou quatro componentes; e você precisa conhecer claramente cada um deles”. Você responderia: “Doutor, não tenho tempo para isso. Não tenho interesse em detalhes médicos. Conte-me apenas o fator mais importante”? É claro que não. Você desejaria ouvir tudo que ele tinha para dizer-lhe. Não gostaria de perder nada, para que soubesse com exatidão o que estava errado com você. Ora, Davi é o doutor de sua alma. Não seja impaciente para com o diagnóstico dele. Esteja atento ao que significa cada uma destas palavras, bem como à ordem em que elas foram utilizadas; tanto o significado quanto a ordem são importantes.

Primeiramente, Davi falou: “Minhas transgressões”. Esta é a palavra mais forte. Ela significa “libertar-se” ou “apartar-se” de Deus. Foi utilizada, por exemplo, para referir-se a uma rebelião contra um superior. Em 1 Reis 12.19, lemos: “Assim, Israel se mantém rebelado contra a casa de Davi, até ao dia de hoje”. Aqui aparece a mesma palavra — “Israel transgrediu contra a casa de Davi”. Davi era o senhor e o governador deles; mas os israelitas libertaram-se da autoridade de Davi. Esta palavra é utilizada algumas vezes no ambiente doméstico. Deus falou sobre o Israel desobediente: “Criei filhos e os engrandeci, mas eles estão revoltados [transgrediram] contra mim” (Is 1.2). Podemos imaginar a figura de um adolescente empurrando para o lado os braços amáveis com os quais o pai tentava envolvê-lo. Esta palavra expressava um pecado particularmente ímpio e ordinário. Em Jó 34.37, lemos a respeito de alguém que “ao seu pecado acrescenta rebelião” (transgressão).

Esta foi a primeira palavra que Davi utilizou. Ele estava mostrando como se envergonhava da maneira como havia se rebelado contra os mandamentos de Deus. Deus havia dito: “Não adulterarás”; Davi, porém, tinha ignorado este mandamento. Deus havia dito: “Não dirás falso testemunho”, Davi tinha se afastado deste mandamento. Deus havia dito: “Não matarás”; Davi tinha quebrado este mandamento. Com a palavra “transgressões”, ele estava reconhecendo isso. Estava dizendo: “Senhor, eu desprezei a tua mão; libertei-me de teus braços amáveis; rejeitei a tua autoridade; fiz a minha própria vontade. Estas são as minhas transgressões”.

No entanto, Davi não parou aí; ele prosseguiu, dizendo: “Minha iniqüidade”. Enquanto refletia e orava, Davi compreendeu que havia mais coisas erradas em sua vida, além de seus pecados de adultério e de assassinato. Ele começou a olhar para o seu íntimo, o seu coração, a sua mente e a sua alma. A palavra “iniqüidade” significa “curvatura”; refere-se a alguma coisa que foi curvada ou distorcida. Davi
estava dizendo: “Eu não fiz somente estas coisas, mas, em meu coração, sou hipócrita, errante. Meus pensamentos têm sido impuros, e meus propósitos, vergonhosos. Onde eu deveria ter sido sincero e puro, fui desonesto e perverso. No mais íntimo de meu ser, fervilham coisas vis que amam viver e se desenvolver nas trevas profundas. Esta é a minha iniqüidade. Sou um homem perverso e trapaceiro”. Este é um quadro desolador. Davi não era apenas um rebelde; era também um hipócrita enganador.

Mas Davi não parou aí. Ele prosseguiu, dizendo: “Meu pecado”. A palavra “pecado” significa apenas “errar o alvo”, quando alguém está atirando em um objeto. Significa ficar aquém do objetivo que alguém estava almejando. Juízes 20.16 refere-se a “setecentos homens escolhidos, canhotos, os quais atiravam com a funda uma pedra num cabelo e não erravam”. “Erravam”, aqui, é a mesma palavra “pecado” no texto que estamos considerando.

Você percebeu como o entendimento de Davi a respeito de si mesmo se aprofundou? Ele começou com seu pecado visível, que todos contemplaram. Em seguida, ele passou para as obras distorcidas e secretas de seu homem interior. Mas agora esquadrinha muito mais profundamente e nos diz que, mesmo quando não havia qualquer transgressão, quando ele pensava que estava livre da iniqüidade, ele ainda ficava aquém do alvo. Talvez Davi estivesse lendo a Palavra de Deus, ajoelhado em oração ou oferecendo sacrifício no templo. Mas, nessas atividades piedosas, ele errou o alvo. Ele falhou. Ele não alcançou o padrão de Deus para a sua vida. Davi foi um homem que começou pedindo perdão por aquilo que ele era em seu pior estado, mas, antes de terminar, pediu perdão por aquilo que ele era no seu melhor estado.

Com certeza, existe uma diferença entre esta análise ampla e penetrante do pecado e as idéias superficiais que muitos têm em nossos dias. Para a maioria, a confissão de pecado significa pouco mais do que dizer: “Muito bem, eu fiz algumas coisas erradas no passado. Eu não sou perfeito; ninguém é”. Porém, neste salmo, encontramos um homem guiado pelo Espírito Santo a compreender algo a respeito da força que o pecado tinha sobre ele — não apenas em suas ações, mas também nas profundezas de sua personalidade. O pecado estava contaminando e destruindo cada átomo de seu ser. “Minhas transgressões... minha iniqüidade... meu pecado.” Este esquadrinhamento da alma se aplica a todos nós. Pois, quando as Escrituras dizem: “Todos pecaram” (Rm 3.23), isto implica que estou sendo descrito nestas palavras de Davi. E, assim você é também.

“Minhas transgressões.” Quantas vezes você já fez deliberadamente aquilo que sabe estar errado? Talvez, desde a sua infância você pensava nos mandamentos de Deus, e eles deixaram impressões em sua consciência, ensinando-lhe a não praticar algo, mas você seguiu adiante e praticou tal coisa. Ou, talvez, a sua consciência estava lhe dizendo: “Não faça isso; é errado”. Contudo, você ignorou essa influência constrangedora. Você rompeu completamente aqueles vínculos morais, rejeitando os clamores daquilo que você já sabia estar correto.

Talvez você seja um mentiroso ou um trapaceiro. Quando você está preenchendo seu formulário anual de restituição de imposto, exagera em suas despesas e diminui os seus recebimentos. Em seu íntimo, uma voz lhe diz: “Não faça isto. Não roubarás”. Mas você transgride. Em seu trabalho, faz promessas que não tem a intenção de cumprir ou oferece aos clientes desculpas que são totalmente mentirosas. É uma atitude errada mas conveniente para você; por isso, você a pratica. Talvez você manteve relações sexuais com alguém que não é sua esposa ou seu esposo. Aquela pessoa era proibida para você, e você sabia disso. Todavia, a sua concupiscência o estava guiando e você transgrediu. Talvez você tenha causado danos físicos ou psicológicos a alguém; tenha se mostrado descuidado para com as pessoas, ferindo-as em seu coração. Estas atitudes são “transgressões”. Elas se encontram em seu passado e caracterizam o seu presente. Você pode não gostar de pensar nelas, mas são inegáveis. Você transgrediu; você se rebelou.

“Minha iniqüidade.” Você se sente inclinado a dizer: “Eu tenho levado uma vida caracterizada por moralidade. Sou um pessoa honesta. Nunca tive problemas com a lei, nem jamais me dispus a quebrar as restrições da consciência. Meu comportamento tem sido completamente respeitável”. Mas o que você diz a respeito daquelas partes de sua vida que ninguém vê? Você não tem praticado a sós coisas das quais ficaria envergonhado se alguém mais soubesse? Isto é iniqüidade. O que você diz a respeito de seus pensamentos? Se os seus pensamentos da semana que se passou pudessem ser revelados em uma tela de cinema, para todos os seus amigos e vizinhos, você se sentiria à vontade em permanecer e assistir com eles aos seus pensamentos ou desejaria fugir e se esconder? Isto é iniqüidade.

Não é verdade que existe em seu íntimo muitas coisas más e enganosas? Às vezes, você não é invejoso? Ou sente ira e raiva pecaminosa? Em algumas ocasiões, você não é egoísta e enganador? Não existe uma diferença entre aquilo que o mundo vê e a pessoa que você realmente é? Isto é iniqüidade.

“Meu pecado.” Suponhamos, por um momento, aquilo que é impossível: alguém que, tendo uma boa consciência, lavasse as suas mãos e dissesse: “Eu não tenho nenhum pecado em minha vida passada ou presente. Nunca quebrei conscientemente um dos mandamentos de Deus. Além disso, meu coração é puro, e minha mente, limpa. Não existe um pensamento ou uma emoção dos quais eu me envergonhe no menor grau”. Suponha a fantástica possibilidade de que tal ser humano já existiu. Mesmo que tudo isso fosse verdadeiro, ainda haveria o pecado — o ficar aquém do alvo. “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento” (Mt 22.37). Você fez isso hoje? É claro que não. Então, você é um pecador; não atingiu o padrão de Deus. No melhor de nós mesmos, em nosso estado mais elevado, ficamos aquém; todos nós ainda pecamos.

Todos nós estamos descritos nestes versículos — você e eu. Temos de encarar o terrível fato que Davi teve de admitir — “Pequei contra o Senhor”. Temos de chegar a um reconhecimento de nosso pecado.

Uma Descrição do Pecado

O que é o pecado? Deus, em sua sabedoria e amor, não se contenta em que tenhamos uma simples compreensão intelectual do pecado. Ele deseja que o sintamos, que provemos seu amargor, cheiremos o seu fedor. Deus quer que ouçamos o tom agudo e discordante do nosso pecado, que irrita nossos dentes e nossos nervos com sua horrível dissonância. Deus não quer apenas que estejamos cientes de nosso pecado, mas também que conheçamos a sua tolice e a sua vileza. Por isso, Davi prosseguiu na descrição de seu pecado, utilizando três ilustrações vívidas.

Davi nos conta que o pecado é uma dívida que precisa ser cancelada. Ele escreveu: “Apaga as minhas transgressões”. A palavra hebraica traduzida por “apaga” era empregada para referir-se ao ato de apagar escritos. Moisés clamou a Deus: “Risca-me, peço-te, do livro que escreveste” (Êx 32.32). Deus, em sua misericórdia, não respondeu essa súplica. Mas ela se refere a algo que estava escrito, e Moisés estava pedindo que, se necessário, seu nome fosse removido daquele livro.

Davi utilizou a palavra no mesmo sentido. Ele viu, aberto diante de Deus, os registros do pecado dos homens. Davi contemplou a lista de atos errados debaixo de seu nome. Poderíamos dizer que ele viu o anjo registrador assentado, com sua tinta indelével, escrevendo cada ofensa. Momento após momento, dia após dia, mês após mês, ano após ano, pecado após pecado está sendo registrado. Nenhum é esquecido; cada pecado é colocado no registro. Davi viu esses pecados, como débitos alistados contra ele, aumentando com regularidade freqüente e clamando por pagamento. Davi sentiu o grande peso de sua dívida.

Infelizmente, estar em dívida é algo normal em nossa sociedade. Para pessoas de consciência sensível, esta é uma experiência inquietante e pode se tornar um fardo esmagador. No início do século XX, alguns operários das minas de carvão dos Estados Unidos recebiam um salário miserável. Todas as suas roupas e sua alimentação tinham de ser compradas em lojas mantidas pelos donos das companhias que os empregavam. Estas coisas eram compradas a um preço exorbitante, de modo que os operários infelizmente caíam em dívidas, que estavam constantemente aumentando. Juros proibitivos eram lançados sobre o dinheiro devido, de modo que os operários se atolavam em uma areia movediça de dívidas que estavam sempre crescendo, das quais eles nunca poderiam se livrar. Eles diziam: “Eu vendi minha alma para a companhia”. Nunca se livrariam daquela situação. Os credores os possuíam para sempre.

Seu pecado é semelhante a essa situação. Todo pecado que você tem cometido está sendo escrito no livro de Deus. Ali está o seu pecado, contra o seu nome. Nenhum deles é esquecido, ignorado, e todos exigem pagamento. Você não tem qualquer esperança de pagá-los, nem mesmo de começar a pagá-los. Você é empurrado para baixo pela montanha de sua dívida. O pecado é uma dívida que necessita ser cancelada.

O pecado também é uma sujeira que precisa ser lavada completamente. Davi escreveu: “Lava-me completamente da minha iniqüidade”. Existem duas palavras hebraicas que transmitem a idéia de lavar. Uma significa lavar superficialmente. Se uma pessoa tinha poeira ou uma sujeira simples em sua mão, ela a colocava na água corrente, por um momento, e a sujeira era removida por aquela lavagem. A outra palavra era utilizada para se referir a uma sujeira profunda e arraigada, que poderia ser removida somente por meio de grande esforço. Quando minha esposa e eu vivíamos na Grécia, costumávamos ver mulheres à beira do rio lavando roupas. As mulheres pegavam as roupas, colocavam-nas sobre uma rocha no rio e, depois, batiam nelas com outra pedra, para remover a sujeira. Esta foi a palavra que Davi utilizou neste salmo.

Quando Davi suplicou que seu pecado fosse lavado, ele não estava falando sobre a remoção de algo superficial. Todo o seu ser estava sujo, cheio do encardido que se havia grudado aos poros de seu ser. Davi era uma coisa impura. Uma mancha de imundície o cobria, arraigada aos poros de sua personalidade. Seria difícil removê-la. “Lava-me completamente” — ele suplicou. O pecado é uma sujeira que necessita ser lavada completamente.

Por fim, o pecado é uma doença que precisa ser curada. Davi orou: “Purifica-me”. Esta palavra era utilizada no Antigo Testamento para referir-se à purificação de alguém suspeito de lepra. A lepra era a doença mais ameaçadora no mundo antigo, uma aflição terrível temida por todos. A lepra significava miséria, impureza, deterioração, isolamento e morte. Davi afirmou: “Isto é o que eu sou: um leproso horrível, enfermo e podre”. Que autodescrição impressionante!

O que são os seus pecados, as suas transgressões — um monte de débitos registrados contra seu nome e dos quais o pagamento será exigido. Eles são a sujeira arraigada que contamina tudo que você é, bem como tudo que possui. Eles são uma doença horrível, repugnante.

Sei o que alguns de vocês podem estar pensando: “Esta é uma conversa tipicamente religiosa, ou seja, a linguagem exagerada que se espera ouvir de um púlpito ou de uma propaganda política. É semelhante a assistir a uma ópera. No palco, você vê e ouve a tragédia. Ela o comove, podendo fazê-lo chorar. Mas não é real. Depois, você sai do teatro para a vida real, com seus amigos e seus interesses, esquecendo-se da tristeza da ópera”. Talvez, seja assim que você se sente a respeito do que está lendo agora. “Ora”, você pode dizer, “isto é exagero religioso, que não deve ser levado à sério”.

Deixe-me mostrar-lhe duas palavras que se encontram no início do salmo que estamos considerando. São elas: “Ó Deus...” Se você realmente meditar nelas, mudará o que estava pensando. Davi estava falando com Deus, face a face. Ele estava lidando diretamente com o Santo Senhor do céu. Apenas duas palavras. Davi estava ciente de seu pecado havia meses. Estava ciente do que havia feito. Ele nos diz no Salmo 32, por exemplo, que tinha sentido dores em sua consciência. Davi sentia-se como uma pessoa miserável e infeliz. Somente quando Deus lhe enviou um pregador, com uma mensagem de julgamento, Davi foi levado a compreender a completa seriedade da situação em que se encontrava.

Meu amigo, isso é o que eu desejo que você faça. Diga: “Ó Deus”. Esqueça o seu vizinho e a sua circunstância. Pense apenas em você mesmo e em Deus. Veja-se a si mesmo na presença dEle. Olhe para você mesmo com os olhos de Deus — o Deus que o criou e que, no mais íntimo de seu coração, você sabe que existe. Um dia você se encontrará face a face com este Deus, e Ele o
julgará. Ele é puro, santo e justo. Deus se recorda de cada coisa que você já disse, pensou e fez. Ele as avalia de acordo com a sua santidade, pura e perfeita. Deus odeia o pecado com todo o seu Ser poderoso. Ele é fogo consumidor, que não inocentará o culpado.

Olhe para Ele novamente e diga: “Ó Deus”. Você tem fugido de Deus, e o mundo está fazendo o melhor que pode para mantê-lo distante dEle. Entretanto, você tem de colocar-se face a face com Ele agora, pois, do contrário, terá de fazê-Lo, quando morrer, mas será tarde demais.

Portanto, meu amigo, seja honesto! Encare estas verdades com seriedade! Você está face a face com o todo-poderoso Perscrutador dos corações. Sua rebelião, sua corrupção, seu erro, sua dívida, sua imundície, sua lepra — você não sente as dores em sua alma, o impacto de tudo isso, a vergonha de saber que você é assim?
Mas, agradeça a Deus, essa não é a mensagem final de nosso salmo!

O Perdão do Pecado

Este devedor impuro e enfermo rasteja na presença do Santo Senhor – este rebelde, este hipócrita, este patético fracasso que nunca, em sua vida, atingiu os padrões de Deus. Este devedor se ajoelha diante daquele radiante e todo-poderoso Espírito, que é perfeito e pureza infinita, e fala com Deus. Que palavras você acha que se encontram em seus lábios?

O devedor não suplica por justiça. Não é isto mesmo que muitas pessoas parecem desejar? Elas estão constantemente se queixando da aparente injustiça de Deus. Perguntam a si mesmas e argumentam: “Por que Deus permite guerras, doenças e tristezas no mundo? Não posso entender como Ele pode ser tão injusto”. Mas Davi, em seu pecado, não estava procurando por justiça. “Compadece-te de mim, ó Deus” — ele orou.
“Compadece-te; compadece-te”. Isso é tudo que alguém pode suplicar a Deus. Não importa o quanto vivemos, o quanto progredimos mesmo como crentes, não podemos ir além desta palavra: “Compadece-te!”

Podemos imaginar Deus se achegando a Davi e respondendo: “Davi, por que eu devo manifestar-lhe compaixão? Você é um transgressor. Está cheio de iniqüidade; é um pecador. Você condenou a si mesmo, com seus próprios lábios. Dê-me apenas uma razão para que Eu, o Deus santo, deva mostrar compaixão para uma pessoa como a que você mesmo reconhece ser. Você tem alguma razão, Davi?” E Davi abre seus lábios, com seu rosto manchado de lágrimas e uma voz trêmula, respondendo: “Sim, Senhor, eu tenho uma razão. Tenho uma razão poderosa e persuasiva. Esta razão, ó Deus, não se fundamenta naquilo que eu sou, e sim naquilo que Tu és. É uma razão que o Senhor tem de ouvir e não pode recusar, nem recusará”.

Deste modo, Davi se apropria, pela fé, de uma das mais gloriosas expressões do Antigo Testamento: “Compadece-te de mim, ó Deus”; e seu argumento é este: “Segundo a tua benignidade”. Davi arrisca o seu tudo nesta expressão, a grande expressão da aliança do Antigo Testamento. Ela significa o imutável amor de Deus, sua fidelidade às suas promessas. Esta expressão nos diz que Deus é leal ao seu povo. Deus prometeu que perdoaria, então, Ele perdoará. Deus prometeu que purificaria, então, Ele purificará. Deus prometeu que salvará, então, Ele salvará.

Mas Davi não parou nisso, porque o imutável amor de Deus está vinculado à “multidão das suas misericórdias”. Na realidade, Davi estava dizendo: “Senhor, sinto-me encorajado a rogar por compaixão, porque Tu mesmo me tens dito que és rico em misericórdia. A tua compaixão não se escoa em pequenas gotas; ela é um oceano. Rios, torrentes e fontes inesgotáveis de compaixão fluem de Ti. Quando contemplo minha vileza e corrupção, compreendo que mereço o inferno e a condenação. Apesar disso, eu Te suplico compaixão, por causa do que Tu és e do que tens prometido. Embora eu seja pecador, ouso suplicar por compaixão”.

Você está convencido de seu pecado diante de Deus? Certamente, você tem de estar. Você tem de fazer como Davi. Assim como Davi o fez, levante os seus olhos para Deus, confesse seus pecados, apresente-Lhe uma razão para que Ele o perdoe. Deve ser a mesma razão, mas com uma diferença: essa razão agora tem um nome e uma personalidade, pois a benignidade de Deus veio à terra e a amável compaixão de Deus nasceu neste mundo. A fidelidade de Deus para com a aliança tornou-se carne, incorporou-se em Jesus de Nazaré. Ele é a benignidade e a amável compaixão de Deus. Ele viveu uma vida de obediência humana perfeita, que recebeu a aprovação de Deus. Jesus sofreu e morreu na cruz do Calvário, a fim de pagar o preço dos pecados de todo o seu povo. Jesus ressuscitou dos mortos, no terceiro dia, para mostrar que o Pai aceitou o que Ele havia feito. Assim, em nosso dias, quando alguém suplica: “Compadece-Te de mim, ó Deus”, pode amparar a sua súplica, dizendo: “Compadece-Te de mim, por amor a Jesus”.

Você entende a maravilha do que estamos dizendo? Um dos mais desprezíveis criticismos lançados contra o evangelho é proferido por aqueles que criam um conflito entre um Deus de amor e um Deus de ira e julgamento. Você já ouviu tais indivíduos: “Pecado, inferno, condenação! Eu não acredito em um Deus como esse. Eu creio em um Deus de amor”. Mas eles estão completamente errados. O deus deles é um ser moralmente deficiente e apático. É um deus que vê o mal e não se importa. É um deus que contempla aqueles que abusam de criancinhas e se recusa a considerar este ato com seriedade. É um deus que ouve o soluço de um mundo abatido, atormentado e sorri com tola indiferença. É um deus que vê a impiedade envenenando a terra e não se importa em levantar um dedo para socorrer. Esse é o deus de amor deles. Mas isto não é amor; é uma imbecilidade ética.

O que é amor? Amor é o Deus perfeita e infinitamente santo, que, com todo o seu ser, odeia o pecado. Aos seus olhos, não existe nada mais repugnante do que o pecado. Deus tem olhos tão puros, que não podem ver o pecado. Deus o detesta; é uma abominação para Ele. Deus está comprometido em castigar o pecado. Ele olha para os pecadores em toda a sua repugnância, rebelião, inimizade e ódio. E o que faz este Deus santo, justo? Ele ama estes pecadores e escolhe, dentre eles, uma grande multidão para serem dEle mesmo. Deus toma o seu único Filho, o deleite de seu coração, que tem estado com Ele por toda a eternidade, e O envia à humilhação de uma vida na terra e ao horror de uma morte cruel.

Da cruz, nas trevas, o Filho de Deus clama ao seu Pai: “Por que me desamparaste?” Muitos de nós temos filhos. Suponha que um deles acorde, em uma noite escura, temeroso e clamando: “Papai, onde você está?”; e você caminhe na ponta dos pés até ao quarto dele. Enquanto seu filho está deitado na cama, clamando, você toma uma vara e, silenciosamente, o surra, por diversas vezes, no escuro; depois, sai e o deixa ali. Isso foi o que Deus fez. Ele não poupou seu próprio Filho.

Não fale sobre um Deus de amor que não trata o pecado com seriedade. Pois “ Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores” (Rm 5.8). O amor não consiste em ignorar o pecado ou deixá-lo de lado. O amor se manifesta em Deus enviar seu Filho para ser o pagamento de nosso pecado. “Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito” (Jo 3.16). Você pode entender o amor de Deus somente quando entende o pecado. Aquele que foi pouco perdoado ama pouco; aquele que foi muito perdoado ama muito.

Por que estou enfatizando o pecado? Para que você ame a Jesus com todo o seu coração e toda a sua alma. Para que você adore, louve, seja grato a Jesus, por toda a eternidade, para sempre e sempre! Você, pecador, rebelde, não-convertido, hipócrita, compreende que necessita de compaixão? Com certeza, necessita. Você quer compaixão? Eu lhe ofereço compaixão — em Jesus. Você tem de encarar seus pecados; tem de clamar. Ninguém pode fazer isso por você. Um pastor não pode fazê-lo por você, nem um sacerdote, nem um rabino. A compaixão não vem por sacramentos e rituais. Tampouco vem por meio de comparecer às reuniões de uma igreja.

Você tem de dizer para si mesmo: “Minhas transgressões, minha iniqüidade, meu pecado”. Você tem de declarar: “Sou um homem imundo, enfermo, culpado, devedor e desamparado.
Não tenho desculpas a apresentar. Não existe nada que eu possa fazer”. Então, entregue-se completamente ao Senhor Jesus Cristo. Invoque-O. Receba-O, descanse nEle para a sua salvação. Contemple-O pendurado na cruz em seu lugar, de modo que, pela fé, você possa dizer: “Ele foi traspassado por minhas transgressões. Eu tenho iniqüidade, mas Ele foi moído em favor das minhas inqüidades” (cf. Is 53.5). Meu querido amigo, coloque toda a sua fé e toda a sua esperança em Jesus Cristo. Descanse e confie nEle.

Deus é maravilhoso! Ele dará a você, se crer em Jesus, a justiça dEle. Não é uma justiça humana, nem de um santo eminente, nem da melhor pessoa que já viveu neste mundo; é a justiça criada no céu — infinita, eterna e imutável. É a própria justiça de Deus! Isso é o que o apóstolo disse: “Não me envergonho do evangelho... visto que a justiça de Deus se revela no evangelho” (Rm 1.16,17). A justiça de Deus — Ele a lançará em seu crédito, para que, ao olhos dEle, você seja justo como Ele é! Deus haverá de considerá-lo tão justo quanto o próprio Senhor Jesus. Nenhuma imperfeição, nenhuma mácula, nem mesmo qualquer traço de pecado, mas perfeito. Quando Deus olha para alguém que está em Cristo, o que Ele diz? “Meu querido, meu amado, meu deleite de coração, meu filho, minha filha, em quem Eu me comprazo.” Jesus se oferece a você agora como Salvador. Jesus lhe ordena que venha a Ele.
Mas será que você está se posicionando contra Deus? Está dizendo para si mesmo: “Eu não vou. Eu não vou”? Deus tenha misericórdia de você. Esta noite, sem dúvida, você se deitará em sua cama, apagará a luz e ficará no escuro. Porém, eu lhe digo, quando a sua cabeça estiver sobre o travesseiro, lembre-se de que a escuridão em que você está descansando é tranqüila e feliz, se comparada com as trevas do inferno nas quais você estará para sempre, onde o tormento reina e onde existem o choro, a lamentação e o ranger de dentes.

Não rejeite Jesus Cristo! Quão bom é Deus para nós! Por que Ele viria a você e lhe ofereceria seu próprio Filho? Quão amável Ele tem sido para você! Quão gracioso! Existem milhões de pessoas no mundo que nunca ouviram ou leram a respeito de Jesus; no entanto, Deus está oferecendo seu Filho a você! Você continua dizendo: “Eu não vou!” Se continua, diga para si mesmo neste momento: “O que está errado comigo? Com que laço o diabo envolveu minha mente e meu coração, de modo que, ouvindo e lendo sobre a pessoa de Jesus, não quero ir a Ele? Senhor, quebra este laço! Muda-me! Salva-me!”

Talvez, pela misericórdia de Deus, você queira vir a Cristo. Deus tem falado com você. A Palavra dEle tem falado ao seu coração. Em seu íntimo, você sabe que o evangelho é verdadeiro e que existe apenas um Salvador. Você sabe que precisa desse Salvador. Sente-se convicto e arrependido, contemplando em Jesus a misericórdia de Deus. Então, eu lhe digo: “Venha a Jesus; venha agora mesmo. Venha a Ele com seu próprio coração. Invoque-O, suplicando que o salve. Clame por Jesus, meu amigo, e Ele o receberá”. Não existe qualquer possibilidade de que o Senhor Jesus o lançará fora. Ele mesmo afirmou: “O que vem a mim, de modo nenhum o lançarei fora” (Jo 6.37). Não importa o que você fez no passado. Não importa quão ímpio ou quão culpado você é, nem quantas promessas você deixou de cumprir, nem quão freqüentemente você tentou fazer o melhor de si mesmo, mas falhou. Você pode estar pensando: “Não posso ir a Cristo; Ele me verá como um mentiroso”. Não, não! Se você está sendo sincero, verdadeiramente sincero, venha a Cristo e torne sua a oração de Davi, reconhecendo que a salvação de Deus é para você. Faça aquela oração tendo apenas um nome em seu coração — a única esperança de um pecador, o único nome que Deus, o Pai, sempre ouvirá e nunca recusará: “Compadece-te de mim, ó Deus. Apaga as minhas transgressões. Lava-me completamente da minha iniqüidade e purifica-me do meu pecado, por amor a Jesus. Amém”.

Editora Fiel - Artigo: Por Que Precisamos de um Salvador

Falsificando a Palavra de Deus

 

Falsificando a Palavra de Deus

Geoffrey Thomas

A grande reivindicação do apóstolo Paulo foi nunca haver falsificado a Palavra de Deus. Infelizmente, porém, muitos o fazem hoje. Como?

Primeiramente, por meio de manipulação psicológica ou de “lavagem cerebral”. Você pode mudar as atitudes das pessoas para com o cristianismo, mediante o retirá-las de seu ambiente familiar, levá-las a menosprezar os seus laços familiares, por meio da utilização de horas contínuas de cânticos e de música ritmada, mediante o construir uma dependência dos líderes, ou por roubar-lhes o sono, ou estimular suas emoções, ou ameaçá-las com terríveis juízos, se elas abandonarem o seu grupo, ou por forçá-los a seguirem um regime de estudos, ou, ainda, por meio de devoções e de testemunho pessoal do evangelho nas ruas, semanalmente.

Este excessivo programa degrada e insulta as pessoas. Nenhum crente genuíno, que acredita na verdade bíblica e no ensino de que o homem e a mulher foram criados à imagem de Deus, desejaria seguir por muito tempo um tipo de programa desses.

Não Está à Venda

Em segundo lugar, por meio da utilização de técnicas de marketing. Vivemos em uma sociedade em que os anúncios dizem às pessoas que coisas admiradas e desejadas por elas estão sendo oferecidas aqui e agora mesmo. A igreja pode tomar para si essa idéia e começar a se tornar proeminente em oferecer às pessoas ajuda a respeito de como lidar com seus relacionamentos ou com a solidão, aconselhando-as sobre como se tornarem pessoas bem-sucedidas ou como se recuperarem de vícios ou depressões, etc.

Esta, porém, não é a mensagem cristã e jamais pode tornar-se a mensagem cristã. Deus, que é nosso Criador e Juiz, nos tem dado sua própria mensagem. A Bíblia não está à venda; portanto, ela não precisa de vendedores eficazes. A Bíblia não está à procura de patrocinadores. Não pode haver descontos, nem ofertas especiais por meio dos quais os pecadores podem obter alguma coisa ao preço que eles desejam.

O evangelho é sempre gratuito, mas nos foi trazido a um custo terrível pelo Senhor Jesus. O evangelho não precisa de qualquer intermediário. A Bíblia não está em competição com outras comodidades que são oferecidas aos consumidores no mercado de pechinchas da vida. O evangelho não está aqui para ser vendido a qualquer preço para o mais experimentado licitante.

O mundo tem dificuldade em elevar os homens para alcançarem o seu preço; nós temos dificuldade em fazer os homens rebaixarem-se para atingir o preço de Deus — “Nada em minha mão eu trago, tão-somente à cruz me apego”.

Transformado

Em terceiro lugar, por meio da incredulidade modernista. A Dra. Eta Linnemann era uma acadêmica em uma universidade da Alemanha. Ela estudou sob a instrução de Rudolf Bultmann e Ernst Fuchs; ela pertencia à mesma escola anti-sobrenatural de filosofia deles.

Ela ingressou numa carreira de autora e professora de teologia, na Alemanha Ocidental. Sua abordagem básica, tanto do Antigo quanto do Novo Testamento, dizia o seguinte: “Qualquer que seja o significado do texto bíblico, ele não pode ser verdadeiro. Por isso, constantemente encontramos dificuldades no texto das Escrituras e, em seguida, nós as solucionamos com ingenuidade”.

Falsificação é a essência do modernismo e quase destruiu a Dra. Eta Linnemann. Mas ela encontrou-se com alguns crentes vibrantes que conheciam pessoalmente a Jesus como seu Senhor e Salvador.

Ela escreveu: “Deus agarrou minha vida em seus laços salvadores e começou a transformá-la de maneira radical. Minhas inclinações destrutivas foram substituídas por uma fome pela Palavra dEle e pela comunhão com os verdadeiros cristãos...

“Repentinamente, ficou claro para mim que meu ensino era um caso de um cego guiando outro cego. Eu me arrependi da maneira errada como havia instruído os meus alunos. Um mês depois disso, sozinha em meu quarto, distante de qualquer influência de outros ao meu redor, deparei-me com uma decisão momentosa.

“Eu continuaria a controlar a Bíblia, utilizando meu intelecto, ou permitiria que meu raciocínio fosse transformado pelo Espírito Santo? João 3.16 trouxe luz a esta decisão, pois eu havia experimentado a verdade desse versículo. Minha vida agora considerava o que Deus havia feito por mim” (Historical Criticism of the Bible, pp. 18-19).

Surdos Para a Voz de Deus

A Dra. Eta Linnemann chamou de “veneno” o seu ensino anterior; ela destruiu seus escritos publicados e tornou-se uma missionária na Indonésia. Isso está exatamente de acordo com o que o apóstolo afirmou em 2 Coríntios 4.2: “Pelo contrário, rejeitamos as coisas que, por vergonhosas, se ocultam, não andando com astúcia, nem adulterando a palavra de Deus”.

Os liberais pararam de buscar a sabedoria de Deus por meio das Escrituras e se tornaram surdos para a voz reformadora de Deus na igreja. Arruinados pelo racionalismo, eles se tornaram incapazes de receber a Bíblia como a Palavra de Deus para o homem, aceitando-a apenas como a palavra do homem a respeito de Deus.

Eles crêem que os seres humanos são fundamentalmente bons, que não existe ninguém perdido e que crer em Jesus não é necessário para a salvação, embora auxilie algumas pessoas.

As igrejas liberais não poderiam abandonar a terminologia bíblica e, ainda, pretenderem ser cristãs. Por isso, os termos bíblicos receberam significados diferentes.

Qual é a agenda?

O “pecado” tornou-se ignorância ou, ainda, a negligência de certas estruturas sociais. E “Jesus” tornou-se um modelo para um viver criativo — um exemplo ou um revolucionário. A “salvação” tornou-se libertação da opressão.

A “fé” se torna a conscientização da opressão e a vontade de fazer algo a respeito dessa opressão. O “evangelismo” significa trabalhar para vencer a injustiça entrincheirada.

O tema do Concílio Mundial de Igrejas, em 1964, foi: “O Mundo Tem de Estabelecer a Agenda”. Os liberais crêem que os interesses da Igreja devem ser os mesmos do mundo, embora isso envolva a exclusão do evangelho.

Fome, racismo, ecologia, envelhecimento, ou qualquer outro assunto que era crucial para o mundo, deveria ser a primeira preocupação para o povo cristão. Mas Deus não somente nos deu a sua Palavra para pregarmos; Ele nos deu também os métodos para realizarmos a sua obra: participação, persuasão e oração.

No entanto, renomadas igrejas têm lançado fora esses métodos, em troca de poder, política e dinheiro.

A Bíblia é Adequada?

Os evangélicos modernos não são conscientemente heréticos. A Bíblia é a Palavra de Deus? É claro que sim. Ela é a autoridade absoluta? Sim, com certeza. É inerrante? A maioria dos evangélicos afirmam a inerrância das Escrituras.

Muito deles, porém, não crêem que a Bíblia é adequada para satisfazer os desafios contemporâneos da Igreja ou que ela é suficiente para ganhar as pessoas para Cristo. Eles têm se voltado para sermões que visam às “necessidades sentidas” das pessoas, para o entretenimento ou para os “sinais e maravilhas”.

A Bíblia (eles dizem) é insuficiente para empreender o crescimento cristão; por isso, eles se voltam para grupos de terapia ou para o aconselhamento cristão. A Bíblia é insuficiente para tornar conhecida a vontade de Deus; por isso, eles buscam sinais externos e revelações.

A Bíblia é inadequada para mudar nossa sociedade; portanto, eles procuram estabelecer o grupo de lobby dos evangélicos no Congresso Nacional e trabalham para eleger deputados, senadores, presidentes e outros oficiais evangélicos. Eles procuram mudanças por meio do poder político e do dinheiro.

Que mensagem?

Assim como os liberais, alguns que se declaram evangélicos estão atribuindo um novo significado às palavras da Bíblia, lançando termos seculares e terapêuticos sobre a terminologia espiritual.

O pecado se torna um comportamento disfuncional; a salvação se transforma em auto-estima ou em integralidade; e Jesus, apenas um exemplo para um viver correto. Esta é a mensagem que se proclama domingo após domingo.

Deste modo, a Palavra de Deus está sendo falsificada novamente. Mas o cristianismo prospera não por oferecer às pessoas aquilo que elas já têm, e sim por oferecer o que elas estão necessitando desesperadamente — a Palavra de Deus e a salvação por intermédio do Senhor Jesus Cristo.

Editora Fiel - Artigo: Falsificando a Palavra de Deus

A Heresia do Egocentrismo

 

A Heresia do Egocentrismo

John MacArthur

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master's College and Seminary e do ministério "Grace to You"; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos.

"Não negligencieis a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]"

Hebreus 13.16

O egocentrismo não tem lugar na igreja. Nem devíamos dizer isso, mas, desde o alvorecer da era apostólica até hoje, o amor próprio em todas as suas formas tem prejudicado incessantemente a comunhão dos santos. Um exemplo clássico e antigo de egocentrismo fora de controle é visto no caso de Diótrefes. Ele é mencionado em 3 João 9-10, onde o apóstolo diz: "Escrevi alguma coisa à igreja; mas Diótrefes, que gosta de exercer a primazia entre eles, não nos dá acolhida. Por isso, se eu for aí, far-lhe-ei lembradas as obras que ele pratica, proferindo contra nós palavras maliciosas. E, não satisfeito com estas coisas, nem ele mesmo acolhe os irmãos, como impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja".

Diótrefes anelava ser o preeminente em sua congregação (talvez até mais do que isso). Portanto, ele via qualquer outra pessoa que tinha autoridade de ensino – incluindo o apóstolo amado – como uma ameaça ao seu poder. João havia escrito uma carta de instrução e encorajamento à igreja, mas, por causa do desejo de Diótrefes por glória pessoal, ele rejeitou o que o apóstolo tinha a dizer. Evidentemente, ele reteve da igreja a carta de João. Parece que ele manteve em segredo a própria existência da carta. Talvez ele a destruiu. Por isso, João escreveu sua terceira epístola inspirada para, em parte, falar a Gaio sobre a existência da carta anterior.

Na verdade, o egoísmo de Diótrefes o tornou culpado do mais pernicioso tipo de heresia: ele rejeitou ativamente e se opôs à doutrina apostólica. Por isso, João condenou Diótrefes em quatro atitudes: ele rejeitou o ensino apostólico; fez acusações injustas contra um apóstolo; foi inóspito para com os irmãos e excluiu aqueles que não concordavam com seu desafio a autoridade de João. Em todo sentido imaginável, Diótrefes era culpado da mais obscura heresia, e todos os seus erros eram frutos de egocentrismo.

Em nosso estado caído, estado de carnalidade, somos todos assediados por uma tendência para o egocentrismo. Isto não é uma ofensa insignificante, nem um pequeno defeito de caráter, nem uma ameaça irrelevante à saúde de nossa fé. Diótrefes ilustra a verdade de que o amor próprio é a mãe de todas as heresias. Todo falso ensino e toda rebelião contra a autoridade de Deus estão, em última análise, arraigados em um desejo carnal de ter a preeminência – de fato, um desejo de reivindicar para si mesmo aquela glória que pertence legitimamente a Cristo. Toda igreja herética que já vimos tem procurado suplantar a verdade e a autoridade de Deus com seu próprio ego pretensioso.

De fato, o egocentrismo é herético porque é a própria antítese de tudo que Jesus ensinou ou exemplificou. E produz sementes que dão origem a todas as outras heresias imagináveis.

Portanto, não há lugar para egocentrismo na igreja. Tudo no evangelho, tudo que igreja tem de ser e tudo que aprendemos do exemplo de Cristo golpeia a raiz do orgulho e do egocentrismo humano.

Koinonia

As descrições bíblicas de comunhão na igreja do Novo Testamento usam a palavra grega koinonia. O espírito gracioso que essa palavra descreve é o extremo oposto do egocentrismo. Traduzida diferentemente por "comunhão", "compartilhamento", "cooperação" e "contribuição", esta palavra é derivada de koinos, a palavra grega que significa "comum". Ela denota as ideias de compartilhamento, comunidade, participação conjunta, sacrifício em favor de outros e dar de si para o bem comum.

Koinonia era uma das quatro atividades essenciais que mantinha os primeiros cristãos juntos: "E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão [koinonia], no partir do pão e nas orações" (At 2.42). O âmago da "comunhão" na igreja do Novo Testamento era culto e sacrifício uns pelos outros, e não festividade ou funções sociais. A palavra em si mesma deixava isso claro nas culturas de fala grega. Ela foi usada em Romanos 15.26 para falar de "uma coleta em benefício dos pobres" (ver também 2 Co 9.3). Em 2 Coríntios 8.4, Paulo elogiou as igrejas da Macedônia por "participarem [koinonia] da assistência aos santos". Hebreus 13.16 diz: "Não negligencieis, igualmente, a prática do bem e a mútua cooperação [koinonia]". Claramente, o egocentrismo é hostil à noção bíblica de comunhão cristã.

Uns aos outros

Esse fato é ressaltado também pelos muitos "uns aos outros" que lemos no Novo Testamento. Somos ordenados: a amar "uns aos outros" (Jo 13.34-35; 15.12, 17); a não julgar "uns aos outros" e ter o propósito de não por tropeço ou escândalo ao irmão (Rm 14.13); a seguir "as coisas da paz e também as da edificação de uns para com os outros" (Rm 14.19); a ter "o mesmo sentir de uns para com os outros" e acolher "uns aos outros, como também Cristo nos acolheu para a glória de Deus" (Rm 15.5, 7). Somos instruídos a levar "as cargas uns dos outros" (Gl 6.2); a sermos benignos uns para com os outros, "perdoando... uns aos outros" (Ef 4.32); e a sujeitar-nos "uns aos outros no temor de Cristo" (Ef 5.21). Em resumo, "Nada façais por partidarismo ou vanglória, mas por humildade, considerando cada um os outros superiores a si mesmo" (Fp 2.3).

No Novo Testamento, há muitos mandamentos semelhantes que governam nossos relacionamentos mútuos na igreja. Todos eles exigem altruísmo, sacrifício e serviço aos outros. Combinados, eles excluem definitivamente toda expressão de egocentrismo na comunhão de crentes.

Cristo como cabeça de seu corpo, a igreja

No entanto, isso não é tudo. O apóstolo Paulo comparou a igreja com um corpo que tem muitas partes, mas uma só cabeça: Cristo. Logo depois de afirmar, enfaticamente, a deidade, a eternidade e a proeminência absoluta de Cristo, Paulo escreveu: "Ele é a cabeça do corpo, da igreja" (Cl 1.18). Deus "pôs todas as coisas debaixo dos pés, e para ser o cabeça sobre todas as coisas, o deu à igreja, a qual é o seu corpo" (Cl 1.22-23). Cristãos individuais são como partes do corpo, existem não para si mesmos, mas para o bem de todo o corpo: "Todo o corpo, bem ajustado e consolidado pelo auxílio de toda junta, segundo a justa cooperação de cada parte, efetua o seu próprio aumento para a edificação de si mesmo em amor" (Ef 4.16).

Além disso, cada parte é dependente de todas as outras, e todas estão sujeitas à Cabeça. Somente a Cabeça é preeminente, e, além disso, "se um membro sofre, todos sofrem com ele; e, se um deles é honrado, com ele todos se regozijam" (1 Co 12.26).

Até aquelas partes do corpo aparentemente insignificantes são importantes (vv. 12-20). "Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhe aprouve. Se todos, porém, fossem um só membro, onde estaria o corpo?" (vv. 18-19).

Qualquer evidência de egoísmo é uma traição de não somente o resto do corpo, mas também da Cabeça. Essa figura torna o altruísmo humilde em virtude elevada na igreja – e exclui completamente qualquer tipo de egocentrismo.

Escravos de Cristo

A linguagem de escravo do Novo Testamento enfatiza, igualmente, esta verdade. Os cristãos não são apenas membros de um corpo, sujeitos uns aos outros e chamados à comunhão de sacrifício. Somos também escravos de Cristo, comprados com seu sangue, propriedade dele e, por isso, sujeitos ao seu senhorio.

Escrevi um livro inteiro sobre este assunto. Há uma tendência, eu receio, de tentarmos abrandar a terminologia que a Escritura usa porque – sejamos honestos – a figura de escravo é ofensiva. Ela não era menos inquietante na época do Novo Testamento. Ninguém queria ser escravo, e a instituição da escravidão romana era notoriamente abusiva.

No entanto, em todo o Novo Testamento, o relacionamento do crente com Cristo é retratado como uma relação de senhor e escravo. Isso envolve total submissão ao senhorio dele, é claro. Também exclui toda sugestão de orgulho, egoísmo, independência ou egocentrismo. Está é simplesmente mais uma razão por que nenhum tipo de egocentrismo tem lugar na vida da igreja.

O próprio senhor Jesus ensinou claramente este princípio. Seu convite a possíveis discípulos foi uma chamada à total autorrenúncia: "Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me" (Lc 9.23).

Os doze não foram rápidos para aprender essa lição, e a interação deles uns com os outros foi apimentada com disputas a respeito de quem era o maior, quem poderia ocupar os principais assentos no reino e expressões semelhantes de disputas egocêntricas. Por isso, na noite de sua traição, Jesus tomou uma toalha e uma bacia e lavou os pés dos discípulos. Sua admoestação para eles, na ocasião, é um poderoso argumento contra qualquer sussurro de egocentrismo no coração de qualquer discípulo: "Ora, se eu, sendo o Senhor e o Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também" (Jo 13.14-15).

Foi um argumento do maior para o menor. Se o eterno Senhor da glória se mostrou disposto a tomar uma toalha e lavar os pés sujos de seus discípulos, então, aqueles que se chamam discípulos de Cristo não devem, de maneira alguma, buscar preeminência para si mesmos. Cristo é nosso modelo, e não Diótrefes.

Não posso terminar sem ressaltar que este princípio tem uma aplicação específica para aqueles que estão em posições de liderança na igreja. É um lembrete especialmente vital nesta era de líderes religiosos que são superestrelas e pastores jovens que agem como estrelas de rock. Se Deus chamou você para ser um presbítero ou mestre na igreja, ele o chamou não para sua própria celebridade ou engrandecimento. Deus o chamou a fazer isso para a glória dele mesmo. Nossa comissão é pregar não "a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor e a nós mesmos como vossos servos [escravos], por amor de Jesus" (2 Co 4.5).


Traduzido por: Francisco Wellington Ferreira
Editor: Tiago Santos
Copyright © John MacArthur & Tabletalk
Copyright © Editora FIEL 2012.
Publicado originalmente na Revista Tabletalk, nº 3, Vol. 36, do ministério Ligonier.

O leitor tem permissão para divulgar e distribuir esse texto, desde que não altere seu formato, conteúdo e / ou tradução e que informe os créditos tanto de autoria, como de tradução e copyright. Em caso de dúvidas, faça contato com a Editora Fiel.

Editora Fiel - Artigo: A Heresia do Egocentrismo

O PERFIL DE UM LÍDER CRISTÃO EXEMPLAR-BARNABÉ.

sábado, 15 de outubro de 2011

 

 

 livro de Atos dos apóstolos faz uma síntese da vida de Barnabé, um dos maiores líderes da igreja cristã, nos seguintes termos: “Porque era homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé…” (At 11.24). Há três verdades sobre Barnabé que devemos aqui destacar:

1. Um líder cristão deve investir sua vida na vida dos outros.

Ser líder é ser servo; ser grande é ser pequeno; ser exaltado é humilhar-se. Barnabé é o único homem da Bíblia chamado de bom. E por que? É porque quase sempre, ele está investindo sua vida na vida de alguém. Em Atos 4.36,37 ele está investindo recursos financeiros para abençoar pessoas. Em Atos 9.27 ele está investindo na vida de Saulo de Tarso, quando todos os discípulos fecharam-lhe a porta da igreja não acreditando que ele fosse convertido. Em Atos 11.19-26, a igreja de Jerusalém o vê como o melhor obreiro a ser enviado para Antioquia e quando ele vê a graça de Deus prosperando naquela grande metrópole, mais uma vez ele investe na vida de Saulo e vai buscá-lo em Tarso. Em Atos 13.2 o Espírito o separa como o líder regente da primeira viagem missionária. Em Atos 15.37-41 Barnabé mais uma vez está investindo na vida de alguém; desta feita na vida de João Marcos. Precisamos de líderes que sejam homens bons, homens que dediquem seu tempo e seu coração para investir na vida de outras pessoas.

2. Um líder cristão deve esvaziar-se de si para ser cheio do Espírito Santo. Barnabé era um homem cheio do Espírito Santo. Sua vida, suas palavras e suas atitudes eram governadas pelo Espirito de Deus. Um líder cheio do Espirito tem o coração em Deus, vive para a glória de Deus, ama a obra de Deus e serve ao povo de Deus. Barnabé é um homem vazio de si mesmo, mas cheio do Espírito Santo. A plenitude do Espírito não é uma opção, mas uma ordem divina. Não ser cheio do Espírito é um pecado de negligência. Precisamos de líderes que transbordem do Espírito, homens que sejam vasos de honra, exemplo para os fiéis, bênção para o rebanho de Deus. Quando os líderes andam com Deus, eles influenciam seus liderados a também andarem com Deus. Por isso, a vida do líder é a vida da sua liderança. Deus está mais interessado em quem o líder é do que no que o líder faz. Vida com Deus precede trabalho para Deus. Piedade é mais importante do que performace.

3. Um líder cristão deve colocar seus olhos em Deus e não nas circunstâncias. Barnabé era um homem cheio de fé. Ele vivia vitoriosamente mesmo diante das maiores dificuldades, porque sabia que Deus estava no controle da situação. A fé tira nossos olhos dos problemas e os coloca em Deus que está acima dos problemas. A fé é certeza e convicção. É certeza de coisas e convicção de fatos (Hb 11.1). É viver não pelo que vemos ou sentimos, mas na confiança de que Deus está no controle, mesmo que não estejamos no controle. A fé sorri diante das dificuldades, não porque somos fortes, mas porque embora sejamos fracos, confiamos naquele que é onipotente. Barnabé é um exemplo de um líder que deve ser seguido. Precisamos de líderes que vejam o invisível, creiam no impossível e toquem o intangível. Precisamos de líderes que ousem crer no Deus dos impossíveis e realizar coisas para ele. Precisamos de líderes que olhem para a vida na perspectiva de Deus, que abracem os desafios de Deus e realizem grandes projetos no reino de Deus.

 

Fonte: Hernandes Dias Lopes

 

FONTE: HERNANDES DIAS LOPES

Por que estou Comprometido em Ensinar a Bíblia

 

Por que estou Comprometido em Ensinar a Bíblia

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John MacArthur

John MacArhtur, autor de mais de 150 livros e conferencista internacional, é pastor da Grace Comunity Church, em Sum Valley, Califórnia, desde 1969; é presidente do Master’s College and Seminary e do ministério “Grace to You”; John e sua esposa Patrícia têm quatro filhos e quatorze netos.

Jamais aspirei ser conhecido como um teólogo, um apologista ou um erudito. Minha paixão é ensinar e pregar a Palavra de Deus. Embora tenha abordado questões teológicas e controvérsias doutrinárias, em alguns de meus livros, nunca o fiz sob o ponto de vista da teologia sistemática. Pouco me inquieta o fato de que algum assunto doutrinário se enquadra nesta ou naquela tradição teológica. Desejo saber o que é bíblico. Todas as minhas preocupações estão voltadas às Escrituras, e meu desejo é ser bíblico em todo o meu ensino.

Pregue a Palavra

Esta é a atitude com a qual abracei o ministério desde o início. Meu pai é um pastor, e, quando lhe disse, há alguns anos, que senti haver Deus me chamado para o ministério, ele me presenteou uma Bíblia em que havia escrito essas palavras de encorajamento: “Pregue a Palavra!” Esta simples frase se tornou um estímulo em meu coração. Isso é tudo que tenho me esforçado para fazer em meu ministério — pregar a Palavra.

Os pastores de nossos dias sofrem tremenda pressão para fazerem tudo, exceto pregar a Palavra. Eles são instruídos pelos eruditos do Movimento de Crescimento de Igreja que têm de alcançar as “necessidades sentidas” dos ouvintes. São encorajados a se tornarem contadores de histórias, comediantes, psicólogos e preletores que motivam. São aconselhados a evitarem assuntos que os ouvintes acham desagradáveis. Muitos já abandonaram a pregação bíblica em favor de mensagens devocionais que têm o objetivo de fazer as pessoas sentirem-se bem. Alguns têm substituído a pregação por dramatização e outras formas de entretenimento.

Mas o pastor cuja paixão é completamente bíblica tem apenas uma opção: “Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina” (2 Tm 4.2).

Quando Paulo escreveu essas palavras a Timóteo, ele acrescentou este aviso profético: “Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fá- bulas” (vv. 3,4).

Com certeza, a filosofia de ministério do apóstolo Paulo não incluía a teoria de “dar às pessoas o que elas desejam”. Ele não instou Timóteo a realizar uma pesquisa a fim de descobrir o que as pessoas queriam; mas ordenou que ele pregasse a Palavra, com fidelidade, repreensão e paciência.

Na verdade, ao invés de insistir que Timóteo idealizasse um ministério que acumularia elogios do mundo, Paulo advertiu o jovem pastor a respeito de sofrimentos e dificuldades! O apóstolo não estava ensinando Timóteo sobre como ser bem-sucedido; estava encorajando-o a seguir o padrão divino. Paulo não o estava aconselhando a buscar prosperidade, poder, popularidade ou qualquer outro conceito mundano de sucesso. O apóstolo instava o jovem pastor a ser bíblico, apesar das conseqüências.

Pregar a Palavra nem sempre é fácil. A mensagem que somos exigidos a pregar é, com freqüência, ofensiva. O próprio Senhor Jesus é uma pedra de tropeço e uma rocha de escândalo (Rm 9.33; 1 Pe 2.8). A mensagem da cruz é uma pedra de escândalo para alguns (1 Co 1.23; Gl 5.11) e loucura para outros (1 Co 2.3).

Não temos permissão para embelezar a mensagem ou moldá-la de acordo com as preferências das pessoas. O apóstolo Paulo deixou isto claro, ao escrever a Timóteo: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3.16 — ênfase acrescentada). Esta é a mensagem a ser proclamada: todo o conselho de Deus (At 20.27).

No primeiro capítulo de sua segunda carta a Timóteo, Paulo lhe dissera: “Mantém o padrão das sãs palavras que de mim ouviste” (2 Tm 1.13). O apóstolo se referia às palavras reveladas por Deus nas Escrituras — todas elas. Paulo instou Timóteo a guardar o tesouro que lhe havia sido confiado. No capítulo seguinte, o apóstolo aconselhou Timóteo a estudar a Palavra e manejá-la bem (2 Tm 2.15). E, no capítulo 3, Paulo o aconselhava a proclamá-la. Deste modo, todo o ministério de um pastor fiel gira em torno da Palavra de Deus — manter, estudar e proclamar.

Em Colossenses, Paulo, ao descrever sua própria filosofia de ministério, escreveu: “Da qual me tornei ministro de acordo com a dispensação da parte de Deus, que me foi confiada a vosso favor, para dar pleno cumprimento à palavra de Deus” (Cl 1.25 — ênfase acrescentada). Em 1 Coríntios, ele foi um passo além, afirmando: “Eu, irmãos, quando fui ter convosco, anunciando-vos o testemunho de Deus, não o fiz com ostentação de linguagem ou de sabedoria. Porque decidi nada saber entre vós, senão a Jesus Cristo e este crucificado” (1 Co 2.1-2). Em outras palavras, seu objetivo como pregador não era entreter as pessoas com um estilo retórico ou diverti-las com esperteza, humor, novos pontos de vistas ou metodologia sofisticada; o apóstolo simplesmente pregou a Cristo.

A pregação e o ensino fiel da Palavra de Deus têm de ser o âmago de nossa filosofia de ministério. Qualquer outra filosofia de ministério substitui a voz de Deus pela sabedoria humana. Filosofia, política, psicologia, conselhos despretensiosos, opiniões humanas jamais são capazes de fazer o que a Palavra de Deus faz. Essas coisas podem ser interessantes, informativas, entreter as pessoas e, às vezes, serem úteis, mas elas não constituem o objetivo da igreja. A tarefa do pregador não é ser um canal para a sabedoria humana; ele é a voz de Deus para a igreja. Nenhuma mensagem humana tem o selo da autoridade divina — somente a Palavra de Deus. Como ousa qualquer pregador substituí-la por outra mensagem? Sincera-mente, não entendo os pregadores que estão dispostos a abdicarem deste solene privilégio. Por que devemos proclamar a sabedoria dos homens, quando temos o privilégio de pregar a Palavra de Deus?

Seja Fiel, Quer Seja Oportuno, Quer Não

Nossa tarefa nunca se acaba. Não apenas temos de pregar a Palavra de Deus, mas também precisamos fazê-lo apesar das opiniões divergentes que nos rodeiam. Somos ordenados a nos mostrarmos fiéis quando esse tipo de pregação for tolerado e quando não o for.

Encaremos esse fato: pregar a Palavra agora não é oportuno. A filosofia de ministério norteada por marketing, que está em voga no presente, afirma claramente que proclamar as verdades bíblicas está fora de moda. Exposição bíblica e teologia são vistas como antiquadas e irrelevantes. Essa filosofia de ministério declara: “As pessoas que freqüentam a igreja não querem mais ouvir a pregação da Palavra. A geração do pós-guerra simplesmente não agüenta ficar sentada no banco, enquanto à sua frente alguém prega. Eles são frutos de uma geração condicionada pela mídia e precisam de uma experiência de igreja que os satisfaça em seus termos”.

O apóstolo Paulo disse que o pregador excelente tem de ser fiel em pregar a Palavra, mesmo quando isso não está na moda. A expressão que ele utilizou “esteja pronto” (no grego, ephistemi) literalmente significa “permanecer ao lado”, retratando a idéia de prontidão. Era freqüentemente usada para descrever uma guarda militar, sempre a postos, preparada para o dever. Paulo estava falando sobre uma intensa prontidão para pregar, assim como a de Jeremias, o qual afirmou que a Palavra de Deus era como um fogo em seus ossos. Isto era o que Paulo estava exigindo de Timóteo: não relutância, e sim prontidão; não hesitação, e sim coragem; não mensagens que motivavam os ouvintes, e sim a Palavra de Deus.
Corrige, Repreende e Exorta

Paulo também deu a Timóteo instruções a respeito do tom de sua pregação. Ele utilizou duas palavras que têm conotação negativa e uma que é positiva: corrige, repreende e exorta. Todo ministério de valor precisa ter um equilíbrio entre coisas positivas e negativas. O pregador que falha em reprovar e corrigir não está cumprindo sua comissão.

Recentemente, ouvi uma entrevista no rádio com um pregador bastante conhecido por sua ênfase em pensamento positivo. Esse pregador tem afirmado em seus escritos que evita qualquer menção do pecado em suas pregações, porque ele acha que as pessoas, de alguma maneira, estão sobrecarregadas com excessiva culpa. O entrevistador perguntou-lhe como ele poderia justificar essa atitude. O pastor respondeu que bem cedo em seu ministério havia decidido focalizar as necessidades das pessoas e não atacar seus pecados.

Entretanto, a mais profunda necessidade das pessoas é confessar e vencer seus pecados. Portanto, a pregação que não confronta e corrige o pecado, através da Palavra de Deus, não satisfaz a necessidade das pessoas. Falas sentirem-se bem e res- ponderem com entusiasmo ao pregador. Mas isso não é o mesmo que satisfazer suas verdadeiras necessidades.

Corrigir, repreender e exortar é o mesmo que pregar a Palavra de Deus, pois estes são os ministérios que as Escrituras realizam – “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça” (2 Tm 3.16). Observe o mesmo equilíbrio de tom positivo e negativo. Repreensão e correção são negativos, ensinar e educar são positivos.

O tom positivo é crucial também. A palavra “exorta” é para kaleo, um vocábulo que significa “encoraja”. O pregador excelente confronta o pecado e, em seguida, encoraja os pecadores arrependidos a comportarem-se de maneira cor-reta. Ele tem de fazer isso, com “paciência e longanimidade” (2 Tm 4.2). Em 2 Tessalonicenses 2.11, Paulo falou sobre exortar, encorajar e implorar, “como um pai a seus próprios filhos”. Isto freqüentemente exige muita paciência e instrução. Todavia, o pastor excelente não pode negligenciar esses aspectos de sua vocação.

Não se Comprometa em Tempos Difíceis

Existe urgência no encargo de Paulo ao jovem Timóteo: “Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças como que sentindo coceira nos ouvidos” (2 Tm 4.3). Esta é uma profecia que lembra aquelas que encontramos em 2 Timóteo 3.1 (“Sabe, porém isto: Nos últimos dias, sobrevirão tempos difíceis”) e 1 Timóteo 4.1 (“O Espírito afirma expressamente que, nos últimos tempos, alguns apostatarão da fé”). Este, portanto, é o terceiro aviso profético de Paulo advertindo Timóteo a respeito dos tempos difíceis que estavam por vir. Observe a progressão: o primeiro aviso dizia que viria o tempo em que as pessoas se apartariam da verdade. O segundo advertia Timóteo sobre o fato de que tempos perigosos estavam vindo à Igreja. E o terceiro sugere que viria o tempo em que haveria na igreja aqueles que não suportariam a sã doutrina e, em vez disso, desejariam ter seus ouvidos coçados.

Isso está acontecendo na Igreja hoje. O evangelicalismo perdeu sua tolerância em relação à pregação confrontadora. As igrejas ignoram o ensino bíblico sobre o papel da mulher na igreja, a homossexualidade e outros assuntos. O instru- mento humano tem sobrepujado a mensagem divina. Esta é a evidência do sério comprometimento doutrinário. Se as igrejas não se arrependerem, esses erros e outros semelhantes se tornarão epidêmicos.

Devemos observar que o apóstolo Paulo não sugeriu que o caminho para alcançar nossa sociedade é abrandar a mensagem, de modo que as pessoas sintam-se confortáveis com ela. O oposto é verdade. Esse coçar os ouvidos das pessoas é uma abominação. Paulo instou Timóteo a estar disposto a sofrer por amor à verdade e continuar pregando a Palavra com fidelidade.

Um intenso desejo por pregação que causa coceira nos ouvidos tem conseqüências terríveis. O versículo 4 diz que essas pessoas “se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas” (2 Tm 4.4). Elas se tornam vítimas de sua própria recusa em ouvir a verdade. “Se recusarão” está na voz ativa. As pessoas voluntariamente escolherão essa atitude. “Entregando-se às fábulas” está na voz passiva; descreve o que acontece a tais pessoas. Tendo se afastado da verdade, elas se tornam vítimas do engano. Ao se afastarem da verdade, tornam-se presas de Satanás.

A verdade de Deus não coça nossos ouvidos; pelo contrário, ela os golpeia e os queima. Ela reprova, repreende, convence; depois, exorta e encoraja. Os pregadores da Palavra têm de ser cuidadosos em manter esse equilíbrio.
Sempre houve nos púlpitos homens que reuniram grandes multidões porque eram oradores dotados, interessantes contadores de histórias e preletores que entretinham os ouvintes; tinham personalidades dinâmicas; eram perspicazes manipuladores das multidões, políticos populares, elaboradores de mensagens que estimulavam os ouvintes e eruditos. Esse tipo de pregador pode ser popular, mas não é necessariamente poderoso. Ninguém prega com poder, se não pregar a Palavra de Deus. Nenhum pregador fiel minimiza ou negligencia todo o conselho de Deus. Proclamar toda a Palavra – essa é a vocação do pastor.

 

CRÉDITO: EDITORA FIEL

 

Editora Fiel - Artigo: Por que estou Comprometido em Ensinar a Bíblia

Barnabé um homem de larga visão

terça-feira, 11 de outubro de 2011

 

Barnabé um homem de larga visão

“E os que foram dispersos pela perseguição que sucedeu por causa de Estêvão caminharam até à fenícia, Chipre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. O qual quando chegou, e viu a graça de Deus se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração; Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor" (At 11:19; 22:24).

“O futuro tem muitos nomes. Para os fracos é o inatingível. Para os temerosos, o desconhecido. Para os valentes é a oportunidade”. Victor Hugo

Problemas é tudo que vemos quando não olhamos para Jesus. Uma vontade enérgica é a alma de um grande caráter. Onde ela existe, há vida; onde não existe, ha desânimo, impotência e depressão. Conseguimos da vida aquilo que nela pomos. O mundo tem para nós exatamente o que temos para ele. É como um espelho que reflete os gestos que fazemos.

Entre as frases mais citadas, nenhuma é mais sutil, e mais repleta de adamantina verdade do que esta que tantas vezes é proferida pelos lábios humanos: “QUERER É PODER”. Quem decide fazer uma coisa, por força dessa mesma decisão bate todas as barreiras e assegura a realização dessa coisa. “Assim como o homem pensa em seu coração, assim ele é”. Pensar que somos capazes é quase sê-lo; decidir sobre uma realização é muitas vezes própria realização.

Gosto de Barnabé não somente pelo que realizou, mas porque, embora não haja muitas coi­sas escritas sobre seus feitos, eles estão presentes por onde passou. Conhecemos pessoas tão famo­sas que contribuíram tão pouco para o avanço do cristianismo, mas vemos em Barnabé alguém que de modo simples e produtivo se destacou de for­ma singular entre os apóstolos do Senhor. Agora, em Antioquia, vamos observar suas qualidades, habilidades e sua larga visão do Reino.

ANTIOQUIA

“As pessoas fracas esperam as oportunidades, as for­tes, as criam”.

Antioquia da Síria era a terceira maior cidade do mundo romano, ficava cerca de 25 quilômetros do mar, às margens do rio Orontes. A cidade era um magnífico exemplo de planejamento e ar­quitetura, testemunho da supremacia da civiliza­ção grega realçada pela paz romana. Os habitan­tes de Antioquia tinham reputação de imoderada exuberância, em parte por causa do seu humor satírico e senso vivo do ridículo, mas, principal­mente, pela vida sexual que até a Roma antiga achava excessiva.

Oito quilômetros ao sul, na passagem para os montes, estava o extenso Bosque de Dafne, dominado por uma enorme estátua do deus Apolo. Nesse lugar, centenas de prostitutas ofereciam o corpo a qualquer homem que desejasse adorar a deusa do amor. Entre as árvores e os templos, vivia uma ralé humana composta de escravos fu­gidos, criminosos, endividados e outros que iam procurar refugio ali.

As vielas e os bosques de Dafne eram ter­renos férteis, Antioquia possuía uma grande va­riedade racial e social. Foi em Antioquia que os do Caminho, foram chamados de cristãos pela primeira vez, significando este termo aqueles que se assemelhavam a Cristo. Antioquia era uma ci­dade onde, desde tempos remotos, havia muitos judeus, abrigando nos dias de Barnabé e Paulo uma colônia muito numerosa com várias sinago­gas espalhadas. Era também um lugar de idolatria e licenciosidade, e Barnabé foi visto pelos após­tolos como a pessoa ideal a ser enviada para lá, a fim de liderar, fazer crescer a igreja.

HERÓIS DESCONHECIDOS ROMPEM EM ANTIOQUIA

“E os que foram dispersos pela perseguição que suce­deu por causa de Estêvão caminharam até à Fenícia, Chi­pre e Antioquia, não anunciando a ninguém a palavra, senão somente aos judeus. E havia entre eles alguns ho­mens cíprios e cirenenses; os quais entrando em Antioquia falaram aos gregos, anunciando o Senhor Jesus. E a mão do Senhor era com eles; e grande número creu e se converteu ao Senhor” (At 11.19-21).

A igreja de Antioquia nasceu com uma ca­racterística muito especial, ela surgiu do sobrena­tural. Ficamos perplexos com métodos utilizados por Deus para realizar grandes feitos. Primei­ro, Ele não usou gente famosa, os pioneiros de Antioquia até hoje são desconhecidos; segundo, escapando da morte, esses homens espalhavam vida por onde passavam; terceiro, a mensagem que pregaram aos sábios de Antioquia era a mais simples do mundo: “eles anunciavam o Senhor Jesus” (At 11.20).

Outro fato importante na vida desses desco­nhecidos era que “a mão do Senhor era com eles” (At 11.21). Quando a mão do Senhor governa vidas, ou uma igreja, as notícias que o vento leva a seu respeito não são de dissensão, ciúmes ou escânda­los. Aquela era uma obra do Espírito Santo, e Ele se utilizou de homens de Chipre e de Cirene, pes­soas de pele negra, que venceram preconceitos e, no poder do Espírito Santo, abriram a porta para que Barnabé administrasse e desse seguimento.

Foi em Antioquia que as barreiras raciais ruíram. Alguns judeus helenistas, não contentes de pregar a Jesus nas sinagogas aos seus companheiros igualmente helenistas, puseram-se a pregar também aos gentios gregos, resultando em que muitos deles abraçaram a nova fé, de modo que a segunda igreja cristã a ser fundada contava com numerosos membros de origem gentílica.

Era uma época de muito preconceito, pois os gentios eram vistos pelos judeus como pessoas impuras e indignas de relacionarem-se com Deus, mesmo que o evangelho já tivesse alcançado os gentios através da pregação de Pedro na casa de Cornélio. O vento da dispersão impulsionou os que fugiam do Imperador romano para Antioquia. Esses que até hoje não são conhecidos, incendia­ram aquela cidade impura, de cerca de meio mi­lhão de habitantes, com a pregação do evangelho.

Como um fogo que incendeia uma floresta seca, esses intrépidos e desconhecidos homens de pele negra pregaram com ousadia, quebraram barreiras e preconceitos raciais, inaugurando uma grande igreja num ambiente totalmente idólatra e imoral. Existem pessoas que precisam se tor­nar renomadas e conhecidas da mídia, para assim, anunciar o evangelho com mais alcance. Estes, até hoje não foram conhecidos, não têm nomes, não possuíam credenciais, não eram apóstolos, mas uma coisa se diz com relação a eles: “a mão do Senhor era com eles”. Se a mão do Senhor for co­nosco, já é suficiente.

Como o evangelho é poderoso. Enquanto os apóstolos estavam em Jerusalém, os frutos da pregação já haviam florescido entre os gregos. “E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém” (At 11.22). A fama que che­gou não era como a fama que ouvimos hoje em determinadas igrejas. Quando a mão do Senhor governa, os ventos espalham grandezas e maravi­lhas realizadas pelo Senhor no meio do seu povo. Não há espaços para fofocas ou coisas que nada edificam.

BARNABÉ CHEGA À ANTIOQUIA

“E enviaram Barnabé à Antioquia. O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, se alegrou, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração; Porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor” (At 11. 22b-24).

Os apóstolos parecem não ter compreendi­do que deveriam ficar em Jerusalém apenas até o momento do revestimento (Lc 24.49). Mesmo assim, Deus não deixou de trabalhar, não contou com nenhum deles, e a igreja de Antioquia foi fundada. Ainda sem sentir o calor de uma nova experiência, enviaram Barnabé à Antioquia para que fortalecesse a igreja e administrasse segundo a unção e graça que estavam sobre sua vida.

Deus tem projetos guardados em sem cora­ção para frustrar os mais sábios dos homens. Ele nunca está desprevenido e havia um propósito por Ele desenhado para que Barnabé assumisse o controle daquela missão. Primeiro, manteve os apóstolos em Jerusalém, depois fez com que Bar­nabé fosse enviado por eles. Nada é por acaso no Reino de Deus.

Barnabé tinha algumas vantagens, e também desafios para enfrentar em Antioquia. Era nativo de Chipre, conhecia a língua grega e compreendia a cultura da época. Todavia, Antioquia era uma cidade moralmente imunda e de péssima reputa­ção. A Fenícia seguia uma religião pagã, e Antio­quia, o seu centro, era uma cidade espalhada, com cerca de meio milhão de habitantes, conhecida pelas corridas de bigas, jogo, prostituição, sistema de governo corrupto.

Outro fato importante é que o templo da deusa Diana ficava a 8 quilômetros da cidade e era um antro daquelas que eram chamadas de prostitutas sagradas. Para Barnabé era um grande desafio, pois os novos convertidos poderiam ser seduzidos pela imoralidade da cidade, visto que não possuíam qualquer conhecimento sobre a rica herança religiosa do judaísmo. Eles não conheciam a Deus e não haviam aprendido as Escrituras.

As vantagens de Barnabé se concentram em conhecer a cultura, falar a língua grega, e acima de tudo, por suas qualidades morais, pessoais e espirituais. Pois não existe nenhum outro homem citado no Novo Testamento que reunisse em si as qualidades que Barnabé possuía. “Ele era homem de bem, cheio do Espírito Santo e de fé”. Qualidades que raramente encontramos combinadas nos servos de Deus, inclusive em nós mesmos (At 11.24).

Às vezes encontramos pessoas cheias do Espírito Santo que nem sempre são pessoas de bem; é possível encontrar pessoas de fé que não são cheias do Espírito Santo; ou pessoas de bem, cheias dos Espírito Santo, cuja fé é baixíssima e destoante.

Na verdade, ter essas qualidades combinadas na época de Barnabé era muito diferente do que ocorre em nossos dias. Hoje uma pessoa cheia do Espírito Santo é a que salta, dança e faz piruetas; observemos a vida de Barnabé e veremos o que realmente era ser cheio do Espírito Santo; ser de bem e ser cheio de fé. Era realmente um conceito muito superior ao que existe hoje em dia

BARNABÉ, UM LÍDER DE LARGA VISÃO

“A águia gosta de pairar nas alturas, acima do mun­do, não para ver as pessoas de cima, mas para estimulá-las a olhar para cima”. Elisabeth Klüber – Ross

Existem muitas pessoas que não têm visão para a vida nem sabem como obtê-la. Existem outras que até têm uma visão, mas estão presas na lama da confusão, sem saber o que fazer. Existem também aquelas que um dia tiveram uma visão, mas a abandonaram por causa de desânimo, de­silusão ou por conta do fracasso e da frustração. Mas a grande verdade é que todos nascemos com um propósito individual. Todavia, o aspecto trá­gico dessa realidade, é que muitos de nós vive­mos toda uma vida sem jamais identificar para que nascemos.

Visão é a habilidade de enxergar além do que nossos olhos físicos conseguem ver. A capa­cidade de não apenas ver como é, mas também de como pode vir a ser uma realidade. Visão é um conceito inspirado por Deus no coração de um ser humano. A vista é uma função dos olhos, mas a visão é uma função do coração. Nós podemos enxergar e ao mesmo tempo não ter visão.

É simples. Deus deu à humanidade o dom da visão para que não vivêssemos somente por aquilo que podíamos ver. As palavras visão e re­velação são, às vezes, usadas de maneira interca­lada. Revelar significa desvendar. Algo que é des­vendado estava lá o tempo todo, mas não podia ser visto exteriormente.

Por exemplo: o destino de um fruto do car­valho é ser uma árvore. Pela fé, conseguimos ver a árvore dentro da semente. Você tem uma visão dela pelos olhos da mente, porque identifica o potencial na semente. A mesma coisa ocorre co­nosco. Deus nos criou para um propósito, e para Deus esse propósito já está terminado porque Ele colocou dentro nós o potencial para cumpri-lo.

O que vemos é uma semente, mas o que re­almente está ali é uma árvore com frutos, frutos com sementes, e sementes com muitas outras árvores, que formarão em uma floresta. Nosso olhar vê uma semente, mas ali está uma floresta. Para verdadeiros visionários, o mundo projeta­do por suas visões é mais real do que a realidade concreta ao redor deles.

Conta-se que quando a Disney World foi inaugurada, havia apenas um aparelho de diversão. Walt Disney estava sentado em um banco, olhando fixamente para cima. Um dos trabalhadores, que estava cuidando do gramado, passou por ele e perguntou: “Como está, senhor?”. “Bem, obri­gado” respondeu Disney, sem olhar para o ho­mem, e continuou olhando para cima. Então o homem disse: “Sr. Disney, o que o senhor está fa­zendo?”. “Estou olhando para minha montanha. Vejo a montanha bem ali”, ele respondeu.

Walt contou aos seus arquitetos a respeito dessa montanha. Enquanto a descrevia, eles es­creveram o que ele falava, e, em seguida, elabora­ram os projetos. Walt morreu antes que a Space Mountain (Montanha Espacial) fosse construída, portanto não chegou a vê-la edificada. Quando a Space Mountain foi inaugurada, o governador e o prefeito estavam presentes, e a viúva de Walt também estava lá.

Um jovem levantou-se para apresentá-la e disse: “E uma pena que o Sr. Walt Disney não es­teja aqui hoje para ver esta montanha, mas esta­mos felizes pelo fato de sua esposa estar aqui”. A Sra. Disney foi até o pódio, olhou para a multidão e disse: Devo corrigir este jovem. “Walt já viu a montanha. É você que a está vendo apenas agora”.

A visão é a energia de uma liderança eficaz. Quando um líder vive a reclamar, sente-se opri­mido e cansado, é porque está sem visão. Quem tem visão vive por ela, ela é sua força. Veja quão grande exemplo nos deixou Calebe, que após ter visto e entrado na terra prometida, foi incluído no grupo dos insurretos de Israel e condenado mesmo sem culpa a rodear o deserto por quaren­ta lastimosos anos. Ele nunca se cansou, e quan­do chegou o fim daquele castigo, disse a Josué:

“E agora eis que o Senhor me conservou em vida, como disse; quarenta e cinco anos são passados, desde que o Senhor falou esta palavra a Moisés, andando Israel ainda no deserto; e agora eis que hoje tenho já oitenta e cinco anos; E ainda hoje estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou; qual era a minha força então, tal é agora a minha força, tanto para a guerra como para sair e entrar. Agora, pois, dá-me este monte de que o Senhor falou aquele dia; pois naquele dia tu ouviste que estavam ali os anaquins, e grandes e fortes cidades. Porventura o Senhor será comigo, para os expulsar, como o Senhor disse” Js 14. 10-12).

Um líder precisa ter um destino, um lugar onde chegar. O sentido de uma liderança é a vida. Pois um verdadeiro líder deve dar sentido à vida de seus liderados. Barnabé incentivou os irmãos a permanecer no Senhor com propósito, procu­rou instruí-los, e eles receberam o reconhecimen­to público de que se pareciam com Jesus Cristo. Nada muda sem liderança, nada acontece sem liderança, nada melhora sem liderança, nada se corrige sem liderança. Os líderes não mantêm as coisas, eles as melhoram.

A qualidade de um líder determina a qua­lidade do povo. Jamais devemos culpar o povo pelo fracasso de nossa organização se somos os líderes. Quando melhoramos, o povo também melhora, e se afundamos, o povo também afun­da. Por que o povo de Antioquia foi comparado a Cristo? Simplesmente porque sua liderança se pa­recia com Cristo. Os líderes não gerenciam alvos, eles projetam destinos. Não possuem visões am­biciosas, estão dispostos a morrer por uma visão.

Na verdade, não podemos acreditar na visão de quem não é capaz de morrer por ela. Quem tem visão se torna um catalizador, sempre doa ao povo. Infelizmente, muitos líderes fracassam porque dão ao povo sua personalidade e não sua visão. Líderes passam, mas a visão é de gerações, não é pessoal, não é nossa, é para os filhos que ainda não nasceram. O fracasso está em querer transferir ao povo a nossa personalidade e não a visão que Deus nos deu. Porque na morte, tudo morre sem a transferência.

O que faz o bom pastor? O que disse Jesus? O bom pastor dá a vida por sua ovelhas. Será que suportamos ataques por causa da visão? Seriamos nós como Calebe algum dia? Entenda: se não es­tamos dispostos a morrer pela visão, ela não é visão, é apenas um emprego. A visão dada por Deus sempre irá edificar o povo e nunca destruí- lo. Líderes que espalham não são líderes. Líderes verdadeiros sabem reconhecer até seus limites, sabem reconhecer quem irá além deles, sabem incentivá-los, sabem prepará-los.

Quem você está preparando para assumir seu lugar amanhã? Ninguém? Então você não é líder. Líderes projetam outros líderes, sabem que não são eternos. Barnabé, preparou os crentes de Antioquia, a única igreja da Ásia que nunca re­cebeu uma repreensão. Preparou Saulo, preparou João Marcos, isto é ser líder. Líderes que têm vi­são sabem até onde podem ir, sabem seu tempo, sabem que não podem fazer tudo sozinhos, sa­bem que são limitados.

Uma vida sem visão é uma existência pobre. Sem uma visão do futuro, a vida perde o seu sig­nificado. E a ausência de significado leva à falta de esperança. Sempre que as pessoas estão desani­madas com a sua própria vida, elas podem se tor­nar rancorosas em relação a tudo em redor. Elas se sentem como se estivessem desperdiçando a vida e começam a viver vagamente. Não importa quanto dinheiro uma pessoa tenha, qualquer um que viva assim é pobre.

É profundamente desolador saber que, ape­sar de termos recebido uma visão singular, mui­tos de nós acabamos enterrando nossos sonhos e nos conformando com uma existência inferior, transformando-nos num cemitério do precioso tesouro de Deus. Muitas pessoas passam a vida inteira se distanciando daquilo que Deus plane­jou que elas fossem, porque nunca reconheceram quem são em primeiro lugar.

Diz-se que há três tipos de pessoas no mun­do: Primeiro, há aquelas que parecem que nunca percebem o que está acontecendo ao redor delas. Segundo, há aquelas que perguntam: “O que aca­bou de acontecer?” E, terceiro, há aquelas que fazem as coisas acontecerem. Qual dessas será você? Já se perguntou para que propósito você foi criado? Já capturou a visão que Deus tem para sua vida? Pessoas de visão nunca se deixam abater, sabe por quê? Porque estão sempre no futuro. Nada aqui poderá detê-las.

Elas não enfraquecem, não desistem em hi­pótese alguma. Elas são como Neemias, jamais descem, jamais param o que estão fazendo quando são incomodadas por pessoas que não têm o que fazer. Sabe de uma verdade? Quem não tem o que fazer sempre vai querer que você faça o mesmo que ele. Seja como Barnabé, veja, tenha sempre seus olhos no amanhã, sonhe e transfor­me em realidade o que Deus já colocou em sua vida. A propósito, você é um líder?

AS TRÊS VISÕES DE BARNABÉ

E chegou a fama destas coisas aos ouvidos da igreja que estava em Jerusalém; e enviaram Barnabé a Antioquia. O qual, quando chegou, e viu a graça de Deus, alegrou-se, e exortou a todos a que permanecessem no Senhor, com propósito de coração; porque era homem de bem e cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente se uniu ao Senhor. E partiu Barnabé para Tarso, a buscar Saulo; e, achando-o, o conduziu para Antioquia. E sucedeu que todo um ano se reuniram naquela igreja, e ensinaram muita gente; e em Antioquia foram os discípulos, pela primeira vez, chamados cristãos (At 11. 22-26).

OLHOU PARA A IGREJA E VIU A GRAÇA DE DEUS

Barnabé era um homem de qualidades com­binadas. Um homem de bem, cheio do Espírito Santo e acima de tudo, cheio de fé (At 11.24). Um homem de grande sensibilidade espiritual para conhecer coisas divinas. Assim que chega à Antioquia e olha para a igreja ali estabelecida vê a graça de Deus e se alegra (At 11.23).

O que Barnabé contemplou é o que todo homem espiritual sabe existir na igreja do Senhor, uma graça sobrenatural que nos alegra. Todavia, para os espirituais isso é notório e verdadeiro, mas não para os que estão de fora. Sabemos que essa graça impactante está na igreja, mas necessita estar incorporada não no templo, mas na vida de cada membro que a compõe.

Essa glória vista por Barnabé necessitava impregnar a vida daqueles membros para que os de fora fossem contagiados por ela também. Barnabé era o homem escolhido para conduzir Antioquia a um nível de unção diferente e contagiante naquela região. Então, de modo especial, ele sente que sozinho não poderia e, embora, fos­se um homem de grandes qualidades, necessitava da ajuda de alguém que rompesse com o natural. Assim, ele tem uma segunda visão: descer a Tar­so em busca de Saulo para que se una a ele nesse propósito.

BARNABÉ NÃO TEMEU SER SUPERADO

O que hoje para muitos é um risco, signifi­cou foi o sucesso da igreja que estava em Antio­quia. Barnabé não viu Saulo como alguém que fosse superá-lo e tomar seu lugar. Em primeiro lugar ele pensou no bem estar da igreja, dando-lhe o melhor. Pensou legitimamente no Reino e não em sucesso ministerial. Viu Saulo como um aliado na tarefa de elevar a performance espiritual daquele povo e assim, glorificar o nome do Senhor naquela região.

Barnabé reconheceu suas limitações. Sabia que a obra de Deus não se faz somente por que se é bom, cheio do Espírito Santo e por fé. Ela se faz com unidade e determinação. Pois ainda que tenhamos todos os dons nada se deve fazer de forma egoísta. É preciso aprender que outros precisam brilhar e brilhar através de nós.

Barnabé foi uma ponte para o ministério de Saulo. Ele era o líder da obra, mas a sabedoria para moldar aquele povo estava sobre Saulo. É neste momento que surge a sua terceira visão.

A VISÃO DO FUTURO

Em Saulo havia algo que não havia em Bar­nabé, como em todos nós existe algo que não existe em outros. Mas Barnabé pensou no futuro de seu povo e não em seu sucesso como pastor de Antioquia.

Ele olhou para Saulo e viu o futuro, viu uma igreja estruturada e juntos formaram uma equipe sobrenatural. Saulo foi o instrumento que conduziu os crentes de Antioquia ao exercício da Pa­lavra. Durante todo um ano, eles se ampararam da tarefa de ensinar. O resultado foi tão surpre­endente que a graça que Barnabé havia visto na igreja impregnou de tal modo a vida dos crentes que, ao passar pelas ruas, eles foram confundidos com miniaturas de Cristo.

Essa dupla não formou grandes homens, crentes famosos, formou pequenos Cristos. Em Antioquia eles foram pela primeira vez reconhecidos, não como seguidores de Cristo, mas como réplicas menores daquele a quem serviam. Infe­lizmente, hoje, criamos não miniaturas de Cris­to, mas homens que se acham deuses e donos de uma igreja pela qual jamais teriam a capacidade de morrer.

QUE VIU BARNABÉ?

1 — Que nem tudo o que valorizamos como bom está em cima. É necessário descer para Tar­so, é necessário olhar para baixo. Que tal descer?

2 — Existem muitas peças que foram ungidas para grandes obras, mas que precisam ser eleva­das. Não foram ainda utilizadas. Estão ainda embaixo esperando que surja um Barnabé para lhes estender a mão.

3 — O medo de serem superados impede que levantemos aqueles que avançarão mais do que nós. Barnabé foi a ponte para Saulo desenvolver seu ministério. Ser ponte é saber se colocar embaixo, muitos não observam a ponte, mas o que está sobre ela. Barnabé soube ser ponte, você saberá?

4 — Não importa ser bom e ter muitas qualidades no Reino de Deus, o importante é saber se relacionar, unir forças e trabalhar, não para si; mas para que o Reino se desenvolva.

5 — Todo Saulo precisa de um Barnabé. Alguém que lhe estenda a mão, que lhe dê espaço para trabalhar e que apoie suas ideias. Saulo encontrou, você também encontrará. No Reino ninguém é ungido para não se movimentar. Na hora certa Deus enviou Barnabé, na hora certa a mão que precisamos se estenderá.

 

Bibliografia Pr Abner Ferreira

 

EBD AREIA BRANCA

 

 

Barnabé um homem de larga visão

Os desafios do pentecostalismo (2ª parte)

 

07/10/2011 13:25

Os desafios do pentecostalismo (2ª parte)

Hoje, falaremos de mais dois desafios: o desafio da apostasia e a mensagem com poder pentecostal.
3) O desafio da apostasia – A que assemelharei a apostasia? A um abismo que chama outros abismos. Hoje, incomodado com a verdade; amanhã, apóstata e herege (1 Tm 4.1). Hoje, com a Bíblia; amanhã, com a própria escritura. Hoje, ainda com a unção de Deus; amanhã, feiticeiro (1 Sm 15.23). Hoje, despindo-se da humildade cristã; amanhã, revestindo-se de orgulho e soberba (Ez 28.1-19; 1 Tm 3.6).
Se caminharmos de apostasia em apostasia, com que nos apresentaremos ante o Senhor? Com profecias e milagres? Com sinais e maravilhas? Ou com exorcismos? Tais coisas, porém, jamais nos farão conhecidos diante de Deus. Apresentemos tudo isso ao Senhor, e ainda correremos o risco de ouvir do Rei: “Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade” (Mt 7.21-23).
Somente uma coisa faz-nos conhecidos diante do Cristo: o amor sacrifical que, mansa e humilhadamente, lhe devotamos. Este é o argumento mudo, dolorido e pungente dos santos. Somente a humildade traz a ortodoxia doutrinária. 
4) Uma mensagem com poder pentecostal – Se me perguntarem, hoje, que mensagem apresentar nestes tempos impiamente pós-modernos, responderei: “Jesus Cristo salva, batiza no Espírito Santo, cura as enfermidades, opera sinais e maravilhas e, brevemente, haverá de arrebatar-nos”.
Nossa homilética, por conseguinte, não necessita de nenhum sucedâneo; é completa em si mesma, pois essencialmente bíblica. Teológica e historicamente, é a mesma mensagem que nos trouxeram Daniel Berg e Gunnar Vingren nos alvores do século XX. Aí, o Calvário e o Cenáculo. Também, aí, o avanço da Igreja e o estrugir da trombeta do arcanjo.
Hoje, portanto, não carecemos de nenhuma confissão positiva; carecemos urgentemente, sim, de confissão de pecados, a fim de que alcancemos a misericórdia divina. Não carecemos, de igual modo, da teologia da prosperidade, pois a prosperidade de certas teologias enoja o Nazareno. Não tinha Ele onde reclinar a cabeça, mas uma cruz para adormecer a fronte. Quanto aos que, ousada e impiamente, nos invadem as igrejas e congregações com mensagem exóticas, não tem eles cabeça para reclinar; fizeram-se loucos diante do Cordeiro. Endureceram de tal maneira a cerviz, que já não podem curvar a cabeça ante a soberania divina.
Que futuro espera os pentecostais? Não me preocupo com essa questão, pois os dois últimos capítulos do Apocalipse mostram, detalhadamente, o porvir que nos aguarda. Minha preocupação é com o presente. O que temos feito deste presente que nos concedeu o Senhor Jesus no Cenáculo? Já de posse deste presente, estamos nós, de fato, presentes onde o Nazareno jamais estaria ausente?
O nosso presente exige que sejamos espiritual e biblicamente coerentes. Doutra forma, não haverá futuro; haverá apenas um passado glorioso; escreveremos história; mas, história, jamais faremos. Somente quem aceita e vence os desafios é que participa da História da Salvação (Ml 3.16).

 

PERFIL
Pastor Claudionor de Andrade é gerente de Publicações da CPAD, membro da Casa de Letras Emílio Conde, teólogo, conferencista, comentarista de Lições Bíblicas da CPAD, apresentador do programa radiofônico “O Som da Profecia” da Rádio CPAD FM 96.1 em João Pessoa (PB), e autor dos livros “As Verdades Centrais da Fé Cristã”, “Manual do Conselheiro Cristão”, “Teologia da Educação Cristã”, “Manual do Superintendente da Escola Dominical”, “Dicionário Teológico”, “As Disciplinas da Vida Cristã”, “Jeremias – O Profeta da Esperança”, “Geografia Bíblica”, “História de Jerusalém”, “Fundamentos Bíblicos de um Autêntico Avivamento”, “Merecem Confiança as Profecias?”, “Comentário Bíblico de Judas”, “Dicionário Bíblico das Profecias” e “Comentário Bíblico de Jó”, dentre outros títulos da CPAD

 

 

 

CRÉDITO: CPADNEWS

 

 

 

 

 

CPAD - Os desafios do pentecostalismo (2ª parte)